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12 de Maio, 2008 Mariana de Oliveira

Afinal, existe

O sacerdote católico polaco Michael Heller, que é também cosmólogo e matemático, recebeu, em Londres, o Prémio Templeton 2008, atribuído a um estudo que mostre como a matemática pode oferecer provas indirectas da existência de Deus.

De acordo com a agência de notícias católica Ecclesia, as teorias do Padre Heller não se centram tanto em oferecer provas da existência de Deus mas em suscitar dúvidas acerca da realidade.

«A sua especialidade são as fórmulas complexas, desenvolvidas há mais de 40 anos, capazes de explicar qualquer coisa, inclusive a sorte, através do cálculo matemático», revela a Ecclesia, segundo a qual o galardão tem o valor de um milhão e 170 mil euros.

O júri do Prémio Templeton distinguiu o sacerdote pelas suas concepções originais sobre «a origem e a causa do Universo», pois encaixou a visão cristã no quadro mais amplo do contexto cosmológico.

As suas pesquisas «ampliaram o horizonte metafísico da Ciência», segundo a Fundação Templeton, que há 35 anos concede o prémio ao progresso para a pesquisa ou desenvolvimento de realidades espirituais.

Aos 72 anos, Michael Heller, que é docente na Faculdade de Filosofia da Academia Pontifícia de Teologia de Cracóvia, Polónia, junta-se a uma lista de galardoados em que figuram Madre Teresa de Calcutá, o escritor Alexander Solzhenitsyn, o reverendo Billy Graham e o líder espiritual indiano Pandurang Shastri Athavale.

O Prémio Templeton 2008 será entregue pelo Príncipe Filipe, duque de Edimburgo, em cerimónia privada.

Fonte: Sol, 07 de Maio de 2008.

12 de Maio, 2008 Mariana de Oliveira

Problemas técnicos

Como devem ter reparado, o Diário Ateísta, nos últimos dias, esteve em baixo devido a problemas técnicos. Por isso, pedimos desculpas aos nossos leitores e esperamos continuar a servir-los com uma boa dose de heresia.

9 de Maio, 2008 Carlos Esperança

Cardeal Rouco Varela – defensor da família

O presidente da Conferência Episcopal Espanhola, amigo de Bento XVI e representante da ala mais reaccionária do episcopado espanhol, está a ter problemas com a sobrinha, filha do seu falecido irmão mais velho.

Além de acusar o tio de não atender os seus telefonemas e de não se preocupar com ela, com a cunhada viúva e o sobrinho, despiu-se para a revista Interviú  e ataca o carácter do tio que se apresenta como um paladino da família e que ignora a própria.

São agora mais os espanhóis que prestam atenção à sobrinha do que ao tio. E não se espera que o pio cardeal promova manifestações públicas contra a sobrinha como o fez, em véspera de eleições, contra Zapatero.

9 de Maio, 2008 Carlos Esperança

Arriba España

O Governo fixa as grandes reformas para esta legislatura.

Zapatero promete a revisão da lei eleitoral e um Estado mais laico, anunciou o «El País» de ontem (dia 8), na primeira página, a quatro colunas.

9 de Maio, 2008 Ricardo Alves

Não à estátua ao cónego Melo!

O jornal Diário do Minho está a promover uma votação electrónica sobre se a cidade de Braga deverá erigir uma estátua ao cónego Melo. Recorde-se que o referido padre católico inclui, no seu extenso currículo, a participação numa organização terrorista de extrema-direita e a defesa de posições ultra-clericais em todos os assuntos terrenos.
Pode votar-se aqui.

7 de Maio, 2008 Mariana de Oliveira

Bênção das pastas portuenses

Milhares de estudantes encheram a metade Norte da Avenida dos Aliados, no Porto, local este ano escolhido para a tradicional missa da bênção das pastas da Queima das Fitas da cidade.

A missa concelebrada foi presidida pelo Bispo do Porto, D. Manuel Clemente, que desejou aos jovens felicidades na sua vida académica e profissional, sob «o Sol sempre presente de Cristo».

É que a missa começou debaixo de uma chuva miudinha, que terminou pouco depois, mas sem que o Sol aparecesse.

A igreja improvisada foi montada a meio da Avenida, onde foi colocado um estrado e grandes faixas de cores diferentes a tapar a visão para o Palácio das Cardosas.

A missa, transmitida em directo pela TVI, terminou com D. Manuel Clemente a abençoar todos os presentes, momento em que os estudantes levantaram as suas pastas e fitas.

