29 de Julho, 2004 Mariana de Oliveira
Umbigos creacionistas
Antes de ir de férias, uma pergunta:
Adão e Eva tinham umbigos?
Pergunta pouco original enviada por SMS.
Antes de ir de férias, uma pergunta:
Adão e Eva tinham umbigos?
Pergunta pouco original enviada por SMS.
Está nas bancas uma edição especial da «Science et Avenir» dedicada ao tema: «O Sentido moral nos animais».
Inclui artigos de várias perspectivas, desde a filosófica, evolucionária, etológica que permitem adquirir uma noção do estado das coisas, nesta àrea do conhecimento e da investigação das coisas.
Inclui também uma entrevista com um dos maiores investigadores do comportamento primata dos nossos tempos: Frans de Wall. As revelações fascinantes do comportamento altruísta dos grandes macacos que o seu trabalho têm revelado, demonstram por exemplo, que a moral apareceu muito antes da religião.
Uma boa leitura de férias. Para folhear e mergulhar em informação nova enquanto se relaxa numa esplanada…
Ah! E comam uma banana! Em homenagem aos nossos primos.
Quando ocorrem tentativas de conversão por parte de alguns crentes, um argumento que é o usado recorrentemente é o seguinte: «Então qual é o sentido da vida? Não é triste uma vida sem sentido, sofrendo as injustiças e o sofrimento terrestre, para depois morrer como um mero animal? Não é triste viver a acreditar apenas no vazio incontornável da morte?»
A mim impressiona-me que alguém use estas perguntas (ou suas variações) como argumento. Para mim é tão óbvio que o grau de agradabilidade de uma hipótese é completamente irrelevante para o grau de plausibilidade desta, que nunca me passaria pela cabeça argumentar assim com um cristão: «tu acreditas num Deus que, segundo a Bíblia, vai enviar a esmagadora maioria da humanidade para o Inferno, um lugar de sofrimento angustiante e eterno?». Quando muito poderia argumentar que isso não seria muito próprio de um Deus misericordioso.
Uma vez que (repito) o grau de agradabilidade de uma hipótese é completamente irrelevante para o grau de plausibilidade desta, nós devemos ver a realidade como ela é, e não como gostaríamos que ela fosse. E a discussão poderia estar encerrada por aqui. Mas não está.
Acontece que a minha forma de encarar a realidade e a vida, apesar de não necessitar de se suportar em ilusões baratas, superstições gratuitas e negações primárias, realiza-me tanto ou mais como o mito do paraíso realiza os crentes.
E isto é algo que os ateus não costumam afirmar (porque encerram a discussão nas considerações acima), mas deviam fazê-lo, para esclarecer muita gente que não compreende isso.
É que, mesmo tendo noção da realidade, nada me impede de sonhar. Desde que, claro, saiba distinguir o sonho da realidade. Todo o sentimento de ligação com o infinito, de transcendentalidade, de pertença a algo maior pode estar presente num ateu. O ateu pode sonhar com um mundo melhor, e não com o paraíso celeste. O ateu pode sonhar com o eco da sua obra através da eternidade, ao invés da imortalidade duma alminha; o ateu pode querer fazer o bem, sem ter de crer numa recompensa numa outra vida que não existe.
Os seres humanos eram (e ainda são) animais, e o sentimento religioso surge, tal como uma série de instintos primários – a agressividade, o medo, a ganância, etc. – por questões de selecção natural. Importa compreender e dominar esses instintos.
Tal como o instinto da agressividade pode dar belos resultados no desporto, sob a forma de camaradagem, competitividade, emoção, sem ter de recorrer à guerra a que esse sentimento naturalmente conduz, também o instinto religioso pode conduzir a um sentimento de pertença a algo maior, a uma preocupação com as gerações seguintes, sem ter de cair na religião, na superstição, na crendice primária.
