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11 de Agosto, 2012 Carlos Esperança

A CASTRAÇÃO SACERDOTAL

Por

ONOFRE VARELA

Os sacerdotes católicos começam por ser (e são-no por toda a vida) homens. Uma boa parte deles, provavelmente, constituirá uma colecção de homens frustrados. E isto porque a condição sacerdotal que assumiram na juventude, operou desvios nos seus modos de pensar e comportar.

Um dos desvios foi-lhes imposto pela proibição de darem uso ao sexo que, quer o papa queira, quer não, os padres possuem. O sexo tem uma função específica que vem escrita no caderno de encargos de cada um, que é o código genético, e negá-lo… é um berbicacho!…

O instinto sexual é uma condição natural. Funciona como mola impossível de conter para perpetuar a espécie. E todos os seres vivos (vegetais incluídos) o fazem das mais variadas maneiras e nas mais incríveis situações. Alguns deles até morrem depois da missão cumprida, como o louva-a-deus e o salmão. Os homens também estão,
incontornavelmente, abrangidos por essa lei natural.

Os padres católicos, porém, estão impedidos de serem homens biológica e psicologicamente inteiros, o que, se em alguns indivíduos acaba por ser uma condição pacífica, em muitos outros não o será, já que a condição de macho, de uma espécie inteligente e erótica (e o erotismo é importante), é-lhes negada, proibida e censurada.
A lei clerical que os impede de se realizarem sexualmente pode modificar (e modifica) o comportamento social de alguns indivíduos de sotaina e cabeção.

Dir-me-ão que há quem consiga viver casto, sem actividade sexual. É verdade que sim. (Ó p´ra mim!… À porta dos 70, já não me afadigo como aos 20 e aos 40!…). O cérebro dos humanos opera milagres! As possibilidades comportamentais do Homem são imensas, como ser inteligente e racional que é. O Homem é o único ser que se adapta a
quaisquer condições, inclusive àquelas onde as possibilidades de vida são impossíveis (como, por exemplo, navegar o espaço para lá da camada protectora da atmosfera), graças ao seu poder inventivo, à técnica e às capacidades específicas do cérebro que possui.

Há quem viva sexualmente casto e em harmonia, quando a condição da castidade parte de si mesmo. Sendo assim, a sua situação psicológica, muito provavelmente, será perfeita, porque se trata de uma opção pessoal. É como viver só, rejeitando a compartilha do apartamento.

Quem assim se comporta está a cumprir a sua vontade e a viver de acordo com ela. A sua condição de macho — o instinto sexual desse indivíduo —, não está a ser violentada, já que ser casto é uma opção própria, ditada pelo seu cérebro, por isso, intrínseca ao seu modo de pensar e de sentir. É o seu desejo. O mesmo não se poderá dizer quando a condição de castidade lhe é imposta; lhe chega de fora de si, em forma de lei escrita e com superiores hierárquicos fiscalizadores, como polícias de trânsito a
avaliarem o seu modo de conduzir. As reacções psicológicas desse indivíduo — interno de um seminário e rodeado de machos com os mesmos instintos sexuais a serem, coercivamente, refreados —, não será, certamente, as mesmas do outro que não é casto por imposição, mas por opção.

A Igreja é cheia de homens a quem foi imposta a castidade contra a sua vontade natural, e que transportam esse dilema nos seus cérebros, convivendo mal com ele todos os dias das suas vidas. Má convivência que, necessariamente, se reflectirá nas suas atitudes comportamentais. Mas a Igreja também tem sacerdotes que se relacionam sexualmente, numa situação obrigatoriamente clandestina, compensando o seu lado afectivo (e erótico) na relação sexual como prémio do desejo.

Estas relações, para os seus intervenientes, só têm a negatividade de serem clandestinas, imprimindo-lhes algo de relação incompleta e “pecaminosa”. Como relação secreta, não se pode mostrar aos outros a felicidade que se sente por amar fisicamente aquela pessoa!
Quanto à relação em si, desde que partilhada com parceiros (mulher ou homem, tanto dá) de maioridade e por vontade própria, ela é perfeita!

E como todos nós sabemos, por notícias que às vezes vêm a público, a Igreja enferma do crime de pedofilia, a juntar a tantos outros crimes e atitudes prepotentes que brotam do seu útero parideiro de desgraças, juntamente com mais uma colecção enorme de abusos de vária ordem contra a sociedade onde a Igreja se estabeleceu, e principalmente
contra as mulheres que são as eternas e preferidas vítimas do conceito do deus patriarcal, arcaico, homófobo e castigador.

