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15 de Junho, 2013 Ludwig Krippahl

Treta da semana (passada): no contexto cultural.

O Anselmo Borges defende que não há demónios, que «Os rituais de exorcismos não têm justificação» e que o diabo é apenas «um símbolo personificado de todo o mal». Concordo. O mafarrico e companhia são apenas personagens inventados para ilustrar alguns conceitos humanos. Eu até iria mais longe nisto. E irei. Mas, primeiro, a parte que me aborrece.

O evangelho de Marcos relata que Jesus se deparou com «um homem dominado pelo demónio», que «Jesus falou ao demónio que existia dentro dele e disse: Sai, espírito mau.[…] Como te chamas?, perguntou Jesus. Exército, porque somos muitos dentro deste homem». Então «os demónios pediram com insistência que não os expulsasse para qualquer terra distante» e Jesus mandou-os ir com os porcos: «Então, os espíritos maus saíram do homem e entraram nos animais. A vara inteira de dois mil porcos lançou-se pela encosta íngreme do monte e caiu lá em baixo no lago, onde se afogou.»(Marcos 5, 1-13). O Anselmo Borges refere esta passagem na Bíblia mas descarta-a alegando que «Se é certo que Jesus, nos Evangelhos, aparece expulsando demónios, isso deve ser compreendido no contexto das crenças da altura. Hoje, sabemos que se tratava de doenças do foro psiquiátrico»(1). Isto é treta.

Na parábola do bom samaritano, um judeu é assaltado e espancado, passa por ele um sacerdote e um levita que o ignoram mas o samaritano ajuda-o e trata-lhe das feridas. Hoje todos conhecemos a expressão “bom samaritano” e, para muita gente, fica desta história a ideia que os samaritanos eram tipos impecáveis. Mas se compreendermos a parábola «no contexto das crenças da altura» a mensagem é bem diferente. Os samaritanos e os judeus davam-se como o cão com o gato e o ponto principal da história, sobre ajudar o próximo, é o judeu ter sido ajudado pelo samaritano, que era a última pessoa de quem se esperaria tal coisa. Compreender o texto «no contexto das crenças da altura» é interpretar o texto de acordo com as expectativas e premissas dos seus autores e contemporâneos. Isto, concordo, faz todo o sentido. Mas o que o Anselmo Borges quer fazer é precisamente o contrário.

Se compreendermos o relato do exorcismo «no contexto das crenças da altura«, a interpretação tem de ser a de que Jesus enfrentou uma carrada de demónios, os expulsou para os porcos e os atirou pela ribanceira abaixo. Era isso que queriam dizer quando escreveram este relato era isso que, na altura, percebiam quando o liam. O problema do Anselmo é que, à luz do que sabemos hoje, isto é um disparate. Como o Anselmo não quer admitir que a Bíblia tem disparates, faz esta finta de dizer que interpreta o texto «no contexto das crenças da altura» para defender que não há lá demónios. É um truque muito usado pelos teólogos. Primeiro dizem que não se pode interpretar o texto literalmente porque é preciso considerar o seu contexto cultural. Isto apesar do contexto cultural ser o da interpretação literal que rejeitam. Depois alegam que o texto defende o contrário do que lá está escrito porque que é alegórico ou metafórico. Finalmente, safam-se de explicar como é que a alegoria ou metáfora que alegam lá estar diz o contrário da letra do texto. Neste caso em particular, não é nada evidente como o relato do exorcismo e da morte de dois mil porcos pode ser uma alegoria ou metáfora para o aconselhamento psicológico ou o tratamento de doença psiquiátrica.

Eu concordo que a interpretação literal do Génesis ou deste exorcismo resulta em relatos que são claramente falsos. Eu concordo que é útil interpretar os textos no seu contexto cultural para perceber o que o autor queria dizer. Mas é desonesto invocar esse contexto cultural para afirmar que o texto deve ter uma interpretação completamente diferente daquela que o próprio autor lhe dava e depois nem sequer adiantar nada acerca dessa interpretação para que se possa, pelo menos, avaliar se faz algum sentido.

