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17 de Maio, 2007 jvasco

Pensamento Veleitário II – A vida eterna

Uma vez compreendida a tendência humana para o pensamento veleitário, é fácil compreender porque é que, ao longo da história, tantas culturas (mas não todas!), de tantas formas tão diferentes (reencarnação, ressurreição carnal, ressurreição espiritual, etc…) vieram a desenvolver formas de crença na vida eterna.

Até aos últimos séculos, a compreensão das leis da natureza era muito primitiva. A compreensão do funcionamento do nosso organismo também. Com tanto desconhecimento, não havia grandes indícios contra ou a favor da vida eterna.

Mas, devido ao instinto de sobrevivência de que a selecção natural nos dotou, os seres humanos não querem morrer. Assim sendo, acham a possibilidade de existência da vida eterna mais desejável que a possibilidade oposta.

Não seria de esperar outra coisa senão que a crença na vida eterna se espalhasse.

Crer com convicção na vida eterna era obviamente um erro. Esse erro não impediu que se desenvolvessem os mecanismos sociais que tornaram qualquer dúvida em relação a tal convicção como algo merecedor de rejeição social. Os adeptos do Falagoas não gostariam que alguém lhes viesse dizer que o Retreneu ia vencer a partida, mais por não gostarem de encarar tal facto do que por o considerar absurdo.

No entanto, acreditar convictamente na hipótese oposta talvez fosse igualmente um errado: a verdade é que o funcionamento do mundo era tão desconhecido, que a vida eterna poderia facilmente ser compatível com o conhecimento adquirido até à altura.

Hoje isso não se sucede.

Hoje temos indícios muito fortes de que não existe outra vida depois desta.

17 de Maio, 2007 jvasco

Pensamento Veleitário I – Tomando os desejos por realidades

O Futebol Clube do Retreneu e o Falagoas Futebol Clube são duas equipas desportivas que têm tido igual desempenho. Um corrector de apostas independente diria que no grande jogo que se aproxima a probabilidade de empatarem é de um terço. A probabilidade de qualquer uma das equipas ganhar também é um terço.

O leitor não espera que os respectivos sócios e adeptos o reconheçam. Certamente que os adeptos do Retreneu dirão, principalmente em público, que não esperam vencer por menos de dois ou três golos de diferença. Os adeptos do Falagoas deixarão bem claro que considerariam o empate um péssimo resultado, estando confiantes numa vitória folgada, e sonhando com um cinco a zero.

Isto é o que dizem, porque cada um destes adeptos tem mais dúvidas do que aquilo que reconhece em público. Ainda assim, a verdade é que, quer os adeptos do Falagoas, quer os adeptos do Retreneu, consideram a vitória do seu clube mais provável do que a respectiva derrota.

Trata-se do pensamento veleitário: tomar os desejos por realidades. Errar é humano, e existe uma série de enviesamentos cognitivos que caracterizam muitas decisões e avaliações erradas que fazemos. O pensamento veleitário corresponde a deixar que a avaliação daquilo que é mais provável seja influenciada pela desejabilidade das possibilidades e não apenas pela plausibilidade destas.

Ou seja: o adepto do Falagoas tende a achar que é mais provável que o Falagoas do que acharia de outra forma, porque gostaria que o Falagoas ganhasse. Mas o quanto ele gostaria que o Falagoas ganhasse não torna mais provável a vitória desta equipa.

Existem vários estudos que comprovam esta tendência nos seres humanos. Este efeito foi também denominado «efeito de valência».

16 de Maio, 2007 Hacked By ./Localc0de-07

Bíblia imprópria para menores em Hong Kong

As autoridades de Hong Kong receberam 208 pedidos para classificar a Bíblia como imprópria para menores, ou indecente. O website propulsor de tais acções, denominado truthbible.net, esclareceu várias pessoas com as histórias que pelas páginas desse livro se vão contando, definindo a traços gerais, aquilo que em tantas centenas de anos proporcionou genocídio, escravidão, xenofobia, intolerância, ódio, guerras insanas, incesto, infanticídio, violações, em suma, tudo o que leva o Homem ao mais insano e demente dos possíveis comportamentos Humanos. O órgão responsável pelo Entretenimento e Televisão também tem vindo a receber inúmeras solicitações de reclassificação do livro. Em consequência, a Bíblia poderá em breve ser vendida devidamente empacotada, lacrada e com aviso de conteúdo impróprio, sendo apenas acessível a maiores de 18 anos.

