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17 de Janeiro, 2007 lrodrigues

Opinião da Igreja Católica? Não, Obrigado!

Depois do Bispo de Roma, o Papa Rotweiller XVI, ter comparado a prática do aborto ao terrorismo, chegou a vez de um colega seu português, de nome António Montes Moreira, ter comparado o aborto à pena de morte, invocando galhardamente os valores da doutrina cristã e da civilização humana.

A inqualificável falta de dignidade e a chocante desonestidade intelectual da Igreja Católica no que concerne ao aborto, tocam mesmo as raias de um incomensurável absurdo.
É esta mesma Igreja, que agora se vem arrogar ter uma palavra a dizer na sociedade portuguesa no próximo referendo sobre a despenalização do aborto, que sempre foi contra qualquer forma de planeamento familiar que não passe pela contagem dos dias ou pela filiação na Opus Dei.
É esta mesma Igreja que, enquanto clama pelos valores da vida humana, organiza queimas rituais de preservativos e assim se torna cúmplice das terríficas taxas de disseminação da SIDA, principalmente em África.
É esta mesma Igreja que não hesita em achincalhar os sentimentos religiosos dos seus próprios fiéis com a publicação de panfletos com a mãe das suas divindades a chorar, a mesma semi-deusa que há décadas utiliza como instrumento e fonte de receita financeira numa das maiores fraudes religiosas de que há memória.
É esta mesma Igreja que carrega consigo um passado de ignomínia, uma História de sofrimento, de sangue e morticínio, que é sinónimo de atraso social, cultural e civilizacional, que se distingue pela sua visão suja e pecaminosa, típica dos mais abjectos tarados sexuais, sobre tudo o que diga respeito a sexo, que sempre sobrevalorizou a sua doutrina e o seu catecismo à própria vida humana, enquanto persiste em desprezar a mulher, quer na sua própria condição quer até como ser humano.
É esta mesma Igreja para quem o sexo é simplesmente sinónimo de «pecado», para quem amar é «pecar», que não concebe que o seu próprio Deus em visita aos homens pudesse ter sido concebido num acto de amor, que não permitiu sequer à mãe desse seu Deus o privilégio de amar, uma vez mais trata a mulher como um mero objecto, um ser humano de segunda ou terceira categoria a quem não permite sequer o livre arbítrio, a escolha ou a determinação do seu próprio corpo, e a quem antes impõem uma opção pré-determinada pela sua doutrina e pelos seus valores medievais, ainda que isso signifique o drama e o risco de vida do recurso ao aborto clandestino.
É esta mesma Igreja, que proclama os valores de um Deus tirano, impiedoso e sanguinário e a quem, borrada de medo, louvaminha em rituais de amesquinhamento absolutamente desprezíveis e indignos de seres humanos com um mínimo de respeito por si próprios, que se acha agora no direito de interferir na sociedade portuguesa, num assunto em que estão em causa estritos valores éticos.
Porque, de facto, é preciso uma lata gigantesca e um desplante sem fim para que um responsável eclesiástico católico venha invocar os valores da doutrina cristã e da vida humana para comparar o aborto ao terrorismo ou à pena de morte, quando essa mesma doutrina cristã admite precisamente… a pena de morte!
Que estes energúmenos de sotaina, com ou sem sapatinhos vermelhos, usem a arma da desonestidade intelectual para explicarem o seu relativismo moral, isso ainda admito.
Afinal, é disso que eles vivem.
O que não consigo entender é a cumplicidade tácita que tanta gente (quero crer, apesar de tudo, que de boa fé) tão cega a acriticamente ainda lhes entrega.

(Publicado simultaneamente no «Random Precision»)

17 de Janeiro, 2007 Palmira Silva

Debate sobre a despenalização da IVG

Amanhã, dia 18 de Janeiro, pelas 18:30, no Grande Auditório da Escola Superior de Saúde Egas Moniz.

Pelo sim irão estar presentes:

Miguel Duarte – Plataforma euvotosim.org
Palmira Silva – Plataforma euvotosim.org

Pelo não irão estar presentes:

Nelson Brito – Plataforma «Não Obrigada»
Catarina Almeida – Plataforma «Não Obrigada»

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17 de Janeiro, 2007 Palmira Silva

Pela liberdade de consciência da mulher

Os principais opositores à despenalização da interrupção voluntária da gravidez, proeminente entre eles a Igreja Católica, concordam todos que o aborto é uma questão de consciência.

