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7 de Agosto, 2007 Carlos Esperança

Ateísmo e tolerância

Face à deriva totalitária das religiões e à vocação fundamentalista, que não me cansarei de denunciar, é-me repetida com frequência a pergunta: «E não há fundamentalismo ateu»?

A resposta que tenho dado no Ponte Europa, o meu blog generalista, onde naturalmente mantenho a postura ateia, é afirmativa.

Claro que sou fundamentalista, tal como são fundamentalistas os vegetarianos ou os cientistas. Mas que mal vem daí ao mundo? Um ateu não quer que o Estado o seja e não prega o ateísmo. Já alguém assistiu à prédica de um ateu num púlpito, ao ensino ateísta numa madraça ou à convocação dos correligionários para rezarem pela conversão do mundo ao ateísmo? Seria imaginável que os ateus consagrassem Portugal ao ateísmo?

Do mesmo modo, um vegetariano não considera pecadores os que se babam de gozo com um bife, ovo a cavalo e molho tártaro. E não procuram converter os outros às delícias da soja e dos rebentos de bambu. Nem ameaçam com o inferno os assíduos comensais do leitão à Bairrada.

Também os cientistas não transigem sobre o estado da arte das ciências que dominam. Não aceitam que o Sol gire à volta da Terra, que cadáveres ressuscitem ou façam milagres, que uma rodela de pão ázimo contenha carne e sangue depois de consagrada ou que uma multiplicação possa ter vários resultados. São, pois, fundamentalistas.

E daí? Algum físico quis queimar quem nega a lei da gravidade? Algum astrónomo se enfureceu com quem nega o movimento de rotação da Terra ou quis condenar às penas perpétuas os que estão convencidos de que o Sol gira em torno da Terra?

Aliás, não é o fundamentalismo a lepra maior que corrói o coração dos crentes, é esse cancro maldito do proselitismo, a demência mística dos que querem promover a verdade única na única ideologia onde não há a mais leve suspeita de verdade – a religião.

A desfaçatez com que o ditador Rätzinger proclamou a religião católica como a única verdadeira é uma declaração de guerra a todas as outras pias mentiras que alimentam os parasitas de Deus com várias versões do mesmo embuste. É um convite à guerra santa.

7 de Agosto, 2007 Hacked By ./Localc0de-07

Cristo redentor e o mediatismo pindérico

Património mundial facilmente descambou para o mediatismo pindérico e para a demência desenfreada das corridas aos poderios económicos e superficialidades extremas baseadas nos conceitos mais profundos, supostamente de cultura, história, arquitectura e outras coisas que são excessivamente complexas para mentes religiosas onde cifrões e améns preenchem e abarrotam pensamentos e acções, revistas cor-de-rosa conseguem ter mais substrato que cristos redentores e suas missas on-line, tudo em favor do património mundial claro está, maravilhas do mundo tornadas em brinquedos de adultos de mentes infantis, maturidade essa nas contas bancárias.

Internet insultada pelo cristianismo, uns papas contra conteúdos, censuras são complicadas quando se fala em binários, nos 0´s e 1´s estão heresias diversas, podem ser loucos actos sexuais em vídeo ou uma frase simples a chamar besta a um qualquer clérigo, virtudes são muitas, on-line também se dão missas, a ver vamos se a internet não é uma dádiva dos deuses para evangelizações e islamizações, pouca sorte os deuses não entenderem binários, omnipresença pouco adianta, as coisas passam por eles rápido demais para tão lentos raciocínios.

Fiéis de todo o mundo poderão acompanhar a maravilha do mundo, um bocado de pedra-pomes boa para os calos, melhor para missinhas e outros negócios rentáveis, pena estragar tão bela paisagem natural. Cristianismo e natureza mesclam-se como azeite e água, cristo redentor é um calhau disforme e feio em tão sublime paisagem natural. Com missinhas estragam os sons da natureza, pássaros irão cantar para outras paisagens.

Notícia: Missas serão transmitidas do Cristo via Internet

Também publicado em LiVerdades e Ateísmos

6 de Agosto, 2007 Carlos Esperança

Ressurreição proibida

A China proíbe a ressurreição do Dalai Lama. Esperemos que não torne obrigatória a de biliões de chineses que se finaram.

