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7 de Julho, 2011 Carlos Esperança

Saudação aos leitores

Há cerca de 3 meses interrompi a minha colaboração neste blogue por razões que devo explicar aos meus leitores.

Antes, porém, quero agradecer aos meus colegas que mantiveram vivo este espaço de diálogo.

Após uma operação de urgência à vesícula biliar surgiu-me uma pneumonia dupla provocada por uma obstinada bactéria hospitalar – pseudomona multirresistente – que me enviou para os cuidados intensivos onde estive 52 dias de coma. Perdi massa muscular com os 16 quilos de peso e tem sido lenta a recuperação.

Espero regressar assiduamente ao vosso convívio dentro de dois meses, talvez ainda débil fisicamente mas firme nas convicções de sempre. Estou certo de que vale mais a persistência dos médicos do que a infinita bondade de qualquer deus.

A todos saúdo com estima.

6 de Julho, 2011 Eduardo Patriota

Primeira campanha ateísta do Brasil é lançada em Porto Alegre

Porto Alegre se tornou nesta terça-feira (5) a primeira capital brasileira a exibir outdoors de uma campanha de mídia sobre ateísmo. A iniciativa é da Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos e já havia sido recusada no final do ano passado pelas companhias de ônibus de São Paulo, Salvador, Florianópolis e Porto Alegre.

As peças são polêmicas e falam sobre fé, moralidade e ateísmo. Uma delas exibe as fotos de Charles Chaplin, que era ateu, e Adolf Hitler, que não era ateu, com os dizeres “religião não define caráter”. Outra afirma “Somos todos ateus com os deuses dos outros”, e traz imagens de uma divindade hindu, uma divindade egípcia e de Jesus de Nazaré, com as legendas “mito hidu”, “mito egípcio” e “mito palestino”. Uma terceira diz que “A fé não dá respostas, só impede perguntas”. Os cartazes devem ser exibidos ao longo de um mês.

Conforme pesquisa realizada pela Fundação Perseu Abramo, os ateus são as pessoas mais detestadas no país, merecendo repulsa, ódio ou antipatia de 42% da população. Para o presidente da entidade, Daniel Sottomaior, o propósito da campanha é aproximar o ateísmo do dia-a-dia da sociedade e assim ajudar a diminuir o preconceito que existe contra ateus.

(Fonte: Sul 21, via Paulopes)

6 de Julho, 2011 João Vasco Gama

Igreja Anglicana

A Igreja Católica Apostólica Romana não é a única que se auto-intitula «Católica» (completa, universal) – entre outras, a Igreja de
Inglaterra também se considera «Católica e Reformista».

Quando tomei contacto com o Anglicanismo, considerei de imediato que o conceito fazia pouco sentido – a Igreja universal, de todos os povos do mundo, era a Igreja de Inglaterra? O que teriam os ingleses de tão especial para acreditarem que Jesus os teria escolhido a eles para edificar a sua Igreja?
Na altura era Cristão, e sempre me tinha parecido claro o universalismo da mensagem de Jesus, a ideia de que nenhum povo seria superior a outro, aliás um valor que ressoou com os meus valores pessoais, sendo que eu ainda hoje me identifico com a famosa frase de Sócrates (um universalista bem anterior a Jesus) «não sou ateniense, nem grego, mas sim um cidadão do mundo.».

Por outro lado, também me parecia que a mensagem de Jesus era uma mensagem espiritual, da superioridade do plano espiritual sobre o plano temporal. Todos bem sabemos que a história da ICAR só faz sentido assumindo que muitos clérigos nunca acreditaram nesta hierarquia de valores, mas pelo menos na actualidade é bastante claro que o Papa católico é antes de mais o líder da ICAR, e apenas subordinada a essa função está a sua liderança política do Vaticano.

No caso da Igreja Anglicana, acontece o oposto: o chefe de estado da nação Inglesa é por inerência o líder supremo da Igreja de Inglaterra – nunca compreendi como é que os cristãos poderiam aceitar este absurdo, esta flagrante inversão hierárquica, de subordinar um cargo espiritual a um cargo político, no contexto da mensagem de Jesus.
Estava, claro está, cego perante os absurdos que eu próprio, enquanto cristão, aceitava.