Eu gosto de sonhar, e gosto de usar o sonho para moldar a realidade, tornando-a melhor. Confundir o sonho com a realidade não é um bom método para o fazer, e a história mostrou que pode ter consequências muito desagradáveis.
Este texto, encontrado nos meus arquivos e publicado na Despertar, foi traduzido de um livro que trouxe do Egipto.
Reparem nas semelhanças existentes entre a religião do Antigo Egipto e o cristianismo. O blog Sem Senso Comum, do Luís Pereira, aborda este assunto.
«As quase infinitas variedades de representação das numerosas divindades
que foram encontradas nos monumentos egípcios conduziram a um
mau-entendimento da religião dos antigos egípcios. A religião do antigo
Egipto, ao contrário do que somos levados a pensar como sendo politeísta,
era, de facto, como todas as grandes religiões, monoteísta. Hoje, estudiosos
concordam que as muitas divindades encontradas nos templos devem ser
consideradas como atributos ou intermediários do Ser Supremo, o Deus Único,
o único reconhecido e adorado pelos sacerdotes, iniciados ou sábios dos
santuários. No topo do panteão egípcio encontra-se um Deus, que é apenas um,
imortal, que não foi criado, que é invisível e escondido nas profundezas
inacessíveis do seu Ser. Produzido dele próprio de toda a eternidade,
concentra em si todas as características divinas. Não eram deuses que eram
adorados no Egipto mas, sob o nome de qualquer divindade, o Deus escondido,
sem nome ou forma. Uma ideia apenas dominava tudo, a um Deus uno e
primordial.
Os sacerdotes egípcios definiram-no nestes termos: Aquele que nasce
dele próprio, o princípio de toda a vida, o pai dos pais, a mãe das mães e
também afirmaram que dele vem a substância de todos os deuses e é pela
Sua vontade que o sol brilha, que a terra está separada do firmamento e que
a harmonia reina em toda a criação. No entanto, para tornar a crença no
Deus Único mais compreensível ao povo egípcio, os sacerdotes expressaram os
seus atributos e os seus vários papéis por meio de subtis representações. A
imagem mais perfeita do Deus era o sol com os seus três atributos: forma,
luz e calor. A alma do sol chamava-se Amon ou Amon-Ra, que significa sol
escondido. Ele é o pai da vida e as outras divindades são apenas as
diferentes partes do seu corpo.
Podemos, agora, introduzir as famosas tríades egípcias. Os conhecedores
desta antiga teogonia dizem-nos que o Ser Supremo, o criador do universo, é
único no seu ser mas não na sua pessoa. Ele não sai fora de si para gerar
mas gera dentro dele. É, simultaneamente, Pai, Mãe e o Filho de Deus sem
deixar Deus. Estas três personagens são Deus em Deus e, longe de
destruírem a unidade da natureza divina, eles engendram a sua infinita
perfeição. O Pai representa o poder criativo enquanto que o Filho, imagem do
Pai, fortalece e manifesta os seus atributos eternos.
Todas as províncias egípcias tinham a sua própria tríade (…). A
principal ou maior tríade era a de Abydos, constituída por Osiris, Isis e
Horus. Era a mais popular e a mais adorada por todo o Egipto porque Osiris
era a personificação de Deus e era vulgarmente conhecido por deus bom. A
tríade em Memphis consistia em Ptah, Sakhmet e Nefer-tum, e, em Tebas, em
Amon, Mut e Khonsu. A trindade não era o único dogma retido pela revelação
primitiva. Nos livros sagrados também se pode encontrar a ideia de pecado
original, a promessa de um Deus redentor, restaurações futuras da
humanidade, e a ressurreição da carne no fim dos tempos. Em todas as
mudanças de dinastia havia uma revolução monoteísta e o Ser Supremo
prevalecia sobre o fetichismo das outras divindades. A revolução religiosa
de Akhnaton foi precedida por aquela de Menes, já para não falar na de
Osiris (5º milénio a.C.). De acordo com alguns historiadores, ocorreu,
durante o reinado de Osiris – rei de Tebas (4200 a.C.) – uma completa
mudança religiosa.
