”In the beginning the Universe was created. This has made a lot of people very angry and been widely regarded as a bad move”.
— Douglas Adams (The Restaurant at the End of the Universe)
http://www.theledger.com/article/20110713/NEWS/110719770/1338/sitemaps05?p=1&tc=pg
LAKELAND | She has been urged to kill herself and told she deserves to be boiled in oil or hung from a tree. Strangers have publicly suggested she leave Polk County.
EllenBeth Wachs, an atheist activist, acknowledges that she may be Polk County’s most reviled resident, yet she has no plans to flee.
“Where is a vocal activist needed most?” Wachs said. “This is ground zero of religious intolerance. This is the new Selma, Ala., for civil rights for atheists.”
Wachs, legal coordinator for Atheists of Florida, has gone from obscurity to notoriety in the past year as her group sued the Lakeland City Commission over public prayers, protested invocations before Polk County School Board meetings and challenged Polk County Sheriff Grady Judd’s donation of basketball goals from the county jail to a church.
Since March, Wachs (pronounced “wax”) has been arrested on charges of unlawfully practicing law and simulating a sex act in the presence of a child. The unusual circumstances of those arrests have prompted some in Polk County to accuse Judd’s office of retaliation, a contention Wachs’ lawyer made in a federal lawsuit filed June 24. (She also faces a charge of marijuana possession.)
Newspaper articles about Wachs draw hundreds of online comments, with some readers calling her “witch,” “loon,” “pervert” and “a useless human being.”
Wachs said she has received threatening letters and e-mails. She said her home and car have been vandalized, and a driver, apparently reacting to her “Atheists of Florida” bumper sticker, attempted to run her off the road.
Os confrontos motivados pelo desfile orangista causam vários feridos entre os polícias em Belfast
A segunda jornada do desfile orangista, que celebra a vitória dos protestantes contra os católicos em 1690, terminou com novos feridos nos confrontos entre manifestantes católicos e polícia. Segundo fontes do corpo de segurança “vários” agentes ficaram feridos na capital Belfast, por distúrbios que tiveram lugar no bairro católico de Ardoyne.
Gostava de me intrometer na conversa entre o Bruno Nobre e o Pedro Lind, no blog Companhia dos Filósofos. A conversa começou com uma pergunta do Pedro, se é «possível uma co-existência não contraditória entre Ciência e Religião?»(1). Infelizmente, os interlocutores parecem ter logo concordado que a ciência e as religiões, ou pelo menos a ciência e a vertente mais moderna do catolicismo erudito, abordam problemas diferentes e, por isso, coexistem sem conflitos Segundo o Bruno, a ciência não responde a «questões que saem do âmbito da causalidade eficiente» e «não é capaz de descortinar uma finalidade ou de fazer uma valoração moral ou estética.»(1) O Pedro concordou, escrevendo que «a ciência ocupa-se do “Como?”, mas não do “Porquê?” e muito menos do “O quê?” ou do “Para quê?”.»(2)
Esta distinção é pouco correcta. Podemos, por exemplo, perguntar o porquê da construção das pirâmides, para que foram feitas, que significado tinham para os egípcios e que valoração moral ou estética estes faziam dessa construção. Estas perguntas são científicas, mesmo tratando de sentido, valores, propósito, moral e estética. Se eu perguntar se devo construir uma pirâmide, que sentido ela terá para mim ou se é bonita, aí concordo que a ciência não dá resposta. Mas a diferença é mais subtil, e mais fundamental, do que apenas distinguir o “como” e o “porquê”.
As perguntas acerca do propósito, significado e estética das pirâmides na cultura egípcia têm respostas objectivamente correctas ou objectivamente erradas. A hipótese de que as pirâmides foram feitas para os Goa’uld aterrarem, por exemplo, é (infelizmente) incorrecta. Assim, para responder a estas perguntas é preciso obter conhecimento acerca destes aspectos da realidade, o que implica formular e testar hipóteses. Implica ciência. O segundo caso é diferente. Eu posso escolher fazer uma pirâmide para os Goa’uld aterrarem ou para ter sombra quando como pastéis de nata. Posso achá-la bonita ou feia e posso venerá-la ou aparafusar-lhe urinóis. Nenhuma destas alternativas é mais correcta ou incorrecta. É uma escolha. Essa é que é a diferença importante. A ciência não me diz para que hei de querer uma pirâmide ou que sentido esta há de ter para mim porque isso são escolhas pessoais e não alegações acerca de factos.
Esta distinção é importante porque todas as religiões assentam em alegações factuais, mesmo quando se usa “religião” para referir apenas o catolicismo apostólico romano de hoje. Que Deus existe, que Jesus era Deus, que foi crucificado pelos Romanos e que teve apóstolos são alegações cuja verdade só pode ser conhecida testando-as, contra dados e contra hipóteses alternativas. Ou seja, pela ciência. E não são só aquelas hipóteses que, em teoria, se poderia testar, como a morte de Jesus na cruz. Inclui também hipóteses impossíveis de testar. Uma confusão recorrente é que a ciência não se pode pronunciar acerca destas hipóteses. É errado. Hipóteses que não se pode testar também não podem constituir conhecimento porque nunca podemos saber se são verdade ou não. Portanto, é sempre preferível optar por alternativas que se possa testar e que possam ser suportadas pelas evidências. Se eu propuser ao Bruno e ao Pedro, ambos físicos, que a gravidade é sustentada por milhões de duendes invisíveis a pedalar em bicicletas mágicas, eles dirão que a teoria de Einstein é melhor. Não por poderem falsificar a minha hipótese, mas porque, ao contrário da de Einstein, a minha não pode ser testada.
