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1 de Abril, 2008 Mariana de Oliveira

Tudo sereno

A encenação d’ «Os Versos Satânicos» foi considerada «pura provocação» à comunidade muçulmana por muitos religiosos, mas a estreia não provocou as reacções violentas que muitos receavam.

O escritor Bahman Nirumand descreveu as produções como «equipamento bélico psicológico» sob a aparência de liberdade artística, que apenas servem os mais radicais. «Posso garantir que os fundamentalistas devem estar muito contentes», afirmou, na rádio alemã.

A estreia d’ «Os Versículos Satânicos», no teatro de Potsdam, foi escoltada por um forte aparato policial embora não tenham ocorrido quaisquer incidentes.

A comunidade muçulmana residente do país decidiu ignorar o acontecimento e houve até quem dissesse que «insultar o Islão» era apenas mais uma forma de atrair audiências.

O encenador da peça, Uwe Laufenberg, afirmou que a obra não pretende atacar o Islão ou causar algum tipo de controvérsia, mas sim celebrar um livro fundamental na história da literatura moderna.

«Espero que seja uma chance para se perceber do que realmente trata a narrativa», declarou. «A história da obra de Rushdie é sobre unidade e não contra ninguém».

Fonte: Sol, 31 de Março de 2008.

1 de Abril, 2008 Mariana de Oliveira

Versão 2.0

Numa entrevista, a propósito da Semana Santa, monsenhor Marcony Vinícius Ferreira, braço direito do arcebispo de Brasília, João Braz de Avis, propôs métodos revolucionários para passar a palavra da fé entre uma juventude «cada vez mais apática».

«Jesus usaria a internet, assim como o Papa usa o telefone celular, todos os meios onde a sua palavra pudesse chegar», disse.

Há pouco mais de dois mil anos, Jesus «entrou em Jerusalém num Domingo de Ramos montado num burro, que era o ‘Omega 2.0’ de hoje», acrescentou Marcony, referindo-se a um modelo automóvel que a norte-americana General Motors deixou de fabricar no Brasil em 1998.

«Jesus foi à casa de homens ricos como Zaqueu, Mateus e Simão. Este ofereceu-lhe um jantar fabuloso. Foi à casa de pobretões como Marta, Pedro e outros. Jesus se aproveitaria dos espaços oferecidos para interagir. Iria ao Congresso Nacional, ao Maracanã. Onde Ele pudesse conversar com o povo, ser ouvido, Ele iria», assegurou o religioso, perguntado sobre se Cristo aceitaria um convite para um churrasco.

Fonte: Sol, 21 de Março de 2008.

31 de Março, 2008 Ricardo Alves

A chária já é aplicada na Europa

Há muitas pessoas que se preocupam, com alguma razão, com a possibilidade de a chária (lei islâmica) vir algum dia a ser aplicada em países europeus. Todos estamos recordados das recentes declarações do arcebispo de Cantuária (Reino Unido), sugerindo que alguns aspectos da chária fossem implementados para a população muçulmana da Inglaterra em assuntos de finanças ou família.

Acontece que a chária já é aplicada, legalmente, num Estado da União Europeia. Concretamente, na Grécia.

Dizer que a Grécia tem o regime mais retrógrado e clerical da União Europeia é dizer pouco. Para além de ter uma Igreja de Estado, protegida constitucionalmente, com poder de veto sobre a construção de locais de culto não-ortodoxos, a Grécia tem ainda esse duvidoso privilégio de conter dois territórios que só fazem parte da UE no papel: o monte Athos (governado por monges) e a Trácia oriental, o único território da União Europeia onde a chária é aplicada.

A UE, que se dedica a harmonizar tanta coisa e a interferir em tantas áreas da vida das pessoas, poderia bem «harmonizar» os direitos das mulheres na UE, pondo fim à vergonhosa aplicação da chária no território europeu de um dos seus estados-membros, com o seu cortejo de casamentos forçados, casamentos (perfeitamente legais, note-se) de raparigas de 12 anos, divórcios que são um direito do marido mas não da mulher, e poligamia, tudo gerido por tribunais islâmicos com muftis nomeados pelo Estado que decidem em assuntos de casamento, divórcio e tutela de crianças de acordo com a lei islâmica. Na Trácia Oriental, sujeitos a estas regras medievais, vivem 100 000 cidadãos (e cidadãs) da União Europeia. As vizinhas turcas destas «cidadãs» gregas muçulmanas gozam de direitos de cidadania mais igualitários.

31 de Março, 2008 Ricardo Alves

Lucidez

  • «(…) o sistema de valores que consideramos como o nosso corpo doutrinal não é aquele que a maioria da sociedade portuguesa assume» (Carlos Azevedo, bispo da ICAR)