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29 de Abril, 2011 Ricardo Alves

O estado mundial da crença

Segundo uma sondagem IPSOS, 51% da população mundial acreditará numa «entidade divina», enquanto 18% serão ateus e 17% agnósticos. 51-35 não é um mau resultado, se tivermos em conta que a sondagem incluiu apenas 23 países. Aliás, é significativo que os Estados com maiores percentagens de crentes sejam a Indonésia (93%), a Turquia (91%), o Brasil (84%), a África do Sul (83%) e o México (78%), enquanto os Estados com maior percentagem de ateus são a França (39%), a Suécia (37%), a Bélgica (36%), o Reino Unido (34%), o Japão (33%) e a Alemanha (31%). O ateísmo aparece correlacionado com a literacia, o conforto social e níveis baixos de violência e criminalidade. (O Extremo Oriente, curiosamente, parece ser um bastião do agnosticismo, com percentagens de 54% no Japão, 52% na China e 50% na Coreia do Sul; uma cultura indiferente à «crença»?)

A mesma sondagem aponta maior percentagem de evolucionistas do que criacionistas: 41%-28% (31% «não sabem»).

28 de Abril, 2011 Luís Grave Rodrigues

Blasfémia

25 de Abril, 2011 Luís Grave Rodrigues

Oração

23 de Abril, 2011 Ludwig Krippahl

Treta da semana: alternativas.

Não me parece que haja boas opções para ultrapassar esta crise de dívida pública e, principalmente, privada. O Louçã diz que se pode usar fundos daqui e dali, e ele percebe mais disto do que eu, mas suspeito que não temos que chegue para tapar o buraco que os últimos governos escavaram, e ainda menos para o buraco criado pelos bancos, especuladores e “empreendedorismos” do género. Só me oponho à intervenção do FMI e do BCE porque me parece evidente que mais dívidas só vão agravar o problema. O default é inevitável. É preferível admiti-lo agora, enquanto o Estado ainda tem dinheiro para funcionar, negociar e controlar a derrocada, do que depois dos primeiros credores levarem o dinheiro que resta e, além de tesos, estivermos a levar com um “estímulo económico” como o que o FMI tem dado à Irlanda e à Grécia.

Mas no Portal Evangélico descobri outra forma de lidar com o problema. Foi um plano simples, como aliás estas coisas tendem ser, executado no domingo passado:

«Que em cada igreja, em cada casa, seja separado o dia 17 de Abril para um tempo de oração em jejum em favor da nossa Nação, das autoridades, da Igreja, das famílias e das pessoas em particular principalmente àquelas que neste momento mais sentem as dificuldades financeiras que afectam a vida emocional e afectiva pessoal e familiar, como é o caso dos desempregados de longa duração, os reformados e os trabalhadores de menores rendimentos.

Esta é a oração de Davi, pedindo paz para a cidade: “Haja paz dentro de teus muros, e prosperidade dentro dos teus palácios” (Salmos 122:7). Devemos pedir ao Senhor que coloque um muro de protecção em volta de cada lar, e da Igreja. […E]nquanto as autoridades terrenas têm tentado impedir que os conflitos continuem, a autoridade instituída por Deus na terra, que é a Igreja do Senhor, tem por intermédio da oração e também de acções práticas o poder para impedir que esta destruição continue e aumente repreendendo e resistindo a esses principados.»(1)

Infelizmente, parece que nem a intervenção do Nosso Senhor Jesus Cristo foi capaz de acalmar os mercados. Não se sabe quantos títulos de dívida pública Deus terá comprado, mas é evidente que não chegou para baixar as taxas de juros. E resta uma questão fundamental. O texto não esclarece se o BCE poderá aceitar euros de milagre como moeda legítima ou se irá processar, por contrafacção, o Criador, o Seu Filho e o Conselheiro Espiritual de ambos.

Este plano mostra também uma diferença entre os cristãos evangélicos e os católicos. Enquanto os primeiros querem negociar uma recapitalização de milhares de milhões de euros em troca de um dia de jejum e rezas, os últimos limitam-se a pedir. E vão mais longe. Nesta sexta-feira, a propósito da celebração do sacrifício de Jesus – torturado e morto pelos nossos pecados num acto inefável de amor e justiça – o Papa aproveitou para pedir, já agora, que Jesus fizesse também «com que morra dentro de nós o homem velho ligado ao egoísmo, ao mal e ao pecado.»(2) Uma excelente ideia, que só peca por não lhes ter ocorrido dois mil anos mais cedo.

É claro que os cristãos que se consideram sofisticados não acreditam que Jesus intervenha nos mercados financeiros ou que altere a maneira de ser das pessoas tirando um egoísmo a este, um mal àquele ou um pecado ao outro. O deus do crente sofisticado age sem intervir no espaço de liberdade de um universo em constante criação e auto-descoberta, numa relação do Outro com o Eu e do Eu com o Outro, em plena dádiva de si e outras coisas que não deixem qualquer vestígio, não vá alguém lembrar-se de testar estas alegações.

Mas, como P. T. Barnum dizia, é preciso haver coisas para todos os gostos. Se as massas associativas se revêem nestes pedidos, intercessões e trocas de favores, é razoável que a sofisticação da crença fique reservada apenas para algumas discussões mais filosóficas.

Pena, pena, é que a treta não pague imposto…

1- Portal Evangélico, CONVOCAÇÃO À IGREJA PARA UM DIA DE ORAÇÃO E JEJUM PELA NAÇÃO
2- Jornal Económico, Papa pede o fim do “homem velho ligado ao egoísmo”

Em simultâneo no Que Treta!

