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2 de Dezembro, 2006 Carlos Esperança

O Papa na Turquia

Depois de ter colocado respeitosamente uma coroa de flores em homenagem a Kemal Atatürk, o pai da Turquia moderna, que proibiu o uso público dos símbolos religiosos, Portugal espera que B16 repita o gesto em relação a Joaquim António de Aguiar e Afonso Costa, vilipendiados pelo clero da sua Empresa.

Num gesto de coerência, o Papa B16 defendeu a entrada da Turquia na União Europeia e – presume-se -, terá amaldiçoado um cardeal reaccionário de nome Rätzinger, que foi o chefe do Santo Ofício no anterior pontificado, adversário de semelhante ideia.

Na Mesquita Azul, o Sapatinhos Vermelhos, que crê tanto em Deus como os redactores do Diário Ateísta, recolheu-se em oração, virado para Meca, mostrando que sabe geografia e o lado de que Deus sopra.

Antigamente Deus estava em toda a parte, mas a melhoria das condições higiénicas e o aparecimento da lixívia, removeram-no para o Céu, cuja localização se ignora, e para Meca onde o odor das grandes peregrinações ainda o conserva.

Se Atatürk fosse vivo obrigaria B16 a vestir-se como as pessoas normais e a conter-se no tráfico da fé, remetendo as negociações religiosas para a esfera particular. Assim, com o circo mediático montado nesta viagem, as negociações fizeram-se em público e decorreram com a presença da comunicação social.

Cuidado com os dirigentes religiosos. Não é a liberdade que procuram, é a imposição da fé através dos meios persuasivos que ilustram as páginas mais negras da humanidade.

1 de Dezembro, 2006 fburnay

Lembram-se da Laicidade?

Lembram-se da Laicidade?

Muitos portugueses torcem o nariz a tudo o que cheire a laicidade. Acham provavelmente que o laicismo veio para lhes tirar a sua religião e para lhes dizer que não há nada de sagrado na sociedade, para acabar com as procissões e com os seminários.

O Laicismo não serve para nada dessas coisas. Serve para manter a religião afastada dos poderes do Estado para que todos os cidadãos possam viver cada um a sua religiosidade em igualdade de direitos independemente do tipo de culto que praticam.

Mas não só. A Laicidade serve também para proteger as religiões de interferências do Estado. Não cabe ao Estado dizer o que é ou deixa de ser religião, qual delas merece maior atenção nem usar a religiosidade dos cidadãos como factor discriminatório.

A todos os católicos que se esquecem desse outro lado do Laicismo peço-lhes que olhem para a China, onde é o Estado que ordena os bispos católicos independentemente do que os crentes possam pensar disso. Eu até acho possível e legítimo que, em gesto de anátema, alguns crentes decidam por sua mão ordenar um bispo à revelia do Vaticano. Isso já tem acontecido e deu origem a cismas e divisões de cultos. A questão é que não pode ser o Estado a fazê-lo. Na China não há liberdade religiosa porque o Estado não actua de forma laica. Espero que tristes exemplos como este sirvam ao menos para lembrar que a Laicidade é algo de bom para os crentes.

1 de Dezembro, 2006 jvasco

Sorte ou injustiça?

Há quem diga que devemos agradecer a um deus aquilo que temos [..]. Eu tenho muito porque estar satisfeito com a minha vida. Vou ao supermercado e compro o que me apetece, gosto do meu trabalho, tenho saúde, e uma grande família de malta porreira. Tive muito mais sorte que os milhões de doentes, famintos, desabrigados, estropiados, órfãos, que sofrem por todo o mundo. E admito: não é justo. É injusto que uns corram cem metros em menos de dez segundos e outros nasçam sem pernas, ou que uns sejam compositores geniais e outros surdos. Mas ao menos é uma injustiça cega, como a lotaria. Calha a uns como podia ter calhado a outros.

Mas se a lotaria está viciada é uma injustiça terrível e maldosa. Se é por cunha que uns são corredores exímios e outros paraplégicos, que uns vivem felizes e outros sofrem, é revoltante. Se eu vivo bem enquanto outros morrem de fome e doença porque um deus puxou os cordelinhos do universo para me beneficiar à custa deles não estou nada grato. Nem percebo como se pode estar de boa consciência pensando que é assim.

