“A diferença entre Deus e nós deve ser não de atributos, mas da própria essência do ser. Ora tudo é o que é. Portanto Deus é não só o que é mas também o que não é. Confunde-nos de si com isso”.
Em qualquer espírito, que não seja disforme, existe a crença em Deus. Em qualquer espírito, que não seja disforme, não existe crença em um Deus definido.
Meu Deus, meu Deus, a quem assisto? Quantos sou? Quem é eu? O que é este intervalo que há entre mim e mim?
Deus quer, o homem sonha, a obra nasce.
Deus quis que a terra fosse toda uma,
Que o mar unisse, já não separasse.
Sagrou-te, e foste desvendando a espuma,
E a orla branca foi de ilha em continente,
Clareou, correndo, até ao fim do mundo,
E viu-se a terra inteira, de repente,
Surgir, redonda, do azul profundo.
Quem te sagrou criou-te português.
Do mar e nós em ti nos deu sinal.
Cumpriu-se o Mar, e o Império se desfez.
Senhor, falta cumprir-se Portugal!
Deus costuma usar a solidão
Para nos ensinar sobre a convivência.
Às vezes, usa a raiva para que possamos
Compreender o infinito valor da paz.
Outras vezes usa o tédio, quando quer
nos mostrar a importância da aventura e do abandono.
Deus costuma usar o silêncio para nos ensinar
sobre a responsabilidade do que dizemos.
Às vezes usa o cansaço, para que possamos
Compreender o valor do despertar.
Outras vezes usa a doença, quando quer
Nos mostrar a importância da saúde.
Deus costuma usar o fogo,
para nos ensinar a andar sobre a água.
Às vezes, usa a terra, para que possamos
Compreender o valor do ar.
Outras vezes usa a morte, quando quer
Nos mostrar a importância da vida.
O poema que LGR atribui a Fernando Pessoa , ” Poema do Menino Jesus ” é da autoria de Alberto Caeiro,um dos vários heterónimos de Fernando Pessoa.
A genialidade de Pessoa foi ao ponto de conceber diversas personalidades criadoras, em que ele se ia artisticamente ” multiplicando”.
Só é possível entender Fernando Pessoa, se se perceber que havia um Ortónimo, ele próprio e vários heterónimos, dele distintos, com características bem próprias e definidas, como Alberto Caeiro, Álvaro de Campos, Ricardo Reis e Bernardo Soares
Atribuir o ” Poema do Menino Jesus” ao ortónimo Fernando Pessoa não é exactamente o mesmo que atribui-lo ao seu heterónimo Alberto Caeiro.
Só um génio como Pessoa poderia desdobrar-se na crença em Deus ou na sua descrença.
Ele sempre foi um Pensador Livre, em todas as circunstâncias da sua produção lietrária e mudava de reflexões quantas vezes o seu ortónimo e os seus heterónimos assim desejavam.
Não perceber isso e confundir o ortónimo com os seus heterónimos,como fez LGR, é não ter a mínima noção de quem verdadeiramente foi o diversificado Pessoa
Só lembrando que Fernando Pessoa usava pseudo-personalidades. Era como se várias pessoas escrevessem. Tem que identificar o personagem-autor para tirar alguma interpretação.
Só lembrando que Fernando Pessoa usava pseudo-personalidades. Era como se várias pessoas escrevessem. Tem que identificar o personagem-autor para tirar alguma interpretação.
E às vezes dava-lhe para a estupidez, como neste caso, onde o português é ridículo.
Todo o texto é ridiculamente estúpido e incorrecto gramaticalmente, além de ilógico.
Com tantas coisas para citar, o LGR foi logo buscar este exemplo de estupidez, por que será?
Foi e não foi.
Entendido?
Pelos comentários acima, tanto pode ter sido o Fernando Pessoa como o Alberto Caeiro, como Álvaro de Campos ou, até, Ricardo Reis, que este sim, era capaz de escrever aquilo. Mas estou mais inclinado para o Álvaro de Campos.
É preciso ver que Fernando Pessoa não era ateu, mas já o mesmo não se pode dizer de Álvaro de campos.
Vale o que vale, mas cito dois apontamentos de um texto, do qual até discordo em vários outros pontos:
«A crença em Deus assenta em o que podemos chamar um acto de fé racional. (…) o ateísmo anda sempre ligado a duas qualidades mentais negativas — a incapacidade de pensamento abstracto e a deficiência de imaginação racional. Por isso, nunca houve grande filósofo ou grande poeta que fosse ateu.» Fernando Pessoa
Atenção, que isto não foi escrito por “heteronomia”, num poema. Foi um reflexão filosófica do Pessoa:
“Cristão gnóstico e portanto inteiramente oposto a todas as Igrejas organizadas, e sobretudo à Igreja de Roma. Fiel, por motivos que mais adiante estão implícitos, à Tradição Secreta do Cristianismo, que tem íntimas relações com a Tradição Secreta em Israel (a Santa Kabbalah) e com a essência oculta da Maçonaria.”
Trata-se sim da própria posição de Fernando Pessoa:
Ficha pessoal,intitulada no original “Fernando Pessoa”, dactilografada e
assinada pelo escritor em 30 de Março de 1935.
