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17 de Fevereiro, 2007 Carlos Esperança

Bispos evitam abortos – tomam a pílula

Andava a Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) dedicada à oração e aos negócios, sem se dar conta de que milhares de mulheres recorriam ao aborto clandestino, com sequelas irreversíveis, risco de vida e perseguições policiais.

Deviam estar a treinar hóquei em campo com os báculos e a jogar ao anel de ametista com as mitras, enquanto a operária com medo do despedimento interrompia a gravidez com uma agulha de renda, uma adolescente filha de pai católico entrava em pânico e se entregava à curiosa que lhe perfurava o útero ou uma mãe desempregada empenhava o cordão que herdara da avó para evitar mais uma criança que não poderia alimentar.

Os bispos, a quem a idade e o múnus tornou castos, têm pela sexualidade um sentimento de culpa e aversão que o medo e o recalcamento refinaram.

Vêm agora, quais virgens que desconhecem o mundo, dar sentenças sobre a forma de evitar o recurso ao aborto. Não desejam mais do que os ateus que essa praga possa ser eliminada, que os filhos desejados possam nascer, que o sexo seguro possa ter lugar.

Se os bispos soubessem o que é amar, se tivessem um corpo para viajar e uma boca húmida para beijar, se soubessem como é bom amar e ser amado, sentir a loucura de um desejo satisfeito, apaziguar a ansiedade na sofreguidão do amor, certamente não seriam os intolerantes misóginos, empregados de um Deus que obriga os crentes a renunciar à felicidade e os prefere de joelhos, ciliciados e embrutecidos com as orações.

16 de Fevereiro, 2007 Helder Sanches

Querido Diário

Inicio aqui a minha colaboração no Diário Ateísta. Devo dizer que encaro com algum nervosismo estes primeiros tempos em que farei parte desta equipa e em que terei de “enfrentar” alguns dos comentadores mais assíduos do Diário.

Sou, claro está, ateu. Para mim ser ateu é, sobretudo, não acreditar no sobrenatural, seja de que espécie for. Ser ateu é duvidar e questionar, promover a discussão, divulgar uma visão naturalista do mundo em que vivemos e acreditar no conhecimento científico, nunca esquecendo a sua capacidade única de auto-validação.

Por outro lado, ser ateu não significa para mim ser anti-crentes. Considero que, enquanto indivíduos, todos nós temos direito à nossa própria interpretação da realidade. O facto de a minha visão ser naturalista e isenta de misticismo não significa que outros não possam ter outras sensibilidades. Não admito é que me tentem impor essas sensibilidades quer a nível particular, quer na sociedade em que me integro. Contudo, aceitar que outros tenham sensibilidades diferentes das minhas não significa que eu as compreenda ou, sequer, as tolere. Faço aqui uma distinção importante entre o respeito pelo direito à crença e a minha (in)tolerância pela mesma. Esta é uma questão que, certamente, abordarei mais vezes.

Gostava de finalizar com uma palavra para os crentes que frequentemente comentam aqui no Diário. Os ateus, genericamente, são muitas vezes acusados de arrogância. Por outro lado, os crentes são muitas vezes acusados de ignorância. Espero que nenhum destes adjectivos venha a fazer sentido mas, se tal acontecer, espero que ambas as partes exerçam bem o seu papel!

16 de Fevereiro, 2007 Carlos Esperança

A Senhora de Fátima entrou de baixa

Conhecidos os resultados do último referendo, a Senhora de Fátima entrou de baixa e está internada na enfermaria do Paraíso, misturada com beatas de segunda, catequistas rurais e outras almas alérgicas ao pecado e ao banho.

O seu divino filho arremessou-lhe com a coroa de espinhos e desancou-a com a cruz quando a viu chegar ao Céu em pior estado do que os forcados de Santarém quando fazem uma pega a um touro mais inteligente do que eles, o que não é difícil.

Quando a Virgem chegou já lá estavam os jornais que davam conta do desastre da Igreja Católica, humilhada nas urnas, expulsa das cidades e desprezada por jovens de um país que lhe foi consagrado várias vezes.

Levou, na bagagem, orações, terços, novenas, missas, romagens e outros pios subornos que lhe foram adjudicados para inverter a vontade popular. Foi tudo para a reciclagem por estar esgotado o prazo de validade e a inutilidade comprovada.

As 2.238.053 almas afastadas do redil foram uma humilhação para quem saltitou, há 90 anos, de azinheira em azinheira, fez truques com o Sol e encheu o parque de diversões místicas de Fátima todos os dias 13.

