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11 de Agosto, 2007 Carlos Esperança

O Vaticano e a sede de poder

A proposta do semanário britânico «Economist» para que o Vaticano abdicasse do estatuto diplomático e se transformasse em ONG foi mal recebida no bairro de 44 hectares que dá pelo nome de Santa Sé.

A prerrogativa de que o Estado do Vaticano goza, sem paralelo em qualquer outra multinacional da fé, é uma fonte de poder e um entrave a decisões humanitárias no combate à SIDA ou na defesa do aborto em situações de violação, incesto ou risco de vida para a mãe.

A definição de políticas de saúde da mulher e de contenção demográfica tem contado com a hostilidade e a intriga das sotainas, em promíscua aliança com o Islão, nos areópagos internacionais onde é constante a sua presença nefasta.

Assim, a sugestão do «Economist» era uma saudável medida de higiene internacional que o «ministro dos negócios estrangeiros» do Vaticano logo repudiou. Quanto maior for a pobreza e o desespero mais facilmente prospera a fé.

Surpreende a benevolência com que os Estados democráticos toleram a última teocracia europeia e o ditador de sapatinhos vermelhos. É tempo de uma desratização que afaste as sotainas dos centros de decisão política.

Os Estados comprometiam-se a não se intrometerem nos negócios da fé e as religiões a não se imiscuírem na política. A promiscuidade acaba mal. Como ensina a história.

9 de Agosto, 2007 Carlos Esperança

Bento 16 e os judeus

O Vaticano assegurou que a audiência que o Papa concedeu, no passado Domingo, ao director da emissora polaca Radio-Maryja – acusada de defender posições anti-semitas – não implica nenhuma alteração nas relações entre “católicos e judeus”.

Comentário: Finalmente o Vaticano tem razão. Não há alterações nas relações entre católicos e judeus. Os católicos sempre odiaram os judeus e o Novo Testamento é uma caixa de veneno sempre aberta ao anti-semitismo. São dois mil anos de ódio e perseguições.

9 de Agosto, 2007 Carlos Esperança

Adeus solidão (Crónica)

O padre Bernardo começou a desleixar-se no breviário, a falhar os mistérios do terço e a perder o fio à meada nas homilias. Valiam-lhe a fé e a ignorância dos crentes que apenas comentavam que passara do terceiro ao quinto mistério podendo frustrar os pios propósitos do terço: a conversão da Rússia e a longevidade dos governantes.

O latim parecia legítimo embora um seminarista tivesse dito aos pais que o padre mastigava o credo e se enredava na salve-rainha. Não o acreditaram, era heresia, podia lá enganar-se o oficiante! Não fora a musicalidade e o acto de contrição parecia igual aos responsos por um cristão que se finasse e às ladainhas com que invocava a Virgem e os santos.

O padre andava em desassossego, fervilhando desejos, castigado pelas hormonas, a sair de rastos das confissões, embevecido pela Joana Aragona, catequista que lhe engomava os paramentos, as camisas e o demais que fosse preciso e a melhor a ministrar a catequese.

Terá pensado confidenciar-lhe os desejos, misérias da carne, e fazer-lhe uma elegia, mas dissuadiu-o do poema o medo do escândalo ou o embaraço da rima e do desabafo o rigor do múnus. Não terá passado de amor platónico aquela cisma de quarentão. Doutro modo seriam diferentes a alegria, o nexo das homilias e as nódoas na batina.

Fechou-se em casa e quase só saía para o exercício do múnus: levar o viático, encomendar um finado ou ir à igreja para os actos litúrgicos; e esquecia-se de retribuir os bons-dias lhe dê Deus, Sr. Abade, com que era saudado enquanto ruminava, absorto, o desalento do celibato, que os paroquianos tomavam por distracção pia com orações ao divino Espírito Santo.

Às vezes, já ao final da tarde, o padre Bernardo ia conversar com o Sr. Jaime a quem alguns anos de seminário tinham imunizado da fé e arredado dos sacramentos. Batia ao portão e logo o cão saltava às grades e ladrava, enquanto o padre gritava: Ó Sr. Jaime!!!, Sr. Jaaaime!!! e, de dentro de casa saía o dono a dizer, entre, não tenha medo, Sr. Abade, o cão é castrado, mas o padre ficava nervoso. Que importava a castração a quem só lhe temia os dentes? Serenava quando via o animal açaimado, antes de lhe abrirem o portão.

