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17 de Março, 2014 Carlos Esperança

Opus Dei, Escrivá de Balaguer, Jardim Gonçalves e os milagres

O servo de Deus monsenhor Escrivá de Balaguer, depois de percorrer os degraus de Venerável e Beato chegou a Santo em 6 de Outubro de 2002 graças a dois milagres aprovados – o primeiro no campo da oncologia e o segundo do foro da dermatologia.

O apoio a Franco e a obsessão por dinheiro, poder e honrarias podem ter arredado o taumaturgo da bem-aventurança eterna mas não lhe tolheram a canonização.

O virtuoso bispo do Funchal, D. Teodoro de Faria e o impoluto ministro de Estado e da Defesa, de então, Dr. Paulo Portas, destacaram-se entre os portugueses bem formados, convidados a deslocar-se a Roma para a cerimónia. Não terão deixado de rezar para que se esqueçam as ligações da Prelatura ao mundo da alta finança e os inúmeros escândalos financeiros em que se viu atingida no passado (Rumasa, Matesa, Banco Ambrosiano, etc.).

A tentativa de criar o governo teocrático universal sonhado por Paulo, a sua aliança com a Mafia internacional e a pseudo maçonaria financeira, ou o abuso indiscriminado do negócio milagreiro, documentados por Juan G. Atienza (Los Pecados de La Iglesia), são acusações prescritas.

Aspetos negativos da personalidade de Escrivá, referidos pela colaboradora e secretária de muitos anos, Maria Tapia, no livro “Uma vida na Opus Dei”, e as acusações de Robert Hutchison em “O Mundo Secreto do Opus Dei” prescreveram também.

Regozijemo-nos, pois, por ter sido Monsenhor Escrivá “o justo entre os justos mais rapidamente elevado aos altares em toda a história da Igreja”, 17 anos exatos após a sua morte ( Ob. citada de J. Atienza, Pág. 342).

1750 sacerdotes e 80 mil fiéis – um exército de prosélitos sob a omnímoda autoridade de um prelado que dispõe de amplos recursos financeiros e sólidos apoios políticos em todo o mundo – não deixarão de proclamar a santidade do “Pai”.

Menos de 12 anos depois da canonização de monsenhor Escrivá, Jardim Gonçalves é o exemplo vivo da graça divina, por intercessão do santo predileto de João Paulo II, ao ver prescrever a elevada multa a que os tribunais terrenos tinham condenado o bem-aventurado, dedicado à Opus Dei.

Santo Escrivá, no sossego da sua defunção, vela pelos seus.

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16 de Março, 2014 Carlos Esperança

Criminosos da fé interrompidos nas orações

As polícias de Marrocos e Espanha desmantelaram a rede de um espanhol, Amaya, um dos dementes convertidos ao Islão e ao crime. A rede recrutava jihadistas europeus que iam lutar para a Síria, Mali e Líbia, locais excelentes para o treino militar que devolvem os sobreviventes, mais prosélitos e ansiosos do Paraíso.

Na Síria encontram-se mais de 2 mil jihadistas europeus cujo regresso extasiará Maomé e não deixará de causar fortes preocupações à Europa que parece esquecida de violentas guerras religiosas que a dilaceraram.

Continuo sem perceber o que leva países democráticos a aceitar a pregação do ódio e a fanatização religiosa que proíbe a uma associação ou partido político. As religiões não são mais do que associações de crentes, submetidas ao código penal dos países onde se organizam. O direito à crença é incompatível com o direito ao crime.

A Europa continua a considerar moderado o Irmão Muçulmano que na Turquia transpira fé e corrupção. O PM Recep Erdogan, pode antever na instabilidade política ucraniana a oportunidade para desviar a pressão a que está submetido e se intrometer no conflito que divide a União Europeia e a Rússia.

A Europa que se ajoelha perante as religiões e os seus próceres está a deixar-se infiltrar por uma onda de demência mística virada para Meca. Mas quem ontem viu os políticos portugueses a transformarem o funeral do ex-patriarca de Lisboa numa reunião política, não se admirará da falta de coluna vertebral de quem anda de rastos e viaja de joelhos.

Assim, falta autoridade para respeitar a laicidade.

16 de Março, 2014 Luís Grave Rodrigues

Realidade

15 de Março, 2014 Carlos Esperança

Já copeiam, já devedem, o pior são os ivões (Crónica)

Alguém me contou que Carvalhão Duarte, o corajoso jornalista que foi diretor do jornal República e empenhado antifascista, foi um dia recebido por Salazar na qualidade de presidente do organismo de classe dos professores primários, profissão de que viria a ser demitido por motivos políticos.

