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9 de Abril, 2007 jvasco

Fé a sério?

A Sofia e o Joel são católicos e baptizaram ontem o pequeno Pedro, que tem 18 meses.

Neste momento, o Joel está no trabalho, e a Sofia está em casa, sentada num canto da sala a falar ao telefone. O Pedro brinca com os seus brinquedos no outro canto da sala. A certa altura pousa os brinquedos e tem vontade de pôr a língua na ficha eléctrica.

O primeiro instinto de Sofia, ao ver o que está prestes a acontecer, é dar um berro e correr para salvar o seu filho.

Mas se ela o ama, ela vai querer o melhor para ele. A verdade é que Sofia acredita mesmo que esta vida não é nada a comparar com a plenitude da vida eterna. Que se Pedro morrer agora, é certo que ele encontrará a felicidade no Paraíso e será feliz para todo o sempre.
Acredita que pelo contrário, se ela o salvar, Pedro crescerá e terá muitas oportunidades de ceder à tentação, conhecer o pecado mas não o arrependimento, rejeitar Jesus, ou não ser forte na Fé. Se ela o salvar, existem boas hipóteses de que Pedro acabe por conhecer o sofrimento eterno do Inferno.

Se Sofia quer o melhor para Pedro, ela aproveitará a oportunidade dada por Deus: se não fizer nada, é certo que Pedro conhecerá a vida eterna ao lado de Jesus. Se salvar Pedro, arrisca que este acabe por encontrar o eterno sofrimento do Inferno.
Sofia opta por deixá-lo morrer.

Claro que todos os católicos hoje achariam horrível a atitude de Sofia. Achariam, tal como eu, abominável, quase indesculpável. Mas ao contrário de mim, não teriam qualquer boa razão para sustentar tal posição. Sofia fez aquilo que, aos olhos de qualquer crente cristão coerente, deveria ser, de longe, o melhor para Pedro.
Só faz sentido achar horrível a atitude de Sofia caso não se esteja lá muito certo dessa conversa da vida eterna, Inferno e quejandos…

A verdade é que a esmagadora maioria dos crentes comporta-se como se não acreditasse a sério naquilo que diz acreditar.
Se uma pessoa acreditasse realmente que é nesta vida que se decide se a eternidade vai ser passada no Paraíso ou no Inferno, estaria em pânico a ler a Bíblia, o Corão, os textos importantes de todas as religiões, para decidir qual é que é certa, visto que dessa decisão depende o futuro – a eternidade! – da sua alma.

Se uma pessoa acreditasse realmente que é nesta vida que se decide se Deus permite a sua entrada no paraíso, iria ler a palavra de Deus (a Bíblia, se fosse cristã) como se disso dependessse a sua vida. Como se disso dependesse mais que a sua vida. Iria descobrir que Jesus pede que abandone tudo para O seguir. Tudo. As riquezas, a família, os amigos – Jesus diz que quem não estiver disposto a abandonar tudo não conhecerá a vida eterna. E qualquer pessoa que acreditasse realmente nisto, abandonaria tudo de imediato – quem arriscaria uma eternidade no Inferno pelo conforto de faltar uma vez que fosse à missa? Quem deixaria de passar fins de semana na prisão a confortar os prisioneiros, ou nos lares a acompanhar os enfermos, como pede Jesus? Quem toleraria os homossexuais, desobedecendo a Deus? Quem gastaria em luxos desnecessários em vez de dar aos pobres? Quem teria relações sexuais antes do casamento? Que mulher deixaria de ser submissa e obediente ao seu marido? Quem trabalharia nos dias consagrados a Deus (como os Domingos)? Quem toleraria quem trabalhasse? Quem toleraria outras religiões e ídolos?

Ninguém teria uma vida normal. Pelo contrário, todos viveriam como os mais fundamentalistas. Esses são os únicos que agem como se acreditassem a sério nessas patranhas do Céu e do Inferno. Esses são os únicos que poderiam compreender Sofia.

O mal de se andar a contar essas patranhas é que, ao contrário daquilo que felizmente acontece em quase toda a sociedade ocidental desenvolvida, as pessoas poderão chegar mesmo a acreditar.
E como podemos observar por muito do mundo islâmico, ou pelos mais fundamentalistas que andam por cá, isso não é nada desejável…

Mas se hoje poucos agem como se acreditassem nesses disparates – e ainda bem! – a verdade é que nem sempre foi assim. As cruzadas, a inquisição, a caça às bruxas, a apologia do obscurantismo, o poder absoluto de um governante que tem a benção do clero, tudo isso é fácil de entender se concebermos uma sociedade que acredita realmente em tais crendices.
Não podemos deixar que o clero ganhe o poder que já teve. Temos de ser claros: o Céu e o Inferno são invenções humanas. É aqui, nesta vida, que temos de construír um mundo melhor. É aqui, nesta vida – a única que existe, que devemos ser felizes.