Como é que os Anglicanos aceitavam que a «verdadeira Igreja» tinha nascido da forma como a sua Igreja tinha nascido? Com um líder político promíscuo que acreditava que o seu poder pessoal lhe deveria dar direitos especiais, e que usou este mesmo poder para que lhe fosse permitido fazer aquilo que outros não podiam (casar-se várias vezes), mesmo que para isso tivesse de criar uma nova Igreja, e fazer escorrer rios de sangue? Seria este o meio através do qual Deus edificaria a «verdadeira Igreja Universal»?

A Igreja criada por Henrique VIII pretendia ser uma réplica da ICAR, mas com diferenças perfeitamente injustificáveis (a meu ver) para um cristão. Claro que estava enganado: ser educado desde pequeno a acreditar em algo torna muitas vezes difícil identificar o seu absurdo.

De qualquer forma, a evolução da Igreja de Inglaterra foi, a meu ver, positiva. Foram caminhando no sentido de aceitar a Ordenação de mulheres, e de sacerdotes abertamente homossexuais, coisa que, na minha perspectiva de quando era cristão, era mais compatível com a mensagem de tolerância de Jesus.
Hoje discordo dessa minha posição: creio que o sexismo e a homofobia da ICAR são bem mais compatíveis com os textos que os cristãos consideram sagrados (incluindo os do Novo Testamento). Ainda assim, tenho mais simpatia pela inconsistência da Igreja de Inglaterra a este respeito, do que pelo sexismo monolítico e coerente da ICAR, que continua a vedar o sacerdócio às mulheres, e pela sua homofobia flagrante, que continua a considerar pecaminosa qualquer relação sexual entre pessoas do mesmo sexo.

Por outro lado, a Igreja de Inglaterra mantém-se numa situação que considero de abuso tremendo, pelos privilégios políticos que mantém, em flagrante desrespeito pelo princípio de separação entre Igreja e o Estado que deveria estar presente em todas as democracias modernas.
Como exemplo da dimensão do abuso, menciono apenas que vinte e seis Bispos e Arcebispos desta Igreja têm assento na Câmara dos Lordes, sendo-lhes assim garantido poder político, sem que os cidadãos tenham eleito estas figuras.

5 de Julho, 2011 Eduardo Patriota

No RJ, biblioteca sem bíblia passará a ser multada

Um triste golpe no laicismo que permite que as diversas religiões convivam pacificamente num mesmo país. Quem lê a nova lei, fútil e inútil, promulgada no Rio de Janeiro, pensa até que não há problemas de verdade para resolver por lá.

O governador Sérgio Cabral (PMDB) sancionou lei de autoria do deputado evangélico Edson Albertassi (PMDB), 42, que obriga as bibliotecas do Estado a terem Bíblia. A biblioteca que descumprir a lei será multada em R$ 2.130 e, no caso de reincidência, em R$ 4.260.

A lei é polêmica porque o Estado, por ser laico, não pode fazer imposições de cunho religioso, ainda mais em se tratando de uma determinação que beneficia uma única denominação, no caso a cristã. A lei deixa de fora, por exemplo, livros espíritos, ao Corão e ao Torá.

O mesmo deputado apresentou projeto de lei para cada uma destas propostas: instituição do ensino religioso obrigatório, leitura da Bíblia antes do começo das aulas, isenção de IPVA às igrejas e de ICMS na compra de automóveis e a inscrição da frase “Deus seja Louvado” nas contas das concessionárias de serviços públicos. Albertassi é diácono da Assembleia de Deus de um templo da cidade de Volta Redonda.

