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8 de Fevereiro, 2013 José Moreira

O meu Pacote de Leite

Quando eu era pequenino, ouvia, muitas vezes, a minha avó dizer “Olha, meu menino, café é que nos salva”, convindo esclarecer que a santa e provecta senhora era frequentadora assídua de missas e novenas, e consumidora compulsiva de rodelas de Cristo. Actualmente, a senhora já não diz nada, porque os mortos não falam, embora haja quem afirme o contrário, aliás a Joaninha até toma café com um morto todos os dias, ela é que o assevera. Adiante, que atrás vem gente, a ora defunta senhora, enquanto ainda não o era costumava, até, rezar umas lengalengas a Santa Bárbara, quando trovejava, e a verdade é que algum tempo depois a trovoada afastava-se ou silenciava-se, e o certo é que, por exemplo, agora não está a trovejar, pelo menos na cidade onde escrevo. É claro que algumas vezes troveja, mas não dura muito, o que quer dizer que há pessoas que continuam a rezar a Santa Bárbara, e isso é bom, porque eu não gosto de trovoadas. Mas nunca percebi o que tinha o café a ver com a salvação. Só mais tarde, quando já era crescidote, é que o padre Hilário, meu professor de Religião e Moral me explicou que aquilo do café mais não era de um simpático cacófato, já que a minha defunta avó queria era dizer “que a fé”, mas dizia “qu’afé”, e ouvia-se “café”. A minha avó tinha uma cultura algo suburbana, a atirar para o rural, mas pelos vistoa o padre Hilário sabia português à brava.

Entretanto cresci e fiz-me homem, como é fácil de constatar, e comecei a verificar que quase todos os meus amigos e conhecidos tinham uma fé embora não fosse uma fé comum, havia feses para todos os gostos, um deles, o Jeremias, que nós, carinhosamente, tratamos por Jeremias, ainda tem fé em que o Sporting, não é o de Braga, mas o outro, há-de ganhar o campeonato este ano, se calhar por isso é que alguém disse que “a fé é a crença no improvável”, mas a verdade é que eu comecei a sentir-me mal no seio do grupo, todos com uma fé e eu sem fé nenhuma, eu aprendi com os mais velhos a respeitar os mais velhos, que costumam ter muita sabedoria, a minha avó era velha, eu acho que sempre a conheci velha, por isso devir ter muita sabedoria, vai daí um dia decidi ter uma fé. Como já me tinha tornado ateu e materialista, achei que devia ter fé numa coisa palpável, visível, existente. Resolvi atirar a minha fezada para um pacote de leite, mas que estivesse dentro do prazo de validade, naturalmente. Meus amigos: resultou! Tal como Deus, o meu Pacote de Leite, PL, assim com maiúsculas e tudo, protege-me ou não me protege, guia-me ou não me guia. Só não me promete o Céu, e ainda bem, porque aquilo deve estar cheio de crentes e deve ser uma pasmaceira. Também é certo que não me castiga com o Inferno, o que é pena, porque deve estar cheio de gajas boas. Mas a verdade é que desde que adoptei o PL me sinto mais protegido, já que nunca mais voltei a cair pelas escadas abaixo, uma vez que passei a descê-las com cuidado, nunca fui atropelado porque olho sempre para todos os lados da rua antes de atravessar, bem sei que a rua só tem dois lados mas nunca fiando, a única coisita que me aconteceu foi ter tido cancro, mas na unidade de oncologia do hospital também vi lá duas freiras, ora, se Deus não é válido para cancro, por que carga de água o meu PL havia de ser? Depois, o meu PL tem outra vantagem, que é a de poder ser bebido quando estiver em cima do prazo de validade, e pode ser substituído por outro, o que não acontece com Deus. Vantagem, pois, para o PL.

Louvado seja.

7 de Fevereiro, 2013 Carlos Esperança

A SENSIBILIDADE CATÓLICA DE ULRICH

Por

António Horta Pinto

O incontinente banqueiro Ulrich, questionado há dias acerca das bojardas que bolçou sobre os sem-abrigo, manteve o que disse, e afirmou que não recebia lições de sensibilidade de ninguém, pois lhe bastavam as que tinha recebido da sua família e da Igreja Católica.
Eu bem tinha desconfiado que andava ali o dedo da Igreja Católica. É que já é sobejamente conhecida a “sensibilidade” que esta instila nos seus mais diletos discípulos. Católico, ex-seminarista e abençoado pela Santa Igreja era Salazar, como católicos eram quase todos os seus ministros e os seus piedosos diretores da Pide; e que sensibilidade eles tinham!