Porque razão, a um ano do sexagésimo aniversário da proclamação pela Assembleia Geral da ONU da sua Resolução 217A (III) de 10 de Dezembro de 1948, a Declaração Universal dos Direitos do Homem, que diz claramente no seu artigo 18º «Toda a pessoa tem direito à liberdade de pensamento, de consciência e de religião», a Igreja de Roma não reconhece esse direito à mulher?

Porque razão a Igreja, supostamente do concílio Vaticano II, permanece com o espírito de 1864 expresso na encíclica Quanta cura e no seu famoso apêndice, o Sílabo de Erros, que condena como «loucura e erro» as liberdades de pensamento, de consciência e de religião?

Porque razão aqueles que comparam uma decisão de consciência à pena de morte, usando a recente execução de Saddam para a sua campanha terrorista, se arrogam donos e senhores das consciências femininas?

Porque razão aqueles que ululam ser uma pessoa um embrião ou feto, sem consciência de si nem do meio ambiente, abortado por opção da mulher – e apenas esse – não consideram serem pessoas as mulheres?

Ao que escreve Madalena Barbosa num artigo imperdível no Público de 4 de Janeiro acrescento que é tempo de Portugal entrar no século XXI quebrando as «condicionantes históricas» que formam «uma representação do feminino que lhe tira dignidade e o respeito do outro alimentando a «crença na irresponsabilidade das mulheres».

Se todos aceitam a IVG por decisão de uma comissão ética ou médica porque razão rejeitam tão veementemente a mesmissima decisão se tomada exclusivamente no feminino?

Como lembra Madalena Barbosa, Adão e Silva disse que, quando o Homem não decide, deixa de ser um cidadão e passa a ser um servo. No referendo de 11 de Fevereiro vamos todos e todas decidir, como cidadãos e não servos de qualquer religião, que sociedade queremos para Portugal: uma em que as mulheres são cidadãos plenos ou uma de servidão humana para a mulher!

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16 de Janeiro, 2007 Carlos Esperança

Laicidade e democracia

A laicidade do Estado é condição indispensável à existência da democracia. Sem total respeito por todas as crenças, não-crenças e anti-crenças, numa absoluta neutralidade confessional, é impossível assegurar a paz religiosa e neutralizar os ímpetos prosélitos dos crentes mais exaltados.

As teocracias islâmicas, no desespero do ocaso de uma civilização falhada, perturbam a estabilidade mundial e são um perigo para a paz que alguns líderes ocidentais agravam.

O fascismo islâmico, longe de constituir a vacina que se impunha quanto à separação sanitária entre o Estado e a Igreja, deu origem a um estranho mimetismo que conduziu à infiltração de regimes ocidentais por um agressivo clericalismo de contornos nebulosos.

O boato e as campanhas pagas, ou ingénuas, servidas por uma multidão de beatos, têm criado as condições propícias para o avanço do clericalismo. O exemplo mais boçal foi a invenção de que a comemoração do Natal estava em perigo quando o único risco é o da sua obrigatoriedade.

Poucos sabem que a imaginária guerra ao Natal foi inventada nos EUA, há pouco mais de um ano, pelos comentadores da cadeia extremista FOX, que distorceram a realidade e inventaram pretensas ofensas dos «humanistas» aos rectos cristãos americanos. O que, então, fracassou nos EUA teve êxito, um ano depois, na Europa.

A cruzada para introduzir referências confessionais na Constituição Europeia foi um treino para novas ofensivas que culminaram na contestação da Conferência Episcopal Espanhola à legislação sobre família e ensino do Governo Zapatero, à exigência clerical de várias confissões para o assalto ao ensino privado e, recentemente, na mobilização das hostes católicas, em Portugal, na luta contra a descriminalização da IVG.

Não há anticlericalismo sem clericalismo, nem liberdade sem laicidade. A teocracia é a mais grotesca negação da democracia. Os europeus parecem ter esquecido as guerras da Reforma e da Contra-Reforma e nada terem aprendido com a desintegração recente da Jugoslávia.

16 de Janeiro, 2007 jvasco

Hereditariedade

«O uso comum deste termo difere bastante do seu uso técnico, e no livro «Genetic Entropy: The Mystery of the Geneome» Sanford tira proveito desta diferença para enganar o leitor. Sanford afirma que, como a hereditariedade do sucesso reprodutivo (fitness) é quase nula, é evidente que a selecção natural não pode ter contribuído para a evolução nem pode impedir a degeneração do genoma. Este tipo de erro, comum entre os criacionistas, é normalmente explicável por simples ignorância. A maioria dos criacionistas que ataca a teoria da evolução não sabe o que diz. Mas Sanford sabe, e neste caso é claro que está a enganar o leitor. Vou começar mais atrás para tentar explicar porquê.

