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7 de Julho, 2007 jvasco

Ateísmo na Blogosfera

  1. «Por exemplo, o relato Blínico da criação fala-nos da Papa de Aveia primordial de onde foi criada toda a Terra. Do leite que sobrou foi formado o Coalho, que os Blin, na Sua sabedoria, transformaram em Queijo Fresco, criando assim a Lua. De Galileu ao início do século XX isto era apontado por muitos como contradizendo o conhecimento científico, pois observava-se que a Lua seria composta por rocha e cinza mineral, não por queijo fresco.

    Com o advento da mecânica quântica a ciência teve que recuar e admitir a viabilidade do relato Blínico. Sabemos agora que toda a matéria é composta por partículas sub-atómicas, e que a rocha e o queijo fresco são apenas arranjos diferentes dessas mesmas partículas. Deixa de haver contradição, pois a Lua é assim precisamente rocha e queijo fresco em simultâneo, num sentido quântico e metafísico transcendente. E alguns cientistas até admitem a incapacidade de provar categoricamente que o núcleo da Lua não contenha queijo fresco. Sendo que o relato Blínico não contradiz a ciência, justifica-se depositar nele a nossa fé absoluta. E justifica-se rejeitar a ciência caso seja novamente contrária a este relato metafísico revelado. Afinal, a ciência muda, mas o relato Blínico é sempre o mesmo.»»(«Ecumenismo Blínico.», no Que Treta!)

  2. «Ser Cadete: Código de Honra 9. O Aluno da Academia Militar ama devotadamente a sua Pátria e forja os seus ideais no culto dos grandes valores humanos e cristãos que a encheram de glória no passado. […] É completamente inaceitável que o Código de Honra da Academia Militar faça menção ao cristianismo. Seria suficientemente grave que qualquer escola ou universidade pública submetesse os seus alunos ao respeito dos “valores cristãos”. Que os militares, que são quem no limite deve garantir a segurança e estabilidade do regime, tenham um código de ética que vai contra a Constituição é duplamente grave. Impõe-se a denúncia deste caso e a alteração do referido código.»Pela Laicização da Academia Militar», no Blogue Liberal Social)
  3. «Para manter as aparências as seitas não podem pôr anúncios nos jornais ou na TV, por exemplo, dizendo que a seita X leva o adepto mais depressa para a salvação (o que quer que isso seja) sem estragar o fato. Têm que ser mais subtis, arranjam uns programas pseudo-culturais em que o objectivo é o mesmo, enviam visitantes a casa, ou abordam os incautos na rua. É isto o proselitismo. Acusar uma seita, como a ICAR, de proselitismo é o mesmo que acusar uma vaca de dar leite, ou uma águia de voar: faz parte da sua natureza e sem essa atitude não sobreviveriam.»(«O proselitismo das religiões», no Croquete-matinal)
6 de Julho, 2007 Ricardo Alves

No final do primeiro mandato da Comissão da Liberdade Religiosa

A Associação República e Laicidade enviou uma carta ao Ministro da Justiça onde faz o balanço do primeiro mandato de actividade da Comissão da Liberdade Religiosa (CLR). A carta destaca que a comissão que agora termina o seu mandato (nomeada por Celeste Cardona em Fevereiro de 2004) não espelhou a diversidade existente em matéria religiosa em Portugal, tendo sido deliberadamente excluídas da sua composição quer os defensores da laicidade do Estado, quer pessoas sem religião. Esta limitação traduziu-se num empobrecimento das perspectivas representadas na comissão, que foi particularmente visível nos colóquios promovidos, onde jamais foi convidado alguém que defendesse a laicidade do Estado ou uma pessoa que não tivesse religião. Efectivamente, e apesar de Portugal ser teoricamente um Estado laico, esta comissão estatal preferiu convidar oradores abertamente anti-laicistas (como Bacelar Gouveia, que foi ao ponto de confundir laicidade do Estado com ateísmo de Estado). Estive presente no primeiro colóquio promovido pela Comissão, e perguntei porque tinham sido convidados apenas oradores que descreviam os sistemas de relações entre Estado e igrejas na Alemanha, no Reino Unido ou na Espanha, e porque não era dada atenção aos sistemas mais laicistas da França ou dos EUA. Foi-me respondido taxativamente que essas perspectivas «não interessavam».

