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Categoria: Não categorizado

29 de Agosto, 2007 jvasco

Religião e obscurantismo VI

«O bom cristão deveria estar atento aos matemáticos e a todos aqueles que fazem profecias vazias. Existe o perigo de que os matemáticos tenham feito um pacto com o diabo para obscurecer o espírito e confinar o homem no inferno.»

Santo Agostinho, De Genesi ad Litteram, livro II, xviii, 37

(Outros artigos desta série: I, II, III, IV, e V)

28 de Agosto, 2007 Carlos Esperança

Turquia – Religião e democracia

Pio IX dizia que o catolicismo era incompatível com a democracia mas, por mérito da segunda, foi desmentido. Não foram os papas que outorgaram a liberdade, mas esta impôs-se nos países moldados pelo iluminismo, a Reforma e o secularismo.

Já no Islão nunca foi feita a prova de que a liberdade e a fé podiam coexistir. Não são os fundamentalistas que são perigosos, são os fundamentos do Islão.O Corão apela à guerra santa e ao extermínio dos infiéis como sucede com todas as doutrinas totalitárias, com todos as religiões que se julgam as únicas empresas de transportes autorizadas a circular nas estradas que conduzem ao Paraíso.

A eleição de Abdullah Gul para Presidente da República é uma afronta aos sectores laicos e progressistas da Turquia moderna, especialmente aos militares e juízes, que defendem a laicidade imposta pela figura tutelar da Turquia moderna — Mustafa Kemal Atatürk.

Como não há democracias militares nem de juízes cabe aos turcos respeitar a decisão das urnas e ao novo presidente as determinações constitucionais, apesar da religião que professa.

Esta é a última oportunidade para o Islão mostrar pela primeira vez que se conforma com o pluralismo e que um presidente islamita é capaz de respeitar igualmente os que crêem e os que não crêem no Profeta, bem como os que não crêem em profetas.

Se a democracia soçobrar na Turquia, prova-se que o Islão não renuncia à obediência ao anacronismo do livro sagrado e que entre a civilização e a barbárie, entre a liberdade e a fé, só resta a espada para defender uma ou impor a outra.

28 de Agosto, 2007 jvasco

Ateísmo na Blogosfera

  1. «O primeiro sinal de patranha e hipocrisia intelectual e emocional é o erguer de muros que visam proteger algo da crítica — não se pode usar a crítica aqui porque é “redutor”, porque a realidade ultrapassa o pensamento, porque o sentir é uma “dimensão outra” do ser humano, porque é blasfemo pôr em causa a tradição religiosa secular, porque o método científico é muito limitado, porque a racionalidade está ultrapassada, etc. Trocando por miúdos, o que isto quer dizer é: «não me venham com perguntas difíceis, que me lixam o meu sistema de crenças, confortável e seguro, pois eu quero que isto seja verdade — afinal, não era tão bom que fosse mesmo verdade?»»(«Verdade e crença: uma confusão filosófica comum», no De Rerum Natura)
  2. «Um descrente não põe em causa que um crente sente o que diz sentir por um deus ou outro. O descrente põe é em causa que tais sentimentos sejam adequados, por pôr em causa a existência do objecto de tais sentimentos. O que está em causa não é a existência de tais sentimentos, mas a sua razoabilidade e adequação. Um louco também tem sentimentos, igualmente reais enquanto sentimentos, relativamente ao fantasma do Napoleão, que o acompanha sempre e lhe sussurra segredos ao ouvido.

    […] o sistema de funcionamento das religiões não obedece a procedimentos de virtude epistémica: não há sistemas de controlo de erros, procura activa de contra-provas, de objecções, de testes cegos, liberdade de argumentação, acolhimento do debate frontal. Pelo contrário, as religiões caracterizam-se por partir dos conceitos de blasfémia e opinião herética, aceitam que determinadas ideias não devem sequer ser debatidas, e que quem as defende tem de ser excomungado. E por isso nenhuma crença pode racionalmente basear-se nas instituições religiosas.

