Por exemplo, só podemos acreditar que o Futebol Clube do Porto ganhou o jogo com base na fé se não soubermos que isso aconteceu. Se soubermos que ganhou é porque temos provas disso e, portanto, não podemos ter fé.
(«O que é a fé?», no De Rerum Natura)Por exemplo, a igreja do castelo de Wittenberg, onde Lutero – que denunciou o comércio de relíquias no Traité Des Reliques – pregou as suas 95 teses tinha… 19013 relíquias (!). Do espólio de Wittenberg constavam vários frascos com leite da Virgem, palha da manjedoura onde a lenda coloca o nascimento de Cristo e mesmo um dos «inocentes» massacrados (sem registo histórico) por Herodes!
[…]Estes «bloody miracles» são fáceis de confirmar como fraudes centenárias bastando para isso que a Igreja de Roma ceda as supostas relíquias para análise, algo que me parece muito pouco provável. De facto, a Igreja considera […] não existirem problemas morais “na continuação de um erro que foi transmitido em boa fé por muitos séculos“» («Bloody Miracles», no De Rerum Natura)
Garcia de Orta permanece na Índia porque os seus receios se tinham entretanto concretizado e a Inquisição tinha sido estabelecida em Portugal […] lestamente deu início à expectável perseguição de cristãos novos e demais hereges, que atingiu duramente a família do cientista português. […]
Em 28 de Outubro de 1568, uns meses depois da morte do irmão, Catarina d’Orta foi presa pela Inquisição, condenada à morte pela fogueira, sentença executada em 25 de Outubro de 1569. Mas a Inquisição não estava satisfeita. Num auto-de-fé de 4 de Dezembro de 1580, Garcia d’Orta foi condenado post-mortem por judaísmo, os seus restos mortais foram exumados e os seus ossos queimados na fogueira.»(«Garcia d’Orta», no De Rerum Natura)
Não sei quem são, mas tiveram o descaramento de andar a distribuir propaganda religiosa à porta da escola da minha filha. Já enviei um email para a escola a pedir esclarecimentos. Fica aqui a transcrição:
“Exmos. Senhores,
Sou pai e encarregado de educação de uma aluna da E.S. Dona Luísa de Gusmão.
Hoje, 2 de Maio de 2007, a minha filha e educanda chegou a casa com uma publicação com o título “Novo Testamento, Salmos, Provérbios” que lhe terá sido distribuída à porta da escola quando terminou as aulas. Esta publicação religiosa é publicada e, aparentemente, distribuída por uma organização denominada “Os Gideões Internacionais”.
Gostaria que me esclarecessem os seguintes pontos:
1 – Este actividade de descarado proselitismo foi autorizada pela escola?
2 – A escola teve conhecimento desta acção?
3 – Não tendo sido autorizada pela escola e tendo a escola tido conhecimento tomou alguma atitude para suspender esta acção?
4 – Não tendo dado autorização nem tido conhecimento em tempo útil o que poderá a escola fazer no futuro para evitar semelhantes situações no futuro? É intenção da escola protestar junto da supra-citada organização?
Certos de que compreenderão a minha preocupação fico a aguardar uma resposta.
Com os melhores cumprimentos,
Helder Sanches”
(Diário Ateísta / Penso, logo, sou ateu)
Deus não é apenas uma criação infeliz de épocas remotas e violentos, é o insuportável algoz explorado pelos parasitas da fé.
Deus é um mito vingativo da felicidade humana, o ser misógino que a todos persegue e humilha, oprimindo particularmente as mulheres. É o demente que ameaça com penas apocalípticas a alegria e o prazer.
Entre pessoas que viajam de joelhos ou de rastos, prostradas em abjecta subserviência, emerge o mito vingador, o garoto birrento, o esbirro que aguarda um efémero momento de prazer humano para condenar o autor às perpétuas penas do Inferno.
O presidente do Irão é um sinistro devoto de Maomé, prosélito xiita que quer virar a humanidade para Meca e transformar as democracias em teocracias islâmicas. Pois até este biltre – Mahmud Ahmadinejad – foi criticado por um jornal islamita por ter beijado a mão à sua antiga professora, apesar da luva que a cobria.
É esta demência das religiões, a crueldade dos seus deuses e a intolerância dos clérigos que tornaram Deus o adversário da paz e da liberdade, um infame ao serviço das forças reaccionárias e avesso ao progresso.
A democracia nunca teve a simpatia das religiões e foi sempre em luta contra elas que os homens e mulheres se emanciparam. Das alfurjas das sacristias e dos antros dos templos brotam a intolerância, o medo e as guerras.

Neste estudo internacional sobre a percentagem de crentes e não crentes em cada país, Portugal encontra-se num assustador 43º lugar, com números muito semelhantes aos Estados Unidos e atrás de todos os seus parceiros europeus.
Mais importante do que entender as causas para tais resultados – embora também seja importante – é ganharmos consciência de que vivemos num dos países mais conservadores da Europa no que respeita à importância do papel que a religião desempenha na nossa sociedade. É por isso urgente provocar e espicaçar a sociedade de modo a contribuir para a alteração desta realidade.
Embora eu não seja um defensor da “evangelização ateísta”, a desmistificação da fé através da promoção da ciência e da divulgação do ideal secular deverá ganhar novos impulsos e perder a vergonha de ir à luta contra a ignorância e o ridículo.
A oposição clara a qualquer infracção à laicidade do Estado não é suficiente. Muitos aspectos da nossa vida não estão dependentes do Estado. Em cada um de nós, na nossa família, no nosso grupo de amigos, nos nossos colegas de trabalho, há sempre algo mais que pode ser feito. Fazer nada é contribuir para que também nesta matéria nos mantenhamos na tão familiar cauda da Europa.
(Diário Ateísta / Penso, logo, sou ateu)
O Diário de uns ateus é o blogue de uma comunidade de ateus e ateias portugueses fundadores da Associação Ateísta Portuguesa. O primeiro domínio foi o ateismo.net, que deu origem ao Diário Ateísta, um dos primeiros blogues portugueses. Hoje, este é um espaço de divulgação de opinião e comentário pessoal daqueles que aqui colaboram. Todos os textos publicados neste espaço são da exclusiva responsabilidade dos autores e não representam necessariamente as posições da Associação Ateísta Portuguesa.