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22 de Agosto, 2013 Carlos Esperança

A Humanidade a caminho do fim?

Quando deixaram de fazer sentido as profecias do fim do mundo, que infundiam o terror e a fé, numa hábil manipulação religiosa, os factos converteram em certeza a chantagem que então despertava terrores noturnos nas crianças e submissão pia nos adultos.

A bomba demográfica explodiu num planeta que tem limites físicos à sua capacidade de regeneração e se encontra já sob stress. É impossível alimentar a população atual cuja estabilização não é previsível. Faltam, a largas camadas, água, alimentos e a satisfação das mais elementares necessidades básicas.

A fé na capacidade ilimitada na ciência assemelha-se à que, desde sempre, vigorou para a Providência divina. É absolutamente irracional. Nem os acidentes nucleares, como a fuga de água radioativa em Fukushima, nem as catástrofes naturais parecem interessar já as pessoas. A aflição pela sobrevivência amolece a nossa capacidade de vigilância e embota o espírito crítico.

A democracia, os direitos humanos e as liberdades sucumbem sob os escombros de um mundo desregulado e à beira da catástrofe. Os velhos demónios totalitários acordam sob a capa de antigas mitologias transformadas em ideologia.

Os países ricos e civilizados não foram capazes de prever e, muito menos, de conter os demónios que se ocultavam por entre a brisa que parecia soprar nas insurreições árabes, apressadamente designadas de primaveras. Hoje temos o Egito a ferro a fogo, a Síria a gás e a Turquia, por comodidade, catalogada de país islâmico moderado, como se o seu primeiro-ministro Erdogan não tivesse sido o aliado incondicional da deriva demencial do ex-presidente egípcio, Morsi, e do seu braço prosélito, a Irmandade Muçulmana.

No desespero do falhanço da civilização árabe emerge o fascismo islâmico a contaminar a Turquia, o Irão e franjas apreciáveis da população caucasiana da Europa e dos EUA. As primeiras vítimas são os próprios crentes fanatizados nas madraças e mesquitas mas a tragédia da intolerância e do ódio alastra como combustível da instabilidade mundial.

Os dirigentes mundiais parecem estar à espera de um milagre como se o céu pudesse ter resposta para as desgraças que temos de enfrentar.

22 de Agosto, 2013 Carlos Esperança

Deus também se engana…

Bento XVI, farto de ser acusado de ter renunciado à tiara por amor, amor à vida, claro, veio agora justificar-se: «Foi porque Deus me disse», numa « experiência mística».

A linguagem exotérica, com que o ex-Papa revela o encontro com a entidade patronal, não deixa aos incréus averiguar a data, o local e o conteúdo, mas percebe-se que Deus não estava satisfeito com o seu PDG, facto que causa a maior perplexidade, a ponto de lhe ter demonstrado «um desejo absoluto» – segundo  afirmou o próprio pensionista à publicação católica “Zenit”.

Não se vê como um deus, presciente e omnipotente, além de mandar o Espírito Santo a iluminar os cardeais durante os conclaves, possa permitir que saia dali um cardeal com alvará de infalibilidade, apto para criar cardeais e santos, e despedi-lo depois com justa causa, sem lhe apresentar uma nota de culpa. No mínimo, a eleição de Ratzinger foi um ato desastrado, mais natural no Opus Dei do que em Deus.

Sabendo todos, do mais ingénuo devoto ao mais inveterado ateu, que a infalibilidade do Papa é um dogma cuja dúvida é alheia ao escrutínio da razão e passível de excomunhão, anátema que inviabiliza o Paraíso como lar de primeira classe para a perpétua defunção, fica a dúvida sobre quem se enganou, o papa que perdeu o alvará ou Deus que lhe pediu a resignação.

De qualquer modo, a Igreja, em maré de perda de credibilidade, deixa mais dúvidas do que certezas a quem queira cultivar os mistérios da fé e dá argumentos a quem duvida.

21 de Agosto, 2013 José Moreira

Misticismos…

O ex-papa Bento 16 afirmou que a sua resignação se deveu a uma “experiência mística” que teve com Deus. Por outras palavras, o patrão propôs-lhe uma rescisão amigável.