5 de Julho, 2011 João Vasco Gama

Fontes fidedignas, e Evangelhos – IV

No primeiro texto a este respeito concluí que, para que um conjunto de relatos mereça muita confiança em relação à descrição de um ou mais eventos, estes devem corresponder às seguintes condições:

-serem feitos por quem observou o(s) evento(s)
-serem recentes face ao(s) evento(s) descrito(s)
-serem feitos por parte desinteressada
-serem de fontes independentes entre si
-serem consistentes

No segundo texto abordei a posição da generalidade dos académicos que estudam este assunto face ao cumprimento, ou não, das primeiras duas condições. Concluí afirmando que a maioria dos académicos acredita que os evangelhos não foram escritos por quem observou os eventos, e a quase totalidade acredita que os evangelhos a que temos acesso foram redigidos décadas depois dos eventos neles descritos.

O terceiro texto abordou a posição dos académicos face às duas condições seguintes. Concluí afirmando que a maioria dos académicos considera que os evangelhos não correspondem a fontes independentes entre si, e ninguém coloca em causa que a sua autoria seja parte interessada no relato que é feito.

Basta que uma condição entre várias não se cumpra para que a conjunção delas fique por cumprir. Ainda assim, pretendo analisar neste texto a quinta condição: a consistência dos vários evangelhos entre si.

Diz-se que quando testemunhas diferentes apresentam um relato alargado que não apresenta qualquer detalhe inconsistente, isso pode ser indício de que o relato não é verídico – tratar-se-á de uma narrativa previamente combinada entre todos aqueles que a relatam. Os mesmos eventos, experienciados por pessoas diferentes, tendem a ser relatados de forma diversa, e como cada relato sofre naturalmente algumas distorções (detalhes que foram mal vistos, mal recordados, ou mal comunicados), seria uma enorme coincidência que vários relatos não apresentassem nenhuma inconsistência de detalhe.

É importante, no entanto, notar que é precisamente porque desconfiamos da capacidade humana para relatar em eventos com precisão absoluta que esperamos encontrar alguma inconsistência nos detalhes. Assim, nestes detalhes inconsistentes ninguém poderá justificar elevada confiança.

No que diz respeito às questões importantes, no entanto, espera-se consistência entre os testemunhos. Se os testemunhos não são consistentes, eles não merecem confiança. Repito: se temos um conjunto de relatos de um determinado evento, e tais relatos apresentam várias inconsistências naquilo que não pode ser visto como um detalhe, então nenhum dos relatos merece confiança.

Qual é a situação dos evangelhos? As diferenças entre os quatro evangelhos, no que diz respeito a aferir os factos históricos ocorridos, são de detalhe, ou são significativas? Peço ao leitor que considere as questões que Bart Ehrman coloca a este respeito:

Em que dia morreu Jesus? Antes ou depois da ceia Pascal? E a que horas? Carregou sua cruz sozinho, ou recebeu a ajuda de Simão? Ambos os ladrões achincalharam Jesus, ou só um deles o fez, e o outro defendeu Jesus? A cortina no Templo rasgou-se antes ou depois de Jesus morrer?

Quem foi ao túmulo no terceiro dia? Foi Maria sozinha, ou foi Maria com outras mulheres? Se foi Maria com outras mulheres, quantas mulheres foram? Que mulheres foram? A pedra estava fora do sítio quando chegaram, ou não? O que viram no túmulo? Um homem? Dois homens? Ou um Anjo? O que é que lhes foi dito para dizer aos discípulos? Deveriam ficar em Jerusalém, ou ir à Galileia? As mulheres contaram o sucedido a alguém, ou não? Os discípulos mantiveram-se em Jerusalém? Ou partiram para a Galileia de imediato?

Todas estas respostas dependem do evangelho em questão. A todas elas são dadas respostas explícitas contraditórias em evangelhos diferentes.

E Bart Ehrman nem refere uma série de outras: Jesus foi trazido primeiro perante Caifás ou Anás? Esteve silencioso perante Pilatos ou não? O que dizia o sinal sobre a sua cabeça? Jesus bebeu na cruz? Quem enterrou Jesus? Quais as últimas palavras de Jesus? Madalena reconheceu Jesus quando o viu? E quando Jesus morreru, «Abriram-se os sepulcros, e muitos corpos de santos que dormiam foram ressuscitados; E, saindo dos sepulcros, depois da ressurreição dele, entraram na cidade santa, e apareceram a muitos»?

