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15 de Agosto, 2012 Carlos Esperança

O papa, o mordomo, o informático e a fuga de documentos

Imaginem caros amigos que eu, ateu há mais de 50 anos, era o mordomo do Papa. Esqueçam que sou eu quem seleciona as companhias e que não privo com pessoas de passado duvidoso e comportamento estranho. Esqueçam que eu nunca trabalharia para a última ditadura europeia, um Estado fantoche criado por Mussolini e pelo papa de turno e que, jamais, colaboraria na venda de água benta e de indulgências.

Imaginem, pois, por mera abstração, que era eu o mordomo do papa de turno, de B16, o papa que está a levar a cabo uma campanha de branqueamento da cumplicidade da sua Igreja com os regimes nazis e, em especial, a reabilitação de Pio XII, depois de o seu antecessor pedir perdão pelas perseguições aos judeus feitas ao longo da história com base no antissemitismo do Novo Testamento, uma publicação fantasista que teve em vista justificar a cisão cristã dentro do judaísmo.

Ora, se eu fosse o mordomo, bastava-me declarar que tinha sido Deus, enojado com a sua Igreja, que me tinha pedido para denunciar os crimes que o comprometem. Um Deus que se preze não enterrava numa basílica um padrinho da Máfia, não lavava dinheiro da droga e das armas num banco que tem o pitoresco nome de Instituto para as Obras Religiosas (IOR) e, provavelmente, nem teria um banco.

Num Estado onde não há divisão de poderes, onde o ditador se encontra vitaliciamente legitimado por vontade divina, onde a santidade é atribuída pelo exercício das funções e o poder discricionário se legitima na crença da improvável existência do Espírito Santo, é fácil dizer que foi da vontade de Deus a denúncia de documentos que provam a falta de ética do pouco recomendável bairro.

E, dito, isto não sobraria aos juízes, impossibilitados de darem uma sentença antes de a submeterem à apreciação da Cúria, outra saída que não fosse conformarem-se com um milagre bem mais honesto e menos pueril do que os que o Vaticano diariamente inventa para canonizar defuntos de passado duvidoso que rendem avultados emolumentos.

A luta pelo poder, a que não é alheio o Opus Dei, transforma figuras menores, um mordomo e um informático, em bodes expiatórios de uma conspiração silenciosa pela eleição do próximo papa.

14 de Agosto, 2012 Carlos Esperança

Um milagre que faz falta na Arábia Saudita

Um vídeo amador gravado em Presidente Médici-RO capturou a imagem de uma mancha avermelhada na Cruz da Jornada Mundial da Juventude, que percorre o País, vinda do Vaticano – Roma. O fenômeno é intrigante.

Desde que começou a circular pela cidade, após o evento, que aconteceu no último dia 05 de agosto, a gravação sugere duas vertentes: seria uma manifestação milagrosa com o Sagrado Sangue de Jesus ou um mero reflexo dos raios solares daquela manhã?

Diário de uns Ateus – Só pode ter sido milagre!

14 de Agosto, 2012 Carlos Esperança

Supostamente…

O ex-mordomo do Papa Bento XVI, Paolo Gabriele, será julgado no mês que vem por participar do furto e publicação ilegal de documentos que, supostamente, provaria casos de corrupção no Vaticano.

O Diário de uns Ateus apreciou o termo «supostamente» atribuído à corrupção denunciada pela comunicação social de todo o mundo livre, nomeadamente no que se refere à lavagem de dinheiro da droga e às relações com a máfia, através do IOR. O que terá levado o Papa a mandar tomar medidas de precaução para evitar que os crimes se repetissem?

14 de Agosto, 2012 Carlos Esperança

A beleza das mulheres

Por

ONOFRE VARELA

Que mau humor…. oh pá…também!!….

Encontrei a minha vizinha na rua e disse-lhe que ela tinha três lindas filhas….
…deitou-me uns olhos, quase me fulminou…. irra….
….será que uma pessoa não  se pode enganar…??? oh pá….também…!!