Dirão os religiosos, na condição de advogados do diabo, que os crimes de pedofilia na classe clerical não são da Igreja, enquanto instituição, mas, apenas e só, de alguns sacerdotes.
Claro que sim! Mas um só que fosse, já era demais para a santidade de que a ICAR se apregoa. Um só energúmeno padre que abuse sexualmente de uma criança, é uma aberração da instituição, mercê da moral que a Igreja diz representar!

Na realidade, o número de padres pedófilos e abusadores sexuais de menores e de portadores de deficiência, é imenso!
E estes crimes são, habitualmente, silenciados pela hierarquia da Igreja. Os casos que chegam às páginas dos jornais serão, apenas, uma gota de um oceano de maldades.
A condição de “animal-predador-sexual”, no homem comum, é limada pela ética comportamental aprendida no meio que o formatou desde o berço como animal gregário que é, e pela lei instituída na sociedade, o que o impede de, quando estimulado pelo instinto sexual, violar todas as mulheres com que se cruza na rua.

Mas este homem comum, foi educado para se insinuar, escolher mulher, conquistá-la, namorar, e, por vontade dos dois, viver em comum e envolver-se numa troca de sexo, de saliva e de outros fluídos corporais numa dádiva mútua. Disto (que é bom!…), os padres estão proibidos de usufruir!

A Santa Madre Igreja e o papa, que é seu parceiro (B16, não esqueçamos, provém da ala mais extremista, direitista, estúpida, retrógrada, prepotente, arcaica, medieval e tenebrosa da ICAR), batem o pé para que assim continue a ser, permitindo-se os desvios que a Natureza opera nas cabeças sacerdotais (há religiosos que também são autores de actos positivos? Um dia falarei sobre isso).

A Igreja esquece que os padres, lá por serem padres, não deixam de ter erecções… e reprimi-las é anti-natural, embora esteja de acordo com o sacro-sadismo de infligir auto-sofrimento para atingir a santidade (!) e, se calhar, por essa via, conseguir um orgasmo…

Coibir a sexualidade é um acto psicologicamente violento, não sendo, por isso, um bom princípio para se ser uma pessoa de bem e conviver em harmonia consigo e com os outros.
Tenho para mim que quem não tem uma relação sexual que o satisfaça, não pode ser boa pessoa. E mais: provavelmente será azedo no modo de se expressar e conviver. Azedume que se nota em alguns recados de rodapé que estes textos às vezes suscitam… não é?!…

A esses espíritos azedos de fel, permito-me sugerir-lhes que conquistem uma mulher e se deitem com ela (*).
Vão ver que é bom!… e vão-me agradecer a sugestão!…
Vá… experimentem!…

(*) – Não sei se terão estaleca para isso. Se calhar só têm força na língua para vomitar insultos…

Onofre Varela.

10 de Agosto, 2012 Carlos Esperança

De José Estaline a Santo Escrivà

Zita Seabra saiu do PCP quando a URSS se desmoronava, por altura da Perestroika, e interrompeu a longa caminhada que a levou da clandestinidade, durante a menoridade, até à Comissão Política do Comité Central do PCP, em 1983. Podia ter entrado num convento mas preferiu à clausura pia a hipoteca ao PCP onde a herança estalinista se mantinha viva.

Ao acusar o PCP de fazer espionagem não surpreende ninguém com uma prática que era comum às grandes potências durante a guerra fria. Só surpreende a sua cumplicidade de 22 anos até pouco antes da sua expulsão, em 1988. Já a espionagem através do ar condicionado parece uma metáfora de quem recusa o ar livre.

Zita Seabra saiu do PCP e renegou o estalinismo mas nem um nem outro saíram dentro de si. O cilício que a mortificava na clandestinidade é o instrumento de tortura com que se faz acompanhar a caminho do Opus Dei.

No PCP recebeu todos os sacramentos marxistas-leninistas-estalinistas até chegar à comissão política do mais alto areópago do mais ortodoxo dos partidos comunistas da Europa ocidental. Deu-lhe a vingança para reiniciar nova carreira no PSD e na Igreja católica. Ao batismo cavaquista seguiu-se a pia batismal de uma igreja católica e, logo a seguir, a eucaristia, a penitência, o casamento religioso e o crisma. Anda agora em jejuns e penitências para imitar o santo Escrivà, cúmplice do genocida Francisco Franco e silencioso perante as execuções sumárias de centenas de milhares de espanhóis.