No entanto, a liberdade mais fundamental é a liberdade de consciência, que inclui a liberdade religiosa como um caso particular, mas que inclui também a liberdade de não ter religião e a liberdade de criticar a religião. Por querer restringir-se a pessoas e entidades religiosas, a CLR acabou por ver passar-lhe ao lado os debates mais importantes que neste período agitaram a sociedade portuguesa, nomeadamente sobre religião e violência, sobre a questão dos crucifixos ou sobre o protocolo de Estado. No período final, a CLR entrou em roda livre, com sugestões do seu presidente de «levar a religião às universidades», e com a proposta, no segundo colóquio, de uma disciplina obrigatória de religião. Note-se que qualquer uma destas propostas, se adoptada, afectaria os cidadãos sem religião ou sem prática religiosa (que constituem, registe-se, a maioria da população portuguesa).

A Comissão da Liberdade Religiosa, criada pela Lei da Liberdade Religiosa (2001), é formada por um presidente nomeado pelo Conselho de Ministros, três representantes das comunidades religiosas «radicadas» nomeados pelo Ministro da Justiça, «cinco pessoas de reconhecida competência científica» nomeadas pelo Ministro da Justiça, e dois membros directamente nomeados pela ICAR (que é a única confissão religiosa a que a Lei da Liberdade Religiosa não se aplica). Este arranjo é criticado pela Associação República e Laicidade num documento cuja leitura recomendo.

[Esquerda Republicana/Diário Ateísta]
5 de Julho, 2007 Carlos Esperança

Vaticano – O regresso ao Concílio de Trento

Os «pérfidos judeus» de uma oração da Sexta-feira Santa (abolida só em 1960) podem voltar pela vontade de Bento 16 cujo ímpeto reaccionário e proselitismo religioso só encontram paralelo nos mais histéricos mullahs.

Pedir a Deus que tenha piedade, «até dos judeus», inscreve-se no mais demente espírito persecutório do anti-semitismo cristão cujas consequências estão vivas na memória do holocausto. Do antro do Vaticano sopra o ódio vesgo, o racismo do Novo Testamento, a xenofobia romana, o horror à diferença e à liberdade.

B16 é a incarnação de todos os demónios totalitários a vomitar latim por entre odores de incenso e borrifos de água benta, ao som do cantochão. O tirano conhece bem a história mas não aprendeu a democracia que viu florir á sua volta como obra do Demo.

Hitler aprendeu no cristianismo a odiar os judeus. Bento 16 aprendeu na Bíblia que sabe de cor, no ódio que lhe percorre a face, da tiara até às orelhas, e nas fogueiras do Santo Ofício que o seu Deus só se impõe à humanidade através da exterminação dos inimigos.

A face tolerante do cristianismo não é mais do que a máscara que cobre a raiva e o ódio que a Reforma, a Revolução Francesa e o secularismo o obrigaram a afivelar. Se, por um instante descurarmos a vigilância contra o asco que crepita envolto em sotainas não tarda que novas cruzadas e velha fogueiras defendam a pureza da fé católica e o ódio torpe dos clérigos romanos á democracia e à civilização numa orgia totalitária ao gosto do pastor alemão.

Do livro «A Igreja católica e o Holocausto – Uma dívida moral», Daniel Jonah Goldhagen, respigo os dados seguintes:

– O Evangelho segundo S. Marcos tem cerca de 40 versículos anti-semitas;

– O Evangelho segundo São Lucas tem cerca de 60 versículos explicitamente anti-semitas e apresenta João Baptista a chamar aos judeus «raça de víboras»;

– O Evangelho segundo São Mateus tem cerca de 80 versículos explicitamente anti-demitas:

– Os Actos dos Apóstolos têm cerca de 140 versículos explicitamente anti-semitas:

– O Evangelho segundo S. João contém cerca de 130 versículos anti-semitas.