    […] Mas não me parece aceitável, e é a isso que eu chamo hipocrisia e desonestidade intelectual, fingir que temos argumentos sólidos a favor das nossas crenças religiosas quando na realidade não os temos e nem estaríamos dispostos a abandonar tais crenças caso encontrássemos argumentos irrespondíveis contra elas. Isto seria como um fumador recusar-se a reconhecer que o tabaco não é saudável, só para poder manter a ideia falsa, mas reconfortante, de que é uma pessoa razoável, reflectida e racional. »Será razoável acreditar em deuses sem provas?», no De Rerum Natura)

  3. «O cientista considera que vivemos uma nova era de obscurantismo, que dura há aproximadamente 30 anos. Uma era em que “a verdade deixou de ser importante, e os dogmas e a irracionalidade passaram outra vez a ser respeitáveis”. Uma era em que as pessoas são “iludidas a pensar que serão recompensadas com o paraíso por se suicidarem matando outros”, em que bispos atribuem as recentes cheias em Inglaterra à vingança de uma divindade e em que “professores de ciências começam a acreditar que a Terra foi criada há 6000 anos”»O Sono da Razão: haja velas para tanta escuridão», no De Rerum Natura)
28 de Agosto, 2007 Ricardo Alves

Censura

Enquanto na Suécia um jornal publica uma caricatura de Maomé sem qualquer problema, na Malásia a publicação de uma caricatura de Cristo implica a suspensão durante um mês de um jornal. Note-se que a caricatura do jornal sueco exibia um cão com cara de Maomé, enquanto a do jornal malaio mostrava Cristo com um cigarro numa mão e uma cerveja na outra. E que no segundo caso houve pedido de desculpas, e no primeiro não. Porque a diferença real não está nem no profeta, nem no credo respectivo, nem nas pressões internacionais. Está no regime político.
27 de Agosto, 2007 Carlos Esperança

Liberdade de expressão

Copenhague, 27 ago (EFE).- O jornal sueco “Nerikes Allehanda” negou-se a pedir desculpas por uma caricatura de Maomé publicada recentemente, apesar dos protestos do Ministério de Assuntos Exteriores do Irão à Embaixada da Suécia em Teerão por considerar o desenho uma “blasfémia”.

Comentários:

1 – É preciso ser firme na defesa da liberdade;

2 – É tempo de exigir às teocracias islâmicas o dever de reciprocidade para com as religiões que se praticam nos países laicos, para com o ateísmo e quaisquer outras formas de pensamento.

27 de Agosto, 2007 Carlos Esperança

A irracionalidade da fé

Imagine, caro leitor, que tem uma filha ou irmã encurralada num edifício em chamas e que a polícia religiosa impede os bombeiros e os paramédicos de socorrê-la porque ela não traz o tradicional véu imposto pela lei islâmica? Pois foi o que aconteceu em Meca, há poucos anos, tendo morrido carbonizadas 14 jovens.(V/ O Fim da Fé, de Sam Harris, pág.49).

Se for ateu não perdoará a quem deixou carbonizar um ente querido por um preconceito. Se for crente dirá que foi feita a vontade de Deus.

Se esquecer este crime monstruoso sentir-se-á impelido a dizer que as crenças devem ser respeitadas mas, no caso referido, não terá dúvidas de que a estupidez deve ser desmascarada e a crueldade erradicada.

As crenças, na sua irracionalidade, e os crentes, pela sua boçalidade beata, transformam a sociedade num bando de infelizes ao serviço de um Deus que qualquer código penal de um país civilizado condenaria à enxovia.

Não tente, leitor, convencer um crente de que a religião é um embuste e o respectivo Deus, se existisse, uma alimária a merecer uma albarda, a cilha bem apertada e rédea curta.

A presunção de que Deus tem acessos de loucura quando um homem vê o rosto de uma jovem e que cabe aos crentes defender a sua demência, pode dar, como no caso descrito, origem a formas de crueldade incompatíveis com os direitos humanos que as religiões desprezam.

Cremar vivas as jovens referidas é um crime que só Deus pode, com a ajuda de um bando de delinquentes da fé.

27 de Agosto, 2007 Ricardo Alves

Proibir o Corão?

O holandês Geert Wilders diz que quer proibir o Corão. O que ele quer é atenção, mas a ideia é péssima. Não se deve proibir o Corão: deve-se criticá-lo, refutá-lo e ridicularizá-lo. Não se proíbe ninguém de ser muçulmano (ou católico, ou cientologista), numa sociedade em que se pode explicar-lhe que «Deus» é uma fantasia intelectual, que os sacerdotes enganam as pessoas e que a religião organizada é uma aldrabice massificada.

