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22 de Junho, 2013 Carlos Esperança

Considerações sobre a liberdade

Caros leitores, amigos e adversários

Parafraseando Pessoa, a agenda do Diário de uns Ateus é não ter agenda. É o diário de cidadãos que julgam que a liberdade é um direito e a superstição deve ser afrontada. Há reclamações, mas raramente se perdem amigos e, muitas vezes, ganham-se outros.

Liberdade religiosa (ou política) é o direito de ser a favor, indiferente ou contra. Não é o simples direito à genuflexão, ao beija-mão ou ao dobrar da espinha. Quem se rege pelos dogmas acaba de joelhos ou de rastos, a lamber o chão ou o chispe do líder.

A liturgia da fé é a «ordem unida» dos exércitos, um exercício que nos leva a abdicar da razão, trocada pelo hábito. É preferível ficar com os calcanhares feridos do que acertar o passo ao compasso do tambor ou à litania da Igreja.

A liberdade conquista-se quando conseguimos dizer não ao caminho que rejeitamos, às ideias de que discordamos e aos símbolos que repudiamos. E, quando formos livres, aí dar-nos-emos conta que só atingiremos a liberdade quando a conquistarmos para todos.

O direito à troça, à ironia e ao sarcasmo é tão respeitável como o direito à submissão e à liturgia, mas, na minha opinião, a blasfémia é a catarse que emancipa e liberta, enquanto a devoção é uma forma de cristalizar a vontade e embotar a inteligência.

22 de Junho, 2013 Carlos Esperança

A tragédia das verdades únicas

Trinta e um anos de ditadura, quatro anos e 4 dias de tropa, com 26 meses de desterro em Moçambique, na guerra colonial, moldaram o homem que sou e a compreensão de que me sinto capaz, contra as aparências.

Não me surpreendem os homens e as mulheres que pensam o contrário do que eu penso, mas não aceito o pensamento que nega a expressão ao entendimento oposto e combato o que oponha ao direito de quem discorda de mim.

Não há verdades absolutas e, por isso, só o maniqueísmo pode defender a verdade única de uma religião, de um partido político ou de uma corrente filosófica. Na Matemática e na Física as verdades são elaboradas a partir dos factos e postas em dúvida por método. Na ciência tudo é verdade até prova em contrário. Na fé, a verdade é eterna e imutável ainda que todos os factos a desmintam. Por isso, os cientistas andam sempre carregados de dúvidas enquanto os crentes vivem cheios de certezas.

Não há regime político, partido, credo ou tradição que mereça respeito se não aceitar o contraditório.  O esclavagismo, a antropofagia e a misoginia foram tradições que ainda não estão completamente erradicadas. Ai de nós, se nos deixarmos convencer pelo peso da tradição ou vencer pela violência do dogma.

Uma sociedade discriminatória é uma sociedade doente. Por isso, valem mais os 30 artigos da Declaração Universal dos Direitos Humanos do que todos os versículos de todos os livros sagrados, quaisquer tradições, por mais consolidadas que estejam, ou qualquer utopia totalitária por mais risonha que pareça.

21 de Junho, 2013 Carlos Esperança

A Irmandade Muçulmana é o rastilho de um confronto (Matem os judeus)

 

 

 

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A Irmandade Muçulmana não é, na aparência, diferente da Cáritas ou da Conferência de S. Vicente de Paula mas, na realidade, é um instrumento do proselitismo islâmico com uma agenda de domínio à escala mundial.

Não significa que as Igrejas cristãs não tenham igual intenção, mas falta-lhes a violência que o Islão conserva e o apoio das ditaduras que em terras de Maomé assumem a forma de teocracias.

A Europa e os EUA têm uma notável tendência para a asneira e uma cobarde tolerância com o desrespeito dos direitos humanos, quando praticados sob os auspícios da religião. A decapitação por heresia, a lapidação por adultério, as vergastadas por tradição pia, em praças públicas, ou a excisão do clitóris em meninas, passam por hábitos culturais que o contexto islâmico em que ocorrem torna tolerável.

Desde que Ergodan tomou o poder, de forma democrática – diga-se –, que o processo de reislamização da Turquia não parou. É o «irmão muçulmano» alcunhado de moderado, um ditador que a União Europeia e os EUA protegeram, desconhecendo o massacre dos curdos, a repressão interna e a progressiva islamização do poder.

Agora é o Egito que se destaca pela sua dimensão territorial, estratégica e populacional no xadrez da geopolítica mundial. «O presidente egípcio Mohamed Morsi nomeou em 17 de junho de 2013, 17 de los 27 governadores do país e aumentou para 11 o número de membros da Irmandade Muçulmana que ocupam esse cargo» (Voltairenet.org ).

E lê-se mais neste sítio: «Entre os agora promovidos pelo presidente Morsi encontra-se o líder do Partido da Construção e Desenvolvimento, Adel al-Khayyat, o qual se torna governador de Luxor apesar de ter sido um dos organizadores do massacre que custou a vida a 62 pessoas, em 17 de novembro de 1997, precisamente em Luxor.

Enquanto se troca a ética por petróleo e o bem-estar por complacência com o crime, não há segurança para as democracias ou respeito pelos direitos humanos pelos facínoras da fé.

21 de Junho, 2013 Carlos Esperança

Os 100 dias de Francisco paramentado de Papa

O Vaticano tem no perdão um ramo importante dos seus negócios. Desde que não seja dinheiro, tudo é passível de absolvição.

