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Categoria: Não categorizado

4 de Maio, 2007 Carlos Esperança

Deus é doido (2)

(Clique para aumentar a imagem e a indignação)
Fonte: Público, hoje.
4 de Maio, 2007 jvasco

Ateísmo na Blogosfera

  1. «Acreditar em algo com base na fé é acreditar em algo sem ter razões que estabeleçam a sua verdade. Ao caracterizar a fé, S. Tomás de Aquino (1225-1274) contrastou-a com a mera crença sem conhecimento, por um lado, e com o conhecimento, por outro. A fé é semelhante à mera crença sem conhecimento porque em ambos os casos não há razões que estabeleçam a verdade daquilo que acreditamos. Mas a fé é também semelhante ao conhecimento porque envolve uma convicção muito forte da nossa parte.

    Por exemplo, só podemos acreditar que o Futebol Clube do Porto ganhou o jogo com base na fé se não soubermos que isso aconteceu. Se soubermos que ganhou é porque temos provas disso e, portanto, não podemos ter fé.(«O que é a fé?», no De Rerum Natura)

  2. «As relíquias sangrentas mais comuns têm origem na Idade Média, época em que imperava o lucrativo negócio de venda de relíquias, em que abundavam prepúcios, cordões umbilicais, bocados da cruz, pregos da dita e demais recuerdos cristológicos para além de um gigantesco mercado de souvenirs anatómicos de santos, mártires e afins.

    Por exemplo, a igreja do castelo de Wittenberg, onde Lutero – que denunciou o comércio de relíquias no Traité Des Reliques – pregou as suas 95 teses tinha… 19013 relíquias (!). Do espólio de Wittenberg constavam vários frascos com leite da Virgem, palha da manjedoura onde a lenda coloca o nascimento de Cristo e mesmo um dos «inocentes» massacrados (sem registo histórico) por Herodes! […]

    Estes «bloody miracles» são fáceis de confirmar como fraudes centenárias bastando para isso que a Igreja de Roma ceda as supostas relíquias para análise, algo que me parece muito pouco provável. De facto, a Igreja considera […] não existirem problemas morais “na continuação de um erro que foi transmitido em boa fé por muitos séculos» («Bloody Miracles», no De Rerum Natura)

  3. «Mas poucos saberão que um dos pais do método científico e por conseguinte um dos precursores da ciência moderna é português, Garcia d’Orta.[…]

    Garcia de Orta permanece na Índia porque os seus receios se tinham entretanto concretizado e a Inquisição tinha sido estabelecida em Portugal […] lestamente deu início à expectável perseguição de cristãos novos e demais hereges, que atingiu duramente a família do cientista português. […]

    Em 28 de Outubro de 1568, uns meses depois da morte do irmão, Catarina d’Orta foi presa pela Inquisição, condenada à morte pela fogueira, sentença executada em 25 de Outubro de 1569. Mas a Inquisição não estava satisfeita. Num auto-de-fé de 4 de Dezembro de 1580, Garcia d’Orta foi condenado post-mortem por judaísmo, os seus restos mortais foram exumados e os seus ossos queimados na fogueira.»(«Garcia d’Orta», no De Rerum Natura)

3 de Maio, 2007 Ricardo Alves

Morte: o derradeiro trunfo da religião

A religião enquanto sistema de crenças terá servido para organizar o modo como se via o mundo. Mas, hoje em dia, ninguém acredita que existam anjos a empurrar os planetas à volta do sol, ou que seja possível fazer chover com a força do pensamento (embora haja quem continue a tentar). A confiança nas capacidades explicativas da religião, depois de duzentos anos de ciências exactas, aproxima-se finalmente de zero.

Mas, será que os indivíduos continuarão a ter fé? E porquê? A maior parte das «necessidades espirituais» que a religião satisfaz podem ser resolvidas de outras formas. A beleza estética há muito que está nos museus à vista de todos, e cada vez há mais sítios onde organizar encontros com os amigos. Acontecimentos sociais como o nascimento de crianças ou a união de casais aparecem hoje cada vez mais desligados da fé. Mas existe sempre a última fronteira: a morte. O animal humano tem consciência dos seus limites, pensa-os, e sabe que um dia morrerá. E isso não é imaginável: a consciência não consegue imaginar o que é não existir. Lidar com a perda de amigos ou familiares também não é fácil.

Todas as religiões, desde as abrâamicas com a sua consciência separada do corpo (a «alma»), até à religião tradicional chinesa (com a veneração dos ancestrais), passando pelo hinduísmo e pelo budismo (com o ciclo morte-«renascimento»), sem esquecer os antigos egípcios (a morte é uma «passagem»…) e ainda a cientologia («reencarnação» num novo corpo, talvez num outro universo), todas as religiões oferecem uma qualquer ilusão que conforta a necessidade do crente de acreditar que «algo» sobrevive à morte, e que possivelmente voltaremos a encontrar aqueles a quem quisemos bem e que nos fazem falta. Mesmo as religiões inventadas mais recentemente (como certas formas de «comunicação» com «espíritos») insistem em convencer as pessoas de que a consciência humana não é função do corpo, e de que portanto a morte não é o fim. Embora plenamente refutada pela ciência, esta crença reflecte uma necessidade forte que não desaparecerá. Aceitar o absurdo da morte exige força de vontade.

