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Categoria: Não categorizado

20 de Fevereiro, 2008 Ricardo Alves

Seitas e religiões

A palavra «seita» é usada frequentemente com significado pejorativo. Quem a usa quer dizer que considera certas confissões religiosas como sendo verdadeiras (na maior parte dos casos, apenas a sua), e que as outras são aldrabices.

Na realidade, a diferença entre uma «seita» e uma «religião» está na antiguidade e no número de seguidores. As crenças da cientologia não são mais verdadeiras do que a narrativa do génesis,  e se não vivêssemos em sociedades tão dominadas pelo cristianismo, veríamos sem dificuldade que são disparates da mesma ordem.

Uma religião respeitada é uma «seita» que teve sucesso.

7 de Fevereiro, 2008 Carlos Esperança

Mutilação genital feminina (2)

A violência dos fanáticos

Às vezes dou por mim a pensar que já nada pode surpreender-me. A ditadura em que vivi, o terrorismo religioso das catequistas da minha infância, a guerra colonial, as viagens pelo mundo e algum conhecimento da história das religiões, bem como das misérias e violência do quotidiano, deviam servir-me de vacina para a demência da fé.

Nada disso. O pensamento dos fanáticos, dos mesmos que matam e morrem por um mito, que não admitem quem pense de forma diferente da sua, são um exemplo do que pode a demência da fé e o despautério do fanatismo.

Há tempos referi no Diário Ateísta a prosa do órgão oficial de uma diocese espanhola que, perante um caso de violência doméstica, em que o marido tinha assassinado a mulher, referia, com a mais boçal indigência e crueldade, que bem pior era o crime do aborto porque se um homem mata uma mulher é porque certamente ela o provocou, ao contrário do feto a que chamava criancinha por nascer.

Agora, perante o drama silencioso e cruel da excisão genital feminina, um leitor do Diário Ateísta, profissional nas caixas de comentários, atreve-se à mesma hedionda provocação.

Há na fé destes devotos a sanha brutal contra a mulher, a incontinência verbal dos fiéis, o ódio vesgo à liberdade individual e uma perversão dos valores que transforma pessoas de bem em fanáticos perigosos.

Por cada Alberto fanatizado há, algures, uma mulher a esvair-se em sangue.

29 de Janeiro, 2008 Ricardo Alves

Portugal em secularização acelerada

Pegando na deixa do Ricardo Carvalho, deixo à vossa consideração a seguinte progressão da percentagem de casamentos civis:

  • 1960:  9,2%
  • 1970: 13,4%
  • 1980: 25,3%
  • 1990: 27,5%
  • 2000: 35,2%
  • 2002: 37,5%
  • 2004: 42,9%
  • 2005: 44,9%
  • 2006: 47,8%
  • (…) >50%?

Aconselho-vos ainda a leitura desta série de artigos sobre a secularização da sociedade portuguesa, em particular aquele onde especulei que antes de 2010 o casamento civil seria maioritário. Parece-me que fui conservador e que será já em 2008.

27 de Janeiro, 2008 Carlos Esperança

Os bandidos de Deus

Christopher Hitchens demonstra no seu livro, «deus não é Grande», como a religião envenena tudo. Não é de hoje, é uma tara atávica dos vários sistemas de crenças que, ao longo dos séculos, fomentaram guerras e deram origem às mais bárbaras crueldades.

É verdade que ninguém faz o mal de forma tão eficiente e entusiástica como os crentes de qualquer religião. Os homens inventaram deus como pretexto para se digladiarem, sem que lhes mingue atrevimento para qualificarem o biltre como misericordioso, justo e bom.

João Paulo 2 era um papa supersticioso e rural, talvez o último que acreditou em Deus, mas, olvidando as maldades próprias, sentiu o dever de pedir desculpa aos judeus pelos séculos de anti-semitismo cristão que os beatos que visitam o Diário Ateísta se esforçam por negar. Pediu desculpa aos muçulmanos pelas Cruzadas, sem despromover os santos facínoras que as fomentaram e não deixou de as pedir aos cristãos ortodoxos orientais pelas numerosas perseguições que Roma lhes infligiu.