Este rei, o mais devoto de todos, foi bem sucedido na adopção do
monoteísmo numa larga escala. Era o mesmo Osiris que presidia o supremo
tribunal do julgamento das almas dos mortos.
De acordo com o rito da psicostasia (psychostatis, que que dizer peso
da alma, i.e., a cerimónia do julgamento final do falecido), a alma do
morto era transportada numa barcaça sagrada sobre as águas dos Campos
Elísios. Ao passar, a embarcação trazia luz às regiões habitadas pelas almas
dos condenados que tremiam de alegria ao avistarem um pouco daquela luz que
lhes foi negada. A barcaça continuava a sua jornada e, depois de atravessar
uma zona mais leve, correspondendo mais ou menos ao nosso Purgatório,
chegava finalmente ao tribunal presidido por Osiris e pelos seus 42
acessores. O coração do morto era colocado num dos pratos da balança
enquanto que, no outro, era colocada uma pena, símbolo da deusa Ma’at (deusa
da Justiça). Se o falecido tinha feito mais bem do que mal então,
tornava-se uma das verdades da voz e, assim, parte do corpo místico do
deus Osiris. Se sucedesse o contrário, o coração era comido por um animal
com cabeça de crocodilo e corpo de hipopotamo e a sua existência findava no
Outro Mundo. Uma alma que tinha sido, desta forma, justificada era
admitida no Ialou, os campos elísios.
Aqui chegados podemos perguntar porque é que foram encontrados tantos
objectos quotidianos nas piramides e nos tumulos. Não nos devemos esquecer
que a ideia religiosa fundamental do antigo Egipcio era que a vida humana
continuava depois da morte física. Mas só aqueles que continuavam a
disfrutar do que tinham disfrutado em vida podiam alcançar o Outro Mundo.Daí
as mobílias, a comida, a bebida, os servos e outros objectos necessários
para a vida quotidiana.»
A imagem que vêem à vossa esquerda, foi encontrada num site escatológico, de oferta libertária e oportunista, o Rotten.com.
A Coreia do Sul tem uma minoria significativa de evangélicos, resultado da influência americana decorrente da guerra com a sua irmã do norte. Lembro-me de na minha infância, se falar na igreja com reverência dos crentes coreanos. Pastores falavam de correntes de oração que se mantinham hà mais de 10 anos. Um grande exemplo de dedicação e obediência por parte desses crentes.
O autor do cartaz bem tentou, mas não pode escapar ao seu ambiente cultural de nascimento.
A sua referência pastorícia são os búfalos de água, que se utilizam para trabalhar os arrozais.
Os hábitos sexuais dos pastores semitas nunca fizeram parte da sua história escatológica, de modo que a imagem não lhe sugeriu nada de alarmante. Para um curso de discipulado e liderança, procurou utilizar uma imagem comum no meio evangélico: o bom pastor. Mas acabou por fazê-lo de uma forma tal, que traz à tona, a verdade esquecida:
o bom pastor não guarda as suas ovelhas, porque as ama… Mais tarde ou mais cedo, vai comê-las.
Nos dias de hoje, para onde quer que nos viremos, ao examinar as actividades das religiões mais prosélitas, não podemos deixar de reparar na quantidade imensa de cursos de liderança!
Seja líder!! O Sal na Terra!! Curso Avançado de Leigos! Discipulado e liderança!
Ao fim de algum tempo, fica-se enjoado. Afinal, tantos cursos de liderança, mas os líderes nas igrejas evangélicas e na ICAR nunca mudam!?
Cumprem-se as promessas expressas em tanto cartaz e actividade?
