Uma religião que discrimina a mulher não é um caso de fé, é um problema de polícia. O clero que aceita casamentos de meia hora e condena à morte quem se prostitua não é um corpo religioso, é uma associação de malfeitores com requintes de hipocrisia e laivos de malvadez.
Se 148 imbecis, com apenas 5 votos contra e 4 abstenções, votam no parlamento, um decreto-lei que pode condenar à morte quem trabalha no cinema pornográfico, não se limitam a impor a moralidade, aplicam a barbárie do totalitarismo religioso.
Se não combatermos ideologicamente a imbecilidade mística que brota dos antros da fé, corremos o risco de oferecer o pescoço ao cutelo, o corpo à lapidação e a liberdade aos fanáticos de Deus. O mundo regressará à Idade Média com fogueiras em nome de Cristo e apedrejamentos para glória de Maomé.
Deus é grande, do tamanho da insânia dos homens e da maldade dos clérigos. Se não pudermos vencer a demência dos seus padres é a civilização que entra em agonia e as sociedades livres e tolerantes que estão condenadas.
Deus é a grande maldição da modernidade, o mito abjecto que odeia a felicidade e que dispõe de exércitos de sotainas capazes de nos tirarem, mais do que a vida, a liberdade que o mundo penosamente conquistou em luta contra as Igrejas.
Devo confessar que tinha ficado positivamente impressionado quando soube que a Igreja Católica Apostólica Romana (ICAR) ia deixar de financiar a Amnistia Internacional, não por deixar de o fazer (e por alardoá-lo numa tentativa de manipulação patética), mas porque não esperaria que o Vaticano fosse doar dinheiro para uma instituição que tanto respeito. Parti do princípio que não fosse muito, mas ainda assim fiquei positivamente impressionado.
Agora entendo: foi mais uma das mentiras do Vaticano, que volta a revelar-se como sendo uma instituição sedenta de dinheiro, que não hesita na distorção da verdade, mentindo descaradamente. Agora o alegado estado inequivocamente ditatorial vem apelar às pessoas para que não doem dinheiro à Amnistia Internacional. Estas tentativas de controlo e manipulação metem-me nojo, quer pela mesquinhez dos objectivos, quer pela falta de escrúpulos nos meios usados.
Um acto é bom ou mau porque Deus decide, e pronto. Quando no antigo testamento Deus aconselhava os pais a apedrejar as filhas que descobrissem não ser virgens, isso era bom por definição. Supostamente, entretanto mudou de ideias e agora é mau. Ora isto não é ética. É capricho. O bem e o mal não pode ser assim à escolha do freguês. Nem mesmo que seja o Freguês.»(«Ética, parte 3: Deus?… Para quê?», no Que Treta!)
Podemos ver uma situação semelhante em vários conjuntos de memes. É típico das religiões condenar a apostasia e exortar os fiéis a ensinar a sua religião aos filhos. São também comuns os rituais e credos que têm que ser executados ou proferidos sempre da mesma exacta maneira. Nada disto beneficia o crente ou o seu deus. Quem beneficia com a repetição à letra do «Pai Nosso que estais nos céus, santificado seja o Vosso nome…» é esse meme, que assim é propagado com alta fidelidade. Tal como os vários genes de um vírus, os vários memes de uma religião colaboram para a sua propagação. Não em benefício do hospedeiro, mas em benefício daquele conjunto de comportamentos propagados por imitação.»
(«Memes.», no Que Treta!)Logo à entrada, todos os visitantes são convidados a “penetrar no espírito” do Museu e são aconselhados:
“Não pense, escute somente e acredite“»
A organização de defesa dos Direitos Humanos Amnistia Internacional declarou nesta quarta-feira que não recebe ajuda económica do Vaticano, depois do anúncio de que a Santa Sé lhe retiraria a ajuda por causa do apoio ao aborto.
Nota: Nem outra ajuda se espera do Vaticano.
O cristianismo não tem qualquer resquício de criatividade nas suas mitologias, é uma mente vácua de imaginação preenchida com os mitos de outros povos e civilizações. Para além da palavra plágio ganhar contornos transcendentes, uma das poucas transcendências que o cristianismo consegue, acrescenta-lhes a entediante ficção das mortes à parva, a exemplo uns milhares de mortos por adorarem um bezerro em ouro, assim se lê pelas folhas bíblicas em Êxodo 32. O carrasqueiro divino que diz mandar em tudo e em todos prefere bezerros em rituais de sacrifício e cheirinho a carne estorricada, após degolações e estripações, sangue e churrascadas idiotas, fosse eu bezerro mandava-lhe tal coice nos testículos que lhe sairiam pela boca.
Uma das mais interessantes personagens das fábulas bíblicas é a serpente flamejante, voam em chamas e picam as pessoas, uns animaizinhos muito irrequietos que gostam de dar nas vistas, mais ainda de umas trincas nas nádegas dos infiéis marotos que usam o dedo do meio esticado, os outros recolhidos, para cumprimentar o senhor, o deus, o que tem a mania dos genocídios aos sábados e palhaçadas estúpidas que nem gargalhadas arrancam.