É claro que só se arrependeu pelos crimes dos antecessores, manifestando mesmo uma vaga tristeza pela Inquisição, mas foi omisso sobre a responsabilidade dos seus padres e bispos no massacre de cerca de um milhão de pessoas no Ruanda.

Seria trágico que esquecêssemos os crimes das outras religiões depois de termos posto o cabresto nas orelhas dos pontífices e peado os bispos e padres no seu proselitismo. Não podemos esquecer que nas mesquitas e nas madraças andam clérigos rancorosos, à solta, a pregar o ódio aos infiéis e a morte de todos os que desprezam o boçal pastor de camelos.

A célula de facínoras desmantelada em Barcelona tinha na agenda atentados terroristas contra vários países, incluindo Portugal. Não se trata de pessoas que nasceram violentas, são crentes que a fé tornou dementes e que os clérigos treinaram para terroristas.

A benevolência para com os pregadores religiosos foi sempre superior à que as leis reservam para quem incite ao ódio e à violência. É tempo de um sobressalto laico e republicano contra quem financia, doutrina, arma e acolhe o exército de bandidos de Deus à solta pelo Planeta. 

26 de Janeiro, 2008 Mariana de Oliveira

Novidades por SMS

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É fácil e é de borla.

25 de Janeiro, 2008 Hacked By ./Localc0de-07

Ateísmo e o espantalho comunista

É aberrante a lógica argumentativa religiosa, as suas entediantes e estúpidas alusões às mesmas questões, aos mesmos ridículos argumentos, inseridos continuamente em quase toda e qualquer discussão do fenómeno religioso, os mesmos erros repetidamente que não se tornam em verdades, breves noções sobre a concretude das coisas bastam para filtrar as alarvidades proferidas por teólogos ou adeptos de áreas semelhantes, áreas em que qualquer coisa é comparável a qualquer coisa e onde as maiores parvoíces ganham contornos de excelsidades mentais, arrogância existe que chegue e que normalmente transborda, falar do que não se sabe não é um dom, é um atestado de incompetência intelectual passado a si próprio.

Uma das recorrentes temáticas usadas para interromper debates, usadas sem sentido algum, sem qualquer linha de raciocínio nem sequer as habituais ginásticas intelectuais teológicas, é o espantalho comunista, o desvio para as políticas estalinistas e outras enquadradas em semelhantes pressupostos, as alusões a personagens históricos sanguinários que se identificavam como ateus. A questão não poderia ser mais simples, o ateísmo é uma negação do sobrenatural, das religiões, da fé, uma estrutura de filtragem racional que pode ser exercida em plenitude de racionalismo e honestidade ou meramente identificada pela descrença num deus. A ausência de determinadas convicções não potencia acções, as acções são potenciadas por convicções existentes e não por convicções ausentes, portanto, as acções decorrentes do estalinismo e correntes políticas similares lidam com convicções de foro político, foi a política que definiu determinadas convicções que se tornaram em acções.

Tentar associar o Ateísmo com comunismo é complexo, e sujeito a enorme ginástica intelectual, coisa que muitas vezes inexiste nas mentes que tentam tal abordagem, a intelectualidade, não a ginástica. De uma questão de negação religiosa não se passa a uma questão de afirmação política sem tentar, no mínimo, encontrar um fio condutor, no caso específico ele não existe.