Esperando não ferir susceptibilidades, nem causar potenciais criminosos, deixo ficar alguns exemplos que penso terem incentivado este pedido de reclassificação, palavras do suposto deus judaico-cristão.

Todas as pessoas que trabalhem ao Sábado devem morrer, Êxodo 31,15 “Seis dias se trabalhará, porém o sétimo dia é o sábado do descanso, santo ao senhor; qualquer que no dia do sábado fizer algum trabalho, certamente morrerá.“.

Todos os que não rastejem perante o deus judaico-cristão devem ser apedrejados até à morte, Deuteronómio 17, 2-5 “Quando no meio de ti, em alguma das tuas portas que te dá o senhor teu Deus, se achar algum homem ou mulher que fizer mal aos olhos do senhor teu Deus, transgredindo a sua aliança, Que se for, e servir a outros deuses, e se encurvar a eles ou ao sol, ou à lua, ou a todo o exército do céu, o que eu não ordenei, E te for denunciado, e o ouvires; então bem o inquirirás; e eis que, sendo verdade, e certo que se fez tal abominação em Israel, Então tirarás o homem ou a mulher que fez este malefício, às tuas portas, e apedrejarás o tal homem ou mulher, até que morra.“.

Todos os que blasfemem o deus judaico-cristão, como chamá-lo de demente, chalado, psicótico, idiota, doidivanas, trengo, toino e afins, por exemplo, devem ser apedrejados até à morte, Levítico 24, 16 “E aquele que blasfemar o nome do senhor, certamente morrerá; toda a congregação certamente o apedrejará; assim o estrangeiro como o natural, blasfemando o nome do senhor, será morto.“.

Último exemplo, um dos mais dementes da Bíblia, Isaías 13, 15-16 “Todo o que for achado será transpassado; e todo o que se unir a ele cairá à espada. E suas crianças serão despedaçadas perante os seus olhos; as suas casas serão saqueadas, e as suas mulheres violadas.“.

16 de Maio, 2007 Carlos Esperança

Moral e bons costumes

Se deseja conhecer os bispos portugueses da minha infância, leia o artigo de El País sobre o arcebispo nazi de Pamplona. Mas se quiser perceber que país era Portugal viaje até ao Irão.

A Idade Média é o sonho de todos censores, o paraíso dos polícias de costumes e dos defensores da moral. A primeira vítima é a mulher que na nossa cultura foi execrada por santo Agostinho, que tantas amou e tanto ódio lhes tomou.

No Irão a polícia dos costumes zela para que nem uma só madeixa dos cabelos possa soltar-se do véu, vela para que a moral se preserve e os bons costumes se mantenham.

Maomé deixou instruções a esse respeito, ele que adquiriu fortuna e respeito graças à viúva rica com quem casou. O resto aprendeu nas deslocações entre Medina e Meca, nas conversas em que Deus que lhe ditou o Corão mas foi incapaz de o ensinar a ler e de lhe aliviar os costumes bárbaros da tribo a que pertencia.

Hoje, os crentes temem mais a polícia do que o Profeta porque a violência que o livro santo preconiza tem algozes para a aplicar.

15 de Maio, 2007 Carlos Esperança

B16 fracassou no Brasil

O professor Rätzinger não é historiador, é um mitómano que pretende falsear a História, rato de sacristia capaz de subverter a verdade para vender mais hóstias e disseminar a fé.

No último Domingo, no santuário de Aparecida, um centro de negócios do catolicismo romano, B16 teve o desplante de afirmar que a evangelização católica não se fez à custa da destruição da cultura indígena da América Latina.

Os jesuítas, quando a varíola os atingia, iam para o meio dos índios a disseminar a fé e a doença. O proselitismo é a tara dos avençados do divino. O Sapatinhos Vermelhos diz, ainda hoje, que não devemos relativizar a verdade, isto é, a única verdade é a mentira de Roma com cheiro a incenso, aspergida de água benta.