——————————–[Ludwig Krippahl]

1 de Dezembro, 2006 Palmira Silva

Dia Mundial de Luta contra a Sida



Desde que o Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (SIDA) foi identificado pela primeira vez há 25 anos, já causou a morte de 25 milhões de pessoas, das quais 2,9 milhões ocorreram este ano. As estimativas da ONUSIDA (Programa Conjunto das Nações Unidas e da Organização Mundial de Saúde sobre o VIH/SIDA ), indicam que existem actualmente 39,5 milhões de pessoas com o vírus da SIDA. Estes números podem ser uma estimativa conservadora já que de acordo com o relatório epidemiológico do VIH/SIDA de 2006 que acaba de ser divulgado, apenas 10 por cento das pessoas infectadas pelo VIH conhecem o seu estatuto serológico.

A epidemia de SIDA é particularmente dramática em África, onde se estima que 2.8 milhões de pessoas foram infectados em 2006. Na África sub-sahariana, cerca de 59% dos infectados são mulheres, o que é extremamente preocupante de per se mas também porque menos de 10% das mães seropositivas têm acesso aos medicamentos que previnem a transmissão do VIH ao filho.

O aparecimento do vírus HIV forçou uma mudança sem precedentes na forma com a sexualidade é discutida na praça pública. Para uma prevenção eficaz desta epidemia, um dos maiores flagelos da história da humanidade, é obrigatório falar sobre sexo – e sobre os preservativos, a forma mais eficaz de deter o progresso das infecções -, obrigação que deveria ser assumida pelas entidades públicas especialmente a nível dos profissionais da saúde (públicos e privados) e educadores.

Mas as indispensáveis campanhas de informação têm sido boicotadas nos países em que os prosélitos de Deus detêm poder político já que estes se opõem tenaz e veementemente a todos os programas de educação sexual e sobre o uso de preservativo, contrapondo como alternativa as respectivas homilias de desinformação e mentiras grosseiras, nomeadamente as mentiras que especialmente a Igreja Católica dissemina sobre a ineficácia do execrado preservativo.

De facto, a condenação católica do uso de preservativos, «tanto como medida de planeamento familiar, como em programas de prevenção da SIDA», associada a campanhas de mentira deliberada sobre o seu uso, nomeadamente em África em que responsáveis locais, para além de organizarem orgias de fé queimando preservativos, asseveram que é o preservativo o culpado pela disseminação da SIDA, tem sido desde sempre alvo de críticas, inclusive da Organização Mundial de Saúde.

De facto, a Igreja Católica e o actual Papa em especial – enquanto Raztinger considerou inadmissível o uso de preservativos – condena o uso do preservativo como profilaxia da SIDA, ou seja, é contrária ao uso de preservativos (e qualquer método contraceptivo), mesmo no caso de casais em que um dos cônjuges está infectado com o HIV.

Decorreu esta semana em Roma a XXI Conferência Internacional do Conselho Pontifício para a Pastoral da Saúde, que decorreu em Roma, sob o tema «Os aspectos pastorais dos cuidados a ter com as doenças infecciosas». No item SIDA ficámos a saber que a «a Igreja tem 26,7% das unidades existentes específicas para o tratamento da Sida» – em África a percentagem é substancialmente maior -, isto é, que em mais de um quarto destas unidades, que deveriam não só tratar como informar, os infectados são desinformados e exortados a não usarem preservativos, garantindo a perpetuação da doença.

Apesar das esperanças dos católicos normais de que o documento de 200 páginas em análise na ex-Inquisição resulte no fim da proibição da Igreja do uso de preservativo por pessoas infectadas pelo vírus (o único ponto em análise), a análise do papado de Ratzinger – que há pouco mais de 2 meses criticou a sociedade ocidental por se preocupar e dispender fundos com minudências, como políticas de saúde ou de combate à exclusão social, em vez no que deveria ser realmente importante: a evangelização – permite-me prever que a Igreja Católica continuará, 25 anos depois do início do flagelo, «o maior obstáculo na luta contra o HIV/SIDA».