Fernando Pessoa [assinatura autografa]
Fonte: Cópia do original dactilografado e assinado existente na Colecção
do Arquitecto Fernando Távora.
In “Escritos Íntimos, Cartas e Páginas Autobiográfias”, Europa-América,
intr., org. e notas de António
QuadrosTexto – * O texto acima
reproduzido, “foi apresentado na integra … na Exposição da Biblioteca
Nacional de Lisboa, «Fernando Pessoa – O Último Ano», e “estava na posse
do arquitecto Fernando Távora, que o recebera de Alfredo Guisado, amigo
e companheiro de Pessoa no Orpheu”
“Como cristão gnóstico, Pessoa considerava Deus mais como símbolo do que
como objecto de fé, e um símbolo útil, um símbolo utilizável, se
quisermos, para reformar a sociedade dos seus tempos. Para os gnósticos,
Cristo é o logos, o intermediário racional entre o Deus e o homem,
sobretudo símbolo e mensageiro. Por isso se compreende que Pessoa
consiga misturar Ulisses com referência a um Deus cristão. Para ele,
ambos são símbolo de algo maior, símbolos de um destino a cumprir, que
se seguiu à fundação de Lisboa”
“O fascínio de Maria pelo Diabo é bem patente quando representado por Pessoa que,
como sabem, afirmou-se como “cristão gnóstico, e portanto inteiramente
oposto a todas as Igrejas organizadas e sobretudo à Igreja de Roma”
E por que razão eu tenho que acreditar que é
dele?
O que eu vejo é “Como cristão gnóstico, Pessoa
considerava Deus…”. Não se trata de uma posição pessoal mas de uma
análise da personalidade de outrem.
Esses documentos, de que falas,
fazem-me lembrar as relíquias da cruz de
Cristo que até tu criticas.
Nem quero falar de outro assunto conexo:
o elevado número de pessoas que dizem que são coisas que nem sabem o que é cada
uma dessas coisas. Muitos, neste diário, afirmam ser ateus e nem sabem o que
isso seja. A ignorância de determinados conceitos permite as pessoas imaginar
que são coisas, mas o seu discurso e a sua vida desmentem tudo o que afirmam
ser.
Fernando Pessoa tinha alguns problemas do foro “psicos”
e, analisando bem os eus escritos, não era tão culto como querem que ele seja,
nem sequer tão informado como alguns dizem. Mas isso é assunto que aqui não
interessa.
Quando alguém me diz que um amigo “era assim” e “até me deu isto que
prova o que digo”, eu desconfio sempre. Ou melhor, nunca acredito.
Trata-se sim da própria posição de Fernando Pessoa:
Ficha pessoal,intitulada no original “Fernando Pessoa”, dactilografada e
assinada pelo escritor em 30 de Março de 1935.
Fernando Pessoa [assinatura autografa]
Fonte: Cópia do original dactilografado e assinado existente na Colecção
do Arquitecto Fernando Távora.
In “Escritos Íntimos, Cartas e Páginas Autobiográfias”, Europa-América,
intr., org. e notas de António
QuadrosTexto – * O texto acima
reproduzido, “foi apresentado na integra … na Exposição da Biblioteca
Nacional de Lisboa, «Fernando Pessoa – O Último Ano», e “estava na posse
do arquitecto Fernando Távora, que o recebera de Alfredo Guisado, amigo
e companheiro de Pessoa no Orpheu”
“Como cristão gnóstico, Pessoa considerava Deus mais como símbolo do que
como objecto de fé, e um símbolo útil, um símbolo utilizável, se
quisermos, para reformar a sociedade dos seus tempos. Para os gnósticos,
Cristo é o logos, o intermediário racional entre o Deus e o homem,
sobretudo símbolo e mensageiro. Por isso se compreende que Pessoa
consiga misturar Ulisses com referência a um Deus cristão. Para ele,
ambos são símbolo de algo maior, símbolos de um destino a cumprir, que
se seguiu à fundação de Lisboa”
“O fascínio de Maria pelo Diabo é bem patente quando representado por Pessoa que,
como sabem, afirmou-se como “cristão gnóstico, e portanto inteiramente
oposto a todas as Igrejas organizadas e sobretudo à Igreja de Roma”
Aliás, a NOTA BIOGRÁFICA de Fernando Pessoa, onde ele explicitamente se confessa cristão gnóstico, aparece relatada na própria Casa de Fernando Pessoa como texto da sua autoria:
“Em qualquer espírito, que não seja disforme, existe a crença em Deus. Em
qualquer espírito, que não seja disforme, não existe crença em um Deus
definido.”
O Diário de uns ateus é o blogue de uma comunidade de ateus e ateias portugueses fundadores da Associação Ateísta Portuguesa. O primeiro domínio foi o ateismo.net, que deu origem ao Diário Ateísta, um dos primeiros blogues portugueses. Hoje, este é um espaço de divulgação de opinião e comentário pessoal daqueles que aqui colaboram. Todos os textos publicados neste espaço são da exclusiva responsabilidade dos autores e não representam necessariamente as posições da Associação Ateísta Portuguesa.
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24 thoughts on “Jesus Cristo”