Sentados a uma mesa de ferro, ficavam ali a conversar no corredor de pedra que separava a casa do quintal e das cortes dos animais.

A Ti Amália, logo que via o padre pedia-lhe a bênção, beijava-lhe a mão, e apressava-se a chamar a Luísa que corria a servir o patrão e o Sr. Abade, que se deliciava com o queijo de ovelha, o presunto, o pão centeio e uns copos de tinto que esvaziavam garrafas de vinho de boa colheita. A Ti Amália ia já nos oitenta anos, embora não tivesse certezas e, graças a Deus – como dizia -, o seu corpinho nunca vira água dos tornozelos para cima nem do pescoço para baixo, vaidade beata que gostava de proclamar. Talvez por isso estivesse dispensada da cozinha e destinada aos serviços externos.

A Luísa era outra louça. Deitava olhares provocadores ao padre e só a presença do patrão a coibia de outros atrevimentos, embora andasse com a cabeça no ar por um rapaz que lhe fez olhinhos na festa de S. Sebastião e que dançara com ela ao som da concertina do Zé Pinheiro, que animava os bailes da aldeia e era solicitado nas paróquias vizinhas.

Era uma moça dos seus vinte anos, demasiado tenra para o abade mas afoita, a dizer-lhe que o vinho sempre o aquecia, perante o sorriso cúmplice do patrão que recebia as visitas de todos os padres que passavam pela aldeia sem nunca as retribuir.

A Luísa era ladina e andava mortificada, esquecera-se do nome do rapaz, daquele do baile da festa de S. Sebastião, qualquer coisa terminada em ão – pensava ela –, e o mancebo chamava-se Cabral, José Cabral, de sua graça, em ão era o santo, e a Luísa nem queria acreditar como se confundira quando a Ti Amália lhe disse que o Cabral estava na aldeia e perguntara por ela.

Foi em tão má altura que chegou aos ouvidos da Luísa o nome daquele José que, momentos depois, o vinho errou o copo do padre e acertou na batina e ela, aflita, a limpar onde não devia, com o guardanapo molhado, e a insistir, sem se dar conta do sítio, da inutilidade da fricção nem do padre a dizer que não fazia mal, não tinha importância. Ela tinha a cabeça e as ânsias longe dali e o abade já tinha agasalhado a mucosa gástrica e atestado o buxo, privado que estava do aconchego de outras mucosas, mais por temor do escândalo que do Inferno.

O Sr. Jaime deu-se conta da agitação da Luísa e achou por bem dispensá-la, que fosse dar uma volta, a Amália ajuda e tira a mesa, e continuou à conversa com o reverendo que ainda se demorou dois cálices de vinho fino que, entretanto, veio acompanhado de bolos para enxugar o estômago e rematar a conversa.

A Luísa aproveitou a generosidade do patrão e esgueirou-se pela porta da adega, apressada em busca do encontro, quer ele se chamasse qualquer coisa terminada em ão, ou Cabral, as hormonas desprezam os nomes e os apelidos e as noites de lua cheia não reclamam que se pronunciem nomes.

A noite ia alta quando a Luísa, sorrateiramente, com os cabelos em desalinho e o vestido amarrotado, entrou por onde saíra e se dirigiu à alcova onde as estrelas continuaram a brilhar na escuridão do quarto, só para ela, e a face mimosa resplandecia de felicidade esquecida do jantar que não tivera.

Poucos meses passados o padre sumiu-se. Levou com ele, não a Joana Aragona que os anos mantiveram casta e devota, mas uma paroquiana mais nova e menos temente a Deus, a quem, entretanto, dera explicações para fazer o 5.º ano. Foi um burburinho na aldeia mas o gáudio compensou a privação temporária da assistência espiritual.

Não tardou que de Angola viessem notícias de uma criança nascida.

Jornal do Fundão, hoje.