É possível encontrar mais de 400 inconsistências, grande parte delas relativas a questões que não poderão ser consideradas «detalhes», entre os diferentes evangelhos, ou um número superior se considerarmos ainda os Actos dos Apóstolos.

4 de Julho, 2011 Eduardo Patriota

No Brasil, empecilho para lei do aborto é a Igreja, revelam documentos

Marcela de Jesus – bebê anencéfalo que viveu por 20 meses

O aborto segue como um tema delicado. De forma alguma podemos permitir o assassinato de um feto por puro capricho. A justificativa de um aborto deve ser uma medida extremamente cautelosa, acompanhada por médicos, psicólogos, assistentes socias e outros agentes do governo. Mas, deve-se haver uma justificativa possível. Infelizmente, no Brasil, ainda obrigam grávidas a parirem um feto anencéfalo natimorto. Uma espécie de sadismo que não cabe na mente dos mais esclarecidos. E que, na verdade, não funciona na prática.

O aborto é uma prática comum e continuará sendo. Essa é a conclusão de um telegrama enviado a Washington pela embaixada em Brasília, em 7 de julho de 2004, com uma avaliação da legislação brasileira sobre o assunto. O telegrama obtido pelo site WikiLeaks foi divulgado nesta terça-feira pela Agência Pública, parceira brasileira do site de Julian Assange.

Na conclusão intitulada “leis que não pegam”, o embaixador diz que “apesar de ser ilegal, o aborto é comum aqui e um estudo mostrou que 31% das mulheres grávidas no Brasil fazem aborto. O resultado mais provável desse debate é que o aborto continuará a ser amplamente proibido — com certas exceções — e a proibição continuará a ser amplamente desrespeitada”.

Para os americanos, a oposição da igreja seria um grande empecilho para uma mudança efetiva na lei.  “Apesar da maioria dos brasileiros terem uma mente aberta, a igreja não só se opõe à liminar mas a vê como a ponta do ‘iceberg’ no início de uma série de exceções à proibição do aborto que viesse na prática a legalizá-la”, descreve o telegrama assinado pelo ex-cônsul-geral dos EUA em São Paulo, Patrick Duddy.

3 de Julho, 2011 Ludwig Krippahl

Treta da semana: «Mentes fechadas».

A homeopatia não funciona. Esta é uma conclusão bem fundamentada quer pela teoria quer pelos muitos testes já feitos. A homeopatia assume que o remédio para uma maleita é uma solução diluída de algo que cause os mesmos sintomas, o que não faz sentido. É como dar um chá de barrote a quem partiu uma perna. E a diluição pode ser tanta que não sobre qualquer átomo do princípio activo porque, alegam, a água guarda a memória dos remédios enquanto, convenientemente, se esquece dos dejectos que por ela já passaram. Os testes também são claros. Se a um grupo de doentes dermos medicamentos homeopáticos e o outro dermos algo parecido sem homeopatia, desde que não saibam qual é qual vão relatar melhorias idênticas (1).

Infelizmente, muitos meios de comunicação social dão uma ideia diferente. A RTP 1 dedicou há dias mais de meia hora a fazer publicidade ao homeopata Nuno Oliveira, não criticando sequer afirmações como «não há necessidade [de uma criança] estar a iniciar um tratamento da medicina convencional, um antibiótico, por exemplo, numa infecção, quando nós podemos tratá-lo de uma forma totalmente inócua e extremamente eficaz», nem questionou a sua prática de pediatria homeopática quando só tem um curso de homeopatia (2). Isto é um perigo. É possível que uma infecção passe sozinha – nesses casos a homeopatia “funciona” – mas também é possível que perder dias a experimentar tretas tenha consequências graves para a criança. Adiar o tratamento de uma infecção perigosa não tem nada de inócuo.

