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12 de Julho, 2007 jvasco

Enviesamentos Cognitivos VI – A percepção selectiva

Um jogo Benfica-Sporting. Os Benfiquistas acham que o árbitro favoreceu escandalosamente o Sporting. Os Sportinguistas acham que o árbitro estava comprado pelo Benfica. Quem não conhece a situação?
O curioso é que muitos dos indignados de ambos os lados estão-no honestamente. Pelo menos foi isto que várias experiências mostraram.

É o efeito de «percepção selectiva», outro enviesamento cognitivo natural no ser humano. As espectativas alteram as percepções, Desde as pessoas que acreditam estar bêbadas e não estão, até às várias que acreditam ter visto o Sol a dançar, a verdade é que o ser humano tende a interpretar aquilo que vê à luz daquilo que espera ver, e muitas vezes ignora dados, ou vê coisas que nunca aconteceram. Não são só os loucos, ou os mais alucinados: é o ser humano normal.

Assim sendo, quando se reza e se espera uma resposta, é possível interpretar o que acontece em seguida como sendo extraordinário, mesmo que não o seja. É possível ignorar tantas coincidências quantas se queiram, e dar apenas atenção àquelas que parecem ser resultado nas nossas orações.

A percepção selectiva não conduz à religião por si. Conduz à manutenção das expectativas, sejam elas quais forem. Dificulta a mudança de paradigma, a aprendizagem. Para quem foi ensinado que Deus existe, este enviesamento cognitivo tornar-lhe-á mais difícil abandonar esta crença, mesmo se surgirem dados que indiciem o contrário.
A influência cultural do clero, da religião e das igrejas não tende a acentuar este enviesamento cognitivo, nem a esbatê-lo. A forma de sermos cada vez menos afectados por ele é mesmo a aprendizagem de ideias diferentes, a discussão livre de ideias, a ginástica mental, a convivência com quem interprete a realidade de forma diferente.

Uma sociedade menos afectada pela percepção selectiva terá maior facilidade em abandonar ideias sem sustentação empírica e racional que as justifiquem. E isto pode ser prejudicial para a religião.

12 de Julho, 2007 jvasco

Enviesamentos Cognitivos V – O efeito de rebanho

As eleições devem ser disputadas simultaneamente em todo o território, e não é por acaso. Existem uma série de factores que influenciam os eleitores que votarem depois de alguns resultados serem conhecidos, alterando o seu sentido de voto. Um deles é o efeito de rebanho.
Nos EUA fizeram-se uma série de experiências. Numa delas eram dados a dois grupos de pessoas diferentes uma série de cenários hipotéticos, com informações imaginárias sobre cada candidato, pedindo a cada pessoa para simular um voto. Mas enquanto num dos grupos dizia-se que um certo candidato era o vencedor mais provável, no outro dizia-se que era outro. As votações diferiram muito, principalmente entre os indivíduos que não eram próximas do partido republicano ou democrata – nestes casos a probabilidade de votar num candidato, sabendo que era o provável vencedor duplicava! E mesmo entre os eleitores mais próximos de um dos partidos, a probabilidade de votar no candidato apoiado pelo partido adversário aumentava sabendo que se tratava do provável vencedor.

Muitos indivíduos procuram estar no lado que lhes parece mais «forte», confundindo a força dos apoiantes de uma posição com a justiça dessa posição. Não é por acaso que nas campanhas políticas são afixados tantos cartazes quase sem conteúdo: cada partido tenta mostrar a sua força, pois sabe que muitos eleitores são influenciados por este efeito.
Assim, a propaganda sobrepõe-se à discussão racional das ideias, e ficamos todos a perder. O pior é que nenhum indivíduo reconhece estar a ser vítima deste efeito, e assim é mais difícil contrabalançá-lo e proteger-se dos seus efeitos perniciosos.

A religião maioritária numa sociedade também é altamente favorecida por este efeito. Isto explica muito da história do cristianismo: a conquista dos corações através de demonstrações de força e de poder, que foram acontecendo através dos tempos. O islamismo teve, e tem, uma história parecida a este respeito.

