Uma religião é um conjunto de indivíduos unidos por medos, hábitos e superstições comuns, transmitidos através de gerações, e ligados por um ódio coletivo aos medos, hábitos e superstições alheios.
As religiões monoteístas têm um deus verdadeiro privativo que garante aos crentes uma felicidade eterna, depois da morte, conquistada pelo sofrimento, resignação e obediência durante a vida. Cada religião acredita serem falsas as outras e falso qualquer outro deus. Nisso todas têm razão. Aliás, os ateus só consideram falsa mais uma religião e um deus mais, o que, no fundo, faz de todos ateus.
O proselitismo, característico do cristianismo e do islamismo, conduziram o primeiro à violência sectária contra os hereges, os judeus, os cátaros e outros e aos crimes bárbaros da evangelização. O cristianismo foi dominado pela repressão política contra o seu clero e tornou-se uma religião civilizada onde a laicidade contém os seus desvarios pios. Já o islamismo, que é poder em numerosos países, continua na implacável barbárie contra os desvios ideológicos da mais selvagem e cruel religião do globo.
Não devemos esquecer o judaísmo que, não sendo prosélito, encontrou no sionismo a forma de exercer a brutalidade religiosa imperialista através do mito bíblico de que lhes pertence a Palestina.
Muitos judeus de hoje são árabes convertidos tal como alguns talibãs são descendentes de judeus islamizados. A xenofobia é uma demência religiosa que tem menos a ver com questões étnicas do que a etnia tem a ver com circunstâncias políticas, administrativas e linguísticas que as moldaram.
Poucas mentiras são tão estimadas como as que se transmitiram, de geração em geração, através da fanatização religiosa.
Entrou ontem na AR (DN, pág. 16) uma petição com 5300 assinaturas com o texto que os autores crismaram «Defender o futuro», embora sejam indivíduos com passado ao serviço da Igreja e dos «bons costumes» e, sobretudo, obsoletos.
Bagão Félix, Fernando Ribeiro e Castro, Manuel Braga da Cruz, António Gentil Martins, João César das Neves e Rui Gomes da Silva são o elenco da devota petição. Saídos de uma pia de água benta, cuja infusão lhes liquefez os neurónios, confundiram o futuro que dizem defender com o passado a que estão amarrados.
A revisão das leis de família é um objetivo santo a que juntam o argumento do apoio do PR que, numa primeira fase, após a aprovação na AR, as vetou para, finalmente, ter de engolir o veto, como manda a Constituição, apesar das mensagens ao Parlamento e do azedume público que evidenciou.
Argumentam ainda os bem-aventurados que as referidas leis «foram todas aprovadas no tempo do Governo de José Sócrates», como se a bondade legal derivasse da pessoa que ocupa o lugar de PM.
Entendem os seis amigos da hóstia que as leis em apreço «têm vindo a corroer o tecido social do país». E são elas: a lei do aborto, da procriação medicamente assistida, a lei da mudança de sexo e do casamento entre pessoas do mesmo sexo, a lei do divórcio e a do financiamento do Ensino Particular e Cooperativo.
Além de pretenderem que o Estado dê mais dinheiro para as escolas da Igreja católica, um voto que certamente lhes aplaina o caminho do Paraíso, as sumidades entendem que têm direito a impor os seus valores morais à totalidade de um povo, sem perceberem que as referidas leis não os obrigam a mudar de sexo ou de mulher nem a casar com indivíduos do mesmo sexo ou a procriarem medicamente assistidos.
São marretas e reacionários.
De joelhos vos liberto e vos alheio de todos os bens terrenos e espirituais, em nome da fé, com a inspiração divina do Espírito Santo. Ou como se assassina o espírito livre de um povo honesto com promessas de santidade.
Não há uma só causa. O antro do Vaticano é fértil.
Mais uma tentativa de explicação
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