14 de Agosto, 2012 Carlos Esperança

Jesus, esse familiar irresponsável

Por

Kavkaz

É com naturalidade que verificamos a alegria dos pais quando os filhos nascem. E também achamos natural a ajuda constante que eles dão aos filhos desde pequenos até à idade adulta. Os filhos são a continuação da família e é com naturalidade que os veremos a apoiar os pais na velhice, naquele período em que os pais já não podem fazer mais nem pelos filhos, nem por si próprios. Este é o desejo normal.

A Bíblia relata-se uma história anormal. Descreve-nos uma pessoa com problemas e conflitos com a sociedade em que vive. Trata-se de Jesus com pai biológico que nunca viu. A mãe dele vivia casada com o padrasto de Jesus. Foi o padrasto, carpinteiro de profissão, e a mãe quem pagaram as contas do sustento e educação de Jesus. O apregoado pai, “Deus”, não contribuía para o sustento do filho que fez, de forma inexplicada e sem aviso, à mulher do carpinteiro. Jesus cresceu revoltado, talvez por desconhecer o pai biológico e que nunca se dignou mostrar-lhe a cara. E Jesus queria tanto conhecer o pai, como é natural numa criança. Ele faria tudo para o conhecer, até morrer mais cedo. Esta criança viveu sempre revoltada e aos 33 anos era um adulto desestruturado.

Jesus vivia uma vida sem emprego conhecido e estável, uma vida boémia com amigos e mulheres do seu tempo. Assim, aos 33 anos ainda não tinha conseguido constituir a própria família, ter filhos e educá-los, ver crescê-los, participar e ser responsável pela sua própria família. Jesus não conseguiu nunca ser um exemplo de chefe de família. Era ainda o mesmo menino obcecado por conhecer o papá escondido algures e que lhe mandava recados em pensamento. Traspassava-lhe a ideia de proteger e salvar tudo e todos de algo terrível que poderia acontecer, desde que fossem judeus. Esta ideia fixa levou-o até às últimas consequências… Convenceu-se de que a sua morte seria a vontade do pai biológico, “Deus”, portador de um ego muito elevado e que apreciava os sacrifícios humanos. E apesar de não ser ético nem moral um pai desejar a morte dos próprios filhos, ele assumiu tal ideia como verosímil e caminhou voluntária e conscientemente para a própria condenação à morte às mãos de um poder local já cansado dos conflitos que ele provocava deliberadamente. Poderia ter evitado a própria morte, emancipando-se das ideias macabras do pai ausente, mas aceitou ficar na história e ser um mito, um “mártir”. Morreu crucificado por vontade de “Deus”, o pai biológico distante.

A sua morte foi chorada pela família, pelos companheiros de aventuras, pelas mulheres que o amavam. Choravam porque sabiam que já não poderiam contar mais com ele toda a vida. Se assim não fosse, não chorariam.

Em pior situação ficaram os verdadeiros pais de Jesus, os que o tinham acarinhado, alimentado, educado, que depositaram tantas energias, esforços, gastos, desejos e esperanças para fazer dele um homem. Debalde! A velhice chegaria e Jesus não estaria para os apoiar nos momentos mais difíceis dos pais velhotes. Ai, aquela cabeça no céu irresponsável…

13 de Agosto, 2012 Carlos Esperança

A Virgem Maria (Crónica pia)

A Virgem Maria, farta das companhias e do Céu, onde subiu em corpo e alma, aborrecida do silêncio e da disciplina, cansada de quase vinte séculos de ociosidade e de virtude, esgueira-se às vezes pela porta das traseiras e desce à Terra.

Traz a ladainha do costume, a promoção do terço de que é mensageira e ameaças aos inocentes. Poisa em árvores de pequeno porte, sobe aos montes de altitude moderada e atreve-se em grutas, pouco recomendáveis para a virgindade e o reumatismo, sempre com o objectivo de promover a fé e os bons costumes, de abominar o comunismo e anatematizar os pecados do mundo.