Se tivesse optado pelo islamismo já não seria viva porque a jihad não deixa que morram de velhice e nada agradaria mais ao Profeta do que vê-la imolar-se rodeada de bombas na reunião do Comité Central do PCP. Começou com Marx e acabou a ler o Caminho. Que percurso sinuoso e invulgar a trouxe dos amanhãs que cantam em direção ao coro de anjos e querubins que a aguardam em lugar incerto na mansão celestial!

Termino com uma citação profética de José Saramago:

“Chegaram-me ecos do desastre que terá sido a participação de Zita Seabra no programa de Manuela Moura Guedes. Entristece-me verificar como afinal valia tão pouco, intelectual e eticamente falando, alguém a quem os acasos e as necessidades políticas colocaram em funções e confiaram missões de responsabilidade dentro e fora do Partido. Que Zita Seabra se tenha desempenhado delas, nesse tempo com coragem e dignidade, não pode servir para disfarçar nem desculpar o seu comportamento actual. Zita Seabra é hoje o exemplo perfeito e acabado do videirinho, palavra suja que significa, segundo os dicionários e opinião de gente honrada, “aquele que para chegar aos fins não olha aos meios nem hesita em humilhar-se e cometer baixezas”. Oiço, leio e chego a uma conclusão: esta mulher vai acabar mal.”
In Cadernos de Lanzarote: Diário – II pg. 14 e 15 de José Saramago.

10 de Agosto, 2012 Carlos Esperança

Mulher e vítima, uma herança religiosa e tribal

A MULHER NA HISTÓRIA DA EUROPA…

DOS HOMENS…

Parirás com dor.
Bíblia.

A mãe não saberia dar vida. Ela é somente o vaso onde o germe vivo do pai se desenvolve. É ao pai que são devidos o respeito e o amor das crianças. Quem mata a mãe não é parricida.
Ésquilo.

Há um princípio bom que criou a ordem, a luz e o homem. Há um princípio mau que criou o caos, as trevas e a mulher.
Pitágoras.

A mulher é fêmea em virtude de uma certa falta de qualidades
Aristóteles.

Mulher, tu és a porta do Inferno, a via da corrupção, a aliada de Satanás. Deverias sempre vestir de luto e não te cobrires senão de andrajos e teres os olhos inundados de lágrimas. Tu és responsável pela a do género humano.
Tertuliano.

A mulher menstruada estraga as colheitas, devasta os jardins. mata as sementes, faz cair a fruta, mata as ovelhas e faz azedar o leite se lhe toca.
Plínio.

Um ser ocasional e acidental, a mulher
São Tomás de Aquino.

A gravidez não é mais do que a tumefação do útero.
São Tomás de Aquino.

É através da mulher que nos foi enviada a destruição; é através da mulher também que nos foi enviado o parto.
Santo Agostinho.

Nascemos entre os excrementos e a urina.
Santo Agostinho.

A mulher é feita para ceder ao homem e suportar-lhe as injustiças
Jean-Jacques Rousseau.

Ela foi dada ao homem para que ela faça filhos e ela pertence-lhe, como uma árvore com frutos pertence ao jardineiro.
Napoleão.

A mulher é uma propriedade que se adquire por contrato. Deveis ter horror às raparigas com instrução
Balzac.

Não tenham a mínima inquietação com os seus queixumes, os seus gritos, as suas dores. A natureza fê-la para suportar tudo. Filhos, pancada e desgostosos do homem.
Balzac

Devemos alimentá-las bem e vesti-las bem mas não as meter na sociedade. E não devem senão ler livros de piedade e de cozinha.
Byron.

Uma mulher, ao usar a sua inteligência torna-se feia, louca, macaca
Proudhon.

Não se pode imaginar uma olimpíada feminina. Seria impraticável, inestética e incorreta.
Pierre de Coubertln

O destino da mulher deve permanecer o que é: na juventude uma coisa adorável e deliciosa; na idade madura, o de uma esposa querida. (…) o desejo do êxito numa mulher é uma neurose, o resultado de um complexo de castração do qual só se curará através de uma total aceitação do seu destino passivo. A mulher… um homem falhado.
Freud.