8 de Agosto, 2007 Hacked By ./Localc0de-07

Demências teocráticas iranianas

Pessoas a divertirem-se é um dos muitos factores de ódio teológico, teologia de vento em pompa significa Direitos Humanos pelas ruas da amargura, álcool e convívio entre sexos opostos é pecado, convívio entre o mesmo sexo ainda mais. 230 pessoas foram detidas por beberem uns copos e conviverem, islão é paz, para já parece que nenhum dos detidos foi apedrejado até à morte. Esquizofrenia teológica bem patente na frase proferida pelo procurador público da cidade onde se realizou a festarola, “uma investigação está em curso e teremos um veredicto rápido contra os principais elementos desta organização satânica. Todos serão castigados.”. Brincadeiras dos deuses e é melhor ir afiando as pedras, escolhendo-as não muito grandes senão os apedrejados morrem logo e a orgia bárbara perde o interesse.

A teocracia islâmica não tem mãos a medir, num jornal apareceu um qualquer comentário alusivo a igualdades sexuais numa entrevista a uma poetisa, jornal banido. A poetisa de 50 anos, senhora de aspecto amável e simpático afinal será aos olhos teológicos uma revolucionária e uma cabecilha de uma máfia homossexual, religiões sempre lidaram bem com apedrejamentos, churrascos humanos, torturas insanas, mas pessoas armadas de papel e caneta… Teologia islâmica pacifica relativamente à energia atómica, com bombas atómicas mais paz conseguem, matar judeus aos molhos são momentos zen, já canetas livres são violentas e terríveis!

Notícia: 230 detidos por assistirem a concerto rock
Notícia: Irão fecha jornal após entrevista a homossexual

Também publicado em LiVerdades

7 de Agosto, 2007 Carlos Esperança

Ateísmo e tolerância

Face à deriva totalitária das religiões e à vocação fundamentalista, que não me cansarei de denunciar, é-me repetida com frequência a pergunta: «E não há fundamentalismo ateu»?

A resposta que tenho dado no Ponte Europa, o meu blog generalista, onde naturalmente mantenho a postura ateia, é afirmativa.

Claro que sou fundamentalista, tal como são fundamentalistas os vegetarianos ou os cientistas. Mas que mal vem daí ao mundo? Um ateu não quer que o Estado o seja e não prega o ateísmo. Já alguém assistiu à prédica de um ateu num púlpito, ao ensino ateísta numa madraça ou à convocação dos correligionários para rezarem pela conversão do mundo ao ateísmo? Seria imaginável que os ateus consagrassem Portugal ao ateísmo?

Do mesmo modo, um vegetariano não considera pecadores os que se babam de gozo com um bife, ovo a cavalo e molho tártaro. E não procuram converter os outros às delícias da soja e dos rebentos de bambu. Nem ameaçam com o inferno os assíduos comensais do leitão à Bairrada.

Também os cientistas não transigem sobre o estado da arte das ciências que dominam. Não aceitam que o Sol gire à volta da Terra, que cadáveres ressuscitem ou façam milagres, que uma rodela de pão ázimo contenha carne e sangue depois de consagrada ou que uma multiplicação possa ter vários resultados. São, pois, fundamentalistas.

E daí? Algum físico quis queimar quem nega a lei da gravidade? Algum astrónomo se enfureceu com quem nega o movimento de rotação da Terra ou quis condenar às penas perpétuas os que estão convencidos de que o Sol gira em torno da Terra?

Aliás, não é o fundamentalismo a lepra maior que corrói o coração dos crentes, é esse cancro maldito do proselitismo, a demência mística dos que querem promover a verdade única na única ideologia onde não há a mais leve suspeita de verdade – a religião.

A desfaçatez com que o ditador Rätzinger proclamou a religião católica como a única verdadeira é uma declaração de guerra a todas as outras pias mentiras que alimentam os parasitas de Deus com várias versões do mesmo embuste. É um convite à guerra santa.

