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13 de Fevereiro, 2011 Ricardo Alves

Tunísia: um bom sinal e um bom precedente

A revolução tunisina, neste momento, já entrou na fase constituinte: discute-se qual dever ser o figurino do regime que virá.

Não é por acaso que se discute a laicidade (ver aqui, por exemplo). E a Tunísia, ao contrário de outros países árabes, tem um passado de afirmação da laicidade. Veja-se, no filme de baixo, o gesto arrojado do primeiro presidente da Tunísia, Bourguiba, há meio século atrás.

Bourguiba proibiu a poligamia, autorizou o divórcio e legalizou a IVG. Mais importante, promoveu fortemente o ensino público gratuito, obrigatório e não religioso. Em 1964, bebeu um sumo de laranja em público, em pleno Ramadão (desafiando, portanto, um interdito religioso). Foi deposto por Ben Ali em 1987.

13 de Fevereiro, 2011 Ricardo Alves

Egipto: um bom sinal

Fala um jovem egípcio.

  • «Ninguém simpatiza com os partidos religiosos. Se as pessoas querem fazer orações, vão à mesquita. Mas não queremos que ninguém nos diga o que devemos fazer na nossa vida. E também não aceitamos que nos peçam para sofrer nesta vida, porque seremos felizes na outra, depois da morte. Nós queremos aproveitar a vida agora.» (Público)

Esperemos que seja representativo do sentir geral.

11 de Fevereiro, 2011 Ludwig Krippahl

Como é que sabem?

O mês passado foi lançada uma aplicação para o iPhone para facilitar as confissões aos católicos. Tem menus fáceis de navegar, cobre os pecados mais frequentes e estipula as penitências apropriadas. Foi elaborada em colaboração como Padre Thomas Weinandy, do Secretariado para a Doutrina e Práticas Pastorais da Conferência de Bispos Católicos dos EUA, e teve o Imprimatur do Bispo Kevin Rhodes, da diocese de Fort Wayne. Segundo o National Catholic Register, já fazia falta uma aplicação séria para confissões electrónicas, contrapondo a «ofensiva aplicação Penance que saiu em Dezembro e que faz troça da Igreja»(1). O abençoado programa «providencia um exame de consciência personalizado, protegido por uma palavra passe, e um guia passo-a-passo para o Sacramento».

Infelizmente, e apesar de dizerem abraçar os novos meios de comunicação, o Vaticano torceu o nariz. Segundo o porta-voz Federico Lombardi, «é essencial perceber que os ritos de penitência exigem um diálogo pessoal entre penitentes e confessor. Este não pode ser substituído por um programa de computador.»(2)

A dúvida que isto me suscita é como conseguiram determinar que o padre é um confessor mais eficaz que o computador. Presumivelmente, quem absolve os pecados é Deus, e não o padre. E, segundo dizem, Deus sabe o que vai no coração de cada pessoa. Por isso, se alguém declara os seus pecados, os expõe à sua consciência e se arrepende deles com sinceridade, Deus devia ser capaz de perdoar mesmo pelo iPhone. Jesus, por exemplo, nunca rezava com padres, e contam que veio cá ensinar as pessoas a falar com Deus. Também não me parece que a Bíblia seja clara acerca do papel do iPhone nas confissões, e duvido ter havido tempo para o Vaticano executar um estudo de eficácia confessional, devidamente controlado e com uma amostra representativa de pecadores, para apurar as vantagens e desvantagens do iPhone.

Mais uma vez, parece que tudo converge no factor comum a estas tretas. Não é a fé, nem a religião, nem tão pouco a “espiritualidade”, o que quer que isso seja. É algo muito mais terra-a-terra. É o tacho.

1- NCRegister, First iPhone App to Receive an Imprimatur
2- Daily Mail, You can’t confess to your iPhone: Vatican bans £1.19 app for Catholics. Via Boing Boing

Em simultâneo no Que Treta!

11 de Fevereiro, 2011 Eduardo Patriota

Já que o deus cristão não permite aborto…

Recém-nascido é encontrado dentro de bolsa em Igreja Evangélica.

Um bebê de aproximadamente uma semana de vida foi encontrado dentro de uma bolsa, no banheiro da igreja evangélica Deus e Amor, na Rua da Conceição, no Centro do Rio de Janeiro. De acordo com policiais do 5º BPM (Harmonia), que atenderam a ocorrência, a criança estava dentro de uma bolsa fechada e foi encontrada pela aposentada Ruth Gabriel, de 66 anos.

Segundo a aposentada, por volta do meio-dia, após um culto, ela foi até o banheiro e viu a bolsa ao lado da lixeira. Quando pegou a bolsa para tentar encontrar a dona, sentiu que a bolsa estava muito pesada. Ela resolveu abrir e viu o bebê dormindo. Na bolsa ainda tinha um pacote de fraldas.

Recém-nascido é encontrado dentro de bolsa em Igreja Evangélica

11 de Fevereiro, 2011 Raul Pereira

Gráfico

Poder de Deus através dos tempos
10 de Fevereiro, 2011 Carlos Esperança

Mudanças no mundo árabe

São tão profundas as modificações que se adivinham no mundo árabe que é impossível o regresso ao passado. As alterações da região apanharam o mundo de surpresa. Nem os EUA, nem a Europa, nem os próprios regimes se deram conta da pressão social que teve a primeira explosão em Tunes e percorreu o mundo árabe, com particular veemência no Egipto.