Citações recolhidas em .Sexologia, de Gilbert Tordjman, e em Assim seja Ela, de Benoite Grautt.

(Citações enviadas pelo leitor CF)

9 de Agosto, 2012 José Moreira

Religiões?

Uma seita religiosa viveu, durante anos, debaixo da terra. Quando foi interceptado pela polícia e lhe disseram que as instalações iriam ser demolidas, o mentor, que se intitula califa, não se coibiu de garantir que Alá destruirá as máquinas.

Vou ficar sentado à espera de ver.

9 de Agosto, 2012 Carlos Esperança

ACERCA DA “INFALIBILIDADE” PAPAL

Por

ONOFRE VARELA

Os papas são homens como você, eu e o meu avô.
O meu avô, que era padeiro, por muito bom pão que fabricasse, não tinha só opiniões sapientíssimas. O mesmo acontece aos papas, por muito boas missas que celebrem.

Opinar é sempre um risco pela variedade de sensibilidades daqueles que ouvem ou lêem a nossa opinião e a analisam de outro ângulo, que é o seu ponto de vista. Não acredito que haja quem opine sobre o que não sabe. Todos os opinadores o fazem sobre aquilo que sabem ou “julgam saber”, o que pode não coincidir com o saber autêntico, mas estão protegidos pela presunção de saberem. Eu incluído.

Nesse sentido, o maior disparate proferido por alguém, coincidindo com o ponto de vista do outro, é, por este, entendido como coisa sapientíssima… embora não passe de disparate!
O inverso também é verdadeiro. A maior verdade que alguém profira, se não for aferida pelo entendimento do outro, acaba por se perder como verdade que é, e pode ser transformada numa mentira irrelevante ou incómoda, a não merecer qualquer crédito.

Exemplos destes, carregados desta negatividade do descrédito de relevantes verdades científicas, fazem a história negra da Igreja Católica (e de todas as religiões), o que se comprova com a trágica história de Galileu.

Na hilariante efabulação dos religiosos, em matéria de fé ou moral (os costumes), o papa goza da “Assistência Sobrenatural do Espírito Santo” (coisa perfeitamente ridícula), o que o preserva do erro, assim a modos como a vitamina C nos preserva da gripe. Esta “infalibilidade” (ia dizer infantilidade!…) criou os dogmas, que são “verdades imutáveis e infalíveis” para serem aceites pelos fiéis, com os olhos fechados e o cérebro lacrado.

O papa, como homem que é, é tão, ou mais, falível, do que o Orçamento Geral do Estado. Mesmo assim, desde o ano 90 dC que a infalibilidade papal é afirmada, e o papa Clemente I garantia falar “em nome do Espírito Santo”. No século XI afirmou-se, e registou-se para todo o sempre, que o papa “Nunca errou e não errará nunca”, frase copiada nove séculos depois, por Cavaco Silva, na versão “Nunca tenho dúvidas e raramente me engano”!

Num mundo onde tudo é temporário, mutável e falível, afirmar uma enormidade destas, só é possível na cabeça de um cavaco, ou de um crente, num tempo em que o “saber” era religioso. Quer dizer, num tempo em que o saber não era saber algum…

Hoje há uma instituição que produz saber: a Ciência. Mas os papas continuam “infalíveis”!… Não por serem ignorantes, já que ignorância é coisa que não existe nas cúpulas da hierarquia da Igreja… mas por necessidade de alimentarem a ignorância na cabeça dos crentes-militantes-de-base, para resguardo das suas lautas refeições, poderes temporais e mordomias sociais (sempre o poder terreal!).

Às vezes os papas (e outros religiosos) até opinam acertadamente! Mas a Maya faz a mesma coisa com o Horóscopo! Aliás, acertar de vez em quando, não é difícil: reparem que até um relógio parado acerta nas horas duas vezes por dia!
Os homens são todos tão iguais, têm atitudes tão previsíveis, que o difícil seria não se acertar em alguns prognósticos. Mas os papas têm um azar dos diabos… acertam menos do que a Maya!

Em matéria de “disparates infalíveis” proferidos pelos papas de todos os tempos, atente-se nestas autênticas pérolas de disparates papais, lembrados pelo filósofo espanhol Fernando Savater (Jornal El País, 5/11/2005):

Em 1791, como resposta à proclamação dos Direitos do Homem pelos revolucionários franceses, o papa Pio VI afirmou que “não se pode imaginar maior disparate do que entender que todos os homens são livres e iguais”.