Sabe-se que as lágrimas de sangue saíram com água oxigenada e foi aconselhada pelo Dr. Gentil Martins a mudar de cosméticos que estragam o verniz e repelem crentes.

Também o Dr. Bagão Félix, que não sabe de Finanças, apertou mais um furo no cilício e aguarda as clínicas espanholas para investir, vestido de cruzado e de crucifixo afiado, contra médicos, enfermeiros e as mulheres que ele queria pôr a lavar escadas e sanitas, em alternativa à prisão, desactivadas que foram as fogueiras do Santo Ofício.

As Senhoras Donas Teté, Matilde, Isilda e outras, receando que a Senhora de Fátima tenha fugido com um pastor de vinte anos, dedicam-se à pastoral da castidade e juram que as hormonas são invenção de ateus, comunistas, mações e judeus, à semelhança da teoria evolucionista.

Finalmente temem que o arcanjo Gabriel tenha contraído a gripe das aves e que, como medida profiláctica, deva ser abatido o bando todo.

15 de Fevereiro, 2007 Carlos Esperança

Memórias da Irmã Lúcia no teatro

Baseada nas «Memórias da Irmã Lúcia», está a ser preparada, pelo Santuário de Fátima, e com encenação de Norberto Barroca, uma peça de teatro que procurará retratar algumas cenas da vida familiar dos Pastorinhos Videntes de Fátima, antes, durante e depois das aparições da Virgem, tendo sempre como base os escritos da Irmã Lúcia.

No princípio foi a burla. Três inocentes crianças, fanatizadas pela catequese terrorista da época, viram azinheiras que davam virgens, o Sol às cambalhotas no horizonte e ouviam vozes que pediam para rezar o terço e converter a Rússia.

Lúcia era dotada para ouvir vozes e ter visões. Instrumento de uma burla monumental, pagou com a clausura a viagem que fez ao Inferno, antes de ter sido fechado para obras por JP2, embora convencido de que o Diabo existe, como, na sua superstição, julgava.

Os três infelizes pastorinhos faltavam à escola para rezar, uma virtude cristã segundo a cartilha salazarista e a do patriarca Cerejeira.

Aterrorizaram as populações rurais e as crianças da catequese com os três segredos que a Senhora de Fátima confiou à Lúcia. Era o País beato, supersticioso e analfabeto, que viajava de joelhos para Fátima, estendia a língua à rodela de pão ázimo e rezava terços como os mullahs islamitas debitam o Corão.

Agora, 90 anos após a encenação dos milagres, depois das cartas da Lúcia a Marcelo para proibir a mini-saia e o divórcio, depois de ter sido visitada, em Tuy, por Cristo, ele próprio, vai à cena a peça «Memórias de Lúcia», a farsa promocional do santuário, com uma só virgem, três pastorinhos e muitos supersticiosos.

É o embuste místico no seu máximo delírio.

14 de Fevereiro, 2007 Ricardo Alves

Um país, dois pólos

Em 1930, o distrito com maior percentagem de casamentos civis era Beja, com 90%. O distrito com menor percentagem era Vila Real, com 3%. Três quartos de século depois, o distrito onde uma maior percentagem votou contra as indicações da hierarquia da ICAR foi Beja (84%), e o distrito do continente onde o «não» teve maior percentagem foi Vila Real (62%). Coincidência? Talvez não.

Quem conhece os indicadores de comportamento social dos portugueses (casamentos civis, filhos fora do casamento, presença nas missas, uniões de facto) sabe que existem, pelo menos desde o advento da República, dois pólos: o pólo do catolicismo, tipicamente situado ou em Braga ou em Vila Real (distritos ultrapassados ou igualados pela Madeira e pelos Açores em alguns indicadores), e o pólo da secularização, geralmente situado em Beja ou em Setúbal. Esta polarização tem atravessado as mudanças de regime e as convulsões sociais, mas pode ter os dias contados: num referendo em que o «sim» à legalização da IVG, comparado com 1998, subiu 11% a nível nacional, a subida máxima foi em Braga (+19%), enquanto em Vila Real foi de +14%. Em Beja, a subida percentual foi inferior à média nacional (+7%), e em Setúbal foi mínima (+0,1%). De um modo geral, os distritos onde o «sim» ganhara em 1998 subiram abaixo da média nacional de +11%, e os distritos onde o «não» ganhara em 1998 subiram acima da média nacional. As circunscrições que ficaram mais próximas da média nacional de 11% de incremento para o «sim» foram a Madeira, Leiria, Coimbra e o Porto. As maiores subidas percentuais do «sim» (Braga, Guarda, Bragança, Castelo Branco, Viseu, Viana do Castelo, Vila Real…) vieram de território habitualmente considerado «conservador»…

