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29 de Maio, 2008 Carlos Esperança

Portugal – Centenário da República

No passado dia 16 de Maio foi nomeada a Comissão Nacional para as comemorações do Centenário da República com a incumbência de apresentar ao Governo, no prazo de três meses, a proposta de Programa. Apesar do prestígio das personalidades, acordadas entre o Governo e o PR, temo o rumo das comemorações.

A república não é um regime neutro, é antagónico da monarquia. Ao direito hereditário prefere o escrutínio popular, em vez do carácter vitalício exige mandatos balizados no tempo, à aristocracia do sangue opõe a igualdade de direitos e dos vassalos faz cidadãos.

As monarquias tornaram-se obsoletas. Em Portugal as taras dos Braganças contribuíram para o seu descrédito acelerado, mas em outros países caíram por traição, inutilidade ou esgotamento. As que persistem, inúteis e arcaicas, são relíquias folclóricas para exibição de pompa em circunstâncias especiais.

Em Portugal, a monarquia legou 75% de analfabetos, 80% de camponeses sem qualquer instrução ou assistência, uma crise financeira arrastada desde 1890, uma Igreja que cultivava a superstição e criaria Fátima e a desordem e o caos que iam da rua ao Paço. A República suportou as conspirações monárquicas e as cisões republicanas, numa réplica invertida das duas últimas décadas da monarquia, e a guerra de 1914/18.

Mas…

Sem a República, implantada em 5 de Outubro de 1910, não teriam sido possíveis as leis que colocaram Portugal entre os países mais avançados do seu tempo: separação da Igreja/Estado, laicidade do ensino, reforma da universidade, divórcio, registo civil e a nacionalização de algumas propriedades do extenso património da Igreja.

Celebrar o avanço civilizacional legado pela 1.ª República exige que às leis inovadoras e socialmente justas de então, correspondam agora novos avanços, por exemplo, a não discriminação das uniões homossexuais, uma lei equilibrada sobre a eutanásia, além de comemorações condignas do honrado centenário.

Todavia, se os ventos conservadores de Belém não forem contrariados por S. Bento, se ao espírito pio de alguns conselheiros predilectos do PR não responder um sobressalto republicano e laico, Portugal arrisca-se a ter missas por alma de Sidónio e a associar a República e a ditadura salazarista.

O 5 de Outubro de 2010 seria a data simbólica ideal para aprofundar o carácter laico do Estado e, eventualmente, denunciar a Concordata. O Governo não se pode esconder sob o manto do PR para dirigir a política externa, que é da sua exclusiva competência.

Carlos Esperança

29 de Maio, 2008 Carlos Esperança

ASSOCIAÇÃO ATEÍSTA PORTUGUESA

Escritura de constituição da

«Associação Ateísta Portuguesa»

Amanhã, dia 30 de Maio de 2008 pelas 12,00 Horas, terá lugar no Cartório Notarial da Exmª. Senhora Notária Drª. Sofia Henriques, sito na Avenida da República, n.º 6 – 1º andar Dt.º em 1050 – 191, a escritura de constituição da «Associação Ateísta Portuguesa».

A «Associação Ateísta Portuguesa» propõe-se e constituem seus objectivos:

1. Fazer conhecer o ateísmo como mundividência ética, filosófica e socialmente válida;
2. A representação dos legítimos interesses dos ateus, agnósticos e outras pessoas sem religião no exercício da cidadania democrática;
3. A promoção e a defesa da laicidade do Estado e da igualdade de todos os cidadãos independentemente da sua crença ou ausência de crença no sobrenatural;
4. A despreconceitualização do ateísmo na legislação e nos órgãos de comunicação social;
5. Responder às manifestações religiosas e pseudo-científicas com uma abordagem científica, racionalista e humanista.

Mais pormenores poderão ser encontrados nos Blogs:
«Random Precision» (http://www.rprecision.blogspot.com)

e ainda pelo telefone 91 727 48 80

Odivelas, 29 de Maio de 2008
A Comissão de Constituição

28 de Maio, 2008 Carlos Esperança

A rã da discórdia

 A escultura do artista alemão Martin Kippenberger que mostra uma rã crucificada com um ovo numa das mãos e uma jarra de cerveja na outra (foto), exposta no novo museu da Arte Moderna de Bolzano (norte de Itália) provocou uma violenta reacção do bispo local, que pediu respeito pelos sentimentos religiosos e exigiu que fosse retirada.

Estamos numa situação semelhante à das caricaturas de Maomé, com uma diferença – a cruz não é exclusivamente cristã e era um instrumento de tortura usual nos tempos cruéis do início da era cristã. Durante os primeiros séculos, o peixe foi, aliás, o símbolo cristão por excelência.