Carvalhão Duarte queixou-se de que os vencimentos dos professores não correspondiam à categoria profissional, ao que o ditador respondeu que, não podendo elevar os salários ao nível da categoria dos reivindicantes, faria com que a categoria viesse a corresponder aos vencimentos que auferiam.

Não surpreende que tal possa ter acontecido pois o encerramento das Escolas Normais e a criação dos Postos Escolares e respetivas Regentes, a quem bastavam quatro anos de escolaridade, correspondeu ao desprezo que a instrução lhe mereceu. Deve-se à ditadura o retrocesso escolar de quem temia a cultura e a julgava prejudicial à doutrina cristã e ao cuidado das almas de que Cerejeira se encarregou.

Os anos 30 do século XX foram de uma enorme regressão na formação dos professores e nas importantes inovações da I República, tragédia que só seria alterada na agonia do regime fascista, com Veiga Simão, no consulado marcelista.

O ensino obrigatório era, no meu tempo de escola, a 4.ª classe para rapazes e a 3.ª para meninas. Recordo a minha mãe a entrar nas casas das pessoas da aldeia, a dizer às mães que já lhe tinha matriculado a filha na 4.ª classe, senhora professora não me faça isso, faz-me falta para criar os irmãos, é uma boa aluna merece ir mais além, quem me fica com os outros filhos quando tenho de ir para a horta, a professora a submeter a mãe da menina que gostava da escola, a mãe a lamuriar-se, e a professora a conseguir mais um ano de escolaridade para a menina que não podia ser criança e para quem a 4.ª classe era considerada supérflua.

Em 1963, as regentes ganhavam 600$00 mensais, vencimento igual para as agregadas e as efetivas, tendo estas direito a 12 meses de vencimento anual e as outras a 9 meses e 12 dias. Para se fazer ideia da exploração e miséria a que eram condenadas, vale a pena recordar os salários miseráveis dos funcionários públicos, em geral, e os dos professores primários, em particular: 1.600$00, agregados; 1750$00, efetivos; e 2.000$00, 2200$00 e 2.400$00, após 10, 20 e 30 anos de serviço, respetivamente.

Em 1963, quando, por ser o único professor, fui nomeado Delegado Escolar, encontrei 16 regentes escolares no concelho, todas mulheres, em pequenas aldeias. Sem elas, muitas crianças ficariam desobrigadas da escola porque uma residência superior a 3 km da escola era motivo legal para isentar as crianças da frequência escolar.

Contrariamente às anedotas e humilhações a que a condição as submetia, devemos-lhes a alfabetização de muitas crianças que, doutro modo, não teriam oportunidade de, mais tarde, obter um passaporte e emigrarem, para fugirem à fome e à miséria a que estavam condenadas.

As regentes eram frequentemente ridicularizadas pela escassez de habilitações literárias e rudimentares conhecimentos, objeto de anedotas, tantas vezes injustas, quase sempre racistas, e da arrogância de professores que presidiam às provas de passagem dos seus alunos.

Era vulgar atribuir-lhes redações de ofícios onde a sintaxe e a ortografia abalavam os mais rudimentares alicerces da ortodoxia gramatical. Apareciam datilografados e eram divulgados para gáudio de quem tinha aprendido um pouco mais e subido na hierarquia rígida da função pública.

Havia muitas histórias atribuídas a regentes, que, com a miséria do vencimento, sofriam o sarcasmo de quem se julgava superior. É dessa indigência, do quotidiano repisado de «um país em “inho”» que aqui deixo a suposta afirmação de uma regente para o inspetor que a visitou: «os alunos já copeiam, já devedem, o pior são os ivões…», 3 vezes 8, 24, ‘e vão’ 2; 9 vezes 8, 72, ‘e vão’ 7», malditos ‘ivões’, a conjunção e a conjugação do presente do indicativo do verbo “ir”, a tornarem-se o plural de um absurdo substantivo.

14 de Março, 2014 Carlos Esperança

A AMEAÇA ISLÂMICA (1 de 3)

Por

João Pedro Moura

 A hedionda escumalha islâmica é a face mais horrenda do totalitarismo liberticida!

Não é fácil definir quem é esta gentalha nem como nos prevenirmos contra ela.