A receita é sempre a mesma: rezar, rezar muito, rezar sempre, que, enquanto se reza não se peca. Não ajuda a humanidade mas beneficia o destino da alma e faz a profilaxia das perpétuas penas que aos infiéis estão reservadas no Inferno.
Surpreende que, sendo tão vasto o mundo, a Virgem Maria só conheça os caminhos dos seus devotos e abandone os que adoram um Deus errado e odeiam o seu divino filho que veio ao mundo para salvar toda a gente.

Fica-se pela Europa, em zonas não contaminadas pela Reforma, aventura-se na América Latina, eventualmente visita a África e nunca mais voltou a Nazaré e àqueles sítios onde suportou os maus humores do seu divino filho e as desconfianças do marido. Ficando-lhe as viagens de graça, por não precisar de combustível, não se percebe que não volte aos sítios da infância, não vá em peregrinação ao Gólgota, não deambule pela Palestina e advirta aqueles chalados de que o bruto e ignorante Maomé é uma desgraça que se espalhou pela zona como outrora a peste, que a única e clara verdade é o mistério da Santíssima Trindade.

Por ter hora marcada ou para não se deixar seduzir pelas tentações do mundo, a virgem Maria regressa ao Céu, depois de exibir uns truques e arengar uns conselhos, sem dar tempo a que alguém de são juízo a interrogue, lhe pergunte pela saúde do marido e do menino e lhe mande beijos para os anjos e abraços aos bem-aventurados que estão no céu.

Um dia a Virgem Maria, com mais tempo e autonomia de voo, encontra um ateu e fica à conversa. Há-de arrepender-se dos sustos que prega, das mentiras que divulga e chegar à conclusão de que o terço faz mal às pessoas, estimula o ódio às outras religiões e agrava as tendinites aos fregueses.

12 de Agosto, 2012 Ludwig Krippahl

Treta da semana: especial silly season.

As seitas mais ortodoxas do judaísmo consideram pecado qualquer contacto entre homens e mulheres fora do casamento. Por isso, em Israel, exercem muita pressão para segregar homens e mulheres nas filas das lojas, nos transportes públicos e assim por diante. Como disparate não paga imposto, por “contacto” entendem também olhar para as mulheres. Mas aqui, finalmente, tomaram uma opção mais justa. Agora os homens judeus ortodoxos podem comprar óculos especiais que obscurecem a visão (1), evitando assim o perigo de ver alguma mulher. Correm mais perigo de serem atropelados, é verdade, mas, no cômputo geral, não é uma grande desvantagem.

Além de ser uma bonita metáfora para a forma como as religiões lidam com a realidade, estes óculos são também um bom exemplo para todos os religiosos. Em vez de chatearem os outros com as suas crenças religiosas resolvem o problema na origem: se não querem ver mulheres, tapam os olhos e não as mulheres. Simples, eficaz e, dentro da insanidade que as religiões invariavelmente são, é certamente o mal menor.

Infelizmente, suspeito que, se fosse por eles, em vez de serem os homens a usar os óculos de ver pior, punham era as mulheres em sacos de lona ou coisa assim. É a solução consensual noutros lados em que conseguem fazê-lo. Suspeito que é apenas a crescente tendência dos seus conterrâneos para troçar destes disparates religiosos, e para opor os abusos da fé, que tem obrigado esta mudança de atitude (2). Mas, por sua vez, este pequeno passo, mesmo contra vontade, poderá contribuir para reduzir o fervor religioso. É que, se a religião deixa de servir para mandar nos outros, perde logo quase todo o interesse. Se é assim mais vale ficar só pela fé, e mesmo isso só quem quiser.

1- Daily Mail, Orthodox Jewish men given a new weapon in the war against sexual temptation… blurred glasses so they can’t see women
2- Frum Satire, Charedi technology to fight the war on pritzus
Em simultâneo no Que Treta!

