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1 de Março, 2014 Carlos Esperança

Maria de Magdala (História adaptada)

Naquele tempo, em Magdala, na antiga Palestina, uma multidão preparava-se para apedrejar Maria sobre quem recaía a acusação de pecadora. Fora um boato posto a correr, talvez por um corcunda da tribo de Manassé, ressentido por se ter visto recusado, que a sujeitara ao veredicto de que não cabia recurso.

O princípio do contraditório ainda não tinha sido criado, nem era hábito ouvir o acusado, jamais sendo mulher, nem a absolvição era previsível nos hábitos locais. A lapidação de Maria tinha transitado em julgado.

A lapidação era, aliás, um divertimento em voga, que deixava excitados os autóctones das margens do rio Jordão que atravessava o Lago Tiberíade a caminho do mar Morto. Diga-se, de passagem, que esse desporto ainda hoje é muito popular nos países islâmicos, para imenso gáudio das multidões e satisfação de Maomé.

Aconteceu que andando o Senhor Jesus a predicar por aquelas bandas, depois de indagar o que se passava, aproveitou a multidão para se lhe dirigir, e disse:

– Aquele de vós que nunca errou que atire a primeira pedra.

Todos pareceram hesitar. Muitos deixaram cair as pedras com que chegaram municiados. Havia crispação nos que vieram de longe, com sacrifício, e um certo desapontamento de todos os que esperavam divertir-se. Só o Senhor Jesus continuava sereno, a medir o alcance das suas palavras. Mas, eis que da multidão se ergueu um braço e Maria de Magdala caiu derrubada por uma pedra certeira.

Enquanto algumas pessoas a reanimavam, na esperança de repor o espetáculo que tão breve se esgotara, o Senhor Jesus foi junto do atirador e disse-lhe:

– Então tu, meu filho, nunca erraste?

– Senhor, a esta distância, nunca.

 

27 de Fevereiro, 2014 Carlos Esperança

Pedidos de desbatização (AAP) – email de um ateu

Olá.

Depois de ler essa notícia [pedido de desbatização, SOL], talvez valha a pena relatar o meu caso: há um par de anos mandei a declaração de apostasia que estava no site a AAP e tudo correu lindamente: recebi pouco tempo depois a confirmação do pároco, tudo em termos cordiais. Foi na paróquia de Loures, para que conste.

Um abraço do Luís M.

27 de Fevereiro, 2014 Carlos Esperança

Falta de pudor

O Ministro do Interior de Espanha, Jorge Fernández Díaz, concedeu a mais alta condecoração policial à Virgem María, concretamente a Nuestra Señora María Santísima del Amor, possivelmente pelo seu silêncio em relação aos escândalos do Governo.

Texto completo en: http://actualidad.rt.com/actualidad/view/120967-policia-espanola-medalla-virgen

El Ministerio del Interior de España concede una medalla a la Virgen
actualidad.rt.com
El ministro del Interior de España, Jorge Fernández Díaz, concedió la más alta condecoración policial a la Virgen María, concretamente a Nuestra Señora María Santísima del Amor.
27 de Fevereiro, 2014 Carlos Esperança

Liberdade religiosa

Tertúlia Direito à Liberdade Religiosa

Promovida pela Secção de Defesa dos Direitos Humanos da Associação Académica de Coimbra (SDDH/AAC), teve a participação de Paulo Sérgio (departamento da Liberdade Religiosa da Igreja Adventista em Portugal), de Fernando Catroga (catedrático de História da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra) e do presidente da Associação Ateísta Portuguesa.

À sessão, em que participaram cerca de 40 pessoas, seguiu-se um animado debate onde a categoria académica do Prof. Catroga e o espírito aberto do representante da Igreja Adventista foram pontos salientes.

Inicialmente foi passado um vídeo onde se perguntava a alunos da U.C. o que pensavam das religiões.

A unanimidade registou-se quanto à necessidade da laicidade do Estado para evitar a conflitualidade das religiões na disputa do mercado da fé, bem como nos privilégios injustificados da Igreja católica.

26 de Fevereiro, 2014 Carlos Esperança

Com tantas missas!

O Vaticano é o país do mundo onde se consome mais vinho, concluiu um estudo do Wine Institute, avança o jornal britânico «The Independent».

Em média, cada habitante do Estado do Vaticano bebe 74 litros de vinho por ano, o que corresponde a cerca de 105 garrafas. Este número é o dobro da quantidade que se consome em França e Itália. E o triplo do consumido no Reino Unido.

25 de Fevereiro, 2014 Carlos Esperança

A Ucrânia, a anarquia e o futuro

Não me sinto capaz de tomar partido na rebelião popular, atiçada do exterior, num país em ruínas. A pobreza extrema, uma agricultura destruída no que foi o celeiro da Europa, a divisão étnica e a tradição autoritária e antidemocrática estão na origem de confrontos, que ameaçam continuar, para vingar o sangue já derramado.

Não vale a pena, agora, recordar as matanças e as migrações forçadas por Estaline que alteraram a matriz étnica e cultural do segundo maior país da Europa.

O que não entendo é a explosão do nazismo em apoio aos partidos que anseiam a união à Europa, como se a Rússia fosse um país africano e os nazis indefetíveis partidários da União Europeia. Também não entendo o apoio de alguma esquerda às forças pró-russas como se Moscovo fosse um soviete dirigido pelo comunista Ieltsin.

A disputa entre potências capitalistas, com a Rússia a ser alvo do apetite da Nato, pode provocar uma hecatombe e debilitar o poder russo. De certeza, altera-se a correlação de forças, com a NATO contida nos limites atuais, uma derrota para a Europa que serve de ponta de lança aos EUA, ou expandida até à fronteira russa, com a derrota de Moscovo.

É curioso ver comunistas a defenderem o poder sufragado em eleições e os reacionários a apoiarem histericamente a insurreição e atos de justiça popular, posições corajosas de quem está longe do conflito.

Debilitar a Rússia é acender o rastilho das antigas repúblicas soviéticas onde o fascismo islâmico pretende a desforra e a sharia, enquanto a Turquia se orienta, a recitar o Corão, em direção a Meca e as primaveras árabes mergulham na anarquia e nas cinco orações.

Com os erros da meteorologia euro/americana a anunciar primaveras árabes, temo que a Rússia fique à mercê de irrefreáveis hordas islâmicas que, no ocaso da civilização árabe, exacerbam a devoção e a demência.

E não haverá inocentes.