[Diário Ateísta/Esquerda Republicana]
3 de Maio, 2007 Ricardo Alves

O sucesso social da religião organizada

O facto de as igrejas e outras comunidades religiosas se manterem estáveis durante um número considerável de gerações não tem qualquer mistério. Por definição, uma instituição autoritária é estável: os dogmas não se discutem, as regras não se mudam, quem manda não é questionado.

Mas, mesmo em contextos em que é possível abandonar a religião em que se cresceu, pode haver incentivos para não o fazer. Afinal, uma congregação onde se entra criança e de onde só se sai para o cemitério, com reuniões algumas vezes por mês ou até todas as semanas, permite manter uma rede de apoio social difícil de substituir. Ao longo de toda a vida, aqueles crentes que se vão conhecendo, que aturam as mesmas missas, que acabam por acreditar (ou por dizer que acreditam, o resultado é o mesmo) nas mesmas superstições e nos mesmos valores, desenvolvem naturalmente laços de confiança. Alguns serão (mentalmente) tão ateus como eu. Mas não abandonam o grupo da bisca, perdão, da igreja.

Em sociedades rurais, em que a comunidade da aldeia coincidia com uma unidade religiosa, era muito difícil sair do rebanho. Nas cidades modernas, já não é assim. Do grupo da escola primária (ou do liceu), até aos amigos de bairro ou do andebol, qualquer indivíduo transita entre vários grupos que não se excluem, e que não convergem necessariamente numa qualquer igreja. A urbanização dá uma machadada no papel social da religião.

[Diário Ateísta/Esquerda Republicana]
3 de Maio, 2007 Helder Sanches

Os Gideões

Não sei quem são, mas tiveram o descaramento de andar a distribuir propaganda religiosa à porta da escola da minha filha. Já enviei um email para a escola a pedir esclarecimentos. Fica aqui a transcrição:

“Exmos. Senhores,

Sou pai e encarregado de educação de uma aluna da E.S. Dona Luísa de Gusmão.
Hoje, 2 de Maio de 2007, a minha filha e educanda chegou a casa com uma publicação com o título “Novo Testamento, Salmos, Provérbios” que lhe terá sido distribuída à porta da escola quando terminou as aulas. Esta publicação religiosa é publicada e, aparentemente, distribuída por uma organização denominada “Os Gideões Internacionais”.
Gostaria que me esclarecessem os seguintes pontos:
1 – Este actividade de descarado proselitismo foi autorizada pela escola?
2 – A escola teve conhecimento desta acção?
3 – Não tendo sido autorizada pela escola e tendo a escola tido conhecimento tomou alguma atitude para suspender esta acção?
4 – Não tendo dado autorização nem tido conhecimento em tempo útil o que poderá a escola fazer no futuro para evitar semelhantes situações no futuro? É intenção da escola protestar junto da supra-citada organização?

Certos de que compreenderão a minha preocupação fico a aguardar uma resposta.

Com os melhores cumprimentos,

Helder Sanches”

(Diário Ateísta / Penso, logo, sou ateu)

2 de Maio, 2007 jvasco

Miscelânea de notícias (2/5/2007)

  1. Juan José Daboub, uma figura chave do Banco Mundial, com alegadas ligações à Opus Dei, foi acusado anteontem de sabotar as políticas de apoio à saúde feminina. Terá ordenado a eliminação de objectivos e políticas relacionadas com o planeamento familiar. Em particular que fossem removidas referências à saúde reprodutiva do programa de assistência a Madagáscar.
    O planeamento familiar é fulcral para o desenvolvimento, para a saúde e liberdade dos cidadãos, mas algumas superstições e tabus agravam dramas económicos, sociais e culturais.
  2. O Parlamento Europeu aprovou uma resolução criticando políticos e líderes religiosos for «comentários discriminatórios» sobre homossexuais, e alegadamente «fermentarem o ódio e a violência».
    Uma mensagem para a Polónia, certamente…
    Bem sabemos que a homofobia tem boa fundamentação teológica, mas chega de deixar que tais superstições atrapalhem a construção de uma sociedade mais tolerante.
  3. «Em pose de estado [Alberto João Jardim], coloca-se ao lado dos autarcas locais, que também ouvem a música. A banda termina e todos se dirigem para o local de inauguração. Há um palanque, negro, sem qualquer inscrição. Discursa o padre. Bem, depende do padre. Pode realizar uma pequena comunicação ou uma curta missa, com direito a leitura litúrgica participada e muitos rituais cristãos. Benze o local. […] São assim as inaugurações ao estilo Alberto João Jardim. E não só agora, mas durante todo o ano, durante todos os anos dos seus 30 anos de exercício como Presidente do Governo Regional da Madeira»
    É triste esta promiscuidade entre a religião e a política, principalmente quando se entende a importância da separação entre Estado e Igreja. Mas pior é mesmo ver o Bispo a fazer campanha política contra certos segmentos do eleitorado, como acontece de vez em quando…
  4. Na Tailândia, activistas islâmicos matam uma criança de três anos. O mesmo grupo terá sido responsável pela recente morte de um professor de 67 anos no passado sábado, e por vários feridos. Desde 2004 terão morrido cerca de 2100 pessoas devido a este conflito.
    Tanto quanto sei, a religião não terá tido um papel central neste conflito em particular, mas certamente que a sua influência não é irrelevante. O dogmatismo não é conhecido por facilitar negociações…
2 de Maio, 2007 Carlos Esperança