Terminado o desabafo, queria voltar à proposta do Anselmo de que o diabo será apenas «um símbolo personificado de todo o mal». Ou seja, apesar do seu protagonismo nalguns relatos bíblicos, é apenas um personagem fictício que dá corpo a anseios e preocupações abstractas dos autores dessas histórias. Estou inteiramente de acordo. Isto faz todo o sentido quando consideramos os muitos exemplos por todas as religiões, como Afrodite, Zeus, Odin, Shiva, Kali e assim por diante. Mas eu vou um pouco mais longe, dando aquele passo pequenino que separa o Anselmo do ateísmo. Também Deus é apenas «um símbolo personificado» das características que lhe atribuem. É um personagem fictício que simboliza coisas boas, como bondade, amor, justiça e afins que, tal como o mal, são mais fáceis de comunicar, pelo menos antes de se começar a tentar compreendê-las, se as imaginarmos como pessoas.

1- Anselmo Borges, O diabo, possessões demoníacas e exorcismos

Em simultâneo no Que Treta!

15 de Junho, 2013 Carlos Esperança

Igreja católica – O branqueamento dos carrascos

Embora tenha recorrido mais ao fogo do que à água, prefira a incineração ao banho e se dedique ao charlatanismo mais do que à ciência, a ICAR está longe da boçalidade do islão.

Os padres da ICAR, libertos da tonsura que os marcava como propriedade da Empresa, à semelhança do ferro que as ganadarias usam, os padres – dizia -, comportam-se hoje como pessoas normais enquanto não são solicitados a debitar os horrores eternos que o patrão reserva aos hereges, sacrílegos e apóstatas.

Aliás, a civilização atenuou-lhes o ímpeto purificador que, na ânsia de salvar almas, os levava a estorricar os corpos. E, assim, foi esmorecendo o desejo de converter ímpios à custa da tortura e a pia intenção de espalhar a boa nova eliminando relapsos.

A ICAR não é o bando de santos que fabrica com desvelo, a máquina de obrar milagres oleada com emolumentos das dioceses que submetem bem-aventurados à canonização, é uma empresa que vive do negócio da fé, da fábula de Cristo e do medo do Inferno.

Pior do que o clero católico são os judeus de trancinhas à Dama das Camélias, pastores evangélicos dos EUA e os mullahs. Pior que os bispos espanhóis são os talibãs do islão e só os dois últimos Papas pediam meças aos Ayatollahs.

Claro que a tara das religiões monoteístas está no coração dos mais pios, na cabeça dos prosélitos e na ação dos cruzados obsoletos que querem expandir a fé. É por isso que a ICAR conta na galeria dos bem-aventurados, alguns com milagres averbados e lugar reservado nos altares, sórdidas criaturas de escassa virtude e duvidosa santidade.

Stepinac e Pavelic, Escrivà e Franco, Videla e Pinochet, Salazar e Moussolini, Bernard Law e Hans Hermann Groer, Marcincus e Rouco Varela, Voityla e Rätzinger, são grãos da seara arroteada pela ICAR.

Stepinac esteve ligado ao campo de extermínio de Jasenovac, comandado pelo franciscano Miroslav Filipovic, o Frei Morte no lúgubre testemunho dos sobreviventes ortodoxos sérvios. JP2 canonizou o carrasco católico e desprezou os mártires sérvios vítimas do campo de horror de Jasenovac.

É esta gente, este bando de fanáticos e assassinos que a Igreja foi procurando branquear como se fossem beneméritos ou, pelo menos, cidadãos recomendáveis.

Esperemos que o Papa Francisco, com o saber acumulado dos jesuítas e a experiência da ditadura com que conviveu, saiba abdicar da superstição e favorecer os rituais inofensivos que perpetuam a Igreja Católica Apostólica Romana (ICAR).