O populista holandês diz ainda que o Corão «é fascista e semelhante ao Mein Kampf». É verdade. E outro tanto pode ser dito sobre a Bíblia. Mas o Corão não se proíbe, como também não se proíbe a Bíblia ou o Mein Kampf. As apologias da violência, da discriminação, da instauração de regimes opressivos, como as defesas da escravatura e da opressão das mulheres que estes livros contém, são genuínas e inspiraram alguns dos piores regimes que a humanidade conheceu. Mas privar-nos de as ler seria tirar-nos as armas com que nos poderemos defender. E perder a liberdade de expressão que tanto gozo nos dá exercer.
[Esquerda Republicana/Diário Ateísta]
26 de Agosto, 2007 Carlos Esperança

O direito à apostasia

A situação dos cristãos convertidos em países islâmicos é mais difícil do que a dos que já nascem cristãos. No Tajiquistão, dois iranianos convertidos ao cristianismo estão em greve de fome a fim de não ser repatriados, pois correm o risco de condenação à morte por apostasia.

A apostasia é um direito inalienável dos cidadãos cujo respeito os estados democráticos garantem e as religiões evitam com a pena de morte e a ameaça do Inferno.

Não há religião, por mais estúpida e exótica, que não considere o seu Deus como único verdadeiro, atribuindo à concorrência a falsidade absoluta e aos seus clientes os riscos de perdição eterna. Desde bispos evangélicos aos mullahs, dos rabinos ao papa católico, todos os parasitas de Deus se pelam por fogueiras, apedrejamentos, e decapitações para os infiéis, isto é, para os fiéis de outras crenças e, particularmente, para os ateus.

A onda de demência mística acompanha a violência dos crimes religiosos. Ninguém vê um muçulmano a criticar um acto terrorista num país islâmico: pode custar-lhe a cabeça e o crime não é apanágio de desequilibrados, é a consequência lógica do cumprimento dos ensinamentos do Corão.

Agostinho, um santo católico, defendia a tortura para os que violavam as leis de Deus – o dele – pois, se era adequada para quem violava leis dos homens, com razão acrescida era justa para quem violava a lei do tal Deus.

Os crentes são tolerantes quando acreditam pouco ou têm dúvidas, mas só defendem o pluralismo religioso quando estão em minoria. Em maioria dizem que não pode tratar-se por igual o que é desigual. A luta pelo poder é o objectivo final das religiões. Conter a horda fascista dos prosélitos de Deus é o dever dos Estados democráticos, aprofundando sempre a separação da Igreja e defendendo direitos iguais para todas as crenças, não crenças e anti-crenças.

Para sobreviver a humanidade tem de pôr rédea curta aos clérigos das diversas religiões. Ninguém, melhor do que os padres, transforma as diferenças em divergências e estas em guerras. Deus é a mais idiota e perigosa das invenções humanas. Nascido do medo tornou-se motivo de terror.

Um ateu que se preze não pode deixar de ser solidário com os cristãos perseguidos pelos islamitas. O direito a mudarem de superstição é inalienável.

25 de Agosto, 2007 Hacked By ./Localc0de-07

Mergulhos santos à força e galinhas pretas


A anormalidade é normal? Aparentemente sim, pais pagam 5 Euros a um sujeito que não conhecem de lado nenhum para pegar no filho e o mergulhar à força no mar entre choros e esperneamentos, isto adicionado à idiotice de andar com galinhas pretas à volta de uma igreja, uma espécie de galinhódromo, galinhas essas adquiridas por aluguer, género Europcar, uma entidade qualquer vai lucrando a alugar os animais. Reportado pelos média, fica o retoque final da notícia na TVI, “Verdade ou mentira mais vale lá ir tomar banho não vá o diabo tecê-las.”.

Não se sabe se as galinhas alugadas possuem seguro contra todos os riscos, se os sujeitos dos mergulhos aceitam multibanco e passam factura, nem se por ventura existe desconto para gémeos. Parece que estas idiotices afastam os efeitos demoníacos como o medo, a gaguez ou a epilepsia. Pais pagarem a um desconhecido 5 Euros para mergulhar um filho umas quantas vezes no mar gelado enquanto chora e esperneia é sem dúvida uma atitude incrivelmente ridícula.

Segundo José Ramiro Brás, uns dos banheiros charlatães, as crianças “choram desalmadamente, esperneiam até mais não, arranham-me todo, ou porque nunca estiveram em contacto com a água do mar ou porque a água está muito fria. Mas eu acabo por conseguir pegar nelas ao colo e, até hoje, nunca ninguém se foi embora sem dar banho.”.

Notícia no Primeiro de Janeiro: S. Bartolomeu afasta medos e cura a gaguez
Notícia no Diário de Notícias: Banho santo e frango preto ‘curam’ crianças

Também publicado em LiVerdades