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24 de Janeiro, 2008 Ricardo Silvestre

Ah! A “tolerância” fundamentalista

A Westboro Baptist Church resolveu fazer uma demonstração no funeral do actor Heath Ledger, famoso pelo papel que desempenhou em Brokeback Mountain de Ang Lee (e agora mais recentemente fez de Joker, no novo filme de Batman).

Numa declaração à imprensa, esta igreja disse, “vamos protestar no funeral deste pervertido. Um protesto religioso”. Deus odeia a sórdida, medíocre, carregada de lama, cheia de pus, fita de cinema chamada Brokeback Mountain e todas as pessoas que estão envolvidas nesse filme. Heath está agora a queimar no inferno. Ele (Ledger) foi para o grande écran dizer que Deus é mentiroso e que é OK ser gay”.

Esta entrevista passou na cadeia televisiva FOX News (que surpresa). 

Não, isto não é invenção minha. Vejam aqui

O poster da Igreja

 poster    

Queria terminar este artigo como uma frase qualquer de forma a “aliviar” a leitura. Mas não consigo. É só mesmo sensação de incredulidade e desolação.

O mundo onde vivemos.

18 de Janeiro, 2008 Carlos Esperança

Amnistia Internacional

El artículo 104 del Código Penal iraní describe que la pena con la que se castigará el “delito” del adulterio será la lapidación. Para ello se usarán piedras “no tan grandes como para matar a la persona de uno o dos golpes, ni tan pequeñas como para no poder considerarlas piedras”. En el artículo 102 se detalla que para ejecutar este castigo, en el caso de un hombre, se le enterrará en el suelo hasta la cintura, y en el caso de las mujeres, hasta el pecho.

Amnistía Internacional lanza hoy el informe contra la lapidación en Irán, mientras, al menos 11 personas, están condenadas.

Tu firma es una herramienta útil. Úsala para que podamos desterrar este castigo cruel. Sólo necesitarás dedicar un minuto de tu tiempo. Además si puedes, reenvía esta campaña a todos tus contactos.

De todo corazón, gracias.

Esteban Beltrán

Director – Amnistía Internacional

18 de Janeiro, 2008 Carlos Esperança

A vida de José. Crónica piedosa

Naquele tempo, em Nazaré, aparava tábuas um carpinteiro, com delongas, que a crise da construção civil estava para durar. A cidade regurgitava de taumaturgos, pregadores, profetas e mendigos, que os tempos eram difíceis e urgia fazer pela vida.

José, na pacatez de quem se habituara a esperar pelas encomendas, ruminava o desgosto da miséria em que caíra, descendente que lhe diziam ser do rei Salomão, personalidade que ficava bem em todas as árvores genealógicas mas não mitigava a fome a ninguém.

Às vezes soía o carpinteiro abandonar as alfaias do ofício e entrar sorrateiramente em casa para solicitar à mulher o cumprimento das obrigações matrimoniais. Demovia-o ela por mor da enxaqueca que a apoquentava, da dor de dentes que lhe provocava a cárie do segundo molar ou do estado de impureza que invocava. E lá voltava o carpinteiro para o ócio da oficina que as encomendas tardavam em chegar e era inútil a faina.

Quando um dia esperava a compreensão da mulher ouviu dela o anúncio da gravidez, um milagre que a própria não sabia explicar e que ele aceitou mal, apesar da conversa que a casta esposa tivera com o anjo que trazia o correio do Paraíso, de nome Gabriel, e que tanto anunciava uma gravidez a uma virgem, mulher de um carpinteiro judeu, como ditaria em árabe, séculos depois, a vontade de Deus a um rude condutor de camelos.

E o José, na sua infinita paciência e melancolia, ensimesmado, refugiava-se na oficina, e pensava na vida. Um dia poisou-lhe nas tábuas por aparar uma pomba. Pegou num martelo e atirou-lho com tal força e pontaria que a pomba, a sangrar do bico, logo se finou.

Chegou o anjo Gabriel, furioso como nunca se vira, a abanar as asas e a levantar poeira, a avançar irado para o carpinteiro. Este, calmo e decidido, impediu o anjo de falar.

– Não te metas na minha vida, são contas velhas.

16 de Janeiro, 2008 Helder Sanches

Adeus, querido diário

Há exactamente 11 meses, estreei-me no Diário Ateísta, estabelecendo para mim próprio alguns objectivos para a minha colaboração naquele que considero ser um dos mais importantes meios de divulgação do ateísmo em português.