Quem tiver frequentado um desses cursos prenhes de promessas de poder e esperança, acaba por descobrir que,
a) o curso é para se aprender a «obedecer a Cristo»
b) Um bom líder é um cristão obediente
c) uma quantidade sem-fim de conselhos de «Como fazer amigos e influenciar pessoas»
d) Cristo está a chamar-te para liderar?
e) Lidera-se primeiro os não-crentes pela actuação na comunidade…
As variações do tema são efectivamente entediantes, e a conclusão a que chegamos, é que todos esses cursos não passam do velho esquema de criação de elites internas, atraídas pelo cheirinho do poder, e a tentativa de criar elites corporativas e de interesses na sociedade exterior.
O contraste interessante é que as lideranças das igrejas evangélicas e da ICAR nunca mudam… São sempre os mesmos apelidos que se arrastam pelas lideranças, geração atrás de geração… Na ICAR, dada a proibição reprodutiva da classe clerical acabamos por ter a figura do «pai espiritual». Uma espécie de clonagem mental…
Ou seja: A merda é sempre a mesma e nem mudam as moscas.
O cartaz coreano reflecte a verdade social. As ovelhas vão aos cursos de liderança, mas acabam sempre no cardápio do pastor. De uma maneira, ou da outra…
Se um homem vende pomadas que curam o reumatismo, a enxaqueca, a dor de dentes e a prisão de ventre, é aldrabão;
Se uma cigana lê a sina na palma da mão e anuncia uma viagem para longe e um amor por perto, a troco de alguns cêntimos, é intrujona;
Se um merceeiro exalta a qualidade da mercadoria que é fraca, é um vigarista;
Se um taxista se engana no troco, é ladrão;
Se alguém empresta dinheiro a 10% ao mês, é agiota;
Se um indivíduo ouve conversas privadas e se aproveita delas, é malfeitor.
Sempre que alguém, para sobreviver, transgride a lei, arrisca um castigo. Mas há excepções:
Se um indivíduo distribui uma rodela de pão ázimo e diz que contém o corpo de um defunto famoso, é padre e administra a comunhão;
Se explora e devassa a vida íntima de pessoas simples, confessa;
Se diz que cura os pecados da alma e invoca poderes divinos, exerce o múnus;
Se expulsa demónios para ganhar a vida, exorciza;
Se chateia um garoto a mergulhar-lhe a cabeça numa pia de água e lhe recita uma lengalenga, baptiza;
Se faz cruzes com óleo na testa de um cristão, para lhe confirmar a desgraça, é o bispo da diocese.
Se vigariza multidões, certifica milagres, concede alvarás de santo, cria cardeais e bispos, assume que é o representante de um Deus pior que ele, promete destinos turísticos para depois da morte e vende passagens a prestações durante a vida, é o PAPA.
A quinta (e última) «prova» de Tomás de Aquino para a existência de «Deus» é inspirada na «governança do mundo». Aquino afirma que coisas sem «inteligência», tais como os «corpos naturais», actuam para uma finalidade e que isto «é evidente do facto de actuarem sempre, ou quase sempre, da mesma maneira, para obterem o melhor resultado». Por conseguinte, segundo Aquino, não atingem a sua «finalidade» de forma fortuita, mas sim de acordo com um plano. Como «aquilo que não tem inteligência não pode dirigir-se para uma finalidade senão se for dirigido por um ser dotado de conhecimento e inteligência», então Aquino postula a existência de um ser que dirige as coisas da natureza, e chama-lhe «Deus».
Este argumento explora o temor humano de que o mundo não tenha finalidade. Na verdade, muitas pessoas agarram-se à sua crença numa divindade por medo da liberdade. Aceitar que o mundo não foi criado por uma divindade pode não ser difícil, mas aceitar que não há plano e que «por detrás» deste mundo existe apenas a indiferença da natureza, ou seja, que cabe-nos a nós encontrar uma finalidade para a vida, jamais é fácil.