Para que os objectivos da ONU de erradicação da doença sejam cumpridos é imprescindível que todos, governos, crentes de boa vontade e não crentes, se empenhem em combater este obstáculo!

30 de Novembro, 2006 Carlos Esperança

3.º Aniversário do Diário Ateísta

Há três anos que denunciamos a mentira, combatemos a prepotência e nos opomos aos crimes das religiões.

Tem sido um esforço colectivo bem sucedido.

Resistimos aos insultos piedosos, às ameaças dos beatos e às orações para que Deus nos castigue.

Perante a insignificância de Deus e a impotência dos seus devotos, o Diário Ateísta é hoje um baluarte na defesa do livre-pensamento.

Blogosfera, 30 de Novembro de 2006

30 de Novembro, 2006 Palmira Silva

Símbolos católicos nas assembleias de voto

A Comissão Nacional de Eleições (CNE) vai apreciar em plenário no dia 5 de Dezembro o pedido da Associação Cívica República e Laicidade (ARL) que pede o cumprimento do artigo 133º da Lei Orgânica do Regime do Referendo que proíbe a existência de propaganda nos locais de voto, isto é, pede a proibição de símbolos religiosos nas assembleias de voto no referendo sobre o aborto.

No Correio da Manhã lê-se ainda que «O tema é delicado», não explicando o autor do artigo o que há de delicado em fazer cumprir a lei, a não ser, quiçá, a pecha da Igreja de Roma em considerar que está acima da lei!

De facto, a referida lei é explícita: «por propaganda entende-se também a exibição de símbolos (…) representativos de posições assumidas perante o referendo». A ICAR tem apregoado em todos os orgãos de comunicação social a sua posição pró-prisão pelo que não há quaisquer dúvidas na interpretação da lei. Podemos apenas esperar que essa seja também a conclusão da CNE!

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30 de Novembro, 2006 Palmira Silva

Biologia Reprodutiva – Uma Nova Síntese

Um post simplesmente genial que parodia as barbaridades debitadas pelos neo-criacionistas bíblicos disfarçados de IDiotas a que cheguei via o que já todos sabem ser o meu blog de ciência favorito! Uma sátira às imbecilidades criacionistas cristãs mais bem conseguida ainda que a teoria da Queda Inteligente e a deometria ou matemática para crentes. Hilariante desde a primeira linha, com uma mui apropriada escolha dos nomes do autor e instituição:

Biologia Reprodutiva – Uma Nova Síntese
por M. A. Charlatan, M.S., Ph.D., D.Phil, M. Div
(Um artigo encomendado pelo Instituto Indescrítivel)

passando pelo resumo do artigo:

Resumo
As teorias normalmente aceites em ciência não são sujeitas a uma re-avaliação radical excepto em casos raros (ver Kuhn para uma discussão mais alargada). Nós no Instituto Indescritível acreditamos que é tempo para uma dessas mudanças radicais de paradigma no campo da Biologia Reprodutiva – nomeadamente contestando a noção que a reprodução (normalmente definida como a «produção de novos indíviduos» ou a «perpetuação de uma dada espécie») ocorre via mecanismos geralmente aceites como sejam a «fertilização de um óvulo por espermatozóides» e «36-38 semanas de gestação» que são descritas sob a teoria «Reprodução Sexuada». Dados os numerosos problemas inerentes à Teoria da Reprodução Sexuada propomos que teorias alternativas, tais como a Teoria da Cegonha, a Teoria do Campo de Couves (equivalente à Teoria do Vindo de França em Portugal) e a Hipótese Encontrado Debaixo de uma Ponte, merecem uma análise mais alargada e devem ser ensinadas como parte de qualquer curriculum de Biologia representativo ao nível do ensino secundário.

e terminando em glória não só nas conclusões mas especialmente nas notas de rodapé:

Conclusão
Vivemos tempos excitantes no campo da Biologia Reprodutiva. Estamos no limiar de uma grande revolução. As bases em que assenta a Teoria da Reprodução Sexuada estão a desmoronar. Daqui a 10 anos, a nossa perspectiva da reprodução humana pode ser radicalmente diferente. No entretanto não podemos deixar de admirar a magnificência do espírito humano – a grandeza das nossas mentes curiosas. Está na nossa natureza desafiar ideias ultrapassadas, ver o mundo com uma nova visão, despertarmos para a glória do Universo.

