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25 de Julho, 2011 Carlos Esperança

Novo livro

Dados sobre a pouco recomendável Opus Dei

24 de Julho, 2011 Ricardo Alves

O terrorista de Oslo (1)

O atentado de sexta-feira na Noruega é o maior em solo europeu desde Atocha (em 2004). Ser a obra (directa) de um único homem, que causou quase uma centena de vítimas mortais, lembra o atentado de Oklahoma, perpetrado por Timothy McVeigh.
As ideias de Anders Behring Breivik são de extrema direita, o que constitui uma viragem histórica no terrorismo global. A pouco mais de um mês do décimo aniversário dos atentados de Nova Iorque e Washington, pode ter começado uma nova vaga de atentados, em contra-corrente à campanha islamista que durou, na Europa, até 2006.
Dediquei algum tempo a ler (na diagonal, claro) o manifesto de mil e quinhentas páginas que Anders Breivik (ou «Andrew Berwick») difundiu pelos seus 7000 amigos do Facebook poucas horas antes de detonar explosivos no centro de Oslo («2083: a European Declaration of Independence»). Era esse o seu objectivo: que o estudássemos (na página 16, refere-se a uma «operação de marketing» que devem ser os atentados). Mas, dado que toda a extrema direita deve estar a ler esse manifesto neste momento, é melhor começar a responder-lhe.
A primeira parte do livro é uma longa diatribe contra o «marxismo cultural», o «politicamente correcto» e a «escola de Francoforte» que, através do «multiculturalismo» são a «raiz» para a «islamização» da Europa. O autor descreve-se repetidamente como «conservador», com variantes como «conservador cultural» ou «nacional conservador», e como um nostálgico da sociedade europeia dos anos 50, pervertida a partir dos anos 60 pelo «marxismo cultural». A narrativa é a habitual para um conservador: o feminismo, a banalização da homossexualidade e o anti-racismo destruíram a sociedade europeia tradicional. Algumas passagens desta parte parecem ter sido plagiadas, na íntegra, do manifesto do Unabomber. Mas o mais importante para Breivik/Brewick é a «revisão» da história e o «negacionismo» dos massacres e genocídios perpetrados pelo Islão. E que não se conte como as Cruzadas eram uma empresa benéfica, justa e necessária.

Na segunda parte do livro, Breivik mostra-se um adepto da tese da «Eurábia», segundo a qual existe um plano para islamizar a Europa através da imigração, de taxas de natalidade elevadas e da pressão política. Cita abundantemente blogues como o Brussels Journal, o Jihad Watch e o Gates of Vienna, em particular o bloguista Fjordman e Bat Ye´or, a grande popularizadora dos conceitos de «Eurábia» e «dimitude» (a submissão voluntária ao Islão). Em 2006, escrevi sobre esta corrente de pensamento no Diário Ateísta e no Esquerda Republicana. À época, afirmei que «atribuir à Al-Qaeda capacidade militar para conquistar a Europa, ou olhar para os imigrantes muçulmanos como a vanguarda de uma invasão programada, ou falar da Europa como um protectorado islâmico, são delírios paranóides que relevam de preconceitos racistas, da angústia demográfica, de entusiasmo deslocado pelas aventuras militares dos EUA e de Israel, ou da obsessão identitária com a “civilização ocidental e cristã”». E acrescentei que «nos anos 20 e 30 do século passado, a extrema direita afirmou-se na Europa, manipulando [o] anti-semitismo (…) hoje, o mesmo sector político tem interesse em conjugar os sentimentos islamófobos, o apoio a guerras de conquista e o apelo identitário-conservador cristão».

A corrente de pensamento «civilizacionista» em que Anders Breivik se insere é também a de Melanie Phillips ou Bruce Bawer. Politicamente, Geert Wilders ou a English Defence League. Referências explicitadas por Anders Breivik no seu livro, embora lhes critique o «pacifismo». A passagem à violência não é óbvia. Aliás, Breivik distancia-se do nazismo e afirma-se «anti-jihadista», «anti-marxista» e até, a dado ponto, «anti-fascista». Prefere os «nacional-conservadores» alemães ao nazismo.

Na terceira parte do livro, Breivik anuncia que pertence, desde 2002, a uma organização de novos «Cruzados» (!), simultaneamente ordem militar e tribunal: os Cavaleiros Templários Justiceiros (!!). Ele próprio será apenas uma «célula» desta organização de «Resistência Europeia», liderada por um criminoso de guerra sérvio refugiado na Libéria (!!!).

(continua)

[Esquerda Republicana/Diário Ateísta]
23 de Julho, 2011 Carlos Esperança

Por razões de segurança

A lei que proíbe o uso público do véu islâmico, incluindo a burca e o niqab, entra hoje em vigor na Bélgica, o segundo país da União Europeia a tomar esta medida, a seguir à França.

A lei define uma multa até 137.50 euros e uma pena de prisão de um a sete dias para quem desrespeitar a norma que abrange não só o véu islâmico mas todo e qualquer artigo que cubra total ou parcialmente o rosto.

