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10 de Maio, 2007 Carlos Esperança

Carta de um leitor e bom amigo

Caro amigo:

Você já leu isto, com certeza, mas a verdade é que a reflexão que estas coisas podem suscitar em almas bem formadas nunca será excessiva.

Suponhamos, então, que era ao contrário, e, num folheto alusivo a antros do pecado e da devassidão apereciam indicações de locais de oração e purificação espiritual!!!

Depois de criar o Mundo, Deus “testou” o homem e a mulher. Mostraram fragilidades, porventura à semelhança do criador.

Também me preocupa a quantidade de confessionários, aos quais vc chamou uma “lavandaria de pecados”. A título de exemplo, e seguindo o mesmo raciocínio, se a lei da IVG pode induzir o aumento de abortos, esta “lavandaria” pode vir a induzir o aumento do número de pecadores.

Um abraço,
a) PM

9 de Maio, 2007 Carlos Esperança

Fátima – Novo Centro Comercial

Em Fátima o negócio começou num terreno de cabras com uma azinheira, com espaço para uma virgem e um campo de aterragem de anjos, onde só poisou um, e transformou-se num lucrativo empreendimento do sector terciário, sob o ponto de vista económico e o da fé. O terço é a arma do negócio.

A maior sala de espectáculos do País – Basílica da Santíssima Trindade – ficará pronta em 13 de Outubro, com 9 mil lugares sentados e lotação para 12 mil clientes.

A ICAR pagará a pronto os 60 milhões de euros e deixa para o Estado uns arranjos que ateus e crentes pagarão, para maior glória divina.

Durante o grande espectáculo inaugural «missa da consagração da igreja» espera-se uma multidão que permita uma grande acção de propaganda. Não há milagres previstos mas é aconselhável ter cuidado com as carteiras.

Os clientes terão à sua frente uma ampliação de Cristo com 7 metros e, junto ao altar, uma imagem da Senhora de Fátima com 3 metros de altura.

A conversão da Rússia já deu o que tinha a dar. As novas instalações destinam-se às missas, orações e outros divertimentos pios, para gozo celestial e apaziguamento das angústias dos crentes. As caixas das esmolas continuarão a funcionar e é possível que subsidiem novas sucursais.

9 de Maio, 2007 jvasco

Vem aí um meteorito? – II

Não existem boas razões para acreditar que venha um meteorito em direcção a minha casa, e por isso não fujo de casa.

E também não existem boas razões para acreditar em Deus.
E ainda menos existiriam para acreditar num Deus que nos julgasse.
Mas pior que tudo, não existem boas razões para acreditar que ele nos julgaria desta forma ou daquela. Nenhuma boa razão para acreditar que ele penalizaria a descrença e beneficiaria a Fé.

Parece-me insensato confiar no clero para nos dizer quais os planos de Deus para nós, mais ainda quando são os primeiros a admitir os erros de outros clérigos (quer os das outras religiões; quer os das outras Igrejas da sua religião; quer os do passado da sua Igreja; quer os de outras correntes teológicas na sua Igreja) na interpretação dos planos divinos. Parece insensato confiar na autoridade de instituições que só têm a ganhar com a confiança cega e acrítica do seus fiéis.

Parece-me insensato confiar nos relatos de milagres feitos antigamente. Há relatos antigos de sereias e lobisomens, e tendemos a descartar esses. Há relatos antigos do aparecimento de Isis, Thor e Zeus, e tendemos a descartar esses. Também há relatos da Virgem Maria, mas porque é que ela se tornou mais tímida quando surgiram câmaras de filmar, máquinas fotográficas, e meios sofisticados de verificação independente?

A IURD e outras Igrejas Evangélicas mais pequenas apresentam curas milagrosas aos molhos, mas muitos crentes cristãos acham que isso é fraude. Se não fosse, Isso implicaria que Deus é mais atento aos crentes da IURD que aos católicos. Mas se a fraude é tão fácil, porquê acreditar em relatos escritos de tempos em que a verificação da fraude era muito mais difícil? Se tantos crentes entendem a facilidade com que tanta gente é hoje enganada pela IURD, como é que não concebem equívocos desse tipo há cerca de 2000 anos atrás?