Este enviesamento cognitivo não só favorece a crença nas religiões dominantes, promovendo as demonstrações de força e de poder, e dificultando a livre discussão de ideias, a extinção dos preconceitos injustificados e a prevalência da razão e do conhecimento, como também é favorecido por estas religiões e pelo impacto cultural que têm.

Importa evitar ser vítimas deste envisamento cognitivo, mas isso também significará que as religiões maioritárias vão consequentemente perder força e influência.

11 de Julho, 2007 Carlos Esperança

O pesadelo da Mesquita Vermelha

Enquanto a al-Qaeda ameaça Salman Rushdie e a Grã-Bretanha e um ataque talibã mata 12 crianças no Afeganistão, termina de forma cruenta a resistência de radicais islamitas na Mesquita Vermelha de Islamabad.

Só na última noite foram mortos mais de cinquenta crentes cujo fanatismo os levou a procurar o martírio: uns por medo de Deus, outros por temor ainda maior dos clérigos.

O líder rebelde, Rashid Ghazi morreu em combate como lhe exigia a fé e o desvario. Ele apenas tirou bilhete de ida para o Paraíso onde 70 virgens o aguardavam nas margens de um rio de mel à sombra de árvores frondosas. Mas também perderam a vida dezenas de vítimas fanatizadas e pessoas aterradas pela crueldade de Deus e a violência do clero.

Acontece nas sociedades tribais e nas religiões um eterno desejo de retorno às origens. É difícil erradicar a violência sectária sem estabilizar Estados laicos e fazer a pedagogia dos Direitos do Homem.

A que a população islâmica mais aprecia no Ocidente, contrariamente ao que se julga, é a liberdade religiosa, embora não saiba quanto custou a liberdade do jugo clerical e do seu poder totalitário. A democracia não foi um milagre da Providência, tem uma longa história de mártires que não ascenderam aos altares nem à perpétua glória do Paraíso.

Sem a separação da Igreja e do Estado não há liberdade, não existe democracia, não se defendem os Direitos do Homem nem a mulher deixará de ser um objecto vítimas de quem detém o poder e domina a sociedade. E a teocracia é a antítese da democracia.

11 de Julho, 2007 jvasco

Enviesamentos Cognitivos IV – A Ilusão de Controlo

Entre outros, os estudos de Ellen Langer mostraram que as pessoas tendem a considerar que acontecimentos puramente aleatórios podem estar sob o seu controlo. Nos casinos, por exemplo, as pessoas tendem a lançar os dados com mais força para obter números mais elevados, e com emnos força para obrter números mais baixos.
No lançamento de uma moeda, aqueles que começam por adivinhar mais se cai cara ou coroa, acreditam que têm uma habilidade «adivinhatória». À medida que futuros lançamentos mostram que estão erradas, o fenómeno da negação já descrito fá-las atribuir os fracassos à falta de concentração ou qualquer outro factor do tipo.
Este fenómeno tem o nome de «ilusão de controlo» e aplica-se a muitos outros casos. Desejar com força que a selecção portuguesa vença a final para que as suas probabilidades melhorem, ou ir de joelhos a Fátima para que o irmão que está no hospital melhore, são tudo manifestações deste enviesamento cognitivo.

A razão pela qual esta tendência está presente em todos os seres humanos é fácil de entender: como em qualquer animal, o nosso cérebro tem a função de se adaptar e tirar proveito do seu ambiente, e com milhões de anos de selecção natural em tribos, ele está adaptado para processar processar intenções, parentescos, favores, amizades, inimizades, direitos, obrigações… Os nossos neurónios estão habituados a descortinar intenções em tudo, mesmo naquilo que é casual, e identificar como estando no nosso controle algo que não está poderia ser menos grave, em tal sociedade tribal, do que o erro oposto, criando uma pressão evolutiva que promoveria tal enviesamento cognitivo.

Isto poderia ser verdade numa sociedade primitiva, mas não é verdade na sociedade actual. Uma série de estudos vieo demonstrar que maior propensão para este tipo de ilusão tende a resultar em decisões menos sensatas, má gestão de risco, e maior dificuldade em aprender com a experiência. Um destes estudos focou-se nos analistas de um banco de investimento, concluindo que os mais susceptíveis a estas ilusões tendiam a ter uma pior performance e ganhar menos.

