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Categoria: Não categorizado

17 de Maio, 2006 Carlos Esperança

O santo fundador do Opus Dei

Quando a catequese era obrigatória, sob pena de os pais dos meninos serem acoimados de comunistas, maçons ou judeus, com os riscos que representava, as minhas catequistas falavam-me de um Deus apocalíptico, vingativo e cruel, um indivíduo tenebroso e com grande poder, ansioso de nos enviar para o Inferno.

Os santos eram pessoas de bem que aguardavam séculos para que a santidade lhes fosse reconhecida e as virtudes divulgadas. O tempo abolia defeitos e ampliava as qualidades.

Era assim quando o fabrico de santos era artesanal e a ICAR pouco mais fazia do que apoiar a aclamação popular de pessoas lendárias que preenchiam o imaginário beato e supersticioso dos meios embrutecidos pela fé.

O fabrico industrial e a pressa de canonizar alguns biltres levou à paranóia dos milagres e à elevação aos altares de indivíduos pouco recomendáveis e com defeitos conhecidos.

Santo Escrivá é um caso de sucesso a obrar milagres e uma nódoa caída no pano da igreja romana. Falsificou o nome de José Maria para «Josemaria» e comprou um título nobiliárquico para fazer esquecer a ascendência e a falência paterna nos negócios.

O seu apoio a Franco é uma lástima para quem seguiu a carreira da santidade. O Deus de Escrivá era cruel e o devoto tinha o pio costume de usar um cílio, mortificar-se e salpicar as paredes da casa de banho com sangue. Aceito que merecesse o castigo mas fica a péssima impressão do sadismo do seu Deus e do masoquismo do apóstolo.

Na segunda metade da década de sessenta do século que foi, eram tantos os ministros de Franco, do Opus Dei, que os historiadores têm fundadas razões para pensar que a seita tentou conquistar o Estado espanhol – e quase o conseguiu.

Ruiz-Mateos admitiu ter dado cerca de 4 mil milhões de pesetas à Obra durante os 23 anos de vida da Rumasa, uma empresa (outra foi a Matesa) cuja falência protagonizou o maior escândalo financeiro de Espanha e chamuscou o Opus Dei.

Michele Sindona, um banqueiro com fortes ligações à Máfia, foi envenenado na prisão com uma chávena de café. Roberto Calvi, foi encontrado enforcado debaixo da Ponte de Blackfriers, em Londres. Ruiz-Mateus foi preso e abandonado. O arcebispo Marcinkus só não foi julgado pela justiça italiana porque JP2 o protegeu e impediu a extradição.

Estes e outros nomes estão presentes quando se fala da Obra do santo Escrivá.

17 de Maio, 2006 Palmira Silva

Fundamentalismo islâmico na Turquia

Um fanático islâmico semeou o pânico em Ankara, disparando contra os juízes do tribunal adminstrativo de mais alta instância da Turquia, o Conselho de Estado, ferindo 5 deles, dois em estado grave.

Um dos juízes feridos foi muito criticado pelas alas fundamentalistas deste país por ter decidido contra o uso do lenço islâmico por professoras do ensino público, alas conservadoras que incluem o actual primeiro-ministro, Recep Tayyip Erdogan.

O assaltante gritou «Allahu akbar» (Deus é grande) enquanto disparava a sua arma sobre os juízes, e, de acordo com Tansel Colasan, que dirige o Conselho de Estado, gritou «Eu sou um soldado de Deus».

Os juízes atingidos pelo delírio religioso do fanático assaltante faziam parte da segunda câmara do tribunal, que trata de assuntos de Educação, e que tem sustentado a natureza secular do ensino turco não obstante a pressão dos fundamentalistas islâmicos.

17 de Maio, 2006 Palmira Silva

E mais censura católica

Artistas cariocas manifestaram-se contra a censura da obra «Desenhando em Terços», de Márcia X., falecida o ano passado, que integrava a exposição «Erotica – Os sentidos na arte», no Rio Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB). Os artistas usaram uma t-shirt com uma reprodução da obra de Márcia X. e com a frase «EducaAção/Censura Não».