Os países totalitários são os mais divertidos para quem vive em estados democráticos. Para os autóctones, como sabem os homens e mulheres da minha idade, é que as coisas se complicam e é grande o sofrimento. Portugal sofreu uma ditadura nacional-católica.

Proibir a ressurreição do Dalai Lama é como proibir os milagres obrados pelos santos criados por JP2 ou B16, o aparecimento da Virgem Maria nos locais destinados ao turismo religioso ou a aterragem do arcanjo Gabriel nos anjódromos da cristandade.

A ICAR proíbe o divórcio, o sexo fora do matrimónio, a apostasia, as uniões de facto, a homossexualidade e os preservativos, mas não se atreve a proibir a ressurreição de Jesus e, até, vive desse expediente. Quanto às proibições ninguém lhe liga nem lhe empresta lenha para novas fogueiras.

A legislação portuguesa proíbe a alteração da água em vinho e qualquer falsificação de alimentos, mas deixa viver o clero à custa de truques antigos e de embustes recentes.

Na China a ressurreição é levada mais a sério. Se nem o presidente Mao nem os mais ilustres mandarins têm a ressurreição autorizada, por que motivo havia de ser autorizada a do Dalai Lama?

Mas proibi-la???

6 de Agosto, 2007 jvasco

Ateísmo na Blogosfera

  1. «No caso dos hindus, existe um sistema de castas e aqueles que pertencem à casta inferior (os dalits, […]) não podem tocar nos membros de outras castas, nem na água, instrumentos ou lugares que acedem (nem sequer os templos). É como se tivessem uma doença grave altamente contagiosa (é isso que parece significar ser impuro). Chega ao ponto de as sombras serem consideradas um meio de transmitir impurezas.
    Um senhorio disse sobre os seus servos dalits (que limpam os excrementos humanos e animais no chão): «Como posso deixá-los entrar na minha casa? Falamos com eles e damos-lhes o que precisam lá fora» … «Há uma enorme diferença entre mim e eles que remonta há muitos anos atrás. Eles são pequenos e sujos. Pertencemos à casta elevada e eles à mais baixa. Como podemos socializar com eles? Trabalham, damos-lhe o nosso dinheiro e desaparecem. Não falamos muito com eles.» Usou como ilustração os dedos (como as parábolas), que não são todos iguais, e justifica o tratamento e desprezo pelos dalits com a tradição: “sempre foi assim”
    »(«Intocáveis em nome da tradição», no Crer Para Ver)
  2. «Mas concordo com a preocupação do Carlos Pinto. É infundada neste caso, porque uma manifestação por ano não vai ter grande efeito na criança. Mas preocupava-me se fosse todos os domingos. Se os pais convencessem os filhos que há um grande Gay no céu a vigiá-los constantemente. Se, do púlpito, um representante do omnipotente Gay ameaçasse com sofrimento eterno meninos e meninas que sequer sentissem atraídos pelo sexo oposto. Se todos os dias rezassem a este Gay, se todos à sua volta falassem Dele como se existisse. Aí concordava com o Carlos que isto era mau para as crianças. Não por fazer fosse o que fosse à sua orientação sexual, mas pelo sofrimento desnecessário que estes disparates lhes iriam causar por toda a vida.»Muito grave…», no Que Treta!)
  3. «Sir David Attenborough não defende a violência. Não é racista, não discrimina as mulheres. E quando se mete na vida dos outros é só para nos mostrar como é, não para lhes dizer como deve ser. Apesar destes defeitos o canal evangélico Holandês Evangelische Omroep (EO) transmitiu a série «The Life of Mammals». Mas Attenborough tinha ido longe demais. Nesta série, o conhecido naturalista mostra a natureza como ela é. Não pode. A EO teve que intervir.»(«David Attenborough Censurado», no Que Treta!)
5 de Agosto, 2007 Carlos Esperança

Religião sim, terrorismo não

A rede terrorista Al-Qaeda, por meio de um americano convertido ao islamismo, ameaçou em um vídeo divulgado na internet neste domingo atacar as embaixadas e consulados ocidentais de todo o mundo, particularmente na região do Golfo.

A alegada bondade das religiões e o espírito pacífico do Islão não resistem à letra e ao espírito dos livros sagrados nem ao historial sangrento das guerras religiosas. Não foi à clarividência dos exegetas que ficou a dever-se a interpretação benigna da Bíblia, foi à Reforma, ao Iluminismo e à Revolução Francesa. Onde o poder eclesiástico se consegue impor mantêm-se constrangimentos autoritários de sabor medieval, seja em Timor, nas Filipinas, na Polónia ou na América do Sul.