Deus é opressão e morte

Deus não é apenas uma criação infeliz de épocas remotas e violentos, é o insuportável algoz explorado pelos parasitas da fé.

Deus é um mito vingativo da felicidade humana, o ser misógino que a todos persegue e humilha, oprimindo particularmente as mulheres. É o demente que ameaça com penas apocalípticas a alegria e o prazer.

Entre pessoas que viajam de joelhos ou de rastos, prostradas em abjecta subserviência, emerge o mito vingador, o garoto birrento, o esbirro que aguarda um efémero momento de prazer humano para condenar o autor às perpétuas penas do Inferno.

O presidente do Irão é um sinistro devoto de Maomé, prosélito xiita que quer virar a humanidade para Meca e transformar as democracias em teocracias islâmicas. Pois até este biltre – Mahmud Ahmadinejad – foi criticado por um jornal islamita por ter beijado a mão à sua antiga professora, apesar da luva que a cobria.

É esta demência das religiões, a crueldade dos seus deuses e a intolerância dos clérigos que tornaram Deus o adversário da paz e da liberdade, um infame ao serviço das forças reaccionárias e avesso ao progresso.

A democracia nunca teve a simpatia das religiões e foi sempre em luta contra elas que os homens e mulheres se emanciparam. Das alfurjas das sacristias e dos antros dos templos brotam a intolerância, o medo e as guerras.

1 de Maio, 2007 Carlos Esperança

Turquia – Uma vaga esperança

O Tribunal Constitucional da Turquia abriu a porta a novas eleições, ao invalidar a votação do Parlamento para eleger novo presidente.

Seria a primeira vez que um presidente assumidamente muçulmano, cuja mulher se apresenta em público com o véu islâmico (o que é proibido constitucionalmente) ocuparia a presidência da Turquia laica.

Resta dizer que o poder judicial e as Forças Armadas são o garante da República laica que a Constituição consagra.

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1 de Maio, 2007 Carlos Esperança

Igreja católica perde empregados

Durante 35 anos 69 mil padres despiram a sotaina. Entre 1964 e 2000 foram mais de 5 mil os que anualmente abandonaram o sacramento da Ordem, a maior parte para gozar as delícias do amor.

Julga o Papa que o hissope, na sua configuração fálica, apazigua as hormonas, que um Cristo com ar de marginal satisfaz os desejos dos clérigos e que a água benta, mesmo gelada, atenua os calores da paixão. Nem a Virgem com ar de mal amada!

A fé é uma doença infantil, frequentemente incurável, que se apanha em casa, na escola ou na catequese e que raramente atinge adultos. O vírus é inoculado pelos pais, padres, catequistas e outros infectados do divino.

A liberdade de pensamento e expressão é o antídoto mais eficaz para a moléstia da fé. É por isso que clérigos de todo o mundo e de todas as religiões se afligem com a ciência e o livre-pensamento.

Mas «não há machado que corte a raiz ao pensamento» e até os padres, fartos de hóstias e orações, da bíblia e do breviário, trocam a vida parasitária ao serviço de Deus por uma vida de amor de acordo com os seus sentimentos.

1 de Maio, 2007 Carlos Esperança

Turquia à beira do abismo

A eventualidade de um presidente islamita é um passo sem retorno para a islamização do Estado turco.

Quando o poder se reclama da origem divina e os detentores se definem em função da fé que praticam, a democracia não está apenas em perigo, a ditadura vem a caminho.

A Turquia trava um braço de ferro entre o primeiro-ministro que se solidarizou com os terroristas de um atentado contra juízes que defenderam o carácter laico da Constituição e os sectores sociais, militares e judiciais que defendem o Estado laico. Com um presidente igualmente islamita é o fim da República laica que se avizinha.

De um lado estão os clérigos, o primeiro-ministro e o indigitado presidente à espera de virarem a Turquia para Meca e reporem a charia. Do outro estão as forças democráticas de que fazem parte o milhão de manifestantes em protesto contra a candidatura islamita à presidência e a favor de um Estado laico.

O paradoxo reside no carácter democrático da eleição que levou ao poder um partido confessional e na ilegitimidade dos militares para defenderem a Turquia plural, laica e democrática, certos de que o Islão não respeita o pluralismo.

Os democratas estão num labirinto. Se aceitarem um golpe militar traem a democracia mas se aceitarem os resultados eleitorais perdem a democracia. Os islamitas têm a legitimidade do voto mas a única lei que respeitam é o Corão.