15 de Junho, 2013 Carlos Esperança

Brasil – Opus Dei à solta em S. Paulo

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, é ligado a uma ordem reacionária católica, Opus Dei, que propõe, basicamente, a volta do catolicismo à Idade Média, inclusive, se deixarmos, ressuscitando a Inquisição e queimando os infiéis nas “fogueiras santas”. A violência exacerbada da PM paulista tem respaldo ideológico do mandatário paulista.

Para não dizerem que a afirmativa é coisa de “esquerdista” quem o diz é a revista Época da Globo: O governador e a Obra
14 de Junho, 2013 Carlos Esperança

Creio na ressurreição e no ámen, só não acredito na vida eterna

Há dois anos vi-me suspenso, por duas jovens enfermeiras, a caminho do banho. Pensei que quatro décadas antes não seriam elas a levar-me, inversa seria a situação, mas não adivinhava o que sucedera e porque não me obedecia o corpo.

Descri da minha identidade, pedi a um enfermeiro para ver na NET o meu nome, queria certificar-me de quem era. Vi a minha mulher, reconheci-lhe a voz doce a segredar-me que fora grave a situação, dir-me-ia tudo à medida que perguntasse e preveniu-me para ter cuidado com o que dizia, carregava falsas memórias, já tinha inventado um cancro a uma amiga, reformado outra, com 40 anos, e concebido tolices várias.

O lençol pesava como uma montanha que me esmagasse os dedos, o corpo era como um vegetal movido pela força braçal de quem de mim cuidava. Lembrei-me de ter saído de casa com vómitos incoercíveis e dores abdominais violentas mas não estabelecia o nexo de causa e efeito. Não acreditaria ter passado dois meses sem memória.

Pedi o jornal e vi o que lá vinha, mas tiveram de segurar-mo. Era pesado como chumbo o diabo do papel. Li e fiquei feliz, sem euforia. Quis escrever. Só saíram riscos da luta da esferográfica contra o papel que me fugia. Que raio de vida! Afinal, não podia com o peso da esferográfica. E não falava ou não me fazia entender. Devo ter ficado naquele quarto, isolado, a fazer o desmame do propofol.

Poucos dias depois tive alta. Ora de cadeira de rodas, ora ao colo de voluntários, entrei e saí de um táxi, do hospital para casa. Levaram-me ao colo até ao quarto, onde tudo era familiar. Não conseguia pôr-me de pé mas sentia ter valido a pena, fosse o que fosse que me tivesse acontecido, para desfrutar, por um dia que fosse, a ternura da mulher, contida na exteriorização dos afetos mas intensa na dedicação e no amor incessante de sempre.

Afinal, na sequência da colecistectomia laparoscópica, na primeira vez que adoeci, uma bactéria tomou conta dos pulmões, primeiro, do fígado a seguir e, finalmente, dos rins, à falsa fé, sem a mais leve noção da minha parte, alvo de transfusões e diálise, sem saber, ainda hoje, porque não desligaram a máquina que me amarrou 52 dias após a cirurgia que precedeu o coma profundo que me reduziu a um vegetal esburacado com tubos, que a minha mulher observava aflita e emocionada, todas as horas consentidas em cada dia.

Gozei as delícias do nada de que falava Schopenhauer. Sofreram a mulher e os filhos, os irmãos e os amigos, e reiniciei a vida como criança, precisando de mão alheia para dar os primeiros passos, comer, voltar ao mundo dos vivos depois de ter experimentado a dimensão em que só existe o nada, sem um ser imaginário para me julgar, um rio de mel ou, pelo menos, uma das 72 virgens que aguardam os facínoras que a fé torna violentos.

Aprendi com uma pseudomona multirresistente que vale mais um só dia vivo do que a eternidade morto. E soube, como se não tivesse adivinhado em cada dia de tantos anos, do que uma mulher pode, da dádiva da vida de que é capaz, da reserva de amor que tem.