Footnotes:
1) O autor não tem algo a declarar. De momento não tem financiamento, mas tem três projectos pendentes, um no NIH (National Institutes of Health), outro no NSF (Nacional Science Foundation) e outro no Toys R Us. Perguntas sobre emprego, bolsas de postdoutoramento, etc. devem ser dirigidas ao Instituto Indescrítivel.
2) Este artigo foi encomendado pelo Instituto Indescrítivel (página em construção). Entretanto, por favor visitem a instituição análoga – o Discovery Institute cuja missão é similar à nossa mas no campo da Biologia Evolucionista (não Biologia Reprodutiva). No entanto, devemos avisar os nossos leitores que enquanto nós propomos três teorias alternativas falseáveis à Reprodução Sexuada, o Discovery Institute ainda não produziu uma sequer [na realidade já produziu uma, a Teoria dos Anjos e outras tretas].

O artigo é demasiado extenso para traduzir na sua totalidade mas há detalhes deliciosos que parodiam o que ululam os IDiotas em nome de um mito, mais especificamente que há um lobby «evolucionista» que impede não só que os «muitos problemas» com o evolucionismo sejam reconhecidos como é a razão de os seus delírios religiosos não serem publicados em revistas científicas, isto é, carpem supostas teorias da conspiração urdidas pelos «satânicos» darwinistas para impedir o progresso científico(?) da «teoria».

O Case Study de John Pellembell – professor associado de Biologia na Euphoric State University (Universidade do Estado Eufórico) correntemente a lítio – é absolutamente… divinal!

30 de Novembro, 2006 Carlos Esperança

Vaticano, S. A.

O Vaticano é uma imobiliária com alvará, que vende apartamentos no Céu. O seu negócio não é só a religião. Vende pedaços de Paraíso, a pronto e a prestações, para uso pessoal ou com direito a albergar os descendentes.

Os preços variam de acordo com as necessidades de tesouraria do bairro das sotainas e a ansiedade dos crentes em fecharem o negócio da vida eterna.

Um marketing agressivo, feito pela negativa, conduz os mediadores, espalhados pelo mundo – bispos, padres, diáconos e clero regular -, a dizer mal da concorrência.

Os condomínios de Deus têm ar condicionado, vistas paradisíacas, música celestial com orquestra privativa de anjos, e felicidade perpétua garantida na apólice.

As habitações do Inferno estão degradadas e sujas, têm o Diabo por senhorio, cheiram a enxofre e não têm privacidade. Enquanto no Céu há piscinas de água benta, no Inferno há caldeirões, com azeite fervente, onde fazem sauna pedófilos e hereges, prostitutas e violadores, padres que partiram sem a santa unção e bispos dados à licenciosidade, sem tempo para remirem os pecados.

Quem quiser pagar missas, indulgências e outros géneros pios, compra a eternidade em nacos de felicidade com cheiro a incenso e banhos tépidos de água benta.

O Céu é uma delícia. Cara.

30 de Novembro, 2006 Ricardo Alves

Pior, é sempre possível

No actual debate sobre a despenalização do aborto, sabendo que há muito quem defenda que abortar até às 10 semanas deve dar pena de prisão, todavia aguardo ainda o momento em que alguém defenda que o uso da pílula do dia seguinte é homicídio.

Em Portugal, ainda não aconteceu. Mas, na Argentina, os bispos da ICAR local já defendem abertamente que «[se trata] (…) de um fármaco que atenta contra a vida humana, que a Constituição Nacional considera inviolável desde o momento da concepção». Já existindo portanto na galáxia católica quem defenda que usar a pílula do dia seguinte é assassínio, podemos confiar que algum católico português defenderá que existiram em Portugal, em 2005, 230 mil homicídios por ingestão de um comprimido. Este autêntico genocídio não resultou num único caso em tribunal…

(César das Neves, aceita a sugestão? Ou delega no Nuno Serras Pereira?)