Aqui, o que está em causa é a liberdade de expressão, por um lado, e o dever de respeito dos sentimentos alheios, por outro, embora ninguém deva visitar o Museu se pensar que se ofende, sabendo que a escultura da discórdia faz parte da exposição. Os católicos de hoje não reagem como os muçulmanos e o escultor alemão, já falecido, correria menos riscos do que o caricaturista holandês, mas não deixa de ser preocupante a exigência episcopal de banir de um museu uma qualquer escultura por mais blasfema que a considere.

Se o direito à repulsa prevalecer sobre a liberdade de expressão, não tarda que sejamos obrigados a respeitar qualquer culto, por mais bizarro que seja, ou um ícone que alguém venere. O princípio não tem a ver com a bondade ou virtude da imagem ofendida, está relacionado com o humor e amor que alguém, com poder, manifeste por tal imagem.

Cristo é o homem perfeito para os cristãos mas, por muito que custe – e a mim custa –, o culto de Estaline existe, como existe o de Franco, Salazar e Hitler, e não me coíbo de os condenar. O que é uma blasfémia para um crente é uma crença injustificada para um não crente ou para um crente de uma fé diferente.

Não sendo possível o consenso sobre o bom gosto, o sagrado e o bom senso, só há uma forma de evitar que as diferenças se transformem em divergências e estas em violência – conformarmo-nos com todas as manifestações pacíficas de expressão. Esta é a regra da Europa laica, herdeira do Iluminismo e da Revolução Francesa.

Carlos Esperança

27 de Maio, 2008 Ricardo Alves

Escritura da Associação Ateísta Portuguesa

Recorda-se que a escritura da Associação Ateísta Portuguesa será na sexta-feira, dia 30 de Maio, às 12 horas, na Avenida da República nº6, 1º andar dto (em Lisboa, próximo do Saldanha).
As inscrições de associados podem ser feitas para os endereços luishgr@netcabo.pt (Luís Rodrigues) e aesperanca@mail.telepac.pt (Carlos Esperança).

27 de Maio, 2008 Carlos Esperança

Momento zen de segunda

João César das Neves (JCN), sem sotaina nem tonsura, adora ser o eco do clero católico mais conservador, ansioso de redimir os pecados com a prosa beata que debita.

Na homilia de hoje JCN refere-se à fragilidade intelectual do ateísmo e à sua alegada inconsistência, apelidando-o de crença «como as outras», considerando o ateísmo uma tradição tardia e artificial de elites, sobretudo desde o Iluminismo. Só não explica o que acontecia, antes, a quem tivesse dúvidas da fé católica ou fé em certezas diferentes. Ou o que acontece hoje em terras de Maomé.

Para JCN não há motivos plausíveis ou razoáveis para recusar a hipótese de um Criador. Nem lhe ocorre perguntar a quem se deve a criação de tal «Criador» numa interminável série de perguntas até ao absurdo.

Como não cultiva a razão e desconfia do método científico para construir modelos de realidade, JCN adjudica as questões do bem e do mal a um ser hipotético e espera viver depois da morte. Para o pio, Deus criou o homem e não o oposto, sabendo que os deuses de ontem se estudam hoje na mitologia, como acontecerá amanhã com os actuais.

Se o ateísmo está em extinção – como afirma o catequista – não se enxerga o motivo do seu desassossego. Se é feliz, porque o esperam as delícias do Paraíso, não se percebe a ansiedade que o move no seu proselitismo. Os que vivem tranquilamente sem deus não batem à porta de ninguém a anunciar a boa nova.

JCN é intelectualmente desonesto quando, depois de atribuir o ateísmo ao Iluminismo, acaba por associá-lo ao marxismo que responsabiliza pela sua «exportação à força». O ateísmo é iluminista ou marxista? Sam Harris, Christopher Hitchens, Richard Dawkins ou Pepe Rodríguez são marxistas? Ou foram-no, quiçá, Bertrand Russel, Carl Sagan ou Frederico Nietzsche?

O preconceito e a intolerância para com o ateísmo correspondem a uma escalada beata e à chantagem clerical que as religiões desencadearam contra uma opção filosófica que condena os Estados ateus do mesmo modo que se opõe aos confessionais.

Para não falar do desvario islâmico, recordo que, em 13 de Maio p.p., o cardeal Saraiva Martins presidiu em Fátima à peregrinação contra o ateísmo na Europa. Sem mais rezas, com igual legitimidade, podia ter alargado o âmbito aos cinco continentes.