9 de Abril, 2007 Carlos Esperança

Jesus de Nazaré – um livro de B16

O JC que os padres ressuscitaram ontem vai ser objecto de um livro de B16. Não é que o Papa acredite nele ou que falte literatura sobre o judeu que se dedicou aos milagres e à pregação, mas exige o múnus que faça algo pela sua promoção.

O monarca absoluto do Vaticano – um Estado criado pelo ditador fascista Benito Mussolini – é o único chefe de Estado europeu cujo poder não é limitado por uma Constituição. Responde apenas perante Deus e a título póstumo.

Não deixa de ser interessante o cuidado com que B16 fala do patrão, da diferença entre o mito que o povo venera e a realidade que a história pode pôr a nu. JP2 era crédulo e não se deixava impressionar pelas evidências científicas, mas o ditador actual é mais sábio e desconfia de Deus. Sabe que a investigação arqueológica pode atirar com as mentiras, laboriosamente elaboradas durante vinte séculos, para o caixote do lixo.

«Por isso, cada um é livre de contradizer-me» – diz B16, interessado apenas a salvar a apólice do cristianismo do incêndio da verdade histórica. Quanto mais dúvidas forem postas agora no livro em que promove a estrela da Companhia, mais débeis parecerão as certezas que a ciência vier a construir.

Se os papas não fossem suficientemente inteligentes e dissimulados, a fábula de Cristo há muito que tinha sido arrumada nos livros de história da mitologia.

8 de Abril, 2007 Carlos Esperança

Portugal – Dia negro para a ICAR

Hoje foi um mau dia para a ICAR.

1 – Se Cristo ressuscitou ninguém o viu;

2 – Os milagres do Escorial, protegidos pela diocese de Madrid, estão sob suspeita do Ministério Público espanhol e português e viu-se o espectáculo montado, em directo, em reportagem da SIC;

3 – O achamento arqueológico do túmulo de JC, com a amantíssima Maria Madalena e o filho é um tiro na pouca credibilidade, estando o documentário previsto para o próximo domingo;

5 – No Canal 1, o documentário «Moisés» – segundo informação de um leitor do DA -, desmontou a fábula relacionada com a fuga dos hebreus do Egipto e esclareceu como as «pragas» aconteceram e como os judeus «atravessaram» o Mar Vermelho, chegando à conclusão de que não houve UM êxodo, mas de que terá havido vários.

8 de Abril, 2007 Carlos Esperança

México – escândalo e crime

No México, a congregação religiosa «Irmãs de Maria» dirige uma instituição de ensino, onde as regras pedagógicas estão mais próximas das de um campo de concentração nazi do que das de uma escola.

As restrições às visitas de familiares faziam parte do processo educativo, na «Vila das Meninas», um internato de 3.000 adolescentes que frequentavam o ensino secundário e o bacharelato confiadas à devota vocação pedagógica das freiras.

As sevícias exercidas levaram algumas jovens a perder o andar e a fala e a contraírem graves perturbações de natureza psicológica.

Os professores que denunciavam a natureza repressiva e o comportamento demente das freiras eram imediatamente despedidos.

Mais do que a incúria do Estado que se demite de acompanhar os estabelecimentos de ensino particular, a miséria, o analfabetismo e o temor reverencial à Igreja conduzem a indizíveis níveis de sofrimento e humilhação das crianças de países pobres.

Notícia 1; Notícia 2; Notícia 3; Notícia 4 DA/Ponte Europa

6 de Abril, 2007 Carlos Esperança

Uma questão de prudência

TRADIÇÃO

O Patriarca Policarpo cumpriu ontem o ritual de lavar os pés, tal como Jesus o fez aos apóstolos – segundo a ICAR.

Os escolhidos deste ano foram 12 pessoas, entre estudantes e ex-alunos, da Universidade Católica de Lisboa, confiante nos hábitos higiénicos da clientela seleccionada.

É uma sorte (para o Patriarca) que os apóstolos não tivessem o hábito de tomar banho completo.