Na verdade não existe nenhuma boa razão para acreditar que os cristãos estão mais certos que os islâmicos. Se tívessemos nascido na Arábia Saudita quase todos seríamos islâmicos. No entanto, o Corão diz que quem acreditar na Santíssima Trindade arderá no Inferno.
Eles alegam que as profecias da Bíblia são falsas, que muitas ficaram por cumprir, e outras revelaram-se engodos; mas que as do Corão se realizaram todas. Claro que os cristãos discordarão, mas a discutir estas coisas quem acredita em Nostradamus poderá argumentar tanto quanto qualquer outro crente religioso. Em terreno igualmente sólido estará quem acreditar nas previsões do Zodíaco.

Mas há mais do que estas religiões. Há religiões aos molhos, com muito pouco em comum. O Hinduísmo, a maior religião a seguir ao Islamismo, é politeísta e acredita na reencarnação. Temos os Mormones, temos a Cientologia, temos o Judaísmo, temos o Umbanda, o Candomblé, temos o Druidismo, temos o Satanismo (se bem que algumas versões do satanismo não sejam religiosas, de acordo com os seus seguidores), temos a religião Wicca, temos o Siquismo, temos toda uma miríade de que só referi uma pequena parte, e ainda poderíamos falar nas religiões do passado. Não têm nada em comum. Para fazermos aquilo que está certo numa religião, estamos certamente a fazer aquilo que está errado noutra.

Muitos crentes de cada uma delas sentem que estão certos, e alguns até podem relatar episódios milagrosos. Mas se acreditarmos nuns, temos de ver outros tantos como gente falsa ou equivocada. O pior é não existir qualquer critério razoável para escolher um grupo em deterimento de outro. Quase toda a gente escolhe em função dos seus pais e familiares, local de nascimento ou residência, o que mostra que os critérios não andam famosos.

Mas é possível conhecer melhor o mundo e a mente humana. Entender a diversidade de religiões como mais um resultado esperado de um mundo sem Deus. Perceber a diversidade da vida como mais uma consequência da selecção natural. Encarar o mal do mundo como um desafio, que nos cabe a nós humanos, sozinhos e livres, encarar, para melhor viver em conjunto (e sem conflitos por causa de superstições).

Não é preciso referir os 20 000 sacrifícios anuais ao Deus Quetzalcóatl dos Astecas para mostrar que a religião não tem ajudado nessa tarefa. Talvez nem baste lembrar que o pior da inquisição e da caça às bruxas nem foram os milhares de torturados e queimados na fogueira, mas sim o atraso intelectual, económico, cultural e científico que esse obscurantismo provocou. É preciso mostrar repetidamente que as sociedades com maior número de descrentes são aquelas em que existe menor número de asassínios por mil habitantes, aquelas em que existe maior apoio aos desfavorecidos e assistência social.

Quando entendermos que é tão fácil ser felizes e decentes sem religião, quando entendermos quão frágeis são as alegações e mentiras do clero, deixamos de ter razões para temer o meteorito.
Poderemos viver a nossa vida.

9 de Maio, 2007 jvasco

Vem aí um meteorito? – I

Estou em casa a escrever este texto.

Talvez seja pouco sensato da minha parte. Pode ser que venha aí um meteorito, em direcção à minha casa.

Se o meteorito for do tamanho de um frigorífico, eu posso morrer por ter ficado cá em casa. A verdade é que nada impede que assim seja. Vamos analisar as minhas possibilidades: eu posso ficar cá em casa como se nada fosse, ou sair para a rua a correr.
Se o meteorito não vier a caminho, é quase irrelevante a escolha que faço, pelo menos se eu comparar com a hipótese oposta: se o meteorito vier a caminho e eu optar por ficar, é provável que morra; se tiver fugido, sobreviverei.

E sejamos claros: nada impede que o meteorito venha nesta direcção. Nada impede que esteja prestes a chegar. A ciência não prova ou demonstra que esse meteorito não vem a caminho. Pode realmente acontecer.

Parece só existir uma coisa sensata a fazer: fugir já de minha casa.