Notável ainda a arrogância teológica em querer lidar com questões complexas de uma forma estúpida e superficial, saloia e ignóbil, alicerçar a suposta inquisição ao ateísmo por uma descrença no deus que determinadas pessoas acreditam, retirar credibilidade a algo por existirem pessoas que partilham ausências de convicções, sendo para mentes torpes e reduzidas a mesma coisa que partilhar ausências e presenças, se determinada pessoa se assume como vegetariana e ateísta, então uma mente religiosa poderá considerar que todos os ateus serão vegetarianos, ou caso um ateu se declare homossexual todos os ateus serão homossexuais, questões complexas para mentes entupidas em fé, a sua forma de seguir ordens advindas de vendedores de teologias em manada, de entrega absoluta e cega aos preceitos de determinadas doutrinas religiosas faz com que a clarividência se afunde, e a percepção da diversidade inexista. Atribuição de determinadas posturas afirmativas a um grupo de pessoas que se identifica com um construtivismo de negação é incrivelmente idiota, uma estupidez épica.

Por certo terão mais razão dentro das lógicas ilógicas teológicas os hindus em afirmar que a grande maioria dos males do mundo são oriundos da ausência de crença em Brahmá, Vishnu e Shiva. Mais razões teriam os crentes do Tricórnio (que é um Unicórnio mas tem 3 cornos) de Saturno em afirmar que a ausência de crença nesse ser superior causou todos os males do mundo.

Estranho também será o facto de algumas pessoas que se identificam com o rótulo do Ateísmo se sentirem de alguma forma perdidas com as alusões aos espantalhos comunistas, como se por ventura se deixassem cair nessa estupidez e assumissem um discurso de defesa instigado pelos irracionalismos religiosos de algo que não faz parte da sua convicção afirmativa, por vezes aparentando um contágio da estupidez oriunda do meio envolvente. Tais alusões devem ser antecipadas, o leque de argumentação religiosa é incrivelmente restrito, os espantalhos devem ser racionalmente exterminados, honestamente estupidificados pela força da inteligência.

O Ateísmo, a ser exercido colectivamente em mutualismo, deve não só atacar racional e honestamente os dogmas religiosos, como também atacar os dogmas que as religiões lhe tentam atribuir, sem que as ideologias dogmáticas religiosas infectem as mentes esclarecidas e racionais.

25 de Janeiro, 2008 Carlos Esperança

Reflexão sobre o terrorismo islâmico

Tenho grande desconfiança sobre as religiões mas não tenha dúvida de que o terrorismo islâmico existe, como existiu o terrorismo católico das Cruzadas. E, se é verdade que os interesses económicos estão sempre na origem das guerras, não nos iludamos quanto às motivações religiosas. O petróleo e a fé têm andado juntos, é verdade.

Deus disse a Bush para invadir o Iraque e os cúmplices eram todos católicos. Enquanto o Papa condenava a invasão, os grandes entusiastas eram governantes que explicitavam publicamente a sua fé. Todos católicos. Todos amigos da hóstia e do Papa. Até Blair cuja transferência, por razões políticas, só se realizou depois da saída do Governo.

Basta ler a Bíblia ou o Corão para se verificar o manancial de violência que encerram. O Deus abraâmico é um déspota sanguinário, violento e vingativo a que Abraão estava disposto a sacrificar o filho. Uma besta de um pai. E um patife de um Deus.

Valeu-nos o Iluminismo e a Revolução Francesa para que os exegetas começassem a dizer que a Bíblia não dizia o que lá estava escrito.
Pode argumentar-se com a possibilidade de haver uma Reforma no Islão. Não a acho possível pois a laicidade é-lhes absolutamente intolerável. E o fracasso da civilização árabe tornou a religião mais agressiva. O Islão não tolera os direitos humanos nem a igualdade de direitos entre o homem e a mulher nem a democracia, tal como não se conformava Pio IX ao afirmar que a democracia e a liberdade eram incompatíveis com a Igreja católica. E tinha razão.

Não é por acaso que europeus caucasianos convertidos ao Islão se tornam terroristas. Não há povos terroristas mas há ideologias. Não há guerras de civilizações, há guerras entre totalitarismos ou entre a civilização e a barbárie.

Termino a citar o título de um livro interessante: «O Mundo Secreto do Opus Dei», escrito há mais de dez anos, que tem como subtítulo «Preparando o confronto final entre o Mundo Cristão e o Radicalismo Islâmico». Autor: Robert Hutchison.