Assim sendo, é natural esta propensão para a ilusão de controlo, mas é também perniciosa. Não só temos de tomar uma série de opções importantes na nossa vida pessoal e profissional, as quais só terão a ganhar com a sensatez e sabedoria no processo de decisão, como, enquanto eleitores, temos de tomar decisões importantes para a gestão da comunidade em que estamos inseridos.

Um fenómeno que tira proveito deste tipo de ilusões é a religião. Algumas, até encorajam, e a Doutrina Católica não se opõe a fenómenos como Lourdes ou Fátima, optando ao invés por promovê-los. As danças da chuva são substituídas por procissões, e as orações dos fieis pedem a cura de doentes, etc… Muitas pessoas em vez de serem educadas a evitar este tipo de ilusões, crescem a acreditar que rezar as pode ajudar a resolver os problemas que estão para além do seu controlo directo.

11 de Julho, 2007 jvasco

Enviesamentos Cognitivos III – O pensamento veleitário

O pensamento veleitário, ou pensamento propiciatório já foi por mim abordado neste espaço. É um enviesamento cognitivo que corresponde à tendência para confundir desejos com realidades: considerar mais provável aquilo que é mais desejável.
Este enviesamento, entre outras coisas, acaba por resultar numa tendência para acreditar nalguma forma de imortalidade, mesmo perante toda a evidência em contrário. Este engano é uma pedra basilar da religião, razão pela qual existem muito poucas religiões que não garantam a certos crentes a possibilidade de viver além da morte.

11 de Julho, 2007 Hacked By ./Localc0de-07

ICAR e a evangelização à força

A Conferência Episcopal Portuguesa reuniu-se no antro em Fátima para declarar guerra à Laicidade e ao povo português, chantageando tudo o que aparece à frente, debitando diarreias totalitárias baseadas numa suposta importância maior da ICAR em relação ao governo português, rejeitam a Laicidade e atacam o poder de unhas e dentes, maníacos nostálgicos das idades das trevas ensombradas pelo Iluminismo da emancipação Humana à subserviência de desígnios divinos ou esquizofrenia socialmente aceite.

Entre muitos dos atentados terroristas à população portuguesa, esta é feita de possíveis homens e mulheres de joelhos que arrastam pesos mortos e mentes vácuas, um tal de D. Carlos Azevedo, D. de desequilibrado mental ao que se aparenta, proferiu que “O peso da Igreja na sociedade portuguesa não é o Estado que o define”, vigoroso discurso arrogante e insultuoso ao governo eleito pelo povo, se existem definições essas são dadas pelas pessoas e não pelo que uns quantos mafiosos coniventes com pedófilias, genocídios a escalas imensuráveis com as suas guerras ao preservativo, humilhação feminina face ao poder dos pénis vaticanistas devidamente apalpados e quem sabe ensalivados quando de escolha de papa se trata, quem sabe não apareça outra Joana, intrusos da vida sexual de quem nunca lhes pediu opinião, legisladores de sectarismos alucinados provenientes dos escritos bíblicos, um tal de Cristo a inspiração, filho de um grande Ser Superior que nem o ensinou a escrever, ouvi dizer que um gajo disse que outro gajo disse que um primo da sobrinha do alfaiate tinha dito que uma cuspidela curava a cegueira.

Uma tal de concordata obriga Portugal a ajoelhar-se perante os clericais, assim define em conversa de nevoeiro católico o tal de D., racionalismo impede tal facto, liberdade ainda mais, que procure joelhos a raspar no chão no seu covil em Fátima, que defina regras e legislações aos rastejantes, carraças expurgam-se, mais não seja pela coleira da Laicidade, responsabilidade de quem tem peso a mais ou menos é decidido pela voz de todos, e a voz do Vaticano que se fique por lá, ditaduras em terrenos democráticos entram no erro de choque perfeito entre poder de dizer o que vem à cabeça, monólogo portanto, debate deixaria uma enorme vitima prostrada, conhecimento e racionalismo contagiam, se assim não o acontecem, esmagam demolidoramente a tirania.