Claro que as pessoas são livres de acreditar no que entenderem. Mas seria interessante, e até desejável, uma vez que o próprio ex-papa confirma não ter tido qualquer visão, ou seja, não esteve cara-a-cara com o interlocutor, dizia eu que seria interessante saber como chegou à conclusão de que foi Deus, e não o Demónio, quem o aconselhou a abandonar o barco que, ao que consta, estava prestes a afundar-se. E esta minha dúvida resulta de uma afirmação da própria Igreja, que garante que Satanás é o “pai da mentira”.

Ora, sendo assim, quem me garante que o Satanás não inspirou, também, por exemplo, a Bíblia?

21 de Agosto, 2013 Carlos Esperança

A Síria e a barbárie

Desconheço se foram as forças do Presidente Bashar al-Assad as responsáveis do ataque químico, hoje perpetrado em diversas zonas próximas de Damasco. Fiz a guerra colonial e sei da História o suficiente para desconfiar do que é capaz a contrainformação.

Aqui ao lado, em Espanha, os exércitos de Franco queimaram igrejas, para acusarem do crime os adversários e incitarem contra eles o ódio. Os totalitarismos nunca titubearam na deriva criminosa que pudesse beneficiá-los.

Há meio século Damasco era uma cidade cosmopolita, as mulheres gozavam a liberdade e respiravam a civilização. Hoje é o inferno onde o desespero e o ódio semeiam a morte, onde o gás sarin, ou outro, deixa o chão juncado de cadáveres de homens, mulheres e crianças, numa orgia de violência que lembra o horror do nazismo.

As imagens que nos chegam provocam comoção, incitam à raiva e despertam desejos de vingança. Nós sabemos que as crianças mortas foram colocadas naquela posição, com precisão cirúrgica, para obter a máxima revolta, mas elas estão lá, inertes e frias, vítimas indefesas das atrocidades, dos interesses geoestratégicos das potências dominantes e dos fanáticos que querem vergar o mundo ao deus que os traz dementes desde a infância.

As fotografias do cobarde massacre com gás enviado em rockets com agentes químicos, para dizimar as populações de Ain Tarma, Zamalka e Jobar, na região de Ghouta, são de crueza obscena. Nas «pupilas dilatadas, membros frios e espuma nas bocas», de bebés e crianças, vermos a violência de quem ordena e a demência de quem obedece.

Os responsáveis desta violência não podem passar sem julgamento. São crimes contra a Humanidade, delitos imprescritíveis e imperdoáveis. A Síria pode ter nascido num sítio errado mas os criminosos não podem ter sítio onde se acoitem.

20 de Agosto, 2013 Carlos Esperança

A ICAR na história da coca

(…)

No século 19, o alcalóide da coca – a cocaína – fazia parte de fórmulas medicinais. Suas propriedades anestésicas e estimulantes garantiram o sucesso de muitos remédios e geraram fortunas, a exemplo do vinho tônico de Angelo Mariani (Vin Mariani), no qual a Igreja tinha interesses. Esta bebida era consumida inveteradamente pelo Papa Leão XIII, que chegou a fazer anúncios enaltecendo suas qualidades e a condecorar o seu produtor com a medalha de ouro do Vaticano. O Vin Mariani levava a absurda quantidade de 250 mg de cocaína por litro; a Coca-Cola, que manteve o alcalóide em sua fórmula até 1923, não usava mais de 7 mg/litro.

(…)

Ler «Do pó vieste…»

20 de Agosto, 2013 Carlos Esperança

Mensagem de um amigo

Por

A. J. Martinho Marques

Ando farto de chamar a atenção aos meus amigos que se pensam mais tolerantes e a quem eu chamo “ceguetas”. Ainda hoje ao almoço me irritei (eu que só saio de casa às vezes e ao almoço… e não me posso irritar) porque veio a velha teoria de “a culpa é dos americanos”.

Tive de regressar ao meu “estado antigo habitual” e dizer-lhe que “ser de Esquerda não é ser estúpido”, pelo contrário, “é ser tolerante mas não tolo, é defender ideias e não idiotices”.

Depois de, exaltadamente, lhe chamar a atenção para o facto e o perigo de a Europa estar a ser apertada numa tenaz islâmica com pontas em Marrocos e já a partir da Alemanha, que abarca todo o Mediterrâneo, de lhe ENSINAR o que foi os turcos terem estado às portas de Viena, no que consistiu a batalha de Matapan, e sei lá mais quê que eu disse, acabei por referir o caso da Argélia, com um início igual a este do Egito e que só acabou (adormeceu) depois das autoridades respetivas terem usado a mesma atuação dos fundamentalistas: degolá-los!