“Hedionda escumalha” caracteriza não só uma mentalidade, altamente perigosa, como um conjunto vago e mal definido de muçulmanos, todavia, donde se destacam todos aqueles militantes e populaça, não só pregadores do ódio ao estilo de vida ocidental e instigadores e praticantes da opressão religiosa e político-social daí decorrente, mas também votantes em partidos liberticidas, ufanos de “pureza islâmica”.

Politicamente, então, exprimem-se em partidos, tendencialmente liberticidas e totalitários, que tendem a ser maioritários, pois maioritária é a vontade da população votante, liberticida e totalitária, característica, sobretudo, das etnias árabe e outras médio-orientais.

Historicamente e, por maioria de razão, na sequência da chamada “primavera árabe”, efémero período de liberdade, sempre que se concede liberdade política a tais massas desvairadas, elas aproveitam para votar em partidos totalitários, que se aprestam para liquidar ou cercear a liberdade…

Em qualquer país normal, no decurso histórico da modernidade, o povo aproveita a liberdade política para instaurar um sistema tendencialmente democrático e liberal, porque democrática e liberal é, tendencialmente, a personalidade das pessoas normais.

Mas nas etnias árabe e outras médio-orientais, tal não acontece, redundando, concomitantemente, em gentalha anormal, perigosamente anormal, porque tendem a acometer os outros, os normais.

Tunísia, Líbia, Egito, Faixa de Gaza, Iraque, Irão, Argélia (1991), Somália (1992), enfim, em todos os países onde vigorou a liberdade num período revolucionário qualquer, as massas arabescas e médio-orientais votaram na boçalidade islâmica, liberticida e totalitária.

O perigo é tão grande que esta caterva viral propaga-se pelos sítios mais inesperados e são capazes de rebentar com um país.

As últimas investidas da gentalha islâmica foram no Mali, há 1 ano e na República Centro-Africana, há meses.

Em ambos os países, se não fossem as tropas francesas, enviadas para a zona de operações, com o apoio discreto americano e do consenso europeu, a turbamulta muçulmana já tinha conquistado o poder nesses países frágeis, preparando-se para espalhar a peste islâmica aos países vizinhos, também frágeis.

Estava-se a montar um cenário atroz, pela hedionda escumalha islâmica!

As tropas francesas massacraram centenas de combatentes islâmicos, no Mali, reduzindo a pó aquela repulsiva horda de malucos de Alá.

Na RCA, os bandidos muçulmanos da coligação Seleka, espécie de representantes da minoria muçulmana do país, tomaram o poder há um ano e começaram a impor a sua ordem pestífera, contra a maioria da população. A reação das tropas francesas e da força panafricana da MISCA pôs em fuga a horda maometana, levando a massacres, atualmente, do povo muçulmano e à debandada deste para as florestas, por ação do povo “cristão” ou não-muçulmano.

O desespero perante as investidas e da tirania do tresloucamento islâmico leva a que a reação só possa ser, tendencialmente, uma: combater a hedionda escumalha islâmica a ferro e fogo! E toda aquela população muçulmana que os suporta…

Onde nunca vigorou essa liberdade, temos, por exemplo, o sexteto petrolífero do Golfo Pérsico, onde uma camarilha de plutocratas, com maiores ou menores laços de parentesco com a família dominante, exercem um impressionante domínio político-social, totalitário e sumptuário, que faz lembrar as resplandecentes cortes absolutistas europeias de antanho.

Comparável com tais cortes centenárias, eis o imobilismo arabesco contemporâneo das cliques cleptocráticas do Golfo, capazes de coadunarem um fulgurante desenvolvimento económico, com arrojos arquitetónicos fantásticos, urbanismos de ponta, ostentações de riqueza, sem paralelo, em automobilismo caro e ourivesarias e joalharias áureas, tudo isso ao lado de esquemas autoritários e totalitários de dominação familiar e política, como já não se vê há mais de 100 anos nos países modernos…

Como estes anormais perseveram no desvario islâmico, mesmo vivendo como emigrantes em países ocidentais, democráticos e liberais, resulta que o problema deles só pode ser genético e não tratável em modo de pedagogia social.

E se é genético, não há nada a fazer. Enfim, é coisa dentro do evolucionismo biológico, a decorrer e a alterar muito lentamente pela História fora…

14 de Março, 2014 Carlos Esperança

Saramago, crenças e crispação

Incredulidade de Saramago

O tempo passou e a tensão diluiu-se entre os crentes que usavam uma linguagem cada vez mais crispada e intolerante para com o escritor que deu a Portugal um Nobel e à literatura portuguesa enorme prestígio. Ainda há trogloditas que não digerem o fascínio do escritor, lhe dirigem insultos e acalentam rancores.