Os árabes são o único povo que no seu conjunto nunca conheceu a democracia. É difícil saber a dimensão das alterações produzidas pela globalização e a influência do turismo, mas não é difícil adivinhar a revolução dos costumes que o contacto com outros povos e o acesso à Internet vieram provocar.

A região nunca mais será a mesma. Resta saber se a religião permanece inalterável e as mesquitas e madraças não se sobrepõem ao cosmopolitismo e ao saber universitário.  O vice-presidente egípcio já ameaçou pôr termo às manifestações numa tentativa de salvar o regime e o próprio Mubarak, que ainda mantém o poder, com o único sacrifício da herança dinástica que reservava para o filho.

O facto de ser a primeira vez que cristãos, muçulmanos, livres-pensadores, mulheres e jovens se unem numa aspiração comum – o derrube da ditadura –, pode ser o prenúncio de uma convivência que não seja vigiada pelas mesquitas e pela polícia e converter a Praça Tahrir no símbolo da liberdade árabe.

Apesar do perigo islâmico, da instabilidade que afectará a própria Europa e da extensão das convulsões árabes, vale a pena apostar nesta revolução de natureza democrática.

Sabemos que o petróleo e a religião são uma mistura explosiva.  Resta saber se vencerá a onda democrática em curso, como a que varreu os países da Europa do Leste, após a queda da URSS, ou o retrocesso violento como o que substituiu o execrável Xá do Irão por uma abominável teocracia.

9 de Fevereiro, 2011 Carlos Esperança

Egipto – Braço de ferro já começou

O vice-presidente egípcio, Omar Suleiman, avisou hoje que “não é possível tolerar” a continuação dos protestos na praça Tahrir por muito mais tempo.

Durante um encontro com jornalistas independentes, reportado pela agência noticiosa estatal MENA, Suleiman afirmou que a crise deve acabar o mais depressa possível, o que significa um crescente sinal de impaciência do regime com as manifestações, que duram há 16 dias.

8 de Fevereiro, 2011 Ricardo Alves

Cientologia: a pior religião do mundo?

A Igreja da Cientologia é fascinante. Porque não há nada que os cientologistas façam de criticável que não seja praticado, em maior ou menor grau, por outras comunidades religiosas. O génio de Hubbard (e é esse o lado fascinante da cientologia) consistiu em seleccionar todos os piores aspectos de cada uma das centenas de organizações religiosas do mundo, juntá-los e exacerbá-los. O resultado é uma organização que, embora ridícula, é perigosa para os seus membros (e para a sociedade em geral, se algum dia tentarem meter-se na política).

Vejamos como todas as práticas cientologistas consideradas «questionáveis» existem noutras comunidades religiosas:

  • Cobrar dinheiro aos seus membros (todas as comunidades religiosas o fazem, mas as mais notórias são as mais exigentes, como o Opus Dei e a IURD);
  • Garantir ter encontrado o segredo do que se segue a «esta vida» e uma forma de ser «salvo» para outra vida (todas as religiões, com uma ou outra excepção aparente);
  • Manter as pessoas numa «redoma», evitando que recebam informação do «mundo exterior» (censura religiosa em Estados islamistas, comunidades segregadas com escolas próprias…);
  • Recrutamento de crianças (muitas igrejas cristãs baptizam bebés, «nasce-se» muçulmano);
  • Corte de relações com os apóstatas (por exemplo, os Amish e certos judeus ortodoxos);
  • Prometer que se melhora a vida pessoal de cada convertido (inútil dar exemplos);
  • Crítica violenta dos dissidentes (alguns hereges acabaram nas fogueiras católicas, e na Arábia Saudita, teoricamente, ainda podem ser mortos);
  • «Retiros espirituais» em que as pessoas ficam isoladas da família e amigos durante semanas e privadas de conforto (budistas, hindus, ordens religiosas católicas, etc);
  • Captar celebridades, estrelas do cinema ou da música ligeira (há muitos exemplos);
  • Extrair confissões sobre assuntos íntimos, eventualmente usadas para chantagem, humilhação ou controlo (a confissão católica é célebre por colocar em causa o segredo familiar);
  • Ter crenças ridículas (…).

(Verifica-se assim que a Igreja da Cientologia não é essencialmente diferente das outras Igrejas. Só é mais completa.)

Seria liberticida imaginar leis para combater a Cientologia. E seriam atingidos, fatalmente, outros movimentos religiosos. Como qualquer outro mal social, a Cientologia só marginalmente se combate com leis. Combate-se principalmente, tal como a toxicodependência, a homofobia ou o sexismo, pela denúncia e pelo exemplo.

O site Xenu.net continua o seu longo trabalho de reunir material crítico sobre a Cientologia. Recomendo também este artigo recente, muito completo.

8 de Fevereiro, 2011 Carlos Esperança

O Islão é pacífico…

Extremistas indonésios atacam três igrejas e lincham seguidores de uma minoria islâmica

Os ataques dos últimos dias revelam o crescente protagonismo dos grupos integristas no país com maior população muçulmana do mundo.

Uma horda de muçulmanos extremistas incendiaram duas e saquearam outra no centro da ilha de Java (Indonésia), enfurecidos por entenderem que um tribunal decretara uma pena demasiado leve a um cristão condenado por blasfémia, segundo a polícia.

O incidente aconteceu dois dias depois de outra turba ter linchado a três homens da seita islamista ahmadi, considerada herética, um facto que provocou críticas à passividade do Governo do país com a maior população muçulmana do mundo, após difusão das cenas do brutal ataque na televisão.

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AGENCIAS / EL PAÍS – Yakarta / Madrid – 08/02/2011