Não faz sentido perguntar, como muitas vezes se faz, se uma característica provém dos genes ou do ambiente. Sem o ambiente adequado os genes não fazem nada, e sem genes não há ambiente que nos valha. É tão absurdo como perguntar se a música vem do violino ou do violinista. O que faz sentido é procurar as causas da diversidade de uma característica. Se tivermos cem violinos e cem violinistas, podemos testar diferentes combinações de violino e violinista, e determinar se as diferenças na qualidade da musica se devem mais a diferenças entre violinistas ou violinos.

A hereditariedade, em genética, é a fracção da diversidade de uma característica que pode ser explicada pela diversidade genética da população. Por exemplo, a cor da pele. Numa população geneticamente uniforme (e.g. uma aldeia do interior) quase todos terão os mesmos genes e as diferenças serão principalmente devido a factores não hereditários, como idade, exposição ao sol, ou uso de protector solar. Nesta população a hereditariedade da cor da pele é muito pequena. Numa população geneticamente diversa (e.g. Lisboa) é o contrário, pois a maior parte da diversidade desta característica deve-se à diversidade de genes que a influenciam.

A cor da pele, dos olhos, e do cabelo são exemplos de características com uma grande diversidade genética na nossa espécie. Não sendo cruciais para a nossa sobrevivência e reprodução, genes diferentes coexistem facilmente na mesma população. No outro extremo somos geneticamente uniformes. Genes que controlem a formação de órgãos vitais ou qualquer característica com grande impacto no sucesso reprodutivo são filtrados pela selecção natural, reduzindo a diversidade genética. Ter o cabelo mais claro ou mais escuro é indiferente, mas o fígado tem mesmo que funcionar desta maneira, e não nos safamos com genes que façam um fígado diferente.

Sanford diz que a baixa hereditariedade do sucesso reprodutivo demonstra que a selecção natural não funciona. É exactamente o contrário (como ele certamente sabe). A hereditariedade desta característica é pequena porque a selecção natural eliminou quase toda a diversidade genética que causava diferenças no sucesso reprodutivo. Isto demonstra que a selecção natural é um mecanismo poderoso na evolução. E demonstra que ou Sanford conseguiu o lugar de professor associado em Cornell sem perceber nada de genética ou está a tentar enganar os leitores.»

——————————–[Ludwig Krippahl]

15 de Janeiro, 2007 Ricardo Alves

O artigo que o Público recusou: «Quando parece proibido não festejar»

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O artigo de opinião aqui reproduzido foi enviado ao Público em resposta à «campanha galáctica contra o natal» em que este periódico envolveu a Associação República e Laicidade. O Director do Público recusou-se a publicá-lo por razões que merecem ser citadas: «poderíamos ter publicado o texto em causa se nos tivesse sido enviado como texto de opinião, não nunca o faríamos na posição de alguém que tenta recorrer (…) à lei para nos limitar a liberdade de edição». Em resumo, não foi concedido direito de resposta à ARL justamente por ter sido pedido direito de resposta, uma atitude francamente surreal, como surreal também foi toda a «guerra contra o natal» que este jornal importou da imprensa do Vaticano e dos tablóides britânicos, e na qual nem um décimo dos pseudo-factos apresentados resistiam a uma análise crítica. Haverá mais novidades sobre este assunto muito em breve, no espaço da ARL.

Quando parece proibido não festejar

A liberdade de consciência, de religião e de culto é, felizmente, um dos direitos fundamentais consignados na nossa Constituição. A decorrente liberdade de cada cidadão professar ou não a religião que escolher pressupõe que o Estado, devido ao seu poder coercivo, seja independente das igrejas e neutro em matéria religiosa. A Associação República e Laicidade (ARL), na defesa desses princípios, condena a realização de rituais religiosos e a existência de crucifixos e imagens religiosas em escolas públicas, situações que são comprovadamente ilegais e inconstitucionais. Opomo-nos também à existência de Educação Moral e Religiosa na escola pública, por entendermos que – pelo seu carácter de transmissão de crenças e valores particulares – não deve ser apoiada pelo Estado, embora seja perfeitamente legítima enquanto actividade auto-organizada pelos cidadãos nas suas igrejas e associações. Consideramos ainda claramente preferível que a escola pública, para além dos conhecimentos universais que deve ensinar, apenas transmita valores por todos partilhados, o que não acontece com os das comunidades religiosas que representam apenas segmentos da população portuguesa, mas não a sua totalidade.