Os bispos, padres e outros avençados do divino usam uma linguagem mais dissimulada e sonsa mas é igual o ódio que os devora e o ressentimento que manifestam.

Seria interessante, se não fosse perigosa, esta inquietação dos católicos em torno de Saramago. Este cumpriu o dever de dizer tudo o que disse, e o que mais lhe aprouve, e aqueles gozam de igual direito em relação a Saramago e ao ateísmo. Não assustando já as penas do Inferno, uma lucrativa invenção pia que rendeu grossos cabedais, deliram alguns com a situação de Salman Rushdie, vítima da demência de um aiatola que o condenou à morte por ter criticado o Islão. O que está em causa é a intolerância que em certas latitudes foi contida pelas democracias e em outras anda ainda à solta.

A ICAR abomina o riso e a felicidade mas é uma fonte de um e de outra. Torna felizes os que acreditam e diverte quem não a leva a sério.

Entre as fogueiras índias e as novenas católicas não há dados que indiciem a supremacia de umas sobre as outras quanto à eficácia na pluviosidade. As penas do chefe índio e o camauro do papa só diferem sob o ponto de vista estético. Os vestidinhos de seda do pontífice não se distinguem das vestes dos feiticeiros pelo ridículo, apenas pelo luxo e o conforto.

A cigana que lê a sina não é menos eficaz a espantar os maus olhados do que um padre a esconjurar os espíritos malignos e a garantir o Paraíso. Às vezes a clientela é a mesma e procura na água benta o sinergismo das mezinhas e rezas ciganas.

Um feiticeiro que em África receita uma poção de corno de rinoceronte moído só é mais antipático do que o padre que celebra a missa de ação de graças e ministra a comunhão porque põe em perigo a extinção de uma espécie animal, mas não é diferente a eficácia sobre a convalescença de um doente ilustre.

O batismo com água benta é mais inócuo do que uma circuncisão, que deixa marcas, ou uma excisão, que põe em risco a vida e destrói de forma irreversível a felicidade sexual.

Mas não há motivo para não nos rirmos dos rituais religiosos. Poucas encenações são tão hilariantes.

13 de Março, 2014 Luís Grave Rodrigues

Universo

13 de Março, 2014 Carlos Esperança

Francisco – o Papa que a propaganda esperava

O 1.º aniversário do pontificado do papa Francisco é o pretexto para acelerar a máquina de propaganda que, há um ano, ganhou novo fôlego, quando Bento XVI preferiu manter a cabeça e abdicar da tiara, do anel e do alvará pontifícios.

Hoje, um ano depois de lhe ter sido conferido o diploma para criação de cardeais, beatos e santos, a comunicação social portuguesa atesta que os autóctones o querem em Fátima no 1.º centenário das aparições que, em 1917, ajudaram a combater a República e, mais tarde, o comunismo, como se não houvesse portugueses indiferentes à agenda católica e às celebrações litúrgicas.

Francisco era o Papa de que a Igreja de Roma precisava para o transformar numa estrela pop, à semelhança do que havia feito com João Paulo II. Adoram-no, porque se chama Francisco, como o venerariam se tivesse escolhido o nome de Roberto; exultam quando diz a palavra ‘homossexual’, como sucederia de dissesse ‘valha-me deus’, em calão, à semelhança do soldador a quem cai um pingo de solda num olho; arfam beatos, quando fala, como palpitariam se ficasse calado.

Cria cardeais e não interrompeu a indústria da santidade. Defuntos antigos continuam a fazer milagres prodigiosos e a ser elevados aos altares. Pecadores endemoninhados são curados por imposição das mãos papais. Os exorcismos continuam a ser uma terapêutica pia, para os males da alma, como o chá de cidreira para as moléstias do corpo, em meios rurais, onde minguam drogas mais elaboradas.

O obscurantismo e a superstição permanecem, embalados em sorrisos, divulgados pela máquina de propaganda, enquanto os crentes veem, nas vestes talares, o sinal divino dos negócios pios.

Pouco há a esperar de um mundo misógino onde os celibatários se julgam guardiões da moral e juízes dos valores sociais. A igualdade entre homens e mulheres terá de esperar neste estranho mundo onde são femininas as vestes, masculinos os atores e coloridas as vaidades.

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