Mas calma! Nada garante que o meteorito vai acertar na minha casa. Pode ser precisamente por saír de casa que o meteorito me acerta. Para qualquer sítio onde vá, existe sempre a possibilidade de um meteorito suficientemente grande acabar comigo. Claro que quanto maiores forem, mais difícil é que não tenham sido detectados, mas em última análise nunca se sabe.

Mas não há razão para pânico. Não há qualquer garantia de que não esteja um meteorito prestes a acertar na minha casa, é certo. Mas seria uma hipótese tão extraordinária que não seria sensato agir em função dela se não tivesse boas razões para acreditar. Além disso, só faria sentido fugir se tivesse razões fortes para crer que o meteorito iria acertar na minha casa e não noutro lugar. De outra forma, a fuga seria fútil, pois não me traria melhores hipóteses de sobreviver.

É por estas razões que o leitor que lê estas palavras não desatou já a fugir, com medo que um meteorito estivesse a viajar na sua direcção. Foi sensato da sua parte. Desatar a fugir seria uma opção menos sábia.

8 de Maio, 2007 Carlos Esperança

O Diário Ateísta e os crentes

Não ponho em dúvida a honestidade e tolerância de numerosos crentes que nos visitam e de muitos que desconhecem o Diário Ateísta. Negar o espírito humanista de muitos, a bondade intrínseca de numerosos judeus, muçulmanos e cristãos, não é apenas agir de má fé, é ser injusto para quem se esforça por um mundo mais justo, tolerante e fraterno.

Eu não seria capaz de humilhar um crente, de o desconsiderar na inteligência, cultura e sensibilidade. O mundo é dos que acreditam e dos que duvidam, mas são sobretudo as qualidades morais que definem as pessoas. Por isso nunca deixei uma crítica ou uma ironia na teosfera. Por isso é no DA que glorifico a blasfémia, o sacrilégio e a apostasia.

Dito isto, penso que só algum tolo pensaria vir encontrar no Diário Ateísta um hino à virgindade de Maria ou lágrimas de piedade pelo martírio do seu Deus. O DA não é um órgão paroquial que exulta com os baptizados e se entusiasma com o número de rodelas consagradas que os crentes consomem.

O DA não tem respeito pelas mentiras dos livros sagrados, repositórios de ódio, racismo e xenofobia, mas os autores do DA não seriam capazes de escrever ofensas num blog de crentes, não magoariam homens e mulheres que foram criados na mentira e crêem nela.

Quem aqui vem já sabe que combatemos a lepra da fé, venha ela da demência que se encontra nos caminhos de Meca, das cabeçadas no Muro das Lamentações ou escoltada de sotainas em direcção a um santuário.

Respeitamos os homens e mulheres que a creditam num ente superior, mas não temos que prezar os mitos que estão na origem das guerras, do ódio e do terrorismo.

Paz aos homens e mulheres, crentes e ateus. Guerra a Deus, porque é um mito perigoso.

8 de Maio, 2007 Hacked By ./Localc0de-07

As faces da mesma moeda



“5 Mark- Anniversary of Nazi Rule, Potsdam Garrison Church. March 21, 1933-Br.Unc.-Scarce.”

8 de Maio, 2007 Carlos Esperança

Vitória sobre o nazismo

Faz hoje 62 anos. A vitória dos Aliados sobre o nazismo foi o primeiro e decisivo golpe sobre um totalitarismo que sacrificou milhões de vidas e destruiu numerosos países. A Segunda Grande Guerra começou, de certo modo, em 1936, em Espanha, onde as tropas de Hitler, a Igreja católica (com honrosas excepções) e as tropas do Norte de África, comandadas por um general rude, inculto e devoto, derrubaram o Governo legal para instaurarem uma das mais sanguinárias ditaduras do mundo.

A guerra só terminou em 1945, com a rendição da Alemanha, faz hoje 62 anos.

Pio XII teve, no apoio a Hitler e Mussolini, à semelhança do Opus Dei em relação a Franco, um papel que não envergonha a Igreja católica cujo passado de violência soube honrar, mas que envergonha a humanidade e os homens livres, que fez tábua rasa do iluminismo e da Revolução Francesa.