O proselitismo demente do protestantismo evangélico americano tanto pode conduzir ao assassínio de médicos e enfermeiros de clínicas de aborto como à invasão do Iraque.

O que modera a agressividade dos desvarios da fé é o Estado de direito e a laicidade. No dia em que a religião, qualquer religião, dominar o aparelho de Estado, a democracia vai de férias e instala-se a teocracia. Não se pode esquecer que os Estados modernos foram erguidos contra o poder da Igreja. A Itália só existe porque os patriotas não temeram a excomunhão nem os exércitos papais.

O Islão não teve, infelizmente, a sua reforma. Nas madraças começa a fanatização das crianças e nas mesquitas apela-se ao ódio e à guerra santa, com os crentes de joelhos e virados para Meca.

Não há no Islão lugar para o agnosticismo e a vida, a laicidade e o pescoço, a liberdade de pensamento e o direito de existir. O medo, o constrangimento social e o aviltamento da mulher acompanham a decapitação, as vergastadas públicas e a lapidação que os clérigos imaginam extasiar o Profeta e cumprir a vontade de Deus.

Os países de mais sólidas raízes democráticas são herdeiros do direito romano que tem características civilistas, enquanto o direito helénico é de natureza política e o árabe de raiz teocrática.

As repetidas ameaças da rede terrorista Al-Qaeda são incompatíveis com a benevolência com que a Europa assiste à pregação do ódio nas mesquitas.

Respeitar e defender o direito à religiosidade, à arreligiosidade e, mesmo à anti-religiosidade é igual ao dever de vigiar, deter e fazer julgar pelos tribunais quem incite ao ódio, à violência e à xenofobia. Trata-se de fazer cumprir a lei e as constituições dos países democráticos, a começar pelas religiões que se julgam com direitos especiais.

5 de Agosto, 2007 Hacked By ./Localc0de-07

ICAR e os incêndios – 2

Se folhearmos a Bíblia, livro excelente sobre a moral, o que lá diz deve ser feito ao contrário, o surrealismo andava muito fraco naqueles tempos, vemos alguns exemplos interessantes sobre fogo e incêndios, especialmente os casos de fogo posto, o cristianismo é o arauto da piromania, como dissertar sobre isso faria quilómetros de texto, ficam alguns trechos sublimes sobre a temática do “vamos pegar fogo a esta merda toda” bíblica:

Jesus sobre estas temáticas em João 15:6 “Se alguém não estiver em mim, será lançado fora, como a vara, e secará; e os colhem e lançam no fogo, e ardem.”, e em Lucas 12:49 “Vim lançar fogo na terra; e que mais quero, se já está aceso?”. Demência pirómana!

Em Jeremias 38:23 “Assim que a todas as tuas mulheres e a teus filhos levarão aos caldeus, e nem tu escaparás da sua mão, antes pela mão do rei de Babilónia serás preso, e esta cidade será queimada a fogo.”. Demência pirómana!

Jeremias 21:14 “Eu vos castigarei segundo o fruto das vossas acções, diz o senhor; e acenderei o fogo no seu bosque, que consumirá a tudo o que está em redor dela.”. Deus é incendiário, logo a Agência Ecclesia é hipócrita.

2 Reis 19:18 “E lançaram os seus deuses no fogo; porquanto não eram deuses, mas obra de mãos de homens, madeira e pedra; por isso os destruíram.”. Destruir deuses de pedra com fogo é difícil, para além de pirómanos são estúpidos, a pedra não arde!

Juízes 20:48 “E os homens de Israel voltaram para os filhos de Benjamim, e os feriram ao fio da espada, desde os homens da cidade até aos animais, até a tudo quanto se achava, como também a todas as cidades, quantas acharam, puseram fogo.”. Bárbaros, assassinos, e dementes pirómanos.

Juízes 18:27: “Eles, pois, tomaram o que Mica tinha feito, e o sacerdote que tivera, e chegaram a Laís, a um povo quieto e confiado, e os feriram ao fio da espada, e queimaram a cidade a fogo.”. Objectivo de vida, matar pessoas e pegar fogo às cidades. Serão ecologistas? Não, são pirómanos.