Católico deve ser também o ministro Gaspar – até fez os seus estudos na Universidade Católica (que belas doutrinas económicas lá ensinam!) –, o maior produtor de sem-abrigo, de desempregados, de pobres e de miseráveis de que há memória. Católico é também o próprio chefe do bando, Passos Coelho, que, roubando o emprego a dezenas de milhares de pais e mães de família, tirando o pão a milhares de crianças, reduzindo as miseráveis pensões dos idosos pobres, tem o descaramento de dizer publicamente que apesar disso “dorme descansado”. Que sensibilidade!

Católicas são também a maior parte das “almas piedosas” que querem acabar com o Serviço Nacional de Saúde e com o ensino público e gratuito, únicos recursos dos que não têm dinheiro para pagar clínicas privadas e escolas particulares.

Isto para já não falar da “sensibilidade” da Santa Inquisição, que felizmente já acabou há muito tempo, mas apenas porque os incréus, contra a vontade da Igreja, deram cabo dela.

Não há dúvida: o catolicismo, em matéria de “sensibilidade”, tem pergaminhos. Ulrich teve boa escola!

6 de Fevereiro, 2013 Abraão Loureiro

2000 anos

6 de Fevereiro, 2013 Carlos Esperança

O Vaticano vai acabar a abençoar casamento gay

Vaticano acabará a abençoar casamentos gay

O ‘ministro’ do Vaticano para a Família encorajou hoje o reconhecimento dos direitos de casais não casados, incluindo de casais homossexuais, reafirmando, contudo, a oposição absoluta e inequívoca da Igreja ao casamento entre pessoas do mesmo sexo.

Comentário: Alguém obriga a ICAR a celebrar casamentos religiosos?

6 de Fevereiro, 2013 Ricardo Alves

O Tribunal Europeu dos Direitos do Homem e a laicidade

O Tribunal Europeu dos Direitos do Homem (TEDH) apresentou recentemente dois conjuntos de decisões que merecem destaque.
  1. No caso «Dimitras e outros contra a Grécia», o TEDH deliberou que, ao obrigar os queixosos a revelarem a sua opção em matéria religiosa em tribunal, a Grécia violou o artigo 9º da Convenção (liberdade de consciência). Entretanto, a Grécia modificou o procedimento judicial (por lei de Abril de 2012) tornando possível uma declaração solene alternativa ao juramento religioso.
  2. No caso «Eweida e outros contra o Reino Unido», o TEDH pronunciou-se sobre quatro situações diferentes.
  • a) No caso de uma hospedeira suspensa das suas funções por insistir em usar um crucifixo – enquanto a British Airways insistia na importância da imagem da empresa mantida através do uniforme – o TEDH decidiu que tinha havido violação do mesmo artigo 9º (liberdade de consciência ou de religião), por se ter dificultado a expressão da crença religiosa da queixosa, especialmente tendo em conta que a outras hospedeiras era permitido usar turbantes ou véus.
  • b) No caso de uma enfermeira também suspensa por insistir em usar um crucifixo, o TEDH decidiu, -pelo contrário – que não houvera violação do artigo 9º nem do artigo 14º (proibição de discriminação), porque neste caso a razão para a interdição do crucifixo se devia a razões de saúde e segurança.
  • c) No caso da funcionária pública que – por razões religiosas – se recusou a conduzir cerimónias de reconhecimento civil de uniões do mesmo sexo – e portanto foi despedida -, o TEDH decidiu que não houve violação do artigo 9º em conjunto com o 14º.
  • d) Finalmente, no caso de um empregado de uma empresa de «aconselhamento psico-sexual» que perdeu o seu emprego por se recusar a «aconselhar» casais do mesmo sexo, o TEDH decidiu que não houve violação dos referidos artigos.
[Esquerda Republicana/Diário Ateísta]
5 de Fevereiro, 2013 José Moreira

Quem dá aos pobres…

Diz, um antigo e conveniente ditado, que “quem dá aos pobres empresta a Deus”. Claro que, neste caso, não se trata de uma dádiva, mas sim de um investimento, mas não é por aí que eu quero ir. O que ocorreé que, ao que parece, o ditado tem o seu fundo de verdade. Com efeito, Deus, através da Igreja Universal do seu Reino, devolveu os dízimos pagos por uma crente.

Deus, a quem promete não falta – outro antigo e conveniente ditado…