Efectivamente, e ao contrário do que pensava Aquino, não há necessidade de um «Deus» para assegurar que cada pedra cai na vertical (ou para saber viver…). Para isso, bastam as leis da Física. E um ser que «planeasse» o movimento de todas as N partículas do universo teria inevitavelmente de manter a informação correspondente aos vectores posição e velocidade dessas N Partículas. Sendo o universo um espaço tridimensional, tal ser teria de armazenar 6N números. Ou seja, teria de ser tão extenso quanto o universo propriamente dito.
Uma pequena e singela homenagem, aos acampamentos de Verão, evangélicos ou fundamentalistas cristãos que ocupam essa juventude cristã, e que permitem aos seus pais cumprirem o mandamento do senhor: «Crescei e multiplicai-vos»…
Ao som dos «Fúria do Açucar», na sua música «Eu gosto é do Verão!»,
e 1, e 2, e 3!!
NA PRIMAVERA O DESEJO ANDA NO AR
NA PRIMAVERA A TV PÕE EVOLUÇÃO NO AR
NA PRIMAVERA, HÁ NOSSA SENHORA NO AR
E EU NÃO CONSIGO PARAR DE ORAR.
NO VERÃO OS DOMINGOS FICAM MAIORES
NO VERÃO TODOS LEMBRAM SEUS TEMORES
NO VERÃO JESUS BATE “RECORDS”
E NO CULTO, TEMOS OS CORPOS E SEUS SUORES
EU GOSTO É DO VERÃO, DE PASSEARMOS DE BÍBLIA NA MÃO
SALTARMOS E FALARMOS LÍNGUAS ESTRANHAS
DE ORAR E EXPULSAR O DIABO
E AO FIM DO DIA, ABENÇOADOS
A ESPERAR O FIM DO MUNDO
PATROCINADO POR UM AMERICANO QUALQUER
NO OUTONO VEMOS O AMERICANO PARTIR
NO OUTONO O DINHEIRO DA IGREJA FOI SUMIR
NO OUTONO O PASTOR AMEAÇA SE IR
E A CHUVA FAZ A IGREJA RUIR
NO INVERNO O NATAL É NO CANIL
NO INVERNO ANDO ENGANADO E FEBRIL
NO INVERNO É PASTORES DO BRASIL E NA SUÉCIA MASTURBAM-SE AOS MIL…
Julián Barrio, arcebispo de Santiago de Compostela, defendeu que o casamento é «essencialmente heterossexual e base iniludível da família, cuja quebra supõe a quebra da sociedade tornando-a vulnerável a interesses que nada têm ver com o bem comum».
Na cerimónia, onde estiveram presentes os reis de Espanha e José Luis Rodríguez Zapatero, o arcebispo alertou para a tentação de pensar que se protegem plenamente os direitos do homem só quando nos vemos livres da lei divina. O senhor bispo ainda não se deve ter apercebido que, para termos um Direito que prossiga valores democráticos e uma justiça material, a religião não pode impregná-lo de uma suposta moral superior.
Barrio acrescentou: ainda que, quando se pense assim, «os direitos se vêem reduzidos a simples exigências pessoais e a falsas formas secularizadas de humanismo que semeiam confusão e debilidade moral, distorcendo o plano de deus sobre o amor e a fidelidade, sobre o respeito pela vida em todas as suas etapas naturais, sobre a vivência do tesouro da afectividade e sobre o matrimónio, essencialmente heterossexual». Pergunto: que deus? Que plano? Debilidade moral em não discriminar uniões homossexuais? O casamento, para o Estado, é um negócio jurídico onde duas declarações de vontade livres e esclarecidas convergem para um fim comum: o reconhecimento, pelo Direito, de uma comunhão de vida tendencialmente perpétua e seus efeitos patrimoniais e pessoais. Ora, a lei deve acompanhar a realidade e esta, por muito que ofenda os preceitos ICARianos, é multifacetada e engloba indivíduos que gostam de outros indivíduos do mesmo sexo. Se a Igreja não os quer reconhecer e não lhes quer administrar um sacramento, que regule o assunto para os seus fiéis mas abstenha-se de o fazer para o resto dos cidadãos.