O estúpido livro chamado Bíblia entedia demasiado, receita como ansiolítico era de caixão à cova, umas leituras e os bocejos não param. “Então o senhor mandou entre o povo serpentes ardentes, que picaram o povo; e morreu muita gente em Israel.” se lê em Números 21:6. A parte de morrer gente é normal, tédio e mais tédio, vira o disco e toca o mesmo, por aí até ler a lista telefónica seria mais apetecível, mas aquelas serpentes… Parecia que no meio do lixo se extraia alguma coisa minimamente engraçada, criativa, pelo menos as pessoas não são mortas à pedrada ou queimadas, levam picadelas de serpentes flamejantes. Precisa de ser mais trabalhado este conceito, mas não seria um mau começo.
As serpentes flamejantes existem obviamente, a Bíblia não falha, mas existem muito antes da Bíblia, ou seja, mais um plágio. Pobres escritores que para além do tédio dos seus escritos, acrescentam coisas inovadoras… que já existiam há milhares de anos. Com livros assim é fácil estupidificar as pessoas, levá-las à ridicularidade do pensamento inexistente, da criatividade que transborda de ar e vento, contacto demasiado com a mitologia cristã e o seu livro estúpido as leva ao vácuo.
Serpentes flamejantes foram criadas pelos Egípcios, segundo a sua mitologia pela deusa Ísis, que as usou para conquistar o trono do Egipto, governado a partir dai pelo seu marido, também um deus, Osíris. As serpentes denominavam-se Uraeus, e falámos de coisas de há 5000 anos atrás, antes das catástrofes intelectuais, e não somente, cristãs. Comparando mitologias, é fácil perceber que o Antigo Egipto leva um 20 na escala de 0 a 20, e o cristianismo leva um 0, por copiar, e acima de tudo por copiar mal.
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A pobreza está na origem da violência e crueldade que grassam pelo mundo. Não é a única desgraça mas é uma das mais terríveis e de efeitos mais devastadores.
A exploração de crianças é um reflexo dessa pobreza que começa na carência de água potável, alimentos e escolaridade e termina na exploração da mão-de-obra, na venda e escravatura de crianças. Não lhes faltam templos mas mingua a comida e as escolas.
Os países ricos devem alguma da sua prosperidade aos despojos desta tragédia, à manutenção de uma infâmia paga com sangue de crianças que não têm lágrimas.
A abastança em que vivemos, excluídas as bolsas de pobreza interna – reflexo local da injustiça mais vasta a nível planetário -, permite-nos viver muito e bem no mundo onde se morre depressa e mal, para maior glória divina.
A globalização abriu mercados a sociedades fechadas, mergulhadas em imensa pobreza e na opressão de déspota violentos. O acesso à sobrevivência de milhões de pessoas põe em risco alguns privilégios das sociedades ricas enquanto as empresas aumentam lucros e os trabalhadores vêem perigar o bem-estar e os postos de trabalho.
Quero ser optimista quanto ao futuro e pensar que o altruísmo seja globalizado porque, se não aceito as grandes desigualdades entre cidadãos de um mesmo país, também não devo tolerar as tremendas diferenças que separam os países ricos dos países pobres.
Enquanto nós queremos trabalhar cada vez menos e ganhar cada vez mais, há quem se contente em não morrer. Não é justo o mundo em que 218 milhões de crianças entre os 5 e os 17 anos trabalham e em que 126 milhões destas crianças têm trabalhos perigosos.
Enquanto não houver justiça à escala mundial a ameaça paira sobre a paz e o bem-estar. E não é com a fé em Deus que as injustiças são corrigidas. Pelo contrário, a exploração e a resignação aumentam com o logro de Deus.
No recalcamento celibatário chama «profanação» à exaltação do corpo e à sexualidade. Esquece que a ICAR exumou cadáveres para os queimar, tal era a vocação pirómana e a demência do ódio às heresias.
Para o Papa actual o «nu» é a encarnação do Diabo e o cio a arma de que este se serve para estorvar os negócios divinos. O conúbio de B16 com a Fraternidade Sacerdotal S. Pio X transformou o antro reaccionário – o Vaticano – na central de intoxicação mística ao serviço do anacronismo da fé e da liturgia tridentina a que sacode o pó e o bolor.
B16 zurze os órgãos de comunicação social porque «ridicularizam a santidade do casamento e a virgindade antes do matrimónio», mas não são os jornais e a televisão que são contra a virgindade, são as hormonas e o sortilégio do amor.
Quanto ao casamento, se é assim tão santo, por que motivo o proíbe aos padres e às freiras e ele próprio renunciou a tal santidade?
A necessidade de reprodução e a legítima aspiração ao prazer levam os crentes a trocar os rituais da religião pela liturgia dos afectos e a procurar o Céu no êxtase do amor.
O Papa é um primata com tiara em rota de colisão com a modernidade, um dinossauro que pretende extinguir a humanidade através da abstinência sexual. A castidade é a bomba atómica que o velho ditador sonhou para extinguir a vida.
O Diário de uns ateus é o blogue de uma comunidade de ateus e ateias portugueses fundadores da Associação Ateísta Portuguesa. O primeiro domínio foi o ateismo.net, que deu origem ao Diário Ateísta, um dos primeiros blogues portugueses. Hoje, este é um espaço de divulgação de opinião e comentário pessoal daqueles que aqui colaboram. Todos os textos publicados neste espaço são da exclusiva responsabilidade dos autores e não representam necessariamente as posições da Associação Ateísta Portuguesa.