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Categoria: Catolicismo

8 de Dezembro, 2008 Carlos Esperança

Momento zen de segunda

João César das Neves (JCN) começa a homilia de hoje, no DN, intitulada «Primavera da vida cristã», afirmando que «no dia da Imaculada Conceição, rainha de Portugal, é bom considerar a situação da Igreja Católica».

JCN é um indefectível prosélito do catolicismo medieval cujo paradigma é a monarquia absoluta com a mãe do seu deus promovida a rainha e virgem como todas as mulheres, maculadas pelo pecado original, deviam ser.

Não admira, pois, que o catecúmeno veja «um dos melhores períodos dos 2000 anos de vida cristã» quando «mesmo entre fiéis mantém-se consensual a sensação de decadência da Fé face aos séculos passados».

Nas, no optimismo que partilha com ateus, agnósticos, cépticos e os livres-pensadores, que Pio IX excomungou, JCN fica-se pela mera afirmação para logo se queixar das malfeitorias de que a sua Igreja foi vítima esquecendo as que praticou.

Parece apreciar a «paz de Constantino» esquecendo que o imperador foi responsável por autos de fé, exílios forçados, assassinatos, destruições de edifícios pagãos, profanação e objectos de culto, incêndios de bibliotecas e outras monstruosas tropelias. Rejubila com a evangelização e lamenta a Reforma que acusa de ser a responsável por duzentos anos de guerras.

JCN reescreve assim a história: «Por fim, quando a Igreja se globalizava nas caravelas, a suprema ruptura da reforma protestante gerou 200 anos de guerras religiosas. Os 200 anos seguintes de ataques maçons e perseguição ateia conduziram ao nosso tempo».

Como é possível esta amargura com o «nosso tempo» depois de o considerar «um dos melhores períodos dos 2000 anos de vida cristã»? A coerência não parece ser um dom do Espírito Santo!

Antes deste despautério, acusa a sua Igreja de ser responsável pela modernidade. É uma acusação injusta e uma ingratidão para a Contra-Reforma, o tribunal do Santo Ofício e a piedade de numerosos papas.

O melhor é ler a homilia.

8 de Dezembro, 2008 Carlos Esperança

Milagre sem certificado de garantia

A Virgem sob suspeita

As aparições de Nossa Senhora de Medjugorje estão na mira do Vaticano. A Igreja desconfia da veracidade dos relatos dos seis videntes que, desde 1981, dizem receber mensagens da Virgem. Além disso, o líder espiritual deles foi acusado de “manipular consciências” e de “imoralidade sexual”

7 de Dezembro, 2008 palmirafsilva

Esta gente passa-se!

Depois da IV Conferência Mundial sobre a Mulher em Pequim em que, recorrendo a todos os mecanismos possíveis de pressão política e aos seus aliados na ONU – os fundamentalistas islâmicos, Malta e alguns países latinoamericanos – os representantes do Vaticano tentaram boicotar a Plataforma de Acção que estabelecia a universalidade dos direitos humanos das mulheres, teve início uma campanha que pretende mudar o estatuto do Vaticano nas Nações Unidas.

De facto é incompreensível o estatuto de «observador permanente» da Igreja Católica nesta organização  já que, como afirma  Elfriede Harth, representante para a Europa do grupo Catholics For a Free Choice , «O Papa é um líder espiritual e religioso e não um chefe de Estado».

O documento emanado da «Santa Sé» depois de Pequim condena veementemente a Plataforma de Acção, ou antes, a «ideologia de género» subjacente. Assim declara inaceitáveis todo o capítulo IV, secção C, sobre saúde, «por dar atenção desproporcional à saúde sexual e reprodutiva», a afirmação de que as  mulheres têm direito a controlar a sua sexualidade -«porque poderia entender-se como aprovação a relações sexuais fora do matrimónio heterossexual» – e  a secção sobre os direitos humanos, pelo «excessivo individualismo na forma de tratar tais direitos».