Por diversas razões, optei por cessar a minha colaboração com o DA a partir de hoje. Espero não ter desiludido nem os meus colegas de equipa, nem, principalmente, os leitores deste espaço. A estes últimos, em particular e sem excepção, quero agradecer os comentários a todos os meus artigos, comentários esses que muitas vezes me ajudaram a reflectir mais profundamente sobre as minhas próprias ideias. Aos meus colegas do DA, agradeço todo o apoio que sempre me deram e toda a solidariedade editorial de que sempre beneficiei.

Um grande abraço para todos. Muito obrigado.

11 de Janeiro, 2008 Carlos Esperança

Malefícios da fé

O homem, à força de lhe dizerem que Deus existe, acredita e, à força de repeti-lo a si próprio, ensandece. Quando o proselitismo se dirige a crianças é fácil instilar o ódio e o desejo de vingança. Com a exaltação dos mártires, a celebração dos crimes religiosos e a promessa de recompensas perpétuas, para si e família, é fácil transformar uma criança em robô e um cidadão em bomba.

A crença inabalável na vida eterna é um obstáculo intransponível para a liberdade na única vida que nos é dado viver. Se não fosse a repressão política à Igreja, no Ocidente, ainda hoje seríamos regidos pelo direito canónico em vez de termos uma Constituição; e o divórcio, o adultério, a apostasia, a homossexualidade e a igualdade entre os sexos ainda seriam proibições absolutas e crimes duramente punidos.

Não há crentes moderados, há apenas fundamentalistas com pouca fé. Não há religiões humanistas, há credos submetidos às leis democráticas e padres com medo do Código Penal.

O respeito pelas religiões, isto é, o dever de não criticar, é uma exigência tão hipócrita como o respeito pelo canibalismo, a poligamia (sem poliandria), ou a pedofilia, esta ainda praticada pelo Islão e consentida pela Igreja católica desde que abençoada pelo santo matrimónio. Hoje a idade canónica para o casamento é, segundo julgo, de 14 anos para as raparigas, com homens de qualquer idade, mas lembremo-nos dos nossos reis que desposavam crianças muito antes da puberdade. As leis civis são mais exigentes.

Como dizia Sam Herris: «Temos de encontrar o caminho para um tempo em que a fé, sem verificação dos factos, desacredite as pessoas que dela se reclamam».

Há cinquenta anos que procuro esse caminho e desde o primeiro dia do Diário Ateísta que encontrei um novo espaço para o percorrer.

11 de Janeiro, 2008 Carlos Esperança

Religiões…

Enquanto o judaísmo e o cristianismo se vão desabituando de torturar e matar hereges e recorrem cada vez menos à censura, não por falta de vontade e de bons conselhos dos seus livros sagrados, mas porque o clero foi metido nos eixos, o Islão continua fiel à palavra de Deus na louca felicidade com que lapida mulheres, degola homens e treina mártires.

Até na imitação pedófila do profeta, que «casou» com uma menina de nove anos, graças à riqueza da viúva que desposou primeiro, até nisso os crentes tribais o imitam com desvelo.

Claro que as três religiões são farinha do mesmo saco e o Corão é o plágio grosseiro dos mitos judeus e cristãos, mas falar de humanidade ou de moral a respeito das religiões urge esquecer os livros sagrados e ouvir os pregadores que, por ignorância e bondade, podem eventualmente reflectir os princípios humanistas do Iluminismo.

Quando uma alimária como Moisés ordena aos pais que apedrejem os filhos até à morte para punir a indisciplina (Deuteronómio); quando se descende de Abraão, um selvagem que estava disposto a sacrificar o filho porque o Deus da sua cabeça estúpida lho tinha pedido; quando se acredita num Deus que fez o Mundo em seis dias, não é na religião que crê, é num rol de mentiras e num manual de terrorismo.

Foi neste clima de demência que os santos padres da Inquisição descobriram que havia mulheres que fornicavam com o diabo, que Pio IX descobriu a virgindade de Maria e os trogloditas do Islão fanatizam crianças que se imolam castos com sonhos eróticos das 70 virgens que os aguardam, sem saberem que são um erro de tradução que queria dizer «passas de uvas brancas doces» e que acabam por morrer e matar a troco de uma cesta de fruta que não existe. 

7 de Janeiro, 2008 Carlos Esperança

As religiões e a liberdade

Quando, no Diário Ateísta, combato os mais altos dignitários das três sinistras religiões do livro, não o faço por julgar que todos são facínoras, que apenas os move a maldade e o ódio, que todos são membros de máfias que querem destruir a liberdade.

Alguns serão mesmo santas bestas cegas pela fé, recalcados sexuais à espera de virgens celestiais, homens de negócios que têm uma empresa que urge preservar para salvar os postos de trabalho dos promotores da religião.