Fonte: Sol, 04 de Maio de 2008.

5 de Maio, 2008 Mariana de Oliveira

Igreja polaca contra Conselho da Europa

Os bispos polacos «protestaram vivamente» contra uma recente resolução da Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa que apelara aos Estados membros para despenalizarem o aborto.

«O Conselho permanente do episcopado polaco reunido em Jasna Gora (Santuário no Sul da Polónia) na presença dos bispos diocesanos, exprime o seu vivo protesto contra esta resolução», segundo um comunicado oficial.

«Os bispos manifestam a sua firme oposição face à tentativa de impor, por via administrativa, princípios opostos à sensibilidade fundamental da consciência humana», segundo este texto.

A 16 de Abril, a Assembleia apelou aos seus 47 Estados membros para despenalizarem o aborto que deve ser, segundo ela, sem riscos e legal.

Na sua resolução, a Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa pediu que sejam assegurados às mulheres que queiram abortar os cuidados médicos e psicológicos desejados assim como uma adequada assistência financeira.

A interrupção voluntária da gravidez (IVG) só é autorizada na Polónia nos casos de violação, incesto e perigo para a vida ou saúde da mãe, tal como no caso de malformação irreversível do feto.

Segundo as organizações feministas, são praticados anualmente na Polónia até 180 mil abortos clandestinos.

As estatísticas oficiais referem apenas 200 a 300 abortos legais.

Fonte: Sol, 02 de Maio de 2008.

5 de Maio, 2008 Carlos Esperança

Momento zen de segunda

João César das Neves (JCN) enquanto não vir consagrado o Estado católico de Portugal, à semelhança das monarquias e repúblicas islâmicas, não se lhe aquieta a ansiedade pia nem a fúria prosélita que o consome. V/ Homilia de hoje, DN.

É um cruzado serôdio, talibã romano,  um diácono sem sotaina nem tonsura, a voz de serviço à mais troglodita visão do estado, desejoso de ver Portugal prestar vassalagem a Roma, convertido em protectorado do Vaticano.

Para JCN, o cumprimento das obrigações impostas pela ASAE e pela Segurança Social constitui um estrangulamento das creches e obras paroquiais. Preferia que a higiene e as obrigações sociais ficassem entregues à exclusiva vigilância divina.

Quanto ao divórcio, é o azedume habitual. Bom era no tempo da outra Senhora, em que era proibido. Não admite «a retracção das referências religiosas para esferas mais íntimas e assumindo dimensões menos consequenciais em outros aspectos da vida», como se lê no preâmbulo do Projecto de Lei n.º 509/X, sobre as “alterações ao Regime Jurídico do Divórcio”. O Estado só deveria legislar tendo em vista o direito canónico, tal como impõe a Constituição do Iraque: «desde que não contrarie o que o Corão determina», no caso português, depois de ouvir o Núncio Apostólico e o bispo de Braga.

Mas o que deixa JCN, apopléctico, com vontade de se afogar numa pia de água benta ou defumar-se em incenso, é “o projecto de lei que pretende retomar o espírito renovador, aberto e moderno que marcou há quase cem anos a I República”. A I República criou, para JCN, «a maior perseguição à Igreja desde Abd ar-Rahman II (emir de 822 a 852) [sic], uma perseguição quase tão cruel – digo eu –, como a que a sua Igreja moveu aos judeus, aos protestantes, aos cátaros e a todos os infiéis.

JCN, na cegueira mística que o desvaira, na ânsia do Paraíso onde sonha com rios de mel e uma assoalhada perto da casa dos padres, nem reconhece à República a virtude da separação Igreja/Estado, laicidade do ensino, reforma da universidade, divórcio, registo civil e a nacionalização de algumas propriedades do extenso património da Igreja.

Para JCN só a sua fé conta. Vê perseguições à Igreja onde apenas existe a sua obsessão de impor dogmas com a beatitude e benevolência que foram apanágio do passado.

5 de Maio, 2008 Ricardo Alves

A religião tramou Obama?

Barack Obama está a perder intenções de voto, o que as sondagens atribuem à divulgação de declarações mais radicais do seu pastor protestante favorito.
Nada disto nos deve surpreender: os cidadãos, regra geral, conhecem bem a influência que os clérigos podem ter sobre os políticos. Quem providencia conselhos sobre a «vida espiritual» também costuma tentar impôr valores éticos e até políticos. Por isso, muitos eleitores desconfiam do pastor de Obama. E podem bem ter razão.