Tempos antes, o habitualmente contido patriarca Policarpo, denominou o ateísmo «o maior drama da humanidade», distraído das guerras religiosas que lavram pelo mundo.

Não admira, pois que JCN reincida no tema quando os verdadeiros dramas são a guerra, a tortura, a pobreza, a intolerância, a fome e o terrorismo.

Carlos Esperança

26 de Maio, 2008 Mariana de Oliveira

Bênção das Pastas reflecte sobre a profissão e a família

A Bênção das Pastas, que assinala o fim da vida académica e a entrada no mercado de trabalho, foi conduzida por D. Albino Cleto, bispo da diocese de Coimbra, que partilhou com os estudantes algumas reflexões sobre a profissão e a família.

«Lamento que haja relações profissionais que enfraqueçam os laços de família. É que a família pode ser o suporte para a vossa carreira profissional», começou D. Albino Cleto. O bispo defendeu que os «bons princípios de vida» são a chave para o sucesso no trabalho. «Não queiram ganhar muito dinheiro e exercer a profissão com ganância. Deve-se antes trabalhar com amor pelos outros, porque dar felicidade ao outro é o melhor caminho para a experimentardes em vós próprios», aconselhou D. Albino Cleto, congratulando-se ainda por «o número de universitários nas dioceses estar a aumentar».

«A Bênção não é um gesto mágico, é bem dizer, ou seja, bendito seja o curso que termina», avisou o bispo.

Chegava então o momento alto da cerimónia, a altura de lançar água benta sob os estudantes. Pastas e fitas com as cores das faculdades foram levantadas no ar em simultâneo, criando um efeito visual forte.

A carga emocional também foi intensa. Enquanto recebiam a bênção dezenas de alunos choraram. Lá fora, familiares e amigos esperavam a saída dos alunos, recebidos com abraços e palmas de alegria.

Fonte: Diário de Coimbra, 26 de Maio de 2006.

26 de Maio, 2008 Mariana de Oliveira

Português ordenado sacerdote da Opus Dei

O português Pedro Regojo foi ordenado sacerdote pela prelatura da Opus Dei, na companhia de 35 outros presbíteros de 15 países tão distintos como a Espanha, o Líbano, a Polónia ou o México.

Osnovos sacerdotes foram ordenados no sábado, em Roma, tendo o Bispo Javier Echevarría, prelado da Opus Dei, pedido disponibilidade ao novos presbíteros.

Os restantes países que tiveram sacerdotes ordenados no sábado são Argentina, Brasil, Costa Rica, Filipinas, França, Guatemala, Itália, Quénia, Peru e Venezuela.

Fonte: Agência Lusa, 26 de Maio de 2008.

26 de Maio, 2008 Mariana de Oliveira

Violência na África do Sul preocupa Santa Sé

A violência na África do Sul contra estrangeiros foi condenada pelo Conselho Pontifício da Pastoral para os Migrantes e os Itinerantes.

A Santa Sé recebeu “com profunda dor” as notícias da violência que está a causar “morte, sofrimento e destruição entre muitos migrantes e refugiados” de várias cidades da África do Sul.

Num telegrama enviado a Dom Buti Joseph Tlhagale, arcebispo de Joanesburgo e presidente da Conferência dos Bispos Católicos do Botsuana, África do Sul e Suazilândia, o Conselho Pontifício da Pastoral para os Migrantes e os Itinerantes expressou sentidas condolências às famílias dos mortos e solidariedade para com as pessoas vítimas desses “deploráveis eventos”.

O presidente do Conselho Pontifício da Pastoral, o cardeal Renato Raffaele Martino, e o secretário, Dom Agostino Marchetto, manifestam-se confiantes em que “com as intervenções fraternas da Igreja e das pessoas de boa vontade, seja encontrada uma solução final para esta e para outras situações semelhantes”.

Os prelados afirmam ainda esperar que “a população da região possa novamente viver em paz, solidariedade e com perspectivas de desenvolvimento integral”.

Fonte: Agência Lusa, 26 de Maio de 2008.

26 de Maio, 2008 Mariana de Oliveira

Adolescente acusado por se manifestar contra a Cientologia

Um adolescente britânico foi acusado criminalmente por ter apelidado a Igreja da Cientologia de «culto», numa manifestação, em Londres.

De acordo com a polícia, o adolescente estaria a violar a Lei da Ordem Pública («Public Order Act»), que «proibe cartazes que contenham representações ou palavras ameaçadoras, abusivas ou insultuosas».

Contudo, o Ministério Público Britânico arquivou o processo por não considerar os factos como abusivos ou insultuosos, inexistindo qualquer ofensa na ideia ou no modo como foi expressa.