Juízes 15:6 “Então perguntaram os filisteus: Quem fez isto? E responderam: Sansão, o genro do timnita, porque lhe tomou a sua mulher, e a deu a seu companheiro. Então subiram os filisteus, e queimaram a fogo a ela e a seu pai.”. Comprovado que os inquisidores liam a bíblia, para além do Malleus Maleficarum claro.

Deuteronómio 4:24 “Porque o senhor teu deus é um fogo que consome, um deus zeloso.”. Zelo e pegar fogo às coisas não combina, mas afinal sempre se descobriu o culpado dos incêndios. Esta postura da ICAR contra os incêndios é uma enorme blasfémia, deus quer chamas! Padralhada herege…

Números 31:4 “E queimaram a fogo todas as suas cidades com todas as suas habitações e todos os seus acampamentos.”. Fundar um corpo de bombeiros naqueles tempos era sucesso garantido. A não ser que os bárbaros também queimassem a fogo o quartel.

Números 26:10 “E a terra abriu a sua boca, e os tragou com Coré, quando morreu aquele grupo; quando o fogo consumiu duzentos e cinquenta homens, os quais serviram de advertência.”. Mera advertência 250 pessoas queimadas vivas, este ser superior é deveras benevolente.

Números 16:35 “Então saiu fogo do senhor, e consumiu os duzentos e cinquenta homens que ofereciam o incenso.” Mal agradecido este ser superior, infelizmente não é especificado de onde saiu o fogo, se da boca como os dragões normalmente fazem, eles existem e a bíblia comprova, se do ânus, assim sendo terão morrido queimados e sufocados, deus sádico.

Levítico 21:9 “E quando a filha de um sacerdote começar a prostituir-se, profana a seu pai; com fogo será queimada.”. Mais uma vez comprovado que os inquisidores liam a bíblia.

Levítico 20:14 “E, quando um homem tomar uma mulher e a sua mãe, maldade é; a ele e a elas queimarão com fogo, para que não haja maldade no meio de vós.”. Queimar, queimar, queimar! Obsessão compulsiva esquizofrénica.

Levítico 7:17 “E o que ainda ficar da carne do sacrifício ao terceiro dia será queimado no fogo.”. Sacrifício de animal e depois variam de ideais e resolvem usar… Fogo.

Também interessante é a demência do ser superior bíblico, tem uma tara por cheiro a queimado, carne queimada, tipo perfume, durante os churrascos humanos andava ele a snifar os aromas, muito psicótico. Levítico 1:17 “E fendê-la-á junto às suas asas, porém não a partirá; e o sacerdote a queimará em cima do altar sobre a lenha que está no fogo; holocausto é, oferta queimada de cheiro suave ao senhor.”. Levítico 3:5 “E os filhos de Arão queimarão isso sobre o altar, em cima do holocausto, que estará sobre a lenha que está no fogo; oferta queimada é de cheiro suave ao senhor.”.

Demência transcendental? É só dar uma vista de olhos da bíblia. E um grande agradecimento à Agência Ecclesia por nos fornecer o conceito mais puro e límpido da hipocrisia.

Agência Ecclesia: Igreja ajuda na prevenção dos fogos florestais

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5 de Agosto, 2007 Hacked By ./Localc0de-07

ICAR e os incêndios – 1

Hilariante a notícia divulgada pela nossa tão estimada Agência Ecclesia sobre os incêndios, campeões em título durante centenas de anos consecutivos do campeonato mundial do fogo posto amansam as ideias das chamas redentoras e viram bombeiros do prosélito anti-fogo, nada de incêndios agora, embora a competição com a ICAR pelo fogo posto seja um jogo perdido, centenas de anos de queima de lenha e sumptuosas churrascadas Humanas, a verdade é que a ICAR não gosta de concorrência, pior de tudo, incêndios florestais destroem muita lenha e matam poucos hereges.

Os encapuzados irão advertir as pessoas para o perigo dos incêndios, basta ler um livro sobre a Inquisição para o saber, banha da cobra vendida aos magotes e nada melhor que poupar lenha não vá o diabo tecê-las e um dia venha a ser precisa para assados de bruxa temperados com sangue de cristo a martelo. O Ministério da Administração Interna (MAI) esquece-se dos sociólogos e dos psicólogos e lembra-se das sotainas, vejamos o que dizem: “sensibilizar as populações através da ajuda de pessoas que lhes são mais próximas, como é o caso dos prelados e dos sacerdotes.”.