O que incomoda é a trincheira que escolhem quando se trata da defesa da liberdade ou do progresso. Ainda há pouco, quando a rua muçulmana uivava por causa de umas caricaturas de Maomé, o Papa colocou-se ao lado dos fanáticos que ululavam. Nem o passado sinistro da sua Igreja o acautelou da boçal oposição à liberdade de expressão.

Os direitos individuais que a democracia consagra e os Estados laicos defendem estão sempre, para os parasitas de Deus e intérpretes da sua vontade, em plano secundário.

O exemplo mais aterrador do que pensam os sequazes de Deus aconteceu com Rushdie, na sequência da publicação de «Os Versículos Satânicos». Vários esquadrões da morte foram mobilizados para matar o escritor apóstata, apoiados por embaixadas do Irão, enquanto os seus editores eram agredidos e mortos e as livrarias vandalizadas.

Para desonra das religiões, nojo dos dignitários e desprezo dos infames, é bom lembrar que o Vaticano, o arcebispo de Cantuária e o rabino supremo de Israel tomaram uma posição favorável ao aiatola. Todos se puseram ao lado do carrasco, contra a vítima.

E venham os prosélitos falar da bondade do seu Deus e a da humanidade do seu clero! 

5 de Janeiro, 2008 Carlos Esperança

As virgens da fé e a fé nas virgens

Cristo nasceu de uma virgem a quem as colas da carpintaria certamente alteraram o juízo, para precisar que o arcanjo Gabriel, alcoviteiro profissional, lhe anunciasse a gravidez e a convencesse de que o pai era uma pomba.

Gabriel era um anjo da baixa hierarquia, incumbido de tarefas menores, que, mais tarde, havia de ditar os desejos de Deus a Maomé, em árabe, sem perceber que era analfabeto o bruto e que demoraria vinte anos a decorar o Corão, livro pouco recomendável que a deficiente tradução do anjo e o carácter tribal do Profeta tornou mais vil.

Claro que há muitos filhos de pai incógnito a quem a fé e a mansidão de outros poupam o opróbrio, mas na mitologia das religiões exige-se a ausência de orgasmo à virtuosa mãe do fundador da seita.

Júpiter, o pai dos deuses, engravidou a virgem Dánae com uma chuva de ouro de que nasceu Perseu. Hoje, a chuva de ouro está reservada aos deuses e aos milionários mas não é para as engravidarem, é para as convencerem.

Genghis Khan nasceu de uma filha virgem de um deus mongol que acordou uma noite banhada numa luz muito forte.

Krishna nasceu da virgem Devaka, Hórus da virgem Ísis, Mercúrio da virgem Maia e Rómulo da virgem Rhea Sylvia.

Como se vê pela amostra, citada por Christopher Hitchens em «deus não é Grande», o truque é tão antigo como a fé. E o embuste tão grosseiro como a crença.

3 de Janeiro, 2008 Carlos Esperança

Do Patriarcado ao Diário Ateísta

O patriarca Policarpo, num ataque de clericalismo, atribuiu ao ateísmo a paternidade dos piores males que grassam no mundo. Talvez o excesso de hóstias ou o esquecimento dos neurónios numa barrela de água benta o tenham levado a tal delírio e feito proferir tamanha aleivosia.

Comparar o ateísmo com o passado tenebroso da sua Igreja, a fúria assassina do Islão ou a intolerância dos judeus das trancinhas, é comparar o livre-pensamento com a alegada virgindade de Maria ou a infalibilidade papal de que Pio IX fez dogmas, num momento de desvario e raiva, por ter perdido o poder temporal.

Salvo no estalinismo, uma religião de outro tipo e igual fanatismo, as religiões do livro estão ligadas ao obscurantismo, aos interditos e à conivência com todas as ditaduras. É verdade que as religiões monoteístas se baseiam no Antigo Testamento um alfarrábio de embustes com um Deus que é doido e homens que eram primários.

Quem pode levar a sério um tal Abraão capaz de sacrificar um filho por vozes que, na sua demência, julgou serem divinas? Quem pode construir doutrinas sobre livros cuja historicidade é falsa, a moral xenófoba e os comparsas misóginos e racistas?

Quem leva a sério o Papa que cria santos como pintos em aviário e oferece indulgências aos clientes como os vendedores da banha da cobra garantem curas aos mirones? 

O ateísmo, ao contrário do que pensa o Sr. Patriarca de Lisboa, é a vacina contra a fé, a defesa da razão contra a superstição, a supremacia da dignidade sobre a genuflexão.

Nota: Este texto é dedicado a uma nonagenária ateísta, hoje falecida, exemplo impoluto de dignidade, coragem e coerência, com pêsames aos filhos que lhe honram a memória na coerência das ideias e na dignidade da postura cívica.