Francisco disse o que não devia, que no Vaticano havia orgias e corrupção, um segredo de polichinelo que nenhum papa ousou denunciar. Por maior que seja a intimidade com Deus, nenhum tem pressa no encontro e, embora ganhem a vida a anunciar que há mais vida para além da morte, comportam-se como o mais empedernido dos ateus, desejando conservar a única em que creem, até ao limite do possível e do consentimento da Cúria.

Francisco não é inocente, tem várias décadas de jesuíta e sabe do que foram capazes os frades da sua ordem antes de ser extinta. Sabe como as comidas e bebidas são perigosas com condimentos.

Foi mais rápido a fazer denúncias do que a pôr cobro aos desmandos. Talvez por isso se tenha aguentado com a cabeça presa ao tronco, mas deve pensar que, quando mandar averiguar as contas do Vaticano, vai ferir suscetibilidades. E terá o dilema, fazer do IOR um banco respeitável, e antecipar o Paraíso celeste, ou deixar as coisas como estão e ter uma velhice feliz.

21 de Junho, 2013 Carlos Esperança

O papa faz humor com o perigo que corre

Durante a visita da delegação venezuelana ao Vaticano, o membro da comitiva, Carmen Melendez, almirante da Marinha de Guerra, pediu ao Papa autorização para lhe beijar o anel. Enquanto decorria o ato de subserviência, o Papa pediu-lhe: «reze por mim, mas reze a favor e não contra».

Claro que foi um ato de humor, mas o Papa Francisco sabe que quem crê nas orações é bem capaz de rezar contra!

21 de Junho, 2013 Carlos Esperança

O dinheiro resolve tudo

STJ confirma anulação de casamento religioso decretada pelo Vaticano

Homem acusou mulher de pedofilia, e Igreja Católica concedeu anulação.

Acordo entre Brasil e Vaticano prevê que casamento tem efeitos civis.

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) confirmou a anulação de um casamento religioso decretada pelo Vaticano, segundo informou nesta quarta-feira (19) a assessoria do tribunal.
O STJ analisou o caso porque um acordo de 2010 entre o Brasil e a Santa Sé prevê que casamento celebrado na Igreja produza efeitos civis.

Comentário: Não há de ter saído barata a anulação do casamento pelo Vaticano mas restam duas perplexidades:

1 – A ausência de laicidade do estado brasileiro que reconhece as decisões de uma teocracia corrupta;

2 – O facto de a pedofilia de uma mulher ser motivo de anulação de casamento (o divórcio é inaceitável para a ICAR) e a pedofilia de um padre ser um assunto a esconder.
Ateos gratia!

20 de Junho, 2013 Carlos Esperança

Vaticano reconhece segundo milagre de João Paulo II

«Em abril, os médicos do Vaticano reconheceram a cura inexplicável de uma mulher.»

Julgava-se que, com o papa Francisco, chegara ao Vaticano uma pessoa normal, que não podendo evitar o lóbi gay e a corrupção que o aguardavam, poderia ainda suspender os milagres já preparados para a indústria da santidade.

É um truísmo banal afirmar que «o que pode ser afirmado sem provas, pode igualmente negar-se sem provas», mas surpreende que no século atual ainda se inventem milagres para alimentar o comércio da fé.

Quando «a cura inexplicável de uma mulher» se transforma em milagre e se descobre logo o autor, há uma boa dose de superstição ou uma deliberada encenação do embuste.

Esqueçamos o Papa que perseguiu os teólogos da libertação, que os reduziu ao silêncio e que deixou à solta a Opus Dei, o negócio dos milagres e o encobrimento dos casos de pedofilia. Fica ainda a cumplicidade com Reagan e a proteção a Pinochet, cujos crimes silenciou ao contrário dos esforços para lhe evitar o julgamento. Não houve ditador sul-americano católico que não tivesse a sua bênção e ações contra o comunismo que não tivessem a sua subvenção pia sem escrúpulos sobre a origem do dinheiro.

A proteção ao arcebispo Marcinkus, cuja extradição impediu, para evitar o julgamento e a condenação que esclareceria a lavagem de dinheiro no Vaticano e a falência do banco Ambrosiano, era suficiente para manchar o pontificado de João Paulo II.

Quem protegeu os mais reacionários movimentos católicos, Opus Dei, Legionários de Cristo e Comunhão e Libertação, grandes contribuintes dos cofres do Vaticano, todos envolvidos em escândalos à escala planetária, apenas porque lutou contra o comunismo, não merece que lhe adjudiquem um milagre para o colocarem nas peanhas das igrejas e nos santinhos que distribuem pelos garotos do Terceiro Mundo.

Afinal, o Papa Francisco apenas continua o negócio por outros meios.  A santidade é o estado civil e a profissão do velho celibatário, à semelhança dos seus antecessores.

20 de Junho, 2013 Carlos Esperança

Mistérios do Vaticano

O Ministério Público de Savona estaria promovendo uma investigação há dois anos sobre orgias e abusos sexuais envolvendo jovens menores dentro do Vaticano. A afirmação é da associação L’Abuso, entidade fundada por Francesco Zanardi, que se diz vítima de abusos sexuais cometidos por clérigos importantes do Vaticano na década de 90.

Os crimes teriam sido denunciados no “Vatileaks” e teriam causado a renúncia de Bento XVI no início do ano. Zanardi afirma que a]manteve encontros regulares, com padres, bispos, cardeais e jovens menores dentro do Vaticano.