Este porta voz Católico definiu a lei da liberdade religiosa, é “um diploma que só se aplica às minorias existentes”, mas terá este desequilíbrio mental uma razão? Existem pessoas que são mais pessoas que outras? Existem religiões que são mais verdadeiras ou falsas que outras? Cristianismo é o plágio de proporções escandalosas, o roubo de crenças e mitologias acompanhado de carnificinas, mais uma das muitas religiões, fé mais forte que a islâmica? Nunca. Mais importante que a religião mais antiga viva, o Hinduísmo? Deus verdadeiro? Existem milhares deles, todos tão verdadeiros como mentirosos, Cristo o profeta? Quantos profetas caminharam pela Terra? Milhares? Doidivanas sedentos de oprimir povos e deles sugar dinheiro e a própria existência, torpes indagações que ruminam na demência religiosa, sanguessugas de Vida e Liberdade, mentes desvairadas pelos luxos e mentirosos natos, tal gene desumano que instiga ao prosélito, ao totalitarismo e ridicularidade de argumentação e raciocínio de reles encadeamento, pobres almas penadas há muito vencidas pela luminosidade da Razão, triste caminho obscuro de desencontro com a moral, a existência e a hegemonia da uniformidade da paz na diversidade e criatividade ilimitada Humana.

Revolvem leis e dinheiros, implantam pedras com sinos onde podem, introduzem vírus religiosos nas crianças que sugam para lavagem cerebral, cérebros fortes e aguerridos não vergam, não caem em prosélitos nem em mentiras escondidas debaixo do tapete, as derrotas da ICAR serão no número correcto de atentados à Liberdade, a opressão não é uma escolha, a Liberdade é única e incontornável, as bases construídas pelos libertadores são muitas e minimamente firmes, os alicerces tornam-se mais fortes quanto mais se tenta ruir o que tanto custou a construir, as vidas Humanas perdidas nas lutas contra as ditaduras foram baratas para a ICAR mas extraordinariamente ricas para os Homens Livres e sempre respeitadas.

A concordata interessa apenas quando se acaba o papel higiénico.

Também publicado em LiVerdades

11 de Julho, 2007 Carlos Esperança

Bispos chantageiam o Governo

O Conselho Permanente da CEP, piquete de prevenção do episcopado, disponível para se atirar às canelas de quem ponha em causa a hegemonia da ICAR, que tanto sangue derramou ao longo da história, atirou-se ao laicismo, como gato a bofes, e ao Governo que lhe alimenta a gula.

Para o episcopado «a educação, a solidariedade social, o sector da comunicação social, o acompanhamento espiritual dos doentes e dos presos, o apoio à família e à natalidade» são áreas de que querem o exclusivo, apesar da alegada castidade que se impõem.

É difícil saber o que, se pudessem, deixariam para a sociedade. A vocação totalitária está bem viva sob as sotainas. O Inferno é uma projecção dos seus desejos íntimos para quem despreze a religião e se ria da liturgia.

Se estas santas alimárias pudessem rachar cabeças com o báculo e meter-lhes dentro o veneno da fé não haveria heresia a que não pusessem cobro, livre-pensamento que não erradicassem, direitos humanos que não abolissem.

Sob a mitra fervilha o ódio à liberdade, a gula pelo poder e o proselitismo católico. Se nos deixarmos reduzir a um bando de beatos e tímidos os bispos impõem ao ar que respiramos uma percentagem de incenso e à água que bebemos o ritual cabalístico que a torna benta.

O Diário Ateísta é uma trincheira da luta contra todos os totalitarismos pelo que não podemos permitir que das igrejas, mesquitas ou sinagogas sopre o vento da opressão e da violência.

10 de Julho, 2007 jvasco

Enviesamentos Cognitivos II – Superstição e negação

Ao procurar padrões e relações quando se analisam dados, podem ocorrer dois erros: a superstição e a negação. A superstição corresponde à detecção de um padrão inexistente: ver regularidade onde só existe acaso. A este propósito interessa contar algo.