11 de Agosto, 2012 Carlos Esperança

Uniões proibidas, citadas por Deus a Moisés

Por

Leopoldo Pereira

Estava eu a fim de resumir os conteúdos, quando me apercebi de que o melhor seria mesmo copiar na íntegra o texto bíblico, por certo bem mais apetecível na sua forma original.

Antes disso e concretamente para os que teimam em não ler o Livro Sagrado, quero relembrar que nos tempos antigos Deus falava muito, especialmente com os Profetas. Moisés terá sido, em meu entender, o mais solicitado, isto a avaliar pelas conversas que chegaram até nós! É de admitir que a maior parte delas se tenha diluído no tempo, lamentavelmente.

Aqui fica um apontamento desses inúmeros contactos, que Deus começava quase sempre de forma idêntica e com a modéstia que Lhe era característica:

“Diz aos filhos de Israel: Eu sou o Senhor, o vosso Deus. Não vos comporteis como na terra do Egipto, onde habitastes, nem como costumam comportar-se na terra de Canaã, para onde vos levo; não sigais os seus estatutos, mas praticai as minhas normas e guardai as minhas leis, deixando-vos guiar por elas. Eu sou o Senhor, vosso Deus. Guardai os meus estatutos e as minhas normas, que dão vida a quem os cumpre. Eu sou o Senhor.

Ninguém de vós se aproximará de uma parenta próxima, para ter relações sexuais com ela. Eu sou o Senhor. Não tenhas relações sexuais com a tua mãe. Ela é de teu pai, e é tua mãe; não tenhas relações sexuais com ela. Não tenhas relações sexuais com a concubina de teu pai, pois ela pertence ao teu pai. Não tenhas relações sexuais com a tua irmã, seja por parte de pai ou de mãe, nascida em casa ou fora dela. Não tenhas relações sexuais com as tuas netas, pois elas são a tua própria carne. Não tenhas relações sexuais com a filha da concubina de teu pai, pois ela é tua irmã. Não tenhas relações sexuais com a tua tia paterna, pois ela é do sangue de teu pai. Não tenhas relações sexuais com a tua tia materna, pois ela é do sangue de tua mãe. Não ofendas o teu tio, irmão de teu pai, tendo relações sexuais com a mulher dele, pois ela é tua tia. Não tenhas relações sexuais com a tua nora, pois ela é a mulher do teu filho. Não tenhas relações com a tua cunhada, pois ela pertence ao teu irmão. Não tenhas relações sexuais com uma mulher e com a filha dela, nem com a neta dela. São parentes e isso seria uma infâmia. Não cases com uma mulher e com a irmã dela, criando rivalidades. Não tenhas relações sexuais com uma mulher durante a menstruação.
Não sacrifiques um filho teu a Moloc, profanando o nome do teu Deus. Eu sou o Senhor.
Não te deites com um homem, como se fosse com uma mulher: é uma abominação. Não te deites com um animal, pois ficarias impuro. A mulher não se entregará a um animal, para ter relações sexuais com ele, pois seria uma depravação. (…)

Todas estas abominações foram cometidas pelos habitantes que habitaram nesta terra antes de vós, e a terra ficou impura. Todo aquele que cometer uma destas abominações será excluído do seu povo.

Portanto, respeitai as minhas proibições, não seguindo nenhuma dessas práticas abomináveis, que eram feitas antes de vós chegardes. Não vos torneis impuros com elas. Eu sou o Senhor vosso Deus”.
NOTA: Fica-se admirado como a malta da “velha guarda” era tão maldosa! Creio que os egípcios não apreciarão esta parte da sua História (a ser verdadeira…).
Sacrificar um filho ao ídolo Moloc não, mas ao Senhor… (o filho de Abraão conseguiu fugir ao pai, lembram-se?).

L. Pereira, 11-8-12