De igual forma, o ministro da Cultura, Gilberto Gil, relembrou a Constituição Brasileira, segundo a qual é «livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença» para declarar, em nota oficial enviada ao CCBB, que toda a censura é inaceitável e que esperava que o CCBB reconsiderasse sua decisão

Paulo Rogério Caffarelli, director de Marketing e Comunicação do BB, disse que o banco não pretende retirar qualquer outra peça da exposição, como pede uma acção do grupo católico Opus Christi, que quer a retirada de uma tela de Alfredo Nicolaiewsky em que São Jorge está ao lado de um homem com a mão na roupa interior.

A peça de Márcia X., que foi vista por 56 mil pessoas em São Paulo, foi retirada da exposição por pressão do dito grupo católico Opus Christi que possui 700 membros no Brasil. Isto é, 700 pessoas acham-se no direito de decidir o que os muitos milhões de brasileiros podem ou não ver. Enfim, tiveram uma ajudinha da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, que ameaçou passarem os padres católicos a incluir a questão da obra de Márcia X nos seus sermões…

Contra qualquer tipo de fundamentalismo, neste caso católico, pode assinar aqui a petição, Censura Não.

16 de Maio, 2006 Carlos Esperança

Fundamentalismo judeu

Fonte: El País, 15-05-2006

Deus é uma droga perigosa.

16 de Maio, 2006 Ricardo Alves

Hirsi Ali abandona a Holanda,ou… Hirsi Ali abandonada pela Holanda?

A ateísta militante Ayaan Hirsi Ali demitiu-se do parlamento holandês e nunca terá tido a nacionalidade holandesa. Estes desenvolvimentos surpreendentes aconteceram na sequência da exibição na televisão holandesa, na quinta-feira, de um documentário que evidenciava que Hirsi Ali mentira quanto ao seu nome, idade e país de partida com o objectivo de obter asilo político. A ministra da imigração Rita Verdonk (que curiosamente se prepara para concorrer à liderança do seu partido) decidiu entre sábado e segunda-feira retirar a nacionalidade à sua mediática colega de bancada parlamentar, e acrescentou que a teria deportado se fosse ministra aquando da naturalização dela, em 1997.

A agora ex-deputada tornou-se famosa internacionalmente em 2004 como autora do guião do filme «Submissão», por causa do qual o realizador Theo Van Gogh foi assassinado por um fascista islâmico que deixou espetada no seu corpo, com uma navalha, uma carta ameaçando Hirsi Ali.

A vida desta rapariga de origem somali não tem sido propriamente fácil. Mutilada sexualmente na infância, foi educada numa escola wahabita na Arábia Saudita e doutrinada na mais extremista das versões do Islão (no seu livro, conta que quando viu um judeu pela primeira vez ficou espantada ao verificar que era um ser de carne e osso). Fugiu a um casamento forçado (alegadamente) e na Holanda trabalhou como empregada de limpeza e tradutora antes de se tornar colaboradora de um instituto próximo do Partido Trabalhista. Após o 11 de Setembro, radicalizou a sua crítica do islamismo e descobriu que a esquerda holandesa, imobilizada pelo «multiculturalismo», não aceitava a violência dos seus ataques ao Islão. As primeiras ameaças de morte chegaram nesta altura, por ela ter chamado «pedófilo» a Maomé. No ano seguinte, aderiu ao partido conservador holandês (VVD), que agora a abandona, acusando-a de ter «polarizado» o debate sobre o Islão. No dia 27 de Abril deste ano, um tribunal decidiu que tinha que abandonar o seu apartamento até Agosto porque era um alvo do terrorismo e portanto um perigo para os seus vizinhos.

Confesso que não sou um especialista em política holandesa, mas parece-me que Hirsi Ali foi usada e deitada fora pela direita que a acolhera. O facto de ter escolhido ir trabalhar num instituto neoconservador, o American Enterprise Institute, só mostra que continua encurralada. Entre uma esquerda «multiculturalista» que a acusa de estigmatizar os imigrantes, e uma direita anti-imigrantes que lhe dá voz mas que detesta o seu ateísmo militante.
16 de Maio, 2006 Palmira Silva

O Código da Vinci e as mulheres

O código da Vinci (trailer promocional aqui)

A estreia esta semana do filme baseado no livro de Dan Brown tem sido precedida por veementes protestos de praticamente todas as religiões institucionais, inclusive aquelas para as quais não é blasfémia a negação da virgindade do mitológico Cristo ou para as quais é indiferente a forma como a Opus Dei é retratada.

De facto, mesmo em países islâmicos o filme é polémico, tendo sido proibido em países inesperados como o Egipto, Jordânia e Líbano.