[Diário Ateísta/Esquerda Republicana]
14 de Fevereiro, 2007 Carlos Esperança

A hipocrisia do bispo

Vitória do «Sim» não soluciona problema
D. José Pedreira, Bispo de Viana do Castelo, sugere a revisão da actual Lei penal
Aqui está o indício de que, de forma beata, um bispo pretende subverter o Referendo do dia 11. O Sr. José Pedreira, com falas mansas de tartufo, vem propor que se ignorem os resultados… porque não são vinculativos.

O Sr. Pedreira esqueceu-se da ameaça de excomunhão feita pelo clero da sua Igreja, do clima de terror para os crédulos, dos fetos de 10 semanas (tinham mais) que nos pediam com ar infeliz para que os não matássemos?

Vem agora de mitra na mão e báculo em riste repetir a ignomínia que o grandessíssimo filho de Deus, Bagão Félix, propunha – substituir a prisão das mulheres por um serviço à comunidade, talvez a lavagem de escadas e de sanitas, tarefas que as pobres conhecem?

Este bispo usa o anelão para dar a beijar aos beatos ajoelhados, os dedos para desenhar cruzes com óleo rançoso na testa dos confirmados e a inteligência para subverter os resultados eleitorais.

O Sr. Pedreira é agente do Vaticano, uma ditadura teocrática que não integra os Estados democráticos da União Europeia, membro da seita que impede a interrupção voluntária do celibato aos padres e freiras e o divórcio aos casados em Malta.

Este ungido considera pecado tudo o que for contra os ensinamentos que um velho senil ditou no Monte Sinai a um desgraçado que tinha visões e dava pelo nome de Moisés.

14 de Fevereiro, 2007 Ricardo Alves

Até em Braga!

O «sim» à legalização da IVG até em Braga ganhou. Não no concelho de Braga, onde o «sim» perdeu (48%-52%), mas nas freguesias urbanas, onde o «sim» ganhou (53%-47%).

A Braga que é a suposta capital do conservadorismo português, a Braga dos santuários do Bom Jesus e do Sameiro, dos arcebispos e do cónego Melo, das congregações de freiras e das lojas de roupa para padres na rua principal, nunca mais será a mesma. Pelo menos, para mim.

[Diário Ateísta/Esquerda Republicana]
13 de Fevereiro, 2007 Carlos Esperança

Referendo – IVR

O 11 de Fevereiro de 2007 ficará na história como o dia em que os portugueses deram público testemunho da Interrupção Voluntária da Religião (IVR).

O Cânone 1331 do Direito Canónico – o Código Penal das Almas -, determina que os que votaram SIM no referendo «não podem casar, baptizar-se e nem poderão ter um funeral religioso» como explicou pacientemente o compassivo cónego Tarcísio Alves.

A Conferência Episcopal Portuguesa, perdido o medo do Inferno, arrisca-se a ter de indemnizar os crentes pelo tempo perdido em missas, novenas, terços, orações e outros pios devaneios.

Esta excomunhão automática, tão grave que nem os padres a podem retirar, alienou ao santo rebanho 2.338.053 ovelhas com as quais deixaram de poder argumentar nas transacções com o Estado e na chantagem dos números.

Deus deve ter ficado muito zangado com os portugueses, como assevera o clero. Mas, que pode um mito contra a força do voto, o exercício da democracia e a libertação do dogma?

A Senhora de Fátima, que chorava lágrimas de sangue em muitos panfletos, nas caixas do correio, esvaiu-se com os resultados, entrou em estado de choque e teve de fazer uma curetagem ao saco lacrimal.

Por algum tempo a Igreja vai deixar de atirar placentas aos olhos dos crentes e de arremessar fetos às mochilas das crianças dos colégios religiosos.

12 de Fevereiro, 2007 ricardo s carvalho

a pergunta do momento

sendo que a ICAR apostou tudo o que tem para dar—mentiras, dinheiro, ameaças, obscurantismo, hipocrisia, moralismo—nesta campanha, e perdeu em todos os níveis, carece perguntar: agora que é legal, podemos abortar a ICAR num prazo de 10 semanas?

[também no esquerda republicana]