4 de Novembro, 2013 Carlos Esperança
O eclipse do sol
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Depois de, numa atitude que mais não pretende do que o perpetuar do obscurantismo, a superstição e o recheio dos cofres do Vaticano, o papa Francisco ter tornado público o alegado manuscrito da alegada vidente contendo, refiro-me ao manuscrito, o alegado terceiro segredo de Fátima, eis que nos surpreende, refiro-me ao papa, com uma espécie de referendo acerca de temas tão fracturantes como o aborto, a camisinha, o casamento homossexual e outros que a névoa da memória, refiro-me à minha, não me deixa vislumbrar. Isto, claro, para além de outros sinais de querer manter o rebanho amarrado curto, que as penas do Inferno não são pêra doce.
Louva-se que se deixe à comunidade católica a decisão primeira acerca dos referidos temas, embora me restem legítimas dúvidas quanto à imparcialidade com que esses temas irão ser apresentados ao rebanho católico, mas isso já é outra conversa. Com efeito, os antecessores do Chico já tinham ideias formadas acerca do assunto, ou dos assuntos, para ser mais preciso, certamente porque recebiam instruções directas do patrão com quem, certamente, tomavam o pequeno-almoço diariamente. E eis que outra questão se levanta: afinal, quem é que decide o que é pecado ou não, o que é contra ou a favor da vontade de Deus? É o próprio Deus, através do seu representante de serviço, ou seja, o papa de ocasião? Ou é o próprio papa, que interpreta, como só ele sabe, a vontade de Deus? Sendo assim, em qualquer dos casos, para quê a consulta às comunidades católicas?
Ou será que Francisco também já chegou à conclusão de que, afinal, passa-se bem sem um deus que, além do mais, até nem existe?
Faz hoje 103 anos que foi decretada a primeira lei do divórcio que seria publicada, no dia seguinte, no Diário do Governo nº26, de 4/11/1910, p. 282.
O decreto de 3 de novembro decidiu no seu Artigo 1º que o casamento se dissolve:
1º – Pela morte de um dos cônjuges;
2º – Pelo divórcio.
O segundo ponto, sendo um avanço civilizacional de notável alcance, agitou as mitras, ergueu báculos, adejou sotainas e, sob as tonsuras, rangeram dentes, enquanto a acidez gástrica aumentava e crescia o ódio à República.
«Marido e mulher terão desde então o mesmo tratamento legal, quanto aos motivos de divórcio, aos direitos sobre os filhos». Já não bastava o divórcio pôr em causa a ordem divina, interpretada pelo clero, veio ainda a igualdade de género a contrariar preceitos pios que a parenética de séculos tinha defendido.
A paz e a ordem só voltariam com Salazar, graças à Concordata, que extinguiu abusos contra o sacramento do matrimónio e a vontade celibatária dos avençados do divino.
Ateo gratias. Viva a República!
A Igreja católica, para quem todos os dias são santos, goza em Portugal da redundância de ter dias santos reforçados. Nem a laicidade do Estado, nem a secularização, a fizeram abdicar de um privilégio que a progressiva entrada de novas religiões no mercado da fé vão tornar conflituoso. Adiante.
O dia 2 de novembro é o dia que a liturgia católica designou por Dia dos Fiéis Defuntos, dia em que, talvez por respeito aos defuntos menos recomendáveis, passou a designar-se por Dia de Finados ou dos Mortos, que abarca o universo dos que entraram em perpétua defunção, sem qualquer distinção de credos, raças, pecados ou afeições eclesiásticas.
Sendo o dia 1 de novembro feriado, desde os tempos do salazarismo, considerado pela Igreja católica como Dia de Todos os Santos, grande parte dos portugueses habituou-se a usar esse dia para homenagear os mortos, um hábito de numerosos povos e culturas, indiferente à antecipação de 1 dia em relação à liturgia. A própria Igreja se habituou à celebração de dois em um, designando a data ‘Dia de Todos-os-Santos e dos Finados’.
O Governo atual começou o ataque aos trabalhadores pela extinção de feriados e, na sua impetuosa sanha, aboliu quatro, após sondar a Igreja católica, e só essa, para abdicar de dois, enquanto ele, sem memória, cultura ou vergonha, rasurava duas datas identitárias, o 5 de Outubro e o 1.º de Dezembro.
Os bispos, mal refeitos da alegria da extinção do 5 de Outubro, renunciaram ao Dia do Corpo de Deus, talvez para não terem de explicar como é que um espírito tem corpo, e ao dia da Senhora da Assunção, efeméride que celebra a assunção do corpo da Virgem Maria ao Céu, facto de que se ignora a data, o meio de transporte e o local de destino.
Mas Bento XVI, que nessa altura estava ainda ao serviço ativo de Deus e da sua Igreja, disse que o dia da Senhora da Assunção era de grande significado e imprescindível. Foi assim que o dia 15 de agosto engoliu o 1.º de Novembro.
Eis como o dia 1 de novembro se tornou um enorme fracasso para vendedores de flores, velas e outra quinquilharia pia, com a perda da importância eclesiástica que, nesse dia, tinha audiência garantida para missas, novenas e orações pelas alminhas do Purgatório.