Esta proibição parece à primeira vista deveras estranha, já que não se percebe como o filme pode ser ofensivo ao islamismo. Especialmente considerando que para o islamismo, uma religião que teve a sua origem no cristianismo, o Cristo é apenas mais um profeta e, como os múltiplos casamentos de Maomé indicam, não há qualquer obrigação dos profetas serem celibatários. Assim como é obrigação dos crentes combater os «sistemas» de fé concorrentes, como pode ser apreciado neste texto de um site oficial do governo do Egipto ( o Supreme Council of Islamic affairs integra o Ministery of Awkaf).

Na realidade, a oposição ao filme por parte de cristãos e muçulmanos tem a ver simplesmente com o facto de que o livro levanta questões, essas sim blasfémias execradas por estas religiões misóginas, sobre o papel das mulheres nas respectivas religiões.

Uma das razões do sucesso do livro tem a ver exactamente com a recuperação do papel da «deusa», a «heresia» pagã que mais trabalho deu ao cristianismo erradicar dos territórios conquistados. Em boa parte através da fabricação do culto mariano…

Aproveitando o fascínio despoletado pelo livro de Dan Brown, a autora do livro «Faith and Feminism: A Holy Alliance», Helen LaKelly Hunt, organizou um site, HerCode.org, em que são abordadas e contestadas a misoginia e a discriminação das religiões instituídas em relação às mulheres.

15 de Maio, 2006 Carlos Esperança

Fátima – A manutenção do embuste

Fátima, S. A. teve neste 13 de Maio uma multidão de clientes atraída pela campanha mediática, organização profissional de peregrinações e pelo período de crise que se vive, propenso à superstição e ao fanatismo.

Mas a ICAR já pressentiu que os peregrinos estrangeiros esmorecem com a escassez de milagres e a orquestração de um evento que tresanda a falsidade.

São mais os peregrinos atropelados nas maratonas da fé do que os sinais do divino.

Para prolongar a vida do negócio a ICAR tirou da cartola um anjo que teria visitado o local um ano antes da Virgem. Já começou a comercialização da trapaça. Já divulgou que os pastorinhos viram o anjo, uma espécie zoológica que se julgava extinta e que, afinal, estacionou na Cova da Iria.

Fátima era lugar privilegiado para carreiras regulares entre o Céu e a Terra, quando a fé era mais importante do que a escola, a religião mais respeitada que a ciência e os padres mais convincentes do que os professores.

Assim, o anjo pôs as asas das longas viagens, escovou as penas, fez a higiene matinal e partiu para a Cova da Iria. No Céu era um infeliz entre a numerosa fauna. Na Terra teria três crianças à sua espera, ansiosas pela conversão da Rússia e pela adopção do terço como terapêutica de primeira linha nas mais diversas moléstias.

Ninguém sabe o que veio fazer a criatura mas o pasmo entre os créus cresce e a ICAR já testou a mercadoria. Sob os auspícios do anjo voador vêm mais peregrinos, caem mais uns óbolos e prolonga-se o período de exploração do mais astuto ardil para manter viva a fé e perpetuar a superstição.

É um embuste que a máquina eclesiástica já pôs a render e que, com as canonizações previstas, assegura o retorno dos investimentos imobiliários com benefícios acrescidos no campo da publicidade e na conversão das almas.

15 de Maio, 2006 Palmira Silva

Os católicos e o preservativo

Uma sondagem da Aximage para o Correio da Manhã indica que a esmagadora maioria dos católicos nacionais, 84,2%, discorda da posição da Igreja Católica, isto é do Vaticano, em relação ao uso de preservativo.

A discordância dos católicos em relação à doutrina da Igreja acerca do uso do preservativo foi reconhecida por Fernando Castro, presidente da Associação das Famílias Numerosas, que, reconhecendo a «enorme distância» entre o que fazem os católicos e determinadas leis da Igreja «inspiradas no Espírito Santo», afirmou que estes católicos «Estão errados».

Já Jorge Ortiga, arcebispo primaz de Braga e presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), manifestou-se «surpreendido» com o resultado desta sondagem.

«Do contacto com as comunidades, essa não é a ideia que tenho, por isso, esse resultado surpreende-me». Mas para o dignitário nacional «sondagens são uma coisa e a realidade outra, por vezes bem diversa».