7 de Agosto, 2007 Hacked By ./Localc0de-07

Cristo redentor e o mediatismo pindérico

Património mundial facilmente descambou para o mediatismo pindérico e para a demência desenfreada das corridas aos poderios económicos e superficialidades extremas baseadas nos conceitos mais profundos, supostamente de cultura, história, arquitectura e outras coisas que são excessivamente complexas para mentes religiosas onde cifrões e améns preenchem e abarrotam pensamentos e acções, revistas cor-de-rosa conseguem ter mais substrato que cristos redentores e suas missas on-line, tudo em favor do património mundial claro está, maravilhas do mundo tornadas em brinquedos de adultos de mentes infantis, maturidade essa nas contas bancárias.

Internet insultada pelo cristianismo, uns papas contra conteúdos, censuras são complicadas quando se fala em binários, nos 0´s e 1´s estão heresias diversas, podem ser loucos actos sexuais em vídeo ou uma frase simples a chamar besta a um qualquer clérigo, virtudes são muitas, on-line também se dão missas, a ver vamos se a internet não é uma dádiva dos deuses para evangelizações e islamizações, pouca sorte os deuses não entenderem binários, omnipresença pouco adianta, as coisas passam por eles rápido demais para tão lentos raciocínios.

Fiéis de todo o mundo poderão acompanhar a maravilha do mundo, um bocado de pedra-pomes boa para os calos, melhor para missinhas e outros negócios rentáveis, pena estragar tão bela paisagem natural. Cristianismo e natureza mesclam-se como azeite e água, cristo redentor é um calhau disforme e feio em tão sublime paisagem natural. Com missinhas estragam os sons da natureza, pássaros irão cantar para outras paisagens.

Notícia: Missas serão transmitidas do Cristo via Internet

Também publicado em LiVerdades e Ateísmos

6 de Agosto, 2007 Carlos Esperança

Ressurreição proibida

A China proíbe a ressurreição do Dalai Lama. Esperemos que não torne obrigatória a de biliões de chineses que se finaram.

Os países totalitários são os mais divertidos para quem vive em estados democráticos. Para os autóctones, como sabem os homens e mulheres da minha idade, é que as coisas se complicam e é grande o sofrimento. Portugal sofreu uma ditadura nacional-católica.

Proibir a ressurreição do Dalai Lama é como proibir os milagres obrados pelos santos criados por JP2 ou B16, o aparecimento da Virgem Maria nos locais destinados ao turismo religioso ou a aterragem do arcanjo Gabriel nos anjódromos da cristandade.

A ICAR proíbe o divórcio, o sexo fora do matrimónio, a apostasia, as uniões de facto, a homossexualidade e os preservativos, mas não se atreve a proibir a ressurreição de Jesus e, até, vive desse expediente. Quanto às proibições ninguém lhe liga nem lhe empresta lenha para novas fogueiras.

A legislação portuguesa proíbe a alteração da água em vinho e qualquer falsificação de alimentos, mas deixa viver o clero à custa de truques antigos e de embustes recentes.

Na China a ressurreição é levada mais a sério. Se nem o presidente Mao nem os mais ilustres mandarins têm a ressurreição autorizada, por que motivo havia de ser autorizada a do Dalai Lama?

Mas proibi-la???