Mas o discurso de alarvidades não fica por aqui. O bispo afirmou, em resposta à Oferenda Nacional realizada pelo rei, que o «homem não pode sobreviver sem a verdade e a força do cristianismo é a sua verdade interna». Assim, caros companheiros ateus e crentes não cristãos, estamos tramados pois não seguimos a VERDADE (a ler com voz cavernosa).
Quanto à fé, monsenhor de Santiago disse que esta é a «esperança segura do cristianismo, seu desafio e sua exigência quando o laicismo se apresenta como dogma público fundamental e a fé é simplesmente tolerada como opinião privada, ainda que deste modo não seja tolerada na sua verdadeira essência». A isto, acrescentou que a laicidade, «na sua versão extrema, transformou-se no laicismo com pretensão marginalizar o espaço da dimensão religiosa». Não se bastando com estas afirmações, disse também que a comunidade política e a Igreja são, entre si, «independentes, ainda que estejam ao serviço da vocação pessoal e social dos mesmos homens através de uma sã cooperação entre ambas».
Tendo isto em mente, o bispo sublinhou que a Igreja «pode sempre e em todo o lugar pregar a fé com verdadeira liberdade e emitir um juízo moral também sobre as coisas que afectam a ordem política quando o exijam os direitos fundamentais das pessoas ou a salvação das almas».
Resumindo, o Estado e a Igreja devem estar separados, mas esta deverá sempre impor os seus pontos de vista e a sua moral a todos os indivíduos, mesmo àqueles que professem outra fé ou não professem fé nenhuma. Para Julián Barrio, a laicidade deve estar em segundo plano e a fé em primeiro, independentemente de ser algo que pertence à esfera íntima de cada um. Se nada disto se passar, a pobre ICAR será discriminada e perseguida pelos mefistofélicos jacobinos e laicos em geral.
As férias de Verão estão mesmo à porta. As épocas de exames e de orais estão a acabar, as esplanadas estão cada vez mais cheias e paira no ar uma certa leveza que indicia a silly season.
O Verão é altura de festivais de música. Zambujeira do Mar, Paredes de Coura, Carviçais, Vilar de Mouros… milhares de jovens dirigem-se a esses locais para uns dias de boa música e de boa companhia.
Para não ficarem atrás destes festivais (notem bem) neo-pagãos, onde são adorados os neo-deuses Fino, Charro e Queca, a Comunidade Cristo de Betânea organiza o Festival da Figueira da Foz com o objectivo de oferecer um tempo em festa de inspiração cristã em contacto com a natureza aos jovens mais exigentes e a todas as pessoas que queiram passar. Estes jovens mais exigentes poderão assistir aos concertos de artistas de renome internacional como Melão, a banda Kayros MDM ou o padre Daniel.
O santo festival realiza-se entre 29 Julho e 1 de Agosto e consta de três dias de acampamento. Durante o dia, os abençoados e nada neo-pagãos poderão frequentar workshops opcionais de expressão artística – dança, teatro, pintura – e ainda de espiritualidade e aprofundamento vocacional. A par de actividades de meditação, escuta e aconselhamento espiritual, Eucaristia e adoração eucarística, os participantes aprenderão a reconhecer as músicas dos falsos deuses e como evangelizar os neo-pagãos através da guitarra acústica e de músicas adaptadas de originais ingleses cantadas à volta da fogueira acompanhadas por uma coreografia e um sorriso idiota.
O Diário de uns ateus é o blogue de uma comunidade de ateus e ateias portugueses fundadores da Associação Ateísta Portuguesa. O primeiro domínio foi o ateismo.net, que deu origem ao Diário Ateísta, um dos primeiros blogues portugueses. Hoje, este é um espaço de divulgação de opinião e comentário pessoal daqueles que aqui colaboram. Todos os textos publicados neste espaço são da exclusiva responsabilidade dos autores e não representam necessariamente as posições da Associação Ateísta Portuguesa.