Mas o ponto principal deste post é a justificação dessas alegações, e não tanto o problema de saúde pública que estas coisas criam. Em resposta a um artigo na Visão, que criticou a homeopatia, o Nuno Oliveira alega que os cientistas é que têm a mente fechada e dá exemplos de três erros comuns nas tretologias: «Estudo Homeopatia quase compulsivamente há muitos anos»; «os critérios de evidência aos quais a Homeopatia tem sido submetida, estão totalmente errados. A Homeopatia tem as suas regras específicas»; e «não podemos querer ter resultados homeopáticos, quando os medicamentos são utilizados segundo a visão da medicina convencional.»

O primeiro problema é “estudar” a hipótese em vez de confrontar várias alternativas com os dados. É verdade que na escola nos dão as hipóteses e teorias pré-fabricadas, mas não é assim que elas são geradas. As terapias surgem quando a medicina estuda as doenças, tenta perceber os mecanismos que as causam e selecciona, testando, as formas mais eficazes de as tratar. Isto é o que a ciência faz. Estuda o fenómeno, reúne dados e usa essa informação para seleccionar as hipóteses mais correctas. As tretologias fazem o contrário. Partem de umas crenças que não questionam, seja as “leis” da homeopatia, o credo ou os efeitos astrológicos dos planetas, e depois inventam histórias para enfiar isso em todo o lado, interpretando os dados a gosto.

O segundo problema é invocar excepções arbitrárias. A propósito da religião, o Carlos Soares comentou que «É abusivo reduzir conhecimento a ciência»(4). Mas é precisamente o contrário. Os defensores de disparates sem fundamento é que tentam reduzir a ciência àquilo que não os incomode. Quem crê num deus diz que a ciência não se pronuncia acerca do seu deus, ainda que não se oponha à refutação científica dos deuses dos outros. Quem crê na vidência, tarot ou astrologia, idem. E a homeopatia faz o mesmo. Testar medicamentos em ensaios clínicos controlados, estatisticamente significativos e com dupla ocultação é excelente. Para os outros. Seria excelente também para a homeopatia se ela funcionasse, e nenhum religioso, astrólogo ou cartomante rejeitaria provas conclusivas de ter razão. Se as houvesse. Mas como não há, todos dizem alto lá, aqui a ciência não entra.

Finalmente, o tal pensamento positivo. É preciso ter a visão certa para testar a homeopatia, crer para compreender a religião, aceitar a existência do Serviço Magnético para receber a sabedoria do Kyron e assim por diante. Só que não é interpretando dados ambíguos de acordo com premissas falsas que se corrige o erro inicial. É por isso que a ciência formula testes objectivos, cujos resultados sejam claros independentemente daquilo que se deseja. É por isso que, quando quero saber se emagreci ou engordei, não me guio pelo espelho nem pela minha avó (que diz sempre que estou mais magro). Guio-me pelos buracos do cinto e pela balança, menos influenciáveis por factores subjectivos. Só assim se distingue entre conhecimento e erro, entre realidade e wishful thinking.

A ciência inclui todos os métodos, truques, procedimentos e técnicas que maximizam a probabilidade de seleccionar hipóteses verdadeiras. Mesmo que tenham de ser adaptados aos detalhes de cada problema, guiam-se sempre pelo princípio de que nos podemos enganar, procurando resultados claros que determinem, sem ambiguidade, quais das nossas hipóteses estão mais de acordo com a realidade. Quem é redutor, e tem mente fechada, é quem invoca excepções para proteger deste escrutínio as suas hipóteses favoritas. O Nuno Oliveira escreve que «Se queremos verdadeiramente evoluir no conhecimento, temos que estar abertos, temos que questionar, pela positiva e não pelo derrotismo.» Não. Temos é de questionar com objectividade. Temos de obter dados que indiquem o caminho correcto mesmo que isso frustre as nossas expectativas. Isso de “questionar pela positiva” não é conhecimento. É ilusão.

1- Ben Goldacre no Guardian, 16-9-2007, A kind of magic?
2- A.P. Homeopatia no YouTube, Homeopatia na RTP 1 – parte 1/4
3- Nuno Oliveira, 18-2-2011, Mentes Fechadas
4- Comentário em A diferença, ilustrada.

Em simultâneo no Que Treta!