Em 1832, o papa Gregório XVI sentenciou que “a liberdade de consciência é um erro venenosíssimo”. Tal sentença foi reafirmada por Pio IX, em 1864, condenando os principais erros da modernidade democrática, entre os quais incluía “a liberdade de consciência”.

Em 1888, Leão XIII, sentado no trono da Igreja Católica, proferiu mais um dos infalíveis disparates papais: “não é lícito defender ou conceder uma liberdade de pensamento, de imprensa, de palavra, de ensino e de culto, como se fossem direitos naturais do homem”. (Como se vê, os extremistas islâmicos que vociferam contra caricaturas, a liberdade de expressão e a igualdade da mulher, não inventaram nada.
Os papas já sabiam tudo há muito mais tempo!).

E Pio X, em 1906, tentou fulminar a lei francesa que determinou a separação entre Igreja e Estado, declarando que “a necessidade de separar Estado e Igreja é uma opinião falsa e mais perigosa que nunca, porque limita a acção do Estado, apenas, à felicidade terrena, descuidando o que deve ser a meta principal dos cidadãos, que é a beatificação eterna para além desta breve vida”. Esta beatitude parece ter sido a semente que produziu a erva daninha social chamada Escrivá de Balaguer, que já tem estátua a enfeitar a fachada da sede da multinacional Igreja Católica, no Vaticano.

Perante tais disparates, que dizer das minhas opiniões? Não direi que serão conclusões enciclopédicas… mas, no mínimo, perante as baboseiras solenemente proferidas do trono do Vaticano, sinto-me com o direito de, igualmente, dizer o que entendo da matéria, mesmo correndo o risco de proferir algum disparate que, a sê-lo, não molestará ninguém porque será um disparate sem a oficialidade dos disparates papais.

Isto mostra que o disparate é livre e está universalizado. A Humanidade tem caminhado de disparate em disparate e já, por variadíssimas vezes, atingiu o disparate total. A maioria delas conseguiu-o pela via das religiões.

A Igreja precisou de esperar que o cadeirão de onde foram proferidos tais infalíveis disparates fosse ocupado por Paulo VI para, no Concílio Vaticano II (1962-1965), finalmente reconhecer “a liberdade de consciência a que todas as pessoas têm direito, a qual não deve ser coarctada nem pelo Estado nem pela Igreja”!
Onofre Varela.

8 de Agosto, 2012 Carlos Esperança

A Igreja católica francesa entra no combate político

Nem o facto de ser uma promessa eleitoral do novo presidente, amplamente sufragado pelo eleitorado, demove a Igreja católica do combate contra a legalização do casamento entre indivíduos do mesmo sexo e o direito à adoção de crianças.

Da agenda da Igreja faz igualmente parte a luta contra o debate sobre a eutanásia, já anunciado pelo presidente François Hollande, mas sem qualquer intenção afirmada pelo Governo.

Num país onde a laicidade é uma realidade indiscutível desde 1905, o que tem evitado à França guerras religiosas, vêm agora os bispos entrar no campo da política e das leis da família com o proselitismo de que estavam arredados há mais de um século. A ameaça de uma missa nacional foi a primeira atitude do presidente da Conferência Episcopal, o cardeal André Vingt-Trois, que a marcou para 15 de agosto próximo, dia da Assunção da Virgem ao céu, evento de que se desconhece o meio de transporte, a data, o itinerário e os locais de partida e de chegada.

Espera-se que a guerra declarada não ultrapasse as orações e as homilias e que a liturgia não inclua fogueiras nem a crueldade com que a Igreja católica combateu os albigenses. A França, graças à laicidade, conseguiu terminar com os banhos de sangue provocados pelas guerras religiosas.

Manifestar a sua posição perante os paroquianos amigos da hóstia e da missa é o direito que a França assegura a todos os cidadãos mas incitar o povo contra o cumprimento de promessas eleitorais, num Estado que «não reconhece, não remunera nem subvenciona nenhum culto», é um provocação que remete para a intolerância islâmica que intoxica os crentes nas madraças e mesquitas que a França tem sabido conter.

A França não exige à exótica monarquia vaticana que se reja por regras democráticas mas não consentirá à única teocracia europeia que interfira na política da República.