Pôrra, não custa muito aceitar que não se pode pactuar com assassinos de novos e velhos, polícias, militares ou simples cidadãos, crianças, velhos, indefesos, que discordam (às vezes nem isso!) deles!!!

Ainda me irrito mais com a “teoria dos coitadinhos”, e porque cometem estes crimes horrendos em nome de um merdas de um deus misericordioso.

Ainda bem que pensas assim. Não deixes de esclarecer quando e quem quiseres do que verdadeiramente está em jogo.

Abraço.

19 de Agosto, 2013 Carlos Esperança

Religiões e violência

O Papa Francisco renovou hoje no Vaticano os apelos em favor da paz no Egito e afirmou que religião é “incompatível” com qualquer forma de violência.

“Continuemos a rezar pela paz no Egito, todos juntos. Maria, Rainha da Paz, reza por nós”, pediu, perante dezenas de milhares de pessoas reunidas na Praça de São Pedro para a recitação da oração do Angelus.

Diário de uns Ateus – Contrariamente ao que o Papa afirma, a religião é o principal detonador da violência e, quanto às rezas, a inutilidade é, como ele sabe, total.

19 de Agosto, 2013 Carlos Esperança

O catolicismo, o islamismo e a democracia

Pio IX, a quem a epilepsia impediu uma carreira militar, seguiu o caminho da teologia, e foi, mesmo para a época, o exemplo do extremismo reacionário. A encíclica «Syllabus errorum» é um catálogo de condenações, desde o panteísmo ao naturalismo, do racionalismo ao socialismo, sem esquecer o comunismo, a maçonaria e o judaísmo.

O roubo de uma criança, Edgardo Mortara, aos pais judeus, com a alegação de que uma criada a batizara em segredo, para ser educada na religião católica, não o impediu de ter um milagre adjudicado por João Paulo II, que o promoveu a beato, mas ficou como uma das nódoas mais negras da Igreja católica. Não o salvam do opróbrio os dogmas criados: a infalibilidade papal e a virgindade de Maria.

Para Pio IX, a Igreja católica era incompatível com a liberdade, a democracia e o livre-pensamento, valores aprovados no concílio Vaticano I, uma reedição do de Trento. A História acabou por desmenti-lo e a excomunhão da modernidade é um mero detalhe na nódoa do seu pontificado. Sabemos hoje que a repressão sobre o clero e a imposição da laicidade transformou os países cristãos em berço da democracia.

O Islão vive hoje os piores preconceitos do catolicismo de há 150 anos. No Egito, onde, enquanto escrevo, ardem igrejas, assiste-se a uma orgia de sangue. Depois do golpe de Estado de 3 de julho, que pôs termo a 1 ano de governo dos Irmãos Muçulmanos, nunca mais houve paz e a Irmandade Muçulmana, que tinha ganho as eleições, está em vias de ser proibida, voltando à situação a que Nasser a remetera em 1954, à clandestinidade e à repressão, situação de que tem larguíssima experiência, com uma imensa e sólida rede de proteção médica, assistência social e educação, organizando-se de novo através das mesquitas e universidades donde tinha saído da clandestinidade para a vitória eleitoral.

A pressa na imposição da sharia e o aumento da violência contra cristãos que resistiam à islamização, bem como contra a sociedade urbana, laica e secularizada, foi a detonadora do movimento militar que derrubou o presidente Mohamed Morsi, que jamais respeitou os limites que a constituição lhe impunha. Não era, aliás, pessoa para compreender que a democracia é também, e sobretudo, o respeito pelas minoria, minudência inaceitável para o Islão, totalitário e prosélito.

Curiosamente, o presidente turco, Tayyip Erdoğan, que a Europa e os EUA teimam em considerar um islamita moderado, seja isso o que for, não teve um conselho para Morsi durante a sua deriva islamizadora, mas não lhe fata agora com o apoio na sua defesa.

No Egito repete-se a dolorosa experiência argelina de 1994 quando o governo derrotado declarou guerra à Frente Islâmica de Salvação (FIS), com a débil condenação da Europa e dos EUA, que respiraram de alívio.

Não sei o que nos reserva o futuro, onde o terrorismo religioso não pode ser consentido nem a fé do crentes reprimida. Para já, sob os auspícios da esquizofrenia da fé, o medo e a desconfiança vão miando a possibilidade da democracia onde o fascismo islâmico alastra.