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29 de Julho, 2011 João Vasco Gama

A moralidade e o cristianismo

Sou da opinião que as crenças religiosas cristãs têm uma influência perniciosa na moralidade.
Este vídeo explica de forma muito clara e adequada algumas das principais razões pelas quais isso acontece:

28 de Julho, 2011 Carlos Esperança

Fé e superstição

Por

C. S. F.

LIGIÃO PROTESTANTE NAS MONTANHAS DOS APALACHES, NOS EUA

CULTO DAS COBRAS

A origem do uso de cobras na igreja vem de George Went Hensley, 1880 1955, Cleveland, Tennessee, um pregador da Igreja protestante Pentecostal de Deus, no Tennessee.

Por volta de 1909, quando pregava, um grupo de homens no púlpito soltou de uma caixa cobras vennenosas, tendo Hensley pegado numa sem ser mordido.

George Went Hensley foi expulso da sua igreja quando esta se deu conta que se dedicava a manipular cobras nas celebrações e estabeleceu regras rigorosas para excluir tais práticas.

Igrejas semelhantes multiplicaram-se pela região das Montanhas Apalache.

Muitos dos seguidores mais tardios foram convertidos no final do século XIX por pregadores viajantes que diziam fazer milagres e outras maravilhas.

Nos anos vinte Hensley criou uma nova igreja dedicada a esta manipulação. É hoje seguido em todo o norte dos Apalaches.

James Miller, alguns anos depois de 1909, afirmando não conhecer a actividade de Hensley, anunciou ter recebido a revelação para manipular serpentes e baptizar segundo a fórmula referida na Bíblia do rei Jaime.

No início do século XX, o uso de cobras nas igrejas espalhou-se para o Canadá.

A manipulação de cobras (sem olhar se são vennenosas ou não) baseia-se em citações bíblicas (Paulo mordido, etc.). Afirmam que esconjura o diabo. Também impõem as mãos aos doentes, testemunham milagres e tomam ocasionalmente venenos, como estricnina

Os seguidores reúnem-se em casas e edifícios adaptados ao culto e aderem a normas estritas de vestuário, como não cortar o cabelo e não usar produtos de beleza para as mulheres e o cabelo curto para os homens. Também não consomem tabaco e álcool.

Muitos dos manipuladores são mordidos numerosas vezes e ficam com as extremidades deformadas.

O fundador do movimento morreu duma mordedura em 1955. Muitos outros assim continuam a morrer. Se a manipulação junto do altar provocar uma mordedura é considerado que a pessoa atacada não está a ter suficiente fé. É afirmado que é vontade de deus e que os mordidos têm a prova de que a salvação está assegurada. Geralmente não recorrem a cuidados médicos, o que pode levar à morte ou a sofrimentos e deformações físicas evitáveis.

Os estados americanos emitiram leis contra estes rituais, mas a lei é contornada sendo realizados em casas, fora das igrejas. A manipulação de cobras passou a ser ilegal na Georgia no ano de 1941, a seguir à morte de uma menina de sete anos de idade. A severidade da condenação foi tal que nunca foi aplicada e a lei foi revogada em 1968.

Os agentes do Estado ignoram estes rituais, a não ser que provoquem mortes.

Em Julho de 2008 10 pessoas foram presas e 126 cobras foram confiscadas. O pastor Gregory James Coots do Full Gospel Tabernacle in Jesus Name foi preso e 74 cobras foram retiradas da sua casa. Uma mulher de Tenesse morreu mordida por uma cobra durante a missa.

Nos Estados de Virginia Ocidental e do Sul a prática é hoje legal.

Ainda hoje se encontram manipuladores de cobras nas Montanhas de Apalache e noutras partes do sul dos EUA como Alabama, Georgia, Kentucky, Tennessee, Virginia do Oeste e Ohio.

Em 2001 existiam cerca de 40 pequenas igrejas com esta prática.

Têm grande audiência em meios de comunicação social norte-americanos.

Impressiona o baixo nível cultural das populações que abraçaram estas crendices. Vivem em regiões de antiga colonização (não se trata do Oeste selvagem…).

Sendo os EUA um país muito rico, ainda sofre por ter sido até há pouco tempo uma região abandonada e em regime colonial.

As elites concentram-se nas grandes cidades, sobrevivendo na província um conservadorismo inculto, radical e sem sentido.

Em certas localidades basta ser-se negro ou homossexual para ser perseguido e violentado fisicamente.

Esta “maioria silenciosa” acaba por ter uma influência política importante. São eles os apoiantes do antigo presidente Bush-filho que decidiu baixar os impostos a tal ponto que hoje o Estado está quase insolvente, em parte por essa medida!

Já é tempo das autoridades civis e religiosas erradicarem estes comportamentos bárbaros, através da educação e da divulgação da cultura!

(informações extraídas dosmeios norte-americanos de comunicação e da Internet)

28 de Julho, 2011 Carlos Esperança

Um devoto assassino

Fotos enviadas por Stéphanos Barbosa

27 de Julho, 2011 João Vasco Gama

Infinita misericórdia

Uma sátira perspicaz ás crenças associadas ao Mistério Pascal:

26 de Julho, 2011 Ludwig Krippahl

O sexo, por suposto.