Há dois anos, no dia de hoje, 61 dias depois, regressei a casa, desmorrido.

quinta-feira, 12 de Junho de 2013
Carlos Esperança

13 de Junho, 2013 Carlos Esperança

A bondade de Jesus

Jesus era tolerante

“Eu não vim trazer a paz, mas a espada” Mateus 10:34

“Quem não é comigo é contra mim; e quem comigo não ajunta, espalha.” Mateus 12:30

«Se alguém vem a mim e não aborrece a seu pai, e mãe, e mulher, e filhos, e irmãos, e irmãs, e ainda a sua própria vida, não pode ser meu discípulo. Quem não carrega a sua cruz e não me segue, não pode ser meu discípulo. Pois qual de vós, querendo edificar uma torre, não se assenta primeiro a calcular a despesa, para ver se tem com que a acabar? Para não suceder que, tendo lançado os alicerces e não a podendo acabar, todos os que a virem, comecem a zombar dele, dizendo: Este homem começou a edificar, e não pôde acabar. Ou qual é o rei que, indo entrar em guerra contra outro rei, não se assenta primeiro e consulta se com dez mil homens poderá enfrentar o que vem contra ele com vinte mil? Se não, enquanto o outro ainda está longe, envia-lhe uma embaixada, pedindo-lhe condições de paz. Assim, pois, todo aquele que dentre vós não renuncia a tudo o que possui, não pode ser meu discípulo.» (Lucas 14:26-33)[1]

«Vim lançar fogo à terra, e que mais quero, se ele já está aceso? Mas tenho de ser batizado com um batismo, e como me angustio até que ele se cumpra! Pensais que vim trazer paz à terra? Não, eu vo-lo digo, mas divisão; porque de ora em diante, haverá numa casa cinco pessoas divididas, três contra duas, e duas contra três; estarão divididas: o pai contra seu filho, e o filho contra seu pai; a mãe contra sua filha, e a filha contra sua mãe; a sogra contra sua nora, e a nora contra sua sogra.» (Lucas 12:49-53)

12 de Junho, 2013 Abraão Loureiro

las vegas fé

12 de Junho, 2013 Carlos Esperança

A gula da Igreja e as intenções pias do tribunal

Por

A. Horta Pinto (advogado)

“CASO DOS CTT” – UM PONTO CONTESTÁVEL DA DECISÃO

Foi ontem conhecida a decisão do Tribunal de Coimbra sobre o chamado “caso dos CTT”.

Um dos arguidos – pelo menos – foi condenado em pena de prisão cuja execução ficou suspensa, ficando essa suspensão subordinada ao cumprimento do dever de entregar a duas instituições de solidariedade social uma contribuição monetária de determinado valor. Tal subordinação é inquestionavelmente permitida pelo disposto nos artigos 50 e 51 do Código Penal.

O que já é contestável é a escolha feita pelo Tribunal das instituições beneficiárias dessa contribuição monetária: a “Casa de Formação Cristã da Rainha Santa Isabel” e a “Obra do Frei Gil”. Não se duvida de que ambas se dedicam também a obras caritativas. Mas a verdade é que a primeira, como o seu nome indica, tem como principal objetivo “a formação cristã” (leia-se “católica”). Quanto à segunda, informa o “Google” que um dos seus fins é “proteger a família, zelando pelo culto dos padroeiros da Ordem Dominicana”.

Não se compreende que, sendo Portugal um Estado laico, um órgão de soberania obrigue um cidadão a subsidiar a “formação cristã” e o “culto dos padroeiros da Ordem Dominicana”.

12 de Junho, 2013 Carlos Esperança

A “REFORMA” DA IGREJA E O PAPA CHICO

Por

João Pedro Moura
1- O papa reconheceu que a reforma da cúria eclesiástica é um projeto “difícil”; “Fala-se de lobby gay, e é verdade, ele existe”; “Não posso fazer eu a reforma”, continuou o chefe da Igreja Católica, que se confessou “desorganizado”, durante uma reunião, a 06 de junho, com responsáveis da Confederação latino-americana e das Caraíbas dos religiosos e religiosas (CLAR).