Da escravatura à imposição da fé, a Igreja católica cometeu os despautérios do costume para maior glória divina. A Companhia de Jesus foi então o que é hoje o Opus Dei, um instrumento de domínio ao serviço da ICAR, sem olhar a meios ou hesitar na violência.

Nizia Maldonado, que pertence a uma etnia amazónica, acusou a ICAR do genocídio dos povos indígenas e acrescentou que o objectivo de impor uma religião alheia à sua cultura, como é o caso da católica, se mantém ainda.

O ditador do Vaticano e arauto da castidade não foi muito bem sucedido nesta viagem de negócios ao Brasil. Quinhentos anos de má conduta não deixam grande margem de manobra. E, sem Inquisição, não há medo do Inferno que convença os autóctones.

15 de Maio, 2007 Helder Sanches

Madeleine McCann em Fátima


Como pai e como alguém que adora crianças, lamento profundamente os acontecimentos à volta do desaparecimento da pequena Madeleine McCann. Como lamento o desaparecimento de todas as crianças portuguesas que, todas juntas, nunca fizeram gastar tanta tinta e tanta concentração de meios para a resolução dos seus casos. Sinceramente, ainda bem para a pequena Madeleine que esses meios estejam disponíveis para ela. Esperemos que este seja um novo padrão a que a nossa policia nos venha a habituar. O ideal seria que tais meios nunca voltassem a ser necessários; mas isso só aconteceria se o mundo, de repente, passasse a ser perfeito.

O que eu não suporto mesmo é a ignorância mascarada de fé saloia. Então, não é que em Fátima, nas celebrações dos 90 anos do embuste-mor nacional, proliferavam as imagens da pequena Maddie com preces para que a pequena fosse encontrada sã e salva!?!

Mas, afinal, onde estava o deus desta gente quando a pequenita desapareceu? Porque é que não se viram cartazes a perguntar ao tal deus ou à sua virgem concubina porque deixaram que a pequena e inocente Maddie desaparecesse, assim, sem mais nem menos? Não é suposto esse tal omni-tudo olhar pelas criancinhas e pelos inocentes? Afinal, ou esse ser que gosta de ser bajulado não sabia o que estava a acontecer e não é omnisciente ou sabia e não fez nada. Pergunto eu: não fez porque não quis ou porque não pôde? Se foi porque não pôde, não é omnipotente. Se foi porque não quis, de facto, não me surpreende; é o que se pode esperar de quem condena um filho à morte por pura vaidade e necessidade de afirmação, num autêntico frenesim de egocentrismo!

(Publicação simultânea: Diário Ateísta / Penso, logo, sou ateu)

15 de Maio, 2007 Hacked By ./Localc0de-07

I.U.R.D. e os quebrantos

A I.U.R.D. é uma das maiores aberrações intelectuais da Humanidade, baseada em conceitos medievais devidamente encaixados nas tecnologias de informação mais avançadas. Exercem medicina, advocacia, psicologia, psiquiatria, até vendem a tia e dão a avó como brinde se dai conseguirem dízimos para enviar para a conta bancária de deus, ele não precisa de dinheiro, já roubou o necessário, para os pastores fica. Fatiotas janotas e passeios de iate, deus não lhes pediu nada mas eles fazem na mesma.

Entre as infindáveis intrujices mirabolantes que fazem circular por jornais, televisão, internet, boca a boca até, sem enroscamento de línguas ao que parece, exemplificarei uma delas, aleatoriamente escolhida claro está, tal qual aleatoriamente eles escolhem uma crente de um ajuntamento e lhe perguntam: “Então senhora Lucinda (este personagem é fictício, e aleatório!), que a traz por cá?”, o quebranto.

O quebranto, segundo os pastores da seita, “é uma paralisia da vida de uma pessoa, cujos sintomas são o desanimo, a apatia, a falta de forças, a insónia e a incapacidade de decisão.”. Todos estes factores são o quê? Segundo eles “fortes feitiços de magia negra, pagos a peso de ouro para destruir uma pessoa ou uma família.”. A cura nem é necessário perguntar, eles sabem, nós não, dinheirinho na mão e está tudo curado. Psicólogos coitados, juntam-se aos magotes no centro de emprego, tão enganadinhos andavam. Vagas de emprego nestes campos, só se for a segurar velinhas no Templo Maior.