6 de Abril, 2007 Carlos Esperança

Páscoa, milagres, relíquias e carbono 14

A ICAR mantém o Cristo morto, por masoquismo, para sofrer a Quaresma, e enche de júbilo os créus, que se alambazam em comidas, com a certeza de que o patrão ressuscita na Páscoa.

Enfrascam-se os devotos, indiferentes ao peso e ao colesterol, ansiosos por assistirem ao número, todos os anos repetido, da Ressurreição.

Para matar o ócio, o Vaticano vai servindo missas, procissões, homilias e orações numa fúria beata que afaste o rebanho do pecado. Para aumentar a panóplia de engodos, serve milagres de JP2 ao público e beatifica-o.

Dos muitos milagres que o taumaturgo obrou, escolheram o de uma freira que também era tremente a Deus e se curou, graças à intercessão do cadáver do polaco.

A ICAR esconde milagres provados: a impunidade do homicídio do chefe da Guarda Suiça, da mulher e de um soldado (o Vaticano atribuiu o assassínio do casal ao último, que se suicidou com a mesma pistola e uma bala de calibre diferente). Milagre!

JP2 opôs-se à extradição do arcebispo Marcinkus que os tribunais italianos queriam julgar pela falência fraudulenta do Banco Ambrosiano. Milagre! Já eram dois.

Só a ciência prejudica a ICAR. Os restos mortais de Joana d´Arc, fartos de aliviar moléstias e de curar devotos, constam de uma costela humana enegrecida, uma tíbia de gato e fragmentos de pano de uma múmia com a idade compreendida entre os séc. VII e III anteriores à nossa era.

O carbono 14 faz pior às relíquias da ICAR do que o CO2 ao aquecimento global.

6 de Abril, 2007 jvasco

Ateísmo na Blogosfera

  1. «Mas comparem as duas Páscoas. Numa Deus comete atrocidades, por culpa Dele o Faraó não pode libertar os Judeus, e no fim mata os filhos inocentes de uma data de gente. Na outra os homens cometem atrocidades, Deus é um primogénito inocente, e por culpa dos homens é torturado e morto na cruz. Em ambas mata-se carneiros.

    Parecem contraditórias, mas une-as algo profundo, algo que define a religião Judaico-Cristã. O Amor. Não parece amor, mas o Amor Divino não é como o amor humano. O Amor que chacinou os primogénitos do Egipto não foi o amor dos namorados. O Amor que condena ao inferno quem não acreditar em torturar inocentes para redimir os culpados não é o amor que os pais sentem pelos filhos.»Páscoas Felizes», no Que Treta!)

  2. «Concordo que conhecimento e fé são distintos, mas não que se complementem. O bife e as batatas fritas complementam-se. Ou a flauta e o violino, ou as calças e a camisola. A fé e o conhecimento são o gato e o rato. Ou se separam, ou há chatice. Tanto uma como outro pretende legitimar que se aceite algo como verdade, mas muitas vezes indicam precisamente o contrário. O conhecimento diz que num sistema que não troca energia com o exterior a entropia não diminui. A fé diz que há um deus que, se quiser, faz com que a entropia diminua num sistema isolado. Isto não é complementaridade. É contradição. Ou se rejeita o conhecimento acreditando que isto é possível, ou se rejeita a fé como uma hipótese refutada. Este é apenas um exemplo entre muitos. Em geral, ou se tem fé, ou se compreende. Não há complementaridade. Quem tem o bife, quer batatas, mas ninguém precisa de ter fé naquilo que já compreende…» («Fé e Conhecimento», no Que Treta!)
  3. «Os piedosos irmãos Kaczynski decidiram promover um discurso abertamente anti-semita, ao mesmo tempo que planeiam «proibir» a homossexualidade e impedir os homossexuais de trabalhar na função pública (tendo mesmo já começado pelo ensino)[…]

    Ainda no âmbito da sua «Revolução Moral», os católicos gémeos anunciaram que o divórcio será terminantemente proibido e será novamente equacionada toda a legislação que possa conduzir à igualdade entre o homem e a mulher.[…]

    Finalmente, e como se não bastasse, e ao mesmo tempo que se tornou obrigatório o ensino da religião católica em todas as escolas do país, foi decidido que nas aulas de ciências, e a par do evolucionismo, fosse ensinado também o «criacionismo», proclamado como um teoria científica perfeitamente válida.» («Dois Conceitos Inseparáveis», no Random Precision)