«Só estes cinco livros contêm versículos explicitamente anti-semitas suficientes, num total de 450, para haver em média mais de dois por cada página da edição oficial católica da Bíblia» (pág. 316 e seguintes).

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Nota: O cartoon foi publicado por amável deferência do autor.
5 de Julho, 2007 Carlos Esperança

Alá abandonou-os

O líder da Mesquita Vermelha, Abdul Aziz, apelou esta quinta-feira através de uma entrevista à televisão pública, aos 1000 radicais barricados no templo para se renderem.

O líder religioso foi detido quando tentava abandonar a mesquita (palco dos confrontos entre os radicais islâmicos e as forças de segurança paquistanesas) disfarçado com uma «burqa» negra.

Comentário: Deve ser duro, para um líder religioso, viajar de burka, ser preso assim vestido e ver-se abandonado por Deus.

4 de Julho, 2007 Carlos Esperança

O proselitismo do Opus Dei

À medida que a demência islâmica se exacerba numa espiral de proselitismo e suicídio, cresce o entusiasmo do protestantismo evangélico na sua faceta mais troglodita, que deu origem à cruzada do Iraque, na triste expressão do pio presidente dos EUA, na sua mais ilegal e iníqua decisão.

Sem perdermos de vista os cristãos ortodoxos cuja teologia conservadora prima pelo desvelo com que se conluiam com o Estado, é importante vigiar a impudicícia com que a ICAR se lança à conquista de novos mercados.

Não arremete com um exército de carmelitas descalças ou frades capuchinhos, é com a elite da sua mais obscurantista e inquietante seita, a poderosa, rica e fundamentalista Opus Dei. Levam cilícios para mortificar o corpo e no coração o ódio torpe aos infiéis, a fé inflexível de que há um só Deus verdadeiro – o seu -, que é preciso impor ao Mundo.

Acredito que não restauram o Santo Ofício, não por indolência dos seus padres mas pelo espírito secular da Europa donde partem. Vão em bandos, mansos, à procura de vender o martírio do seu Deus e regressarem com os bolsos cheios de oferendas extorquidas aos novos crentes.

O assalto aos países do ex-bloco soviético começou na Polónia; depois, a Eslováquia, República Checa, Hungria e Países Bálticos. Nos últimos anos, a Eslovénia e a Croácia. Finalmente, o proselitismo católico invadiu a Rússia.

A denúncia do proselitismo e a luta pelo descrédito da fé são um combate civilizacional.

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Nota: O cartoon foi publicado por amável deferência do autor.
4 de Julho, 2007 Hacked By ./Localc0de-07

Entrevista com Salman Rushdie

Salman Rushdie é um dos mais importantes livres-pensadores do mundo, um destemido ateu que quebrou as amarras religiosas com o islamismo e se emancipou. A sua dedicação e coragem transcendem em muito os jornalistas e escritores que se vergam ao medo, que desprezam as criticas religiosas a troco de um suposto respeito, pelos respeitos seriam impossíveis os relacionamentos Humanos, pois todos atentam a convicções alheias, assim é o debate racional e honesto.

Nesta entrevista Rushdie apresenta as suas visões de como depois dos anos 60 o mundo se foi tornando mais religioso, quando seria de esperar o contrário, explica as suas ideias sobre o islamismo, cristianismo, hinduísmo, e todas as religiões que neste momento parecem emergir em força quando supostamente a secularização havia vencido, a paz no mundo parecia deixar de ser utópica, os sectarismos pareciam estar confinados a minorias e a igualdade de direitos parecia desenvolver-se para a hegemonia. Interessante a sua visão sobre as problemáticas religiosas e a necessidade de as confrontar, não podemos viver em paz em lado nenhum quando tendências homicidas e ideais bárbaros ganham mais terror por poderem usufruir de tecnologia de século XXI.