Lenha, fogo e padralhada são a santíssima trindade do maior período de trevas do mundo, esquecendo a demência do grande dilúvio que matou tudo e todos, até os peixes morreram afogados, é para aprenderem a não violar a castidade cristã, e o MAI consegue fornecer-nos uma piada ligeiramente Monty Python, e a ICAR segue o estilo com outra: “A Igreja, aliás, será mesmo um canal privilegiado para a comunicação com algumas camadas da população do nosso país.”. As mais ignorantes e carentes faltou dizer, assistentes sociais e ensino são utópicos nestas lides, polivalência clerical em tudo e em mais alguma coisa, pena é que a teologia seja o factor mais desenvolvido de desinformação.

Humor non-sense anda em desvario pelas conferências episcopais, em 1996 existiu uma nota pastoral que advertia para os aspectos de natureza religiosa envolvidos nos fogos florestais, estão deverão ser certamente interessantíssimos, uma empresa religiosa anti-natureza que apenas gostava das florestas para fazer apanha da lenha, Hitler já preferiu os fornos, também preocupado com o bem-estar das florestas quem sabe.

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5 de Agosto, 2007 Carlos Esperança

O medo e a religião

A religião nasceu do medo do desconhecido e da ignorância da ciência. Os homens criaram Deus à sua imagem e semelhança na infância de tempos cruéis e de práticas mais bárbaras.

Assim, Deus é o reflexo do pior que os homens sonharam, com uma esperança de vida reduzida e a sobrevivência diariamente comprometida. O Deus monoteísta, vingativo e apocalíptico, é uma elaboração a partir do medo e da incapacidade de explicar o mundo.

O homem fez-se escravo do mito e confundiu o criador e a criatura, a danação própria e a perversão divina, a violência atávica e o furor celeste. Depois, à medida que domou os animais ferozes, domesticou Deus e entregou a trela aos clérigos.

O que passa hoje é um exercício parecido com o dos treinadores de cães de guerra. Os padres açulam Deus às canelas dos ímpios e ameaçam com ele os crentes, tal como os polícias de choque fazem com os pastores alemães aos recalcitrantes que se manifestam contra a ordem estabelecida ou os exércitos com os inimigos que se aproximam.

A única diferença, e não é pequena, é que em democracia pode existir legitimidade na repressão, mas em questões de fé só existe a demência cega de quem não concorda com a mudança nem admite que se ponha em causa a tradição.

O crente é a vítima que teme que os padres lhe larguem Deus e lhe ferre o cachaço se não pagar o dízimo, rezar as orações e cumprir os mandamentos. E não basta esfolar os joelhos e arriscar a cólera clerical, se não fizer tudo como Deus manda tem a eternidade como horizonte temporal do sofrimento.

Os ateus, apóstatas e crentes da concorrência têm o cutelo para a degola, a pedra para a lapidação e o chicote para a correcção das imperfeições da fé. Basta que a fé dominante detenha o poder e solte os clérigos. Até as fogueiras voltam se a teocracia romana voltar.

No circo da religião maltratam-se as pessoas por vontade divina, mas por tradição e por desejo dos profetas são as mulheres as vítimas predilectas. Decorrem séculos e Deus mantém-se vivo nas alfurjas das sacristias onde germina o ódio e se conserva o espírito misógino.

4 de Agosto, 2007 Hacked By ./Localc0de-07

11 anos e preparadas para a guerra religiosa

Enquanto os E.U.A. atacam o mundo islâmico como bombeiros a tentarem apagar um fogo com gasolina, a causa primária demora a chegar à discussão geral, religião. Politicamente incorrecto criticar os lunatismos religiosos se vai deixando proliferar o ódio religioso ao mundo, a sua guerra demente à realidade. Se o cristianismo choca frontalmente com a Razão após o Iluminismo, o islamismo vai crescendo sem serem impostas barreiras de racionalismo. Tabus estapafúrdios são colocados à discussão racional, e obviamente que a irracionalidade vai proliferando e cometendo atrocidades. A guerra cristã ao preservativo e ao aborto chacinou números aterrorizadores de pessoas, e continua a chacinar com a conivência dos média e das políticas.

