19 de Novembro, 2009 Carlos Esperança
Santo vendido aos bocados
Curitiba recebeu ontem urna com mão e antebraço de Dom Bosco. Relíquias, no entanto, não estão apenas em igrejas – podem até ser guardadas por devotos.
Curitiba recebeu ontem urna com mão e antebraço de Dom Bosco. Relíquias, no entanto, não estão apenas em igrejas – podem até ser guardadas por devotos.
Em Juazeiro do Norte, a 520 quilómetros de Fortaleza, no Ceará, anualmente quase três milhões de fiéis chegam em massa para reverenciar um padre banido das hostes da Igreja Católica. Para toda essa gente, mesmo considerado maldito pelo Vaticano e proibido de entrar nos altares oficiais, o padre Cícero Romão Batista, ou simplesmente Padim Cícero, é um santo milagreiro. Santo e político.
Comentário: O Vaticano nunca perde uma boa oportunidade de negócio.
Por
Informa o Diário de Coimbra de hoje que está a realizar-se (tendo começado ontem e acabando hoje) um “Congresso Nacional dos Médicos Católicos Portugueses”, no auditório da Fundação Bissaya Barreto.
A ajuizar pela fotografia que ilustrava o texto, que mostrava uma sala com mais lugares vagos do que ocupados, os médicos católicos ou são muito poucos ou não se interessaram por tão importante evento.
Ontem a estrela do dia (ou da noite) foi o inevitável Dr. Daniel Serrão, que entre outras coisas disse que “o Serviço Nacional de Saúde é uma ilusão”, ao que parece porque “mais de dois milhões de pessoas da classe alta e média alta estarem a pagar do seu bolso cuidados de saúde que poderiam obter gratuitamente através do SNS”. Coitados dos ricos, que têm de pagar os cuidados de saúde do seu bolso para não se verem misturados com a ralé!
Outro dos temas discutidos foi “Teremos direito à saùde?”, problema que pelos vistos continua a preocupar os católicos. Os laicos representantes eleitos pelo Povo para redigir a Constituição já tomaram posição sobre ele há mais de 30 anos, proclamando no artigo 64 da nossa Lei Fundamental que “todos têm direito à protecção da saúde”.
O bispo católico tradicionalista Richard Williamson, na origem de uma polémica que envolveu o Vaticano em Janeiro, será julgado na Alemanha por “negacionismo“, anunciou esta terça-feira a justiça.
Vaticano abre processo de canonização de Madre Carminha de Tremembé
As Concordatas, em Portugal e em Espanha, causam situações destas: uma professora de Educação Moral e Religiosa (Católica) pode ser contratada pelo Estado e despedida pela autoridade eclesiástica.
Em Outubro de 2000, uma professora de uma escola pública das Canárias foi despedida. A razão: vivia em união de facto. Quem tomou a decisão não foi o empregador (que era o Estado) mas sim a autoridade eclesiástica (católica). Do ponto de vista da Concordata e do Direito Canónico, imagino que o despedimento seja válido, e até imperioso. Do ponto de vista da Constituição espanhola, foi discriminação e uma injustiça.
Foram necessários oito anos de batalhas judiciais para que Carmen Galayo conseguisse uma sentença final favorável. A diocese das Canárias foi condenada a pagar uma indemnização de 210 mil euros e a renovar contrato com a docente.
Imagina-se que o caso não fique por aqui. Mas evidencia como a criação de nichos confessionais dentro do Estado origina situações perversas. Reconhecer validade ao Direito Canónico é, como se mostra pelo caso exposto, permitir que os cidadãos percam direitos que o Estado, qualquer Estado laico, deve garantir. A laicidade é incompatível com as Concordatas.
[Diário Ateísta/Esquerda Republicana]
Esta notícia é um anúncio de publicidade escondida com o rabo da intolerância de fora. A propaganda dos êxitos escolares de um colégio do Opus Dei esconde a intolerância e a discriminação.
Os membros do Opus Dei, aquela instituição extremista da Igreja católica, fundada por um admirador de Hitler e incondicional de Franco, provavelmente santo em troca das contrapartidas ao apoio financeiro ao Vaticano, na sequência da falência fraudulenta do Banco Ambrosiano, não brincam em serviço.
Os alunos são escolhidos para os seus colégios, apesar da alegada tolerância para com as convicções religiosas dos pais, depois do escrutínio da vida familiar e religiosa dos progenitores.
Para o colégio feminino só contratam professoras. Claro que há algum padre para a direcção espiritual, pois as mulheres, mesmo as do Opus Dei, não estão isentas do pecado original e, por isso, estão impedidas de ser membros do clero e de ministrar os sacramentos, salvo o baptismo in articulo mortis, mas a notícia referida é omissa.
O proselitismo subentende-se na propaganda da instituição escolar o que não admira em quem está convencida de que o céu se ganha com a promoção do único deus verdadeiro. É nesta posição que eu estou de acordo com cada uma das religiões: são falsos todos os deuses das outras religiões. Só incluo mais um.
O que entendem por moral estas santas mulheres dedicadas á oração, às flagelações e ao ensino para encherem os cofres e o poder da Obra, não é difícil de adivinhar. Basta esta frase para se perceber a intolerância que as habita:
«Por exemplo, se uma professora é recasada, dificilmente conseguirá passar a mensagem de que o casamento é indissolúvel».
Galiza: Governo do PP aumenta financiamento público da Igreja Católica
Alguns meios publicaram ontem dados segundo os quais esse agrupamento religioso vai receber 50.000 euros acima do que já vinha recebendo do governo bipartido anterior no decurso do próximo orçamento.
O Vaticano diz ter registado no último mês somente dois casos de gripe, mas já afastou a hipótese de se tratarem de infecções causadas pelo vírus A (H1N1), que alastra no Hemisfério Norte.
Nota: Provavelmente o clero é imune.
Vaticano critica o culto da Noite das Bruxas dizendo que é anticristão. Em alternativa propõe festa católica de sensibilização. No País, o festejo importado dos EUA é visto como inofensivo.
O Diário de uns ateus é o blogue de uma comunidade de ateus e ateias portugueses fundadores da Associação Ateísta Portuguesa. O primeiro domínio foi o ateismo.net, que deu origem ao Diário Ateísta, um dos primeiros blogues portugueses. Hoje, este é um espaço de divulgação de opinião e comentário pessoal daqueles que aqui colaboram. Todos os textos publicados neste espaço são da exclusiva responsabilidade dos autores e não representam necessariamente as posições da Associação Ateísta Portuguesa.