23 de Abril, 2011 Luís Grave Rodrigues

Esclarecimento

O «Diário Ateísta» é um blogue colectivo.

E como é também um blogue livre, tem como “estatuto editorial” que cada um dos seus membros escreve e publica aquilo que muito bem lhe dá na real gana.

Por isso mesmo, os textos, os comentários, as imagens e os cartoons que são publicados no «Diário Ateísta» vinculam e responsabilizam somente o seu autor individualmente, sem que isso signifique que os restantes membros do blogue com eles concordem ou sequer que com eles se identifiquem, individual ou até colectivamente.

Amém.

21 de Abril, 2011 C. S. F.

Grande Cisma do Ocidente, Cisma Papal ou Grande Cisma – III

Parte III

3 PAPAS, DOIS EM ROMA, UM EM AVINHÃO

Gregório XII, papa de Roma de 1406 a 1415. Prometeu acabar com o cisma, mas não o fez.
Em 21 de Setembro de 1407 o papa Bento XIII e o futuro Gregório XII marcaram um encontro em Savona, mas só o primeiro compareceu. O segundo fê-lo esperar muito pretextando a ocupação de Roma e os seus assuntos internos.

Então, nove cardeais de Gregório desertaram e negociaram com os de Avinhão em total desobediência aos dois papas. Realizaram um concílio geral com alguns cardeais de Avinhão em Pisa, em 25 de Março de 1409. O Concílio Pisano, visava a extinção do Grande Cisma do Ocidente. Participaram o arcebispo de Lisboa, João, o bispo de Lamego e mais dois teólogos portugueses.
Eram cerca de 500 clérigos, bispos, seus delegados, abades, capítulos de catedrais e universitários reuniram uma assembleia na cidade de Pisa que condenou os papas, os destituiu por serem hereges e elegeram Alexandre V como papa legítimo que faleceria um ano depois.

Decidiram depor os dois papas em 5 de Junho de 1409. Condenaram o papa Benedito XIII de Avinhão e Gregório VII de Roma e elegeram Alexandre VI que reinou de 1406 a 1410. Foi papa com outros dois, um de Avinhão, um de Roma, tendo estes dois últimos recusado demitir-se.

Papa Alexandre VI de Roma de 1406 a 1410. Eleito no concílio de Pisa, em substituição dos dois existentes, que se recusaram a acatar e decisão. Coexistiu com mais dois papas, um de Avinhão, um de Roma!
Passeava em Pisa num burro branco, vestido de papa.
Famoso glutão. Passava o tempo a comer, servido por quatrocentas mulheres (?).
Excomungou os outros dois papas e estes excomungaram-no.
Reconvocou o concílio de Constança e em seguida abdicou.

Os papas tentaram subornar-se, espiar-se, enganar-se e matar-se uns aos outros, com auxílio de espiões, assassinos e mercenários.

Bento XIII ficou como único papa e foi ordenado cardeal, bispo do Porto, em Portugal.

João XXIII, antipapa de 1410 a 1415. Por morte de Alexandre V de Pisa, foi eleito Baltazar Cossa, nobre empobrecido, pirata napolitano e praticante de ”luxúrias antinaturais”, com o nome de João XXIII, antipapa de Pisa (não confundir com João XXIII dos tempos recentes, de Roma).
Estudou direito. Bom para os negócios. Vigarista. Descarado e libertino. Guloso e devasso, tinha relações sexuais mesmo com duas irmãs.
Pouco depois da entronização entrou em guerra com o rei de Nápoles, foi derrotado. Refugiou-se em Florença, onde instalou a cúria.
Contava com o enérgico apoio do imperador alemão Segismundo da Hungria que detestava os franceses e os romanos
Tornou-se, depois de ser papa, tesoureiro papal do papa romano Bonifácio IX.
Usou o suborno e prostitutas controladas por si para dominar as pessoas. Sedutor de mulheres às centenas, cobrava imposto às prostitutas, condenava facilmente pessoas à morte. Perseguiu e bateu nos judeus. Mutilava os cardeais. Era jogador.
Matou numerosas pessoas em Bolonha.
Destituído pelo Concílio de Constância, por ateísmo, corrupção, incesto, adultério, corrupção e homicídio.
etc., foi preso na Baviera, mas comprou a sua liberdade, regressou a Itália onde viveu sumptuosamente em Florença, por cortesia do seu amigo banqueiro Cosimo de Médici.
Morreu em 1419 sem ser papa, mas era bispo na altura. Donatello concebeu-lhe o túmulo no baptistério octogonal da Catedral de Florença.
No século XX houve outro papa como mesmo nome para disfarçar os actos deste.
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20 de Abril, 2011 Ricardo Alves

Viva Afonso Costa!

A Lei de Separação da Igreja do Estado completa hoje cem anos. Se ainda estivesse em vigor, não deveriam existir «empregos» de capelão no funcionalismo público, subsídios das autarquias à construção e manutenção de igrejas (muito menos a missas campais ou a peregrinações), lugares de professor na escola pública por nomeação da ICAR ou outras igrejas, crucifixos e outros símbolos religiosos em serviços públicos, uma Comissão de Liberdade Religiosa que hierarquiza as comunidades religiosas, uma Concordata que garante o reconhecimento civil das associações canónicas, devolução do IVA para a ICAR e outras e mais isenções fiscais para as igrejas, políticos a convidarem padres para benzer as «obras feitas» e «mensagens de natal» do Policarpo na televisão pública.
Faz-nos falta Afonso Costa. Leia-se a sua carta no site da Associação República e Laicidade, em que explica a Lei de Separação.

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