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6 de Abril, 2009 Carlos Esperança

PR e canonização de D. Nuno

Por

E – Pá

Esperemos que o Presidente da República – prosseguindo uma atitude de deslealdade e de incontornável menosprezo para com os portugueses – de regresso de Roma com tão impressionante séquito – como o Senhor Presidente da Assembleia da República; ao Senhor Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros e ao Senhor Chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas, ao que parece, integrantes da tal “Comissão de Honra”, de regresso a Portugal não sejam compelidos a integrar Comissões contra o uso do preservativo no combate à SIDA e contra a procriação medicamente assistida (PMA), etc….

Espero, depois desta indignidade que o Prof. Cavaco Silva, não ouse, pensar ou publicamente afirmar-se, como o presidente de todos os portugueses, estatuto que, como é óbvio, acaba de abdicar.

Espero que a 5 de Outubro de 2010, o Excelentíssimo PR, em vez de presidir ao I Centenário da República, não de desloque à catedral de Zamora para (con)celebrar os 867 anos da outorga papal – delegada no Arcebispo de Braga – de um reino – Portugal – separado de Leão e Castela…

É que certos impensados gestos dos nossos dignitários políticos confundem-nos, sobre a suas obrigações acerca da coesão nacional e interrogam-nos sobre qual o regime que vigora nesta Pátria e em que medida estão dispostos a ferir a nossa soberania, quando de joelhos à frente dos promotores de benesses religiosas, sejam naturais de que País forem, curvam a cabeça….

Aliás, penso eu, que o “estatuto de santidade”, segundo os cânones da ICAR, os destinatários dessas “honrarias canónicas” deixam de ser portugueses, espanhóis, etc, adquirem um carácter… universal.
Mas, sendo assim e ao que saiba, o Sr. Ban Ki-moon, não integra a dita Comissão…
Lamentável gaffe diplomática!

5 de Abril, 2009 Carlos Esperança

A canonização de Nuno Álvares Pereira

COMUNICADO da AAP

A Associação Ateísta Portuguesa (AAP) ficou perplexa com a canonização de Nuno Álvares Pereira, mas fica absolutamente indignada com a cumplicidade que os mais elevados dignitários de Portugal, nomeadamente o Sr. Presidente da República, emprestam ao acto que, na opinião desta Associação, é uma burla pueril.

A AAP entende que o prestígio do Condestável não se dilata com o alegado milagre e que, se deus existisse, podia mais facilmente ter evitado os salpicos do óleo que queimaram o olho esquerdo da D. Guilhermina de Jesus, enquanto fritava o peixe, do que ter de a curar para o beato virar santo.

A AAP duvida da capacidade de um guerreiro morto, apesar de ilustre, para actuar como colírio e duvida de D. Guilhermina, que se lembrou de recorrer à intercessão de um herói, sem antecedentes no ramo dos milagres, em vez de procurar um oftalmologista.

Mas o que a AAP repudia veementemente, salvo o devido respeito, é a atitude do Sr. Presidente da República, Professor Cavaco Silva, que aceitou integrar a Comissão de Honra para a canonização de Nuno Álvares Pereira, que vai ter lugar a 26 de Abril, em Roma.

O Estado laico, condição essencial de uma democracia, fica, na opinião da AAP, irremediavelmente comprometido com a participação do PR que, de algum modo, estabelece uma lamentável confusão entre as funções de Estado e os actos pios do foro individual.

Que Sua Excelência acredite na cura milagrosa do olho esquerdo da D. Guilhermina, a nível pessoal, é um direito que a AAP defende, mas que participe, em nome de Portugal, num acto de marketing e no obscurantismo religioso da Igreja católica, é uma posição que nos entristece e nos envergonha como cidadãos.

A AAP denuncia a manobra obscurantista em curso e apela ao espírito crítico dos portugueses para que não creiam em afirmações infundadas ou, pelo menos, façam a distinção entre as crenças pessoais e o reconhecimento estatal da superstição.


Associação Ateísta Portuguesa
– Odivelas, 05 de Abril de 2009

5 de Abril, 2009 Ricardo Alves

O regresso (oportunista?) do Condestável

Quem conhece a História da 1ª República e do papel que desempenhou no apressar do seu final uma organização chamada «Cruzada Nacional Nuno Álvares Pereira», não pode deixar de ficar incomodado por ver na «Comissão de Honra» da «Canonização» desse cavaleiro medieval o Presidente da República, o Presidente da Assembleia da República, o ministro dos Negócios Estrangeiros e o Chefe do Estado Maior General das Forças Armadas.

Evidentemente, não se questiona o direito individual a acreditar em intercessões de além-túmulo seja de quem for, mesmo com a finalidade comezinha de curar uma queimadela de óleo de fritar peixe. Simplesmente, quem ocupa altos cargos de um Estado democrático e laico apenas deveria participar neste género de homenagem, se a consciência a isso o obriga, como cidadão privado e discreto, sob risco de estar a comprometer-se numa manobra que poderá ter aproveitamentos políticos e religiosos perigosos e indesejáveis.