A medida proíbe o uso desse tipo de roupa em todas os espaços públicos por razões de segurança.

23 de Julho, 2011 Carlos Esperança

O perigo dos fundamentalismos

Por

E – Pá

Norvège : un “fondamentaliste chrétien” inculpé… (in Le Monde) link

O fundamentalismo religioso persegue a Humanidade desde tempos imemoriais. Os fundamentalistas são por norma ultra-conservadores e levam a pratica da sua crença ao limite. Amiudadas vezes usam a violência para imporem as crenças ou para combaterem “infiéis”. Existem, praticamente, em todas as religiões sendo visíveis “essas atitudes” entre os adeptos do cristianismo, judaísmo e islamismo.O fundamentalista – qualquer que seja a sua filiação – acredita cegamente em dogmas religiosos, rejeita o diálogo e cultiva – pelo menos em relação aos outros – a intolerância. O “outro” é o símbolo do mal e, na sua concepção paranóica, constitui uma ameaça que urge combater ou destruir.Nos tempos modernos, os fundamentalistas estão apostados em esvaziar a sociedade e o Mundo do seu conteúdo cultural, deturpam a História e vivem à volta de falsas convicções. A sua principal e transcendente “ocupação” (e preocupação) é conceber e alimentar um clima de ameaça e, oportunamente, passar a acção. São pesadelo para Humanidade nos termos que a concebemos na Era Contemporânea. Tornaram-se párias da sociedade e, por isso mesmo, perigosos. Odeiam a secularização dos povos e a laicidade dos Estados. Vivem obcecados que “os fundamentos” da(s) sua(s) religião(ões) sejam destruídos pela liberdade que a evolução do saber, do conhecimento e a aceitação da modernidade acabaram por inculcar e transformar o Homem num ser civilizado.

Terá sido esta cascata de incongruências e ódios que “fundamentou” a tragédia norueguesa de ontem.

22 de Julho, 2011 Carlos Esperança

De um manual de maus costumes

Citado num comentário do DA por Rui Gomes

 

Pode dizer-se que o Antigo Testamento é uma obra meramente literária, como dizem, envergonhados, alguns crentes. Mas não é o que pensa o Vaticano:

Duas citações do «Catecismo da Igreja Católica» elaborado pelo cardeal Ratzinger:

«§121 – O Antigo Testamento é uma parte indispensável das Sagradas Escrituras. Os seus livros são divinamente inspirados e conservam um valor permanente, pois a Antiga Aliança nunca foi revogada».
«§123 – Os cristãos veneram o Antigo Testamento como a verdadeira Palavra de Deus. A Igreja sempre rechaçou vigorosamente a ideia de rejeitar o Antigo Testamento sob o pretexto de que o Novo Testamento o teria feito caducar».

22 de Julho, 2011 Carlos Esperança

A Irlanda liberta-se do Vaticano

O fosso entre Estado e Igreja cresceu num dos países mais católicos do mundo: a Irlanda.

O primeiro-ministro Enda Kenny fez um discurso onde atacou diretamente o Vaticano pelo alegado encobrimento dos escândalos de pedofilia.

O discurso vem no seguimento do relatório sobre a diocese de Cloyne, agora publicado, que prova o encobrimento por parte da hierarquia da Igreja: “O relatório de Cloyne mostra a disfunção, a desconexão e o elitismo que dominam a cultura do Vaticano hoje em dia. A violação e tortura de crianças foi menosprezada e gerida de forma a dar primazia à instituição, ao seu poder, imagem e reputação”.

22 de Julho, 2011 Carlos Esperança

A Irlanda e a laicidade

O debate sobre a laicidade percorre a Europa e está em risco de ser asfixiado nos países do Magrebe onde multidões de descontentes apelavam à liberdade com a consciência de que não há liberdade adjectivada. Não há democracias populares, islâmicas ou católicas. Ou há ou não há democracia com as liberdades que lhe são inerentes e a necessidade do aprofundamento da igualdade económica, social e política.

Onde o clero mina o poder político as liberdades ficam em risco.

A secularização da Europa é uma bênção que os radicalistas religiosos abominam mas a laicização parece reforçar-se.

Recentemente a Irlanda teve a coragem de condenar o Vaticano. Fê-lo o Parlamento (por unanimidade) e o Governo. É um bom sinal num país que, até há pouco, viveu sob a tutela eclesiástica, onde os conventos serviam de prisões a jovens mães solteiras, onde as leis civis estavam condicionadas pelo poder das sotainas e onde o cheiro a incenso e a humidade da água benta contaminavam a cidadania.

Da Irlanda sopram bons ventos.

20 de Julho, 2011 Carlos Esperança

Irlanda ataca lugar mal frequentado

Na Irlanda, o Governo e a oposição lançaram hoje um ataque sem precedentes contra a cúpula da Igreja Católica, acusando o Vaticano de colocar entraves às investigações sobre os abusos sexuais cometidos por membros do clero.

As críticas seguem-se à publicação, na semana passada, de um relatório oficial que acusa a Igreja de Roma de tentar ocultar os factos e de pôr os interesses da instituição acima dos das vítimas.