A ARL foi incluída na notícia do Público «Quando festejar o Natal é proibido» por ter editado no seu saite uma nota sobre uma peça teatral publicada numa revista de professores. Nessa representação, uma mulher aceita uma gravidez que acontece por decisão de outrém e lhe é anunciada por um «anjo Gabriel», e diz orgulhosamente: «eu sou a escrava do Senhor». Manifestámos o nosso desagrado pela ausência de alternativas a este género de conteúdos, pois é impossível explicá-los sem recorrer à dogmática católica (e a escola pública não é o lugar da catequese), e porque a liberdade, e a maternidade consciente e responsável, nos parecem valores preferíveis àqueles objectivamente promovidos na peça (o Público garante a historicidade dos acontecimentos ali representados, mas muitos teólogos católicos seriam mais prudentes).

O laicismo, como o defende a ARL, visa garantir a liberdade dos cidadãos na esfera privada, individual e associativa, onde se exerce o essencial da liberdade religiosa, impedindo simultaneamente o Estado de ter opinião sobre matérias confessionais. Precisamente por definir limites ao poder do Estado em matérias de consciência, protege os cidadãos contra todos os totalitarismos religiosos ou políticos, designadamente aqueles que proibiriam cultos religiosos – como ocorreu no Portugal da época inquisitorial ou ainda acontece na China do ateísmo de Estado. Situações referidas como «proibição» pelo Público (saudações em cartões da época ou decorações em empresas que não aludem ao «nascimento de Cristo») ocorrem nessa esfera privada onde qualquer cidadão é livre de celebrar ou não o natal, indo à missa ou não, escrevendo «boas festas» ou «santo natal» em cartões, e aceitando ou não trabalhar ou comprar numa empresa que coloca as decorações que entende (por razões comerciais ou outras). Seria totalmente ilegítimo que o Estado interferisse em celebrações privadas, mas felizmente não temos conhecimento de um único cidadão da Europa ocidental ou da América do Norte que tenha sido impedido de celebrar o natal por proibição estatal. Porém, atendendo à secularização que se acentua nas sociedades europeias (em Portugal, no ano de 2005, 31% das crianças nasceram fora do casamento e 45% dos casamentos foram pelo registo civil, indicadores que vêm em crescendo desde o 25 de Abril) é inteiramente natural que haja, a cada novo ano e de forma espontânea, menos presépios e mais saudações como «boas festas».

No que concerne a gestão do espaço público (ruas e praças, meios de comunicação social públicos…), qualquer grupo de cidadãos usa transitoriamente o espaço público para acções de índole variada (política, religiosa, sindical, desportiva…), na condição de posteriormente ceder o lugar a acções de índole diferente ou até contraditória. Não vemos portanto qualquer transgressão da laicidade em manifestações pontuais como o acender público do candelabro de Hanucá no Porto(1). Acrescente-se que todos somos confrontados no espaço público com ideias de que não gostamos: os democratas com ideologias anti-democráticas, os religiosos com críticas anti-religiosas, e os laicistas com o anti-laicismo; todas as ideologias e religiões, em qualquer sociedade aberta, são criticáveis.

Que fique claro que consideramos que a preservação de uma cultura ou religião não pode constituir obrigação primeira de um Estado moderno, mas que já lhe compete garantir a liberdade de cada cidadão manter ou abandonar a opção religiosa em que cresceu. Se os católicos entendem que o Estado tem o dever de promover a sua religião, adoptar os seus símbolos, ou proteger a religião da crítica, colocarão a sua religião numa esfera que a todos pertence – atingindo a liberdade dos outros e monopolizando o espaço público onde cada ideia e o seu contrário deveriam poder saudavelmente cruzar-se.

(1) Pelo contrário, um Estado como Israel, onde o casamento civil não existe – tornando legalmente impossível o casamento entre pessoas de diferentes comunidades religiosas – e onde os divórcios são portanto matéria para tribunais religiosos – que subordinam a mulher ao homem, quer sejam judaicos ou islâmicos – está muito longe do nosso ideal de uma sociedade em que a lei civil seja independente das instituições religiosas.

Com os meus melhores cumprimentos, pedindo a publicação deste artigo,

Ricardo Alves

(Secretário da Direcção)

15 de Janeiro, 2007 Palmira Silva

Cruzada católica contra a liberdade de consciência

Imagens tiradas daqui.

Não obstante todas as prelecções do cardeal-patriarca de Lisboa de que na questão do referendo à despenalização da IVG a Igreja não está «em disputa com o resto da sociedade», todas as manifestações eclesiásticas indicam que esta disputa assume, como indica este folheto, os contornos de uma cruzada!