Fizeram-se várias experiências com pombos. Em algumas, quando o pombo tocava num determinado ponto da gaiola, ele recebia comida. Se estamos perante um pombo faminto, aquilo que acontece quando ele toca nesse ponto da gaiola e recebe comida é que vai ocorrer um reforço positivo desse comportamento. Se isto acontecer varias vezes, o pombo vai «aprendendo» que tocar nesse ponto gaiola significa que vai surgir comida.
E se o pombo tocar nesse ponto da gaiola e não surgir comida? Da primeira vez que acontecer, o pombo não vai desaprender esse comportamento: esta ausência de reforço não será suficiente para fazer com que o pombo desista de tocar nesse ponto da gaiola. Mas se o pombo tocar várias vezes, sem que nada aconteça, irá ocorrer a “extinção” do comportamento anteriormente aprendido. Ele vai desaprendê-lo.
Nós podemos estabelecer uma determinada probabilidade p. Quando o pombo toca num ponto da gaiola, tem uma probabilidade p de ser alimentado. Se a probabilidade p for acima de um determinado valor, os reforços positivos serão suficientemente frequentes, e a ausência ocasional destes não impedirá a aprendizagem. O pombo saberá o que fazer para se alimentar. Se a probabilidade for abaixo de determinado valor, o pombo poderá não chegar a entender o mecanismo para obter comida.
A condição para que o pombo receba comida pode ser variada – ele pode receber ao dar um pequeno pulo, ao dar um passo para trás, ao virar o pescoço depressa, etc.. O importante é que acima de um determinado valor de probabilidade p (que pode ser bastante inferior a 1/2) o pombo aprende a lição.

B.F. Skinner fez uma outra experiência com os pombos famintos: decidiu dar-lhes comida lentamente, mas ao acaso. Sucede-se que os pombos nunca entenderam que a comida lhes era dada ao acaso. Cada vez que recebiam um grão todos os gestos que tinham efectuado nesse momento recebiam um reforço positivo. À medida que os iam repetindo sem sucesso, esse reforço ia-se perdendo, mas quando surgia um novo grão, novos gestos eram reforçados – e aqueles que tivessem acontecido em ambas as ocorrências saiam muito reforçados. Grão a grão, o pombo ia recebendo reforços e reforços, e detectando padrões onde não existia nenhum. Cada pombo foi criando uma verdadeira «dança». Às vezes davam alguns passos atrás e esticavam o pescoço para a esquerda, outras vezes andavam em círculos e davam pulinhos pequenos para a direita. Depois, a dança ia-se mantendo à medida que mais grãos iam chegando – o pombo interpretava a dança como estando a funcionar. Detectava portanto um padrão – dança igual a comida – onde ele não existia. O pombo demonstrava um comportamento supersticioso.

O comportamento supersticioso do pombo é fácil de explicar à luz da selecção natural. E os mesmos motivos que fizeram com que os pombos cometessem tais erros ao analisar a realidade também se aplicam aos mamíferos em geral e aos seres humanos em particular. Acreditar na ferradura e na pata de coelho é natural. Acreditar no azar trazido pelos gatos pretos e nos benefícios de evitar uma escada também o é.

E a negação – a recusa em assimilar padrões óbvios – pode auxiliar a superstição. As danças da chuva continuam a ser executadas, por muitas vezes que não funcionem. A pata do coelho continua a dar sorte, por muito azar em que participe, e por aí fora…

Muitas das mentiras da religião nascem desta tendência natural para a superstição e para a negação.

10 de Julho, 2007 jvasco

Enviesamentos Cognitivos I – Sobrevivendo

Num mundo sem Deus, regulado pelas leis que conhecemos, seria de esperar o aparecimento da religião.
Afinal de contas, o homem é um animal que passou quase toda a sua história como caçador-recolector, e o seu cérebro funciona de tal forma que muitas vezes se engana ao analisar o mundo que o rodeia. São comuns vários enviesamentos cognitivos.

A razão pela qual tais envisamentos cognitivos ocorrem é muitas vezes explicada pela selecção natural, pela forma como o cérebro funciona, pela psicologia humana. Importa conhecê-los para que a nossa análise ao mundo que nos rodeia seja menos deturpada.

Nesta série de artigos falarei sobre a superstição, a negação, o pensamento veleitário, a ilusão de controlo, o efeito de rebanho, a percepção selectiva e o enviesamento confirmatório. Conhecendo estes enviesamentos cognitivos, é mais fácil compreender o fenómeno religioso.