Logo de início, temos 2 comentários a fazer:
a) O papa reconhecer que há corrupção e um “lobby gay”, na cúria romana e, necessariamente, por extrapolação, em toda a Igreja, é uma coisa desconcertante.

b) O papa reconhecer que não pode, ele, fazer a reforma, mesmo que por interposta comissão, é duplamente desconcertante.

2- Porque, se o papa discerniu corrupção e homossexualismo em estruturas da Igreja, das quatro, uma:
– Ou ele quer eliminar isso, mas não pode… sendo impotente…
– Ou pode, mas não quer… sendo perverso…
– Ou não pode nem quer… sendo impotente e perverso…
– Ou pode e quer eliminar esses “males”… sendo determinado…

3- Dizer que é “difícil” e que não consegue fazer a reforma, é admitir a sua incapacidade e, inerentemente, uma certa condescendência, que, a seu tempo, irá demonstrar se ele apenas estranha ou… entranha…
O que não pode é sustentar, ela, a Igreja e o seu papa, doutrinariamente, que o homossexualismo é uma “grave desordem”, um pecado mortal, condenado pela Igreja, e deixá-lo grassar nas suas estruturas…
É uma contradição, uma incongruência!

4- Se um médico diagnostica um mal, vai seguidamente propor uma terapia, que pode ser uma cirurgia…
E quem diz um médico, diz um político ou qualquer outro agente social que se propõe combater “males” e preservar ou fomentar o “bem”.

5- Desde o início que este papa me pareceu mole e contemporizador…
… Agora, com estas afirmações de impotência e desconcerto, indignas dum alto cargo diretivo, mais reforço esta ideia dum papa ineficaz, em termos de agente transformador de estatuto disciplinar e doutrinário…

6- O chico-desperto do Bergoglio parece-me mais uma criatura afável e “despertada” para o populismo vulgar, de mais fácil e prazenteiro contacto público do que o “panzerpapa” B16, endurecido pela doutrina e pelo imobilismo ancestral, mas ferrugento na balística, ou o casmurro JP2, perambulador pertinaz e mundial, mas santarrão colecionador e preservador do núcleo duro e misterioso da ICAR…

7- Mais me convenço da minha tese, aparentemente extravagante, de que a Igreja foi tomada, “in illo tempore”, por um grupo de homossexuais, a começar pelo verdadeiro fundador do cristianismo, Paulo de Tarso, que, para preservar o seu (deles, grupo…) homossexualismo e a misoginia congénita e inerente daqueles tempos, erigiram uma delicada associação (igreja…), que conseguiu impor, a muito custo, o celibato, em nome de estranhos valores “espirituais”, celibato esse que era a única forma de eles próprios não só se preservarem, pois que o meio era altamente hostil à homossexualidade, mas também conseguirem juntar as riquezas de heranças dos seus aderentes profissionais, visto que estes não poderiam legá-las a seus filhos, pois que tais homossexuais não teriam filhos, normalmente nem oficialmente.
E tudo isto teve por base inicial, enquanto estrutura de poder, a aliança com o império romano, uma aliança eficaz entre o desejo de transcendente das massas e o desejo de domínio político sobre as mesmas.
Aliança essa que perdurou, muito eficazmente, ao longo dos séculos, com os diversos poderes imperiais e monárquicos, e entranhando a fundo no imaginário popular…

8- Só que as conceções religiosas não atraem só homossexuais e outras criaturas com estranhas e desvairadas conceções de castidade e sexualidade, mas conseguiram edificar uma estrutura, que tem atravessado milénios, em bom estado, mesmo que em (suave) decadência, pois que tais conceções “respondem” e vão “respondendo” aos anseios populares do transcendente e do apaziguamento de angústias e medos…