Depois, muito tempo depois, havia de cair o Muro de Berlim e desmoronar-se o império soviético onde o estalinismo deixou um rasto de sangue a manchar o que podia ter sido uma bela utopia.

Hoje, a disputa da intolerância, a apoteose da crueldade e a demência do proselitismo pertencem às religiões monoteístas, aos exércitos de clérigos e milhares de beatos que querem conduzir as almas ao Paraíso enquanto dilaceram os corpos à bomba, lapidados ou por decapitação.

Enquanto põem os crentes de joelhos e de rastos, os dignitários das religiões intrigam, infiltram-se nos aparelhos de Estado, chantageiam e perseguem para transformar as democracias em charcos de água benta com as leis a cheirarem a incenso.

7 de Maio, 2007 Carlos Esperança

O Vaticano e as drogas

No pequeno Estado totalitário que Mussolini entregou ao seu amigo Papa não existem Constituição, eleições ou respeito pelos direitos humanos. É um Estado marginal, um bairro de 44 hectares onde esvoaçam sotainas, vagueiam monsenhores, deambulam freiras e o Papa dá a bênção, lança excomunhões e reina de forma vitalícia e absoluta.

No Vaticano andam cardeais à solta, bispos sem báculo e padres à espera de promoção. É o mercado onde se vendem mitras, títulos eclesiásticos e dignidades pias – um espaço congestionado de crucifixos, esqueletos e escândalos.

Os monges vão em busca de fotografias do Papa e relíquias para os conventos, as freiras pedem mais horas de reclusão e o Opus Dei o consentimento para apertar dois furos nos cilícios para maior glória do Altíssimo.

É um mundo esquizofrénico que vale a pena visitar. Escondem-se ali valiosos tesouros roubados nos países pobres e entregues ao Papa por reis dementes que julgavam ganhar o Paraíso a troco do ouro que levavam.

As drogas mais comuns são as orações, o incenso e as indulgências, placebos que excitam. Às vezes o terço, as ave-marias e as novenas também alucinam, mas quando os crentes deixam de acreditar na hóstia e nos sacramentos recorrem à cocaína.

Um funcionário do Vaticano foi condenado a quatro meses de prisão por posse de 87 gramas de cocaína mas, como não há leis nem vergonha, não foi divulgado o nome, a pena não é para cumprir e nem se sabe quem foram os juízes.

Há Estados párias que deviam estar sob vigilância policial e serem entregues à brigada dos narcóticos.

7 de Maio, 2007 Carlos Esperança

Fátima – Correio dos leitores

Nos dias que correm (início de Maio de qualquer ano desde 1917), muitos são os papa-hóstias que se dirigem à pequena cidade de Fátima, em forma de agradecimento à virgem que deu à luz.

Milhares de pessoas fazem-se à estrada a pé, em peregrinação, como forma de provar à sua senhora (nossa não é certamente, que eu não a quero para nada), uma fidelidade doentia e obsessiva.

A mente de um crente acha que tem que estar agradecido a uma entidade sobrenatural pelo que se passa de bom na sua vida. Mas para aqueles que vivem na realidade, a verdade é bem diferente.

As pessoas deviam era agradecer à ciência e tecnologia tudo o que de bom lhes acontece. Senão vejamos:

– Teve um acidente de carro e sobreviveu sem grandes sequelas? Agradeça à evolução constante da tecnologia de segurança automóvel.

– Tem comida na mesa e está grato? Agradeça aos nossos antepassados que inventaram e desenvolveram a agricultura, pecuária, pesca, etc. Todas elas são tecnologias e que ainda hoje são melhoradas.

– Estava doente e foi curado? Agradeça à medicina.

– Estava doente com uma doença terminal mas entrou em remissão e ficou bom? Agradeça ao facto da ciência moderna ainda não saber tudo, pois qualquer falta de explicação científica é uma boa oportunidade para achar que foi intervenção divina.

Etc, etc…

Quantos peregrinos não morreram até hoje atropelados a caminho de Fátima? Provavelmente nesses casos a culpa já é atribuída à falta de civismo dos condutores portugueses, e não à vontade da virgem que os devia estar a proteger enquanto são pastoreados que nem ovelhas até Fátima.

a) João Brandão