6 de Agosto, 2007 jvasco

Ateísmo na Blogosfera

  1. «No caso dos hindus, existe um sistema de castas e aqueles que pertencem à casta inferior (os dalits, […]) não podem tocar nos membros de outras castas, nem na água, instrumentos ou lugares que acedem (nem sequer os templos). É como se tivessem uma doença grave altamente contagiosa (é isso que parece significar ser impuro). Chega ao ponto de as sombras serem consideradas um meio de transmitir impurezas.
    Um senhorio disse sobre os seus servos dalits (que limpam os excrementos humanos e animais no chão): «Como posso deixá-los entrar na minha casa? Falamos com eles e damos-lhes o que precisam lá fora» … «Há uma enorme diferença entre mim e eles que remonta há muitos anos atrás. Eles são pequenos e sujos. Pertencemos à casta elevada e eles à mais baixa. Como podemos socializar com eles? Trabalham, damos-lhe o nosso dinheiro e desaparecem. Não falamos muito com eles.» Usou como ilustração os dedos (como as parábolas), que não são todos iguais, e justifica o tratamento e desprezo pelos dalits com a tradição: “sempre foi assim”
    »(«Intocáveis em nome da tradição», no Crer Para Ver)
  2. «Mas concordo com a preocupação do Carlos Pinto. É infundada neste caso, porque uma manifestação por ano não vai ter grande efeito na criança. Mas preocupava-me se fosse todos os domingos. Se os pais convencessem os filhos que há um grande Gay no céu a vigiá-los constantemente. Se, do púlpito, um representante do omnipotente Gay ameaçasse com sofrimento eterno meninos e meninas que sequer sentissem atraídos pelo sexo oposto. Se todos os dias rezassem a este Gay, se todos à sua volta falassem Dele como se existisse. Aí concordava com o Carlos que isto era mau para as crianças. Não por fazer fosse o que fosse à sua orientação sexual, mas pelo sofrimento desnecessário que estes disparates lhes iriam causar por toda a vida.»Muito grave…», no Que Treta!)
  3. «Sir David Attenborough não defende a violência. Não é racista, não discrimina as mulheres. E quando se mete na vida dos outros é só para nos mostrar como é, não para lhes dizer como deve ser. Apesar destes defeitos o canal evangélico Holandês Evangelische Omroep (EO) transmitiu a série «The Life of Mammals». Mas Attenborough tinha ido longe demais. Nesta série, o conhecido naturalista mostra a natureza como ela é. Não pode. A EO teve que intervir.»(«David Attenborough Censurado», no Que Treta!)
5 de Agosto, 2007 Carlos Esperança

Religião sim, terrorismo não

A rede terrorista Al-Qaeda, por meio de um americano convertido ao islamismo, ameaçou em um vídeo divulgado na internet neste domingo atacar as embaixadas e consulados ocidentais de todo o mundo, particularmente na região do Golfo.

A alegada bondade das religiões e o espírito pacífico do Islão não resistem à letra e ao espírito dos livros sagrados nem ao historial sangrento das guerras religiosas. Não foi à clarividência dos exegetas que ficou a dever-se a interpretação benigna da Bíblia, foi à Reforma, ao Iluminismo e à Revolução Francesa. Onde o poder eclesiástico se consegue impor mantêm-se constrangimentos autoritários de sabor medieval, seja em Timor, nas Filipinas, na Polónia ou na América do Sul.

O proselitismo demente do protestantismo evangélico americano tanto pode conduzir ao assassínio de médicos e enfermeiros de clínicas de aborto como à invasão do Iraque.

O que modera a agressividade dos desvarios da fé é o Estado de direito e a laicidade. No dia em que a religião, qualquer religião, dominar o aparelho de Estado, a democracia vai de férias e instala-se a teocracia. Não se pode esquecer que os Estados modernos foram erguidos contra o poder da Igreja. A Itália só existe porque os patriotas não temeram a excomunhão nem os exércitos papais.

O Islão não teve, infelizmente, a sua reforma. Nas madraças começa a fanatização das crianças e nas mesquitas apela-se ao ódio e à guerra santa, com os crentes de joelhos e virados para Meca.

Não há no Islão lugar para o agnosticismo e a vida, a laicidade e o pescoço, a liberdade de pensamento e o direito de existir. O medo, o constrangimento social e o aviltamento da mulher acompanham a decapitação, as vergastadas públicas e a lapidação que os clérigos imaginam extasiar o Profeta e cumprir a vontade de Deus.

Os países de mais sólidas raízes democráticas são herdeiros do direito romano que tem características civilistas, enquanto o direito helénico é de natureza política e o árabe de raiz teocrática.

As repetidas ameaças da rede terrorista Al-Qaeda são incompatíveis com a benevolência com que a Europa assiste à pregação do ódio nas mesquitas.

Respeitar e defender o direito à religiosidade, à arreligiosidade e, mesmo à anti-religiosidade é igual ao dever de vigiar, deter e fazer julgar pelos tribunais quem incite ao ódio, à violência e à xenofobia. Trata-se de fazer cumprir a lei e as constituições dos países democráticos, a começar pelas religiões que se julgam com direitos especiais.