Bento XVI prestou um bom serviço à diminuição da religiosidade que resta.
O escritor italiano Dario Fo, vencedor do Prémio Nobel de Literatura, acusou de censura o Vaticano após a peça Em Fuga do Senado, escrita por sua mulher, não conseguir autorização para ser encenada em um teatro da Santa Sé. Baseado em um livro de Franca Rame, morta em maio, o texto fala de sua experiência política como membro do parlamento.
Por
João Pedro Moura
6- Depois de ter acalmado a tempestade, Jesus e os seus discípulos chegaram à região de Gadara (ou Gerasa). Quantos homens possuídos pelo demónio saíram dos seus túmulos?
Um: Marcos 5,2.
Dois. Mateus 8,28 diz que foram 2 homens.
7- Quando Jesus entrou em Jerusalém, cavalgava um ou dois burros?
Um: Marcos 11,7.
Dois: Mateus 21,7.
8- Como é que morreu Judas Iscariotes?
Enforcou-se cheio de remorsos por ter entregue Jesus: Mateus 27,5.
Ele caiu morto no solo do campo que tinha comprado e os seus intestinos rebentaram e espalharam-se pelo chão: Actos dos Apóstolos 1,18.
9- Quantos dias se passaram entre a ressurreição de Jesus e a sua ascensão ao céu?
1: Lucas 24.
40: Nos Actos dos Apóstolos 1,3-9
10- Quando é que Satanás entrou em Judas Iscariotes?
Vários dias antes da última ceia: Lucas 22,3.
Durante a última ceia: João 13,27
Caros leitores:
Temos 2 narradores bíblicos, inspirados por “deus”. Um diz que Jesus recebeu um endemoninhado, saído do túmulo; outro diz que foram dois.
Um diz que Jesus andava num jumentinho; outro diz que foram um jumentinho e uma jumenta.
Na cena fulcral da pós-ressurreição, um narrador diz que Jesus, o ressurreto, ascendeu ao céu 1 dia depois dessa extraordinária e sobrenatural operação; outro disse que ascendeu ao jardim da celeste corte 40 (quarenta!!!) dias depois da ressurreição. 1 dia… 40 dias… é apenas um pormenor…
Como é que é possível um narrador ver o JC subir ao céu, 1 dia depois da ressurreição e outro dizer que não… que ele andou ainda 40 dias a pastorear e a propagandear os amanhãs que cantam, e só depois é que ascendeu à estratosfera celestial, perante o testemunho dos apóstolos, tanto no caso do 1 dia como no caso dos 40 dias???!!!…
Mas que palhaçada vem a ser esta???!!!
Que inspiração divinal é esta, que leva narradores da obra fundamental do cristianismo a escreverem coisas contraditórias sobre o mesmo facto???!!!
Então não vêem o que se passa???!!! E se não são testemunhas coevas, então não foram informados por uma força superior e divinalmente orientada (espírito santo?)???!!!
Duas narrativas contraditórias anulam-se mutuamente! Lógico!
O que é que os religionários pensam disto?! E o papa Chico?!
Uma menina de quatro anos foi hospitalizada, em estado crítico, depois de ter sido violada por um professor de uma escola religiosa islâmica (madrassa) na localidade de Vehari, no leste do Paquistão, disse fonte policial.
O principal suspeito da agressão foi detido, depois da denúncia apresentada após a violação da menina, identificada como Sumaya, na terça-feira, no primeiro dia em que a criança frequentou a “madrassa”.
Agora que o Papa Francisco serve de pretexto para todos os que esperavam o mínimo gesto de humanidade para entrar no redil da Igreja, é bom lembrar que o Inferno foi de novo reativado, com o seu gerente – o Diabo –, várias vezes referido pelo Papa.
Assim, os exorcistas insistem a sarar as possessões demoníacas como os quiromantes a preverem o futuro, as bruxas a curarem os males de amor e as ciganas o mau olhado. Os exorcistas são a versão canónica dos bruxos, vestidos de sotaina e armados de crucifixo.
Estamos perante a perpetuidade da superstição popular com a autorização da exposição pública do 3.º segredo de Fátima, elucubração da Irmã Lúcia, certamente ajudada pelo diretor espiritual da clausura, segredo que João Paulo II, no seu amplíssimo narcisismo, julgou ser-lhe destinado.
Fátima tem hoje a maior área coberta da fé e é o mais rentável dos santuários que fogem ao fisco, à sombra da cruz. O santuário é uma espécie de «router» para Deus, uma zona de «Wi Fi», um «hotspot» onde os créus ligam o «tablet» da fé diretamente ao Paraíso.
A superstição é um instrumento pio que não precisa de fibra ótica para chegar a Deus.
O Diário de uns ateus é o blogue de uma comunidade de ateus e ateias portugueses fundadores da Associação Ateísta Portuguesa. O primeiro domínio foi o ateismo.net, que deu origem ao Diário Ateísta, um dos primeiros blogues portugueses. Hoje, este é um espaço de divulgação de opinião e comentário pessoal daqueles que aqui colaboram. Todos os textos publicados neste espaço são da exclusiva responsabilidade dos autores e não representam necessariamente as posições da Associação Ateísta Portuguesa.