A religião põe em causa a sobrevivência Humana, ao definir a Vida como mera passagem para um paraíso ou um Inferno, os lunáticos religiosos viventes no secularismo estariam em muito melhor posição para perceber o problema, se não percebem é porque não entendem a religião, se percebem nada fazem pois colocam os seus próprios objectivos de existência em risco. Um religioso monoteísta acredita num ser superior que legislou toda a vida Humana, quem não segue essas leis deve morrer e ir para o inferno onde sofrerá torturas e será queimado vivo para sempre, quem cumprir as leis, que obrigam também os religiosos a matarem quem não acredita nessas leis, irá para o paraíso, terá uma vida linda e bonita, vida propriamente dita pois a estadia neste mundo é apenas uma passagem, uma secundariedade.

Religiosos ditos moderados desprezam as leis que não querem e assimilam as que interessam, pensando que as legislações divinas são democráticas, erro comum que tem como base o contacto com o mundo civilizado, onde misturam alhos com bugalhos, as religiões monoteístas não são democracias, são ditaduras de seres superiores bárbaros que incitam à destruição e à aniquilação daqueles que seguem legislações “divinas” diferentes, daqueles que não cumprem as legislações e daqueles que só conseguem ver parvoíce e estupidez nessas leis.

Para melhor entender o que é a religião e o que são pessoas religiosas, lavadas cerebralmente pelas teologias e sem qualquer contacto com a racionalidade é melhor ver o que duas raparigas islâmicas de 11 anos dizem sobre a existência Humana e seus objectivos. O mundo pode escolher entre guerras permanentes e sofrimento Humano imensurável ou uma guerra às ideologias, o racionalismo contra o irracionalismo. Estas pobres crianças um dia serão “terroristas”, serão consideradas culpadas de crimes, criminosas aos olhos das sociedades, mas serão inocentes, pouca sorte de nascerem no sítio errado, de terem abusado do seu raciocino e substituindo-o pela irracionalidade, pela teologia islâmica.

Também publicado em LiVerdades

3 de Agosto, 2007 Carlos Esperança

Reflexões sobre a moderação

Em economia podemos falar de um socialismo ou de um liberalismo moderados. A distância que separa o moderado do radical encontra-se no grau que cada um quer imprimir à sua aplicação.

Um socialista moderado contenta-se com um certo controlo do poder económico por parte do Estado de modo a impedir a economia privada de confiscar o poder político e transformá-lo numa oligarquia. De resto, deixa à iniciativa privada tudo o que não lhe permita dominar o aparelho do Estado. Também o liberal moderado reconhece que, para além da Defesa, Segurança e Justiça, cabe ao Estado um papel importante nas áreas da saúde, educação e segurança social. Um e outro podem aproximar-se tanto que não se distinguem.

Já não se pode falar de moderados com ideias totalitárias. É impossível imaginar nazis ou estalinistas moderados. É por isso que quando uma doutrina política ou religiosa se julga a única verdadeira não deixa lugar à moderação, cai no fundamentalismo e torna-se totalitária e perigosa.

Até hoje não percebi o que era um islamita moderado. É alguém que repudia a sharia, que aceita a igualdade dos sexos, que tolera os apóstatas, que combate a lapidação, a decapitação e outros crimes que agradam ao Profeta? Há gente assim?

Faço a mesma pergunta para os judeus e cristãos. Há-os moderados? Há quem renuncie ao que a Tora e a Bíblia determinam? Aceitam que se mude ou não se tenha religião? Não basta faltar-lhes força para impedirem o divórcio a quem o decide; não é suficiente que aceitem uniões de facto porque o direito penal ignora o canónico; não lhes confere a aura de moderados o facto de terem sido derrotados pela Reforma, o Iluminismo, a Revolução Francesa e o Secularismo. Moderados seriam se afirmassem a sua moral sem constrangerem os outros a cumpri-la. Doutro modo são fanáticos reprimidos.

Não há crentes moderados, há os que acreditam vagamente e os que se revêem na fé conforme as conveniências e as circunstâncias. Há, de facto cristãos moderados mas renegam quase tudo o que é dogma e o que vem nos livros sagrados. Não são crentes, são sócios de um clube de que não leram os estatutos e de que rejeitam os regulamentos.

É a vocação totalitária das crenças e o perigo da conquista do aparelho do Estado pelos seus próceres que obrigam as democracias a exigir o respeito pela laicidade, condição sine qua non para que o pluralismo seja possível, as diferenças não se convertam em divergências e estas em violência.

DA/Ponte Europa