Para além de uma argumentação completamente imbecil, primária e irracional – uma vez que não têm um único argumento objectivo para se oporem ao alargamento das condições previstas na lei actual em que o aborto é permitido – a Igreja recorre a uma campanha terrorista de desinformação e a chantagem emocional, manobras inaceitáveis num estado de Direito, democrático e laico, para coagir os mais incautos ao voto pró-penalização!

Num estado de Direito democrático e laico não se criminalizam os pecados de uma qualquer religião, mesmo a que seja maioritária nesse país! A reparação do «Coração Imaculado de Maria» não é um argumento racional muito menos um argumento admissível num país civilizado!

Pode-se ler nesta carta:

«Como vos falei na circular de Outubro este é um problema que ameaça a paz no nosso país. O aborto é um pecado grave e é preciso reparar o Coração Imaculado de Maria».

Uma ameaça para a paz social são estas manobras divisionistas da ICAR, que disfarça o facto de estar em cruzada contra a liberdade de consciência das mulheres com comunicados inconsequentes de José Policarpo que alerta os párocos não poder ser a missa «lugar de campanha» – algo que nem o próprio Policarpo cumpre, já que foi o tema escolhido para as suas últimas homilias – uns dias antes de vários bispos se terem empenhado nas respectivas homilias na campanha pelo NÃO, por exemplo, o bispo de Angra, o bispo de Leiria ou o bispo da Guarda.

Acho revelador que o ataque desenfreado aos valores civilizacionais que devem reger um estado moderno por parte deste último dignitário da ICAR passe por um argumento económico, apelando ao egoísmo dos devotos, esgrimindo não deverem querer os «desinteressados» católicos que os dinheiros públicos sejam utilizados no combate deste problema de saúde pública!

Eu voto SIM por uma questão de valores e os meus valores não são negociáveis nem têm preço! Aparentemente o mesmo não se passa com muitos católicos, pelo menos assim o entende Manuel da Rocha Felício, bispo da Guarda!

Uma passagem por uma urgência de ginecologia, onde são remediados diariamente os muitos problemas resultantes de abortos de vão de escada ou de auto-aborto com Citotec, barato e fácil de adquirir no mercado clandestino, revelaria a profunda hipocrisia destes dignos representantes da Igreja de Roma que tanto se preocupam com o dinheiro que custará ao SNS a despenalização prevista no referendo mas ignoram os custos muito mais elevados, mesmo em termos económicos, do aborto clandestino!

Se «o aborto é uma questão de consciência», como afirmam estes dignitários católicos, algo que pertence ao «campo da liberdade pessoal e da consciência» acrescenta Policarpo, porque razão a Igreja se acha com legitimidade para negar à mulher quer a liberdade pessoal quer o direito à liberdade de consciência?

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15 de Janeiro, 2007 Carlos Esperança

As religiões e a paz

Os livros sagrados estão para a morte como as religiões para Deus. Quando Moisés foi ao Monte Sinai escutar Deus, além da caminhada, encontrou-se com um malcriado.

Deus intitulou-se dono do Monte Sinai e, no seu narcisismo, achou que era sagrado o chão. Mandou descalçar Moisés, por estar a pisar solo sagrado, mostrando-se bruto e prepotente. Faltando carácter a Moisés, logo este obedeceu e se tornou seu escriba.

Tomou nota do que Deus ordenou. Quis o déspota que os homens matassem idólatras, blasfemos, adúlteros, homossexuais e sodomitas. E, com os crimes que o troglodita do Deus do Antigo Testamento denominava como abominações, também entendia no seu divino desvario que a morte era o castigo adequado para quem trabalhasse ao Sábado.

É difícil lidar com doidos, com Deus principalmente. E com os avençados do divino.

Que Deus fosse doido, porque eram bárbaros e primitivos os homens que o inventaram, é fácil de compreender, mas que os homens dos tempos actuais mantenham os mesmos desvarios, preservem a mesma crueldade e sigam a mesma cartilha, não é de gente sã, é estultícia de quem vive intoxicado pela fé e alucinado com a água benta.

A Igreja católica, não sendo tão estúpida como a de Maomé, não por falta de mérito mas por estar rodeada de Europa, ainda escreveu no seu Catecismo de 1993: «Preservar o bem comum da sociedade pode exigir que se coloque o agressor em estado de não poder fazer mal», o que na linguagem manhosa do clero significa defender a pena de morte».

Cuidado gente, Deus anda à solta na fúria dos padres, na demência dos bispos e na raiva do pastor alemão, com beatos contaminados e ansiosos por uma assoalhada no Paraíso.

As religiões estão para a paz como Maomé para o toucinho.