O Alfredo Dinis defendeu que «uma educação sexual que se centre em tornar acessível aos jovens os anticonceptivos e as técnicas do seu uso não passa de uma caricatura da educação sexual e, em última instância, do amor.»(1) Interpretando à letra, concordo. Os jovens devem aprender técnicas de contracepção nas aulas, quanto mais não seja para corrigir o que aprendem uns com os outros, e devem ter acesso a contraceptivos antes de iniciar a sua vida sexual. Além de educação, é também um problema de saúde pública. Mas concordo que a educação sexual e do amor não se deve centrar no preservativo. No entanto, essas partes aprendem-se pelo exemplo e não por livros e professores. É com a família que as crianças devem aprender a amar, pelo que o currículo escolar pode focar os outros detalhes.

Mas como o Alfredo me critica por interpretar os textos à letra, suspeito que a posição da Igreja seja mais forte do que apenas esse “não centrar”. Quando as religiões se preocupam com a educação das crianças, raramente é por acharem que falta alguma coisa. Normalmente é por as crianças aprenderem demais. A teoria da evolução, a existência de outras religiões ou os preservativos, por exemplo. Mas deixo esta questão em aberto.

O que me interessa aqui é a ética do sexo que o Alfredo propõe. Começa por apontar que «Para algumas pessoas, o princípio geral supremo é o da liberdade pessoal – supostamente oposto ao da obediência a mandamentos divinos ou outros», o que confunde dois contextos diferentes. Não é oposto à liberdade pessoal que o Alfredo opte por seguir mandamentos. Isso até é um exercício da sua liberdade pessoal. Mas haveria conflito se alguém obrigasse o Alfredo a seguir mandamentos. Em comportamentos e disposições que não se imponham aos outros – o que Robert Kane chama “esfera moral” – qualquer conjunto de valores é igualmente legítimo. Só quando saímos desse contexto, para impor regras a todos, é que a liberdade pessoal se torna importante para minimizar a distância a esse ideal, normalmente impossível, de cada um agir como entender sem prejudicar os outros. Esta distinção, importante em todos os problemas éticos, é especialmente relevante com o sexo. Era útil que o Alfredo distinguisse entre os princípios que aplica à sua vida sexual e os princípios que quer aplicar à vida sexual dos outros.

Sem fazer essa distinção, o Alfredo defende que «O problema é que ao ‘alugar’ uma prostituta, eu estou objectivamente a banalizar um género de relação interpessoal que é dos mais profundos.[…] As relações sexuais são um género muito especial de relações porque inclui um nível de complexidade e de intimidade que não se encontra noutras relações.». Na minha experiência, o sexo pode ser parte de uma relação profunda, uma parte divertida e gratificante, mas é uma parte pequena quando comparado com tudo o que torna a relação profunda, íntima e complexa. Tanto pode ser um fim de semana romântico como uma rapidinha antes dos miúdos chegarem da escola, ou o que calhar. Por isso, parece-me errado equacionar o sexo com a relação íntima e profunda, que é muito mais do que essa pequena parte. Mas o importante é reconhecer que, numa questão pessoal como esta, é legítimo haver divergências sem que uma opinião seja objectivamente mais correcta. A “banalização objectiva” será, no máximo, um problema para o Alfredo e para quem pensar como ele. Para muitos outros, o que se passar entre o Alfredo e a hipotética prostituta, se de mútuo acordo, é um assunto entre os dois.

Acrescenta o Alfredo que «A Igreja Católica baseia-se no princípio da totalidade ou do bem total do ser humano para discernir o valor humanizador das relações interpessoais concretas». O que não diz nada, porque a questão é se coisas como proibir a prostituição e não ensinar contracepção servem o bem total do ser humano. Parece-me que, se é o bem total que queremos, a repressão e a ignorância são má ideia.

Outra alegação dúbia é que «As relações sexuais são expressão de um amor amadurecido entre dois seres humanos, um homem e uma mulher,. Por conseguinte, se não se pode brincar ao amor, também deve ser verdade que não se pode brincar às relações sexuais.» Eu comecei a namorar aos dezassete com a pessoa que ainda me atura aos trinta e nove, e os meus dados sugerem que o Alfredo está enganado. O amor demora tempo a amadurecer. O que parecia amor nos primeiros anos percebe-se, em retrospectiva, que era a brincar. Mas brincar é fundamental para aprender. Quem não brincar ao amor e ao sexo não consegue amadurecer nestes aspectos da sua vida, ficando preso a noções confusas, abstractas e distantes do que estas coisas são. Ou devem ser.

Por exemplo, « A Igreja Católica tem uma concepção da relação sexual entre dois seres humanos que supõe que o sentido dessa relação é o de realizar uma união de complementaridade total entre eles. […] A Igreja Católica parte ainda do pressuposto que esta complementaridade total leva à união profunda dos esposos e à procriação como fruto dessa união.» Pressupor é um bom ponto de partida desde que, depois, se ponha à prova os pressupostos na disposição sincera de os substituir se estiverem errados. Porque supor, por si só, não é saber. Mas esta perícia instantânea, mesmo que ilusória, é útil para as religiões. Com meia dúzia de suposições infundadas, os sacerdotes são peritos em tudo. Sabem o que acontece depois de morrermos, sabem quem criou o universo, que deuses existem, o que querem de nós e como falar com eles. E sabem até o que devemos fazer na cama, com quem, e para que fins. Tudo isto só de supor.

1- Alfredo Dinis, Sexo e religião

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