Um Estado laico não patrocina crenças nem religiões; não promove igrejas nem cultos. A «canonização» de Nuno Álvares Pereira deveria ser um mero assunto privado entre os crentes católicos e a sua igreja, que decidiu certificá-lo com poderes de curandeiro post mortem, na curiosa data de 26 de Abril. Que algumas das principais figuras do Estado endossem esta campanha clerical, a pouco mais de um ano do centenário da implantação da República, demonstra que não têm memória histórica da exploração nacionalista que o Estado Novo fez desta figura, e que não compreendem que a laicidade não é a mera separação entre Estado e igreja.

[Esquerda Republicana/Diário Ateísta]

4 de Abril, 2009 Carlos Esperança

Secretário-geral da NATO

Uma fonte próxima da delegação francesa adiantou à agência AFP que os chefes de Estado e de Governo “estiveram todos reunidos numa sala para debater o caso Rasmussen”.

A Turquia opõe-se à nomeação do primeiro-ministro dinamarquês por este ter apoiado a publicação de caricaturas do profeta Maomé por um jornal dinamarquês, em 2005.

Comentário: A Turquia tem um primeiro-ministro prosélito e a Europa conhece o perigo das religiões no aparelho de Estado.

4 de Abril, 2009 Carlos Esperança

O Presidente da República e a canonização de D. Nuno

Quando o Sr. Presidente da República e outros cidadãos que ocupam elevados cargos no Estado aceitam integrar a Comissão de Honra para a canonização de Nuno Álvares Pereira, que vai ter lugar a 26 de Abril, em Roma, põem em causa o Estado laico que é condição essencial da democracia.

Ainda que o façam a título particular, estabelecem a confusão na opinião pública entre as funções de Estado e os actos pios, do foro individual.

Não podem, oficialmente, representar Portugal – um país laico – em cerimónias de uma religião que apenas obriga a convicções particulares e superstições individuais.

É, pois, de crer que as entidades referidas o façam a expensas próprias, discretamente, para não fazerem corar de vergonha os que não sabem distinguir a água benta da outra.

Quem conhece a honradez do Presidente da República sabe que não seria cúmplice de uma farsa e não se prestaria ao acto indigno de pactuar com uma burla. Assim, é de crer que acredita que D. Nuno, cadáver desde a Idade Média, curou o olho esquerdo da D. Guilhermina de Jesus, queimado com salpicos ferventes de óleo de fritar peixe, mas não deve misturar a sua condição de PR com a superstição do crente.

Se a deslocação de Sua Excelência se fizesse na qualidade de PR, os portugueses seriam moralmente obrigados a considerar o olho esquerdo da D. Guilhermina de Jesus como património nacional, D. Nuno como taumaturgo, a crença no milagre como fazendo parte das obrigações constitucionais e o Presidente da República como apóstolo do santo.

O Sr. Presidente da República não sujeitará, certamente, os portugueses a semelhante vexame.

4 de Abril, 2009 Ricardo Alves

Respostas ao «novo» Tony Blair

O ex-primeiro-ministro do Reino Unido, Tony Blair, descobriu-se muito religioso depois de abandonar o cargo. Como ele diz, «a minha fé foi sempre uma parte importante das minhas políticas» (já sabíamos). Blair acrescenta agora que escondeu deliberadamente a sua religiosidade durante a sua permanência no nº10 de Downing Street. Mas o «novo» Blair dedica-se a uma fundação que tem por objectivo promover o diálogo entre as religiões (mas principalmente as abrâamicas), e a mostrar como a religião pode ser «uma força para o bem».

Em resposta ao «novo» Tony Blair, a revista New Statesman organizou um dossiê especial, «Deus 2009». Recomendo em particular as respostas dos ateus Richard Dawkins e Christopher Hitchens. Como recorda Richard Dawkins, este é o mesmo Tony Blair que defendeu uma escola que ensinava que a Terra tem seis mil anos de idade. E, como argumenta Christopher Hitchens, Tony Blair faria melhor em dedicar a sua fundação a: «combater a mutilação genital das crianças de ambos os sexos; combater os casamentos entre menores de idade; fazer campanha pela contracepção; apelar a um édito islâmico contra o bombismo suicida; apelar a uma decisão rabínica contra o roubo de terra não judaica». A religião, nestes e noutros problemas, é parte do problema e não parte da solução.

3 de Abril, 2009 Carlos Esperança

A indústria dos milagres não pára

CIDADE DO VATICANO, Santa Sé (AFP) — Dois novos milagres foram atribuídos nos Estados Unidos e no Vaticano ao Papa João Paulo II por ocasião do quarto aniversário de seu falecimento, segundo testemunhos divulgados nesta sexta-feira pela imprensa italiana.

Comentário: Os milagres são de qualidade mas o segundo é uma substituição do cantil de aguardente por um rosário. Os cowboys não usavam rosários e as balas poupavam-lhes a vida mas deixavam-nos sem aguardente.