Entrevista a Salman Rushdie parte 1

Entrevista a Salman Rushdie parte 2

Entrevista a Salman Rushdie parte 3

Entrevista a Salman Rushdie parte 4

Entrevista a Salman Rushdie parte 5

Também publicado em LiVerdades

4 de Julho, 2007 fburnay

A religião e os memes

Neste vídeo, Daniel Dennett explica, à luz da memética, como algumas ideias criam tanta resistência por parte de quem não as compreende.

3 de Julho, 2007 jvasco

O Catolicismo é contrário ao Liberalismo

Na nossa praça existem muitos auto-intitulados «liberais» que são católicos. E existem outros tantos que, não sendo católicos, não vêem qualquer oposição entre o liberalismo e o catolicismo. Não vêem, mas ela existe.

A posição da Igreja Católica Apostólica Romana (ICAR) face ao Liberalismo é a seguinte: está contra.

Eis alguns documentos em que os Papas se pronunciaram explicitamente contra o Liberalismo:

– a encíclica Mirari Vos de Gregório XVI

– a encíclica Quanta Cura e o Syllabus de Pio IX

– a Carta Apostólica Notre Charge Apostolique de São Pio X

– a encíclica de Leão XIII contra o Americanismo, intitulada Testem Benevolentiae, e a encíclica Mortalium Animos de Pio XI contra o liberalismo religioso expresso no ecumenismo modernista

– a Bula Unam Sanctam contra o princípio liberal de separação entre Igreja e o Estado

Um católico informado e coerente não pode ser liberal.

—————————-[Diário Ateísta/Esquerda Republicana]

3 de Julho, 2007 Ricardo Alves

Pelo cilício e pela obediência, sempre!

Não há como estudarmos o nosso «inimigo» ideológico para melhor o compreendermos (e nesse processo compreendermos também porque nos encontramos no campo oposto). Na sequência do aniversário póstumo do fascistóide Josemaría Escrivá (devidamente assinalado pelo Carlos Esperança), o bispo auxiliar de Lisboa, Carlos Azevedo, produziu uma homilia onde explica com sinceridade o pensamento do fundador do Opus Dei.

Tal como o entendo, o sistema totalitário que o Opus Dei constitui funciona entre dois pólos: humilhação e obediência. Pela humilhação, destroem-se ou controlam-se as vontades, prazeres, instintos e valores éticos que podem afastar a ovelha do rebanho; e assim, castrado e amansado, se prepara o cordeirinho para obedecer, tornando-o um instrumento fiel da organização e dos seus objectivos. A homilia de Carlos Azevedo começa por desdenhar dos evangelistas e do «conteúdo da pregação de Jesus», para logo chegar ao que realmente interessa nas lendas cristãs: «à tua palavra, obedecerei» (o autoritarismo típico das religiões abraâmicas é útil para construir organizações de prosélitos e de soldados). Ao longo da homilia repetem-se depois as exortações a «ser instrumento nas mãos do Pai», e termina-se a prometer até a «glória» aos que «entregam a vida intensamente a ser instrumentos da Obra de Deus». As palavras recorrentes no texto são «vontade», «instrumento», «entrega» e, curiosamente, «liberdade». Mas esta é uma liberdade muito especial: ou é a «libertação» da «lei, do pecado e da morte» (sendo que «pecado» é quase tudo o que vale a pena, e a «libertação da morte» uma banha da cobra) ou então é a «liberdade» de ser instrumento («a vida de filhos tão queridos é impelida, com autêntica liberdade a ser instrumento nas mãos do Pai»). O único agente com «vontade» ao longo de todo o texto é «Deus». A ovelha não tem vontade, e portanto não é realmente livre. A autoridade divina garante a submissão terrestre. É uma leitura esclarecedora.

[Diário Ateísta/Esquerda Republicana]