Mas se este documento em si é vergonhoso, mais vergonhosa é a explicação da recusa da não ratificação da Convenção das Nações Unidas que pretende pôr fim à discriminação de deficientes, em vigor desde Maio. De facto, o Vaticano não assina esta convenção porque ela não condena o aborto e não afirma o direito à vida de embriões/fetos com deficiências graves. Em particular, o Vaticano condena os artigos da Convenção que afirmam os direitos dos deficientes à auto-determinação sexual e à educação e saúde reprodutivas.

Claro que depois da veemente oposição do Vaticano à resolução que propõe a descriminalização da homossexualidade, punida com pena de morte em vários países, esta oposição à afirmação dos direitos dos deficientes não é inesperada mas frisa a necessidade da alteração de estatuto do Vaticano na ONU!

(em stereo na Jugular)

5 de Dezembro, 2008 Carlos Esperança

Vaticano – Intolerância e preconceito

Lisboa, 04 Dez (Lusa) – O Vaticano justificou hoje a não ratificação da Convenção das Nações Unidas sobre deficientes, em vigor desde Maio, com o facto de o documento apontar o aborto como um direito, noticiou hoje a agência Ecclesia.

4 de Dezembro, 2008 Carlos Esperança

Catolicismo – Crise da fé

Com o aproximar da Semana dos Seminários (9 a 16 de Novembro), D. Manuel Felício, bispo da Guarda, escreveu uma carta à diocese onde pede: “Temos de continuar a semear com generosidade para termos os padres necessários à nossa Igreja Diocesana”.

Os seminários esvaziam-se onde a liberdade e o secularismo avançam. O seminário da Guarda foi um alfobre de padres até meados da década de sessenta do século passado, hoje é um cemitério de recordações pias com fotos antigas de bandos tonsurados. Então albergava largas centenas de aspirantes ao sacerdócio, hoje é uma escola reduzida a 20 alunos que as hormonas e a vergonha compelem à desistência.

Os bispos pedem orações a favor das vocações mas o céu, farto de preces, há muito que deixou de ouvir apelos beatos e as angústias dos bispos. Deus é um mito cada vez mais desacreditado e os padres uma relíquia que a tradição mantém ocupados com baptizados e funerais.

A religião criada por Paulo de Tarso – o catolicismo –, facção do judaísmo, menos ferozmente monoteísta e menos fechada, tornou-se instrumento do Império Romano com Constantino. Este déspota sanguinário, que se proclamou o 13.º apóstolo, incumbiu Eusébio de Cesareia de criar um corpo homogéneo entre 27 versões dos evangelhos, na primeira metade do séc. IV. Tal literatura serviu de base à crença que Teodósio declarou religião do Estado em 380, interditando os cultos pagãos.

A repressão contra outros cultos atingiu o auge com Justiniano que aprovou a legislação cristã contra a heterodoxia. Os cristãos tornaram-se opressores e, em 529, foi interdita a liberdade de consciência.

É a manutenção dessa intolerância que está hoje confiada aos padres, intolerância que as outras religiões monoteístas cultivam com acrescida crueldade, em especial o Islão, que continua imune à laicidade, tendo passado ao lado da cultura grega e do direito romano.

É auspicioso que os homens, já que as mulheres estão afastadas do poder nas religiões patriarcais, em vez de se sentirem felizes nos seus vestidinhos de seda e rendas, optem por viver de pé e recusem passar a vida de joelhos. Assim, os padres católicos são uma espécie em vias de extinção. Neste caso não há que defender a biodiversidade.

2 de Dezembro, 2008 Carlos Esperança

Vaticano – A tolerância mora longe

Roma, 1 dez (EFE) – O Vaticano condenou a proposta da França para exigir a descriminalização universal do homossexualismo às Nações Unidas, apresentada pelo país como atual ocupante da presidência rotativa da União Européia (UE).

30 de Novembro, 2008 Carlos Esperança

B16 não tem emenda

ROMA – O papa Bento 16 fez uma homenagem no domingo ao pontífice da época do nazismo Pio 12, que está no centro de uma controvérsia com grupos judeus que o acusam de dar as costas ao Holocausto.