Voltando ao mundo real, os sintomas anteriormente analisados derivam de quê? Na maioria dos casos de depressão nervosa, não é necessário ser psicólogo para perceber destas andanças, ficando os pastores com a palavra “mentirosos” associada aos seus nomes. Intrujões também se adequa. Impostores idem. Também trapaceiros. Ou então charlatães. Quem sabe o melhor termo não seja mesmo embusteiros? Pantomineiros também se coaduna.

A depressão nervosa é um problema médico, e não espiritual, acarretando uma percentagem sexual extremamente curiosa, mulheres em dobro, mulheres aos montes são vistas pelos hospícios IURDianos, estranhamente lá se trocam as coisas, dementes a médicos. A depressão deriva de problemas neurológicos, frequentemente associados a problemas de emissões de serotonina, um neurotransmissor que em níveis baixos acarreta problemas no sistema nervoso central, daí podem surgir variadas manifestações, desde alienação social até obsessões compulsivas, onde são catalogadas, entre outras, as rezas.

O tema é complexo e relativo, cada um é diferente do outro, assim não existem depressões iguais, semelhantes talvez. Algumas resolvidas com inibidores da recaptação da serotonina, tão simples quanto isso, resta às vitimas das depressões chegarem aos medicamentos, trajectória à qual as sociedades deveriam ter o bom senso de ajudar, de encaminhar. Bom senso deveria ter cada um de nós, integrante de uma sociedade Humana, de uma espécie, em ajudar quem necessita, e deles afastar as carraças e as sanguessugas. Parasitismo de desinformados é reles e vil, desinformados e doentes é cruel e nauseabundo.

Em favor das libertinagens religiosas se abrem portas aos dementes IURDianos, abutres dos desafortunados, dos embrutecidos, dos envelhecidos e adoentados. Quem de Humano se identifica, de apoio mútuo se acerca, de moral se apruma, se manifeste inequivocamente contra o parasitismo de pessoas debilitadas. Tais carraças passam pelas leis como faca quente em manteiga, não passam pelos Humanismos. Leis às resmas e inúteis, bom senso e apoio mútuo coisa rara. Raridades valem mais.

Também publicado em LiVerdades e Ateismos.net

14 de Maio, 2007 Carlos Esperança

O desaparecimento de Madeleine McCann

O desaparecimento da menina inglesa, no Algarve, deu origem à doentia exploração da comunicação social.

Os telejornais abrem com meia hora sem notícias na demente perseguição do mórbido e na devassa da vida íntima do casal que perdeu a filha. Não há sentido de proporções, a ética foi exonerada e os sentimentos são explorados de forma vil e degradante.

O drama da menina de quatro anos, Madeleine McCann, merece a contenção e pudor que a conquista de audiências não justifica. Claro que o genocídio do Darfur é longe, as vítimas são feias e pobres e a morte por inanição ou lapidação já faz parte do dia-a-dia.

Há dez dias que os virtuosos pais são acompanhados na praia, na piscina e nas devoções pias: orações e missas com homilias preparadas. Em Fátima, os peregrinos esqueceram os pedidos próprios e levaram fotos da criança à Virgem. O massacre informativo é uma desmedida manifestação de mau gosto.

Há nesta febre demente um masoquismo malsão, uma mistura de atrofia mental com a coscuvilhice rural, um sofrimento colectivo que parece uma fuga à realidade quotidiana e às responsabilidades de cada um.

Transformar os pais, que por incúria ou fleuma deixaram sozinhos os três filhos de tenra idade, em modelos é o início de uma nova devassa que transformará em vilões os heróis fabricados pelos noticiários e exaltados pelas convicções religiosas.

A juntar à tragédia da criança e à dor da família vem aí a decepção dos espectadores.

14 de Maio, 2007 Carlos Esperança

É preciso topete!

Ontem, no Brasil, o Papa expressou a sua preocupação pelo aparecimento de formas autoritárias de Governo na América latina.

B16 é um modelo de tolerância e o Vaticano um exemplo de Estado democrático.