Sendo o âmbito da ciência o do conhecimento dos factos, o conflito com as religiões surge até na forma como estas abordam a ética. Os juízos de valor saem do âmbito da ciência porque, mesmo que os factos ajudem a decidir, o fundamental é a decisão. Por exemplo, decidir se encaramos a homossexualidade como um mal a combater ou como uma preferência pessoal. A ciência ajuda a tomar uma decisão informada mas não pode decidir por nós quando o problema é de valores e não de meros factos. No entanto, religiões como as cristãs ignoram os valores e consideram apenas alegações de factos. Deus não gosta, é contra a lei natural, é pecado e pronto. Mas quando se reduz a ética a factos não só se perde de vista o fundamental – a questão não é se Deus gosta ou não gosta mas o que nós devemos fazer – como também se passa a focar um problema científico. Saber o que Deus aprova ou reprova é um problema de conhecimento objectivo, que só se resolve testando as hipóteses e não com palpites ou auto-proclamações de infalibilidade. E se as hipóteses não forem testáveis, isso é defeito delas e nunca justificação para as assumir verdadeiras.
Resumindo, gostava de apontar ao Pedro e ao Bruno que a demarcação que concordaram inicialmente está incorrecta e desvia a conversa para longe do problema principal. Todas as religiões assentam em alegações factuais, alegações cuja verdade depende objectivamente de se adequarem à realidade. Saber se são verdadeiras ou falsas exige compará-las com os dados e com hipóteses alternativas o que, quando feito com diligência e honestidade, é ciência. O problema principal é que as religiões defendem como certezas hipóteses que não cumprem os requisitos mínimos de aceitação. Isto cria um conflito com a ciência porque um dos fundamentos da ciência é precisamente rejeitar hipóteses que não cumpram esses requisitos. Por exemplo, a ciência não pode aceitar que um homem da palestina era o criador do universo, nasceu de uma virgem e ressuscitou só porque se conta que os amigos dele achavam que sim. Considerar essa hipótese verdadeira com base em evidências tão inadequadas não é estar fora da ciência. É estar contra a ciência.
1- Começa neste post: Diálogos: dois físicos conversam sobre a fé
2- Dois físicos conversam sobre a fé (2).
Em simultâneo no Que Treta!
O mesmo Rodeiro que no post anterior respondeu à letra ao tarólogo na entrevista pela rádio.
Nascido a 28/08/1965, falecido a 30/05/2011.
Um homem com coragem e que nos faz falta.
Obrigado Manny.
Diz-me a experiência pessoal que há bactérias que não são recomendáveis. Talvez baseadas na sua antiga linhagem, por serem dos mais remotos seres vivos, algumas tornam-se agressivas e agarram-se a um cidadão como gato a bofes.
Uma das mais sinistras é a pseudomona multirresistente que gosta de se domiciliar nos hospitais e é capaz de interromper o ciclo biológico do paciente internado. E não há forma de a exterminar. É ela que extermina os que selecciona entre os mais debilitados.
Segundo os crentes todos os seres vivos são obra de deus mas, se este os ouve, é altura de lhe pedirem para estar quieto.
Se bem me recordo, uma molécula é uma entidade electricamente neutra que possui pelo menos dois átomos. E não sei quantos possui a maldita pseudomona. De resto, dos próprios átomos, só me recordo da saborosa definição de um sargento que em 1960 dava aulas na escola de enfermagem militar onde se encartavam como enfermeiros os futuros furriéis que na guerra colonial demoravam a acertar com as agulhas nas veias dos soldados.
Aqui fica a lapidar definição de «molécula» pelo erudito sargento: «Suponhemos que agarremos um aniceto e que o esmigalhemos entre os dedos. O mais pequeno rasquício de matéria viva com que tópemos é uma molécula».
Há cerca de 3 meses interrompi a minha colaboração neste blogue por razões que devo explicar aos meus leitores.
Antes, porém, quero agradecer aos meus colegas que mantiveram vivo este espaço de diálogo.
Após uma operação de urgência à vesícula biliar surgiu-me uma pneumonia dupla provocada por uma obstinada bactéria hospitalar – pseudomona multirresistente – que me enviou para os cuidados intensivos onde estive 52 dias de coma. Perdi massa muscular com os 16 quilos de peso e tem sido lenta a recuperação.
Espero regressar assiduamente ao vosso convívio dentro de dois meses, talvez ainda débil fisicamente mas firme nas convicções de sempre. Estou certo de que vale mais a persistência dos médicos do que a infinita bondade de qualquer deus.
A todos saúdo com estima.
O Diário de uns ateus é o blogue de uma comunidade de ateus e ateias portugueses fundadores da Associação Ateísta Portuguesa. O primeiro domínio foi o ateismo.net, que deu origem ao Diário Ateísta, um dos primeiros blogues portugueses. Hoje, este é um espaço de divulgação de opinião e comentário pessoal daqueles que aqui colaboram. Todos os textos publicados neste espaço são da exclusiva responsabilidade dos autores e não representam necessariamente as posições da Associação Ateísta Portuguesa.