13 de Maio, 2008 Carlos Esperança
Diário Ateísta
O Diário Ateísta esteve desactivado durante vários dias por razões não esclarecidas.
Pedimos a compreensão dos leitores, apresentamos desculpas e prometemos não nos render.
O Diário Ateísta esteve desactivado durante vários dias por razões não esclarecidas.
Pedimos a compreensão dos leitores, apresentamos desculpas e prometemos não nos render.
Como devem ter reparado, o Diário Ateísta, nos últimos dias, esteve em baixo devido a problemas técnicos. Por isso, pedimos desculpas aos nossos leitores e esperamos continuar a servir-los com uma boa dose de heresia.
A criação da nova associação encheu de júbilo os humoristas e de raiva os beatos. Os primeiros divertem-se com os que negam um ser superior que interfere nos resultados financeiros, na saúde do canastro e na gravidez da mulher cujo óvulo se fecunda com uma bilha de azeite prometida a um santo.
Os segundos temem o efeito devastador do ateísmo nos milagres que forjam a cadáveres em adiantado estado de putrefacção, em pior estado do que a Igreja que tem de recorrer a tão grosseiros estratagemas para segurar a clientela.
Entre o júbilo e a raiva, entre os que preferem rir de pé e os que expulsam a bílis de joelhos, os ateus avançam para uma associação. Somos os infiéis de todos os credos, os inimigos predilectos das sotainas, os alvos preferidos dos parasitas de deus. Os livros sagrados onde se inspiram os guardiães da vontade divina são calhamaços vazios de humanidade, normas de conduta para masoquistas e ameaças para timoratos que uma legião de clérigos explora, enganando e conduzindo ao inferno do medo e da sujeição.
Uma associação de ateus não tem a cimentá-la o pensamento único porque é formada por livres-pensadores. Facilmente se criam divergências e o proselitismo não é o forte.
Descansem as almas pias que não encontrarão à noite, junto ao domicílio, um casal de ateus a convencê-las da Boa-nova. Não vamos distribuir dados laboratoriais sobre as hóstias, antes e depois de consagradas. Não prometemos o Paraíso através do dízimo, não vão para o Inferno se faltarem ao encontro de ateus, não pecam se virararem o rabo para Meca ou para o Vaticano e, por mais que se riam da virgindade de Maria, da bondade do Papa ou das virtudes dos sacramentos, não aumentam as probabilidades de lhes sair o totoloto.
Há formas mais divertidas de viver do que frequentar os templos e a virtude dos padres, quando existe, não é uma garantia da bondade do seu deus.
Ser ateu é, apenas, renunciar à chantagem da morte, ao medo da felicidade e da vida, ao terror do Inferno e outros medos pios com que o clero ganha a vida e flagela os simples.
O anúncio da criação da AAP levantou já um coro de protestos e insultos vindos dos meios mais reaccionários e trogloditas, de amigos do padre e da hóstia, de prosélitos habituados a viajar de joelhos e a andar de rastos.
Não se assustem os fundamentalistas que não se contentam em salvar a alma própria e exigem dos outros a salvação da sua. Os ateus respeitam a Declaração Universal dos Direitos do Homem. Não lapidam mulheres, não decapitam hereges, não chicoteiam nem se imolam. Os ateus respeitam os crentes de todas as religiões e reservam-se o direito de combater a mentira, a violência e a discriminação entre homens e mulheres. Jamais combaterão os crentes. Apenas a sua intolerância.
Não nos peçam que levemos a sério um papa que cria cardeais e fabrica milagres para cadáveres em adiantado estado de decomposição. Não queiram que silenciemos ataques religiosos à liberdade e à democracia, que acreditemos em exorcismos, que confiemos no valor nutritivo da hóstia consagrada ou na diferença da água benta da outra.
Não há fé que resista à reflexão serena e à liberdade e não há descrença que o medo e a tortura não transformem em devoção. É contra o medo e a violência que se organizam os ateus, certos de que as religiões estiolam em liberdade e se abatem mais facilmente pelo ridículo do que pela força.
A Associação Ateísta Portuguesa já conta com muitas dezenas de cidadãos que querem ser sócios fundadores e a cada hora chegam novos aderentes. Na AAP ninguém alguma vez perseguirá quem quer que seja. Não podemos dizer o mesmo das religiões.
Há um raro mimetismo que fez enveredar as religiões acomodadas à democracia pelos caminhos do fundamentalismo.
Como se não bastassem as páginas horrendas do Antigo Testamento, donde escorrem a violência, a crueldade e a vingança de um deus feito à imagem dos piores homens, o judaísmo, o cristianismo e o islamismo vieram subjugar a humanidade à vontade do clero, sob o pretexto da obediência a deus.
O proselitismo das religiões, o anacronismo e o ódio vesgo à humanidade fazem parte da matriz beata com que os dignitários religiosos abominam o progresso, a modernidade e os direitos do homem. À maldade intrínseca das religiões aliam os defeitos contraídos na catequese a que foram submetidos e a que submetem os outros.
A liberdade é um bem que não deve ser hipotecada ao poder discricionário dos padres. A justiça não pode ser sacrificada a utópicos julgamentos divinos, em regiões celestiais, onde as almas voam em perpétua ociosidade. A felicidade é um desígnio que não deve ser sacrificado à irracionalidade da fé e à maldade dos seus padres.
Nenhum deus dará a qualquer homem algo de bom. Há na Declaração Universal dos Direitos do Homem toda a compaixão que falta nos livros bárbaros que o negócio da fé elevou à categoria de sagrados.
Todas as religiões abraâmicas se reclamam de um deus cruel e idiota que é preciso conter pelo avanço da ciência, da democracia e do afastamento do clero dos centros de decisão do estado.
Os crentes são os nossos irmãos enganados que os padres põem de joelhos ou de rastos. Os padres são os profissionais que vivem da transmissão dos mitos e dos medos com que fabricam beatos. Os crentes merecem apoio e os padres respeito. Só as religiões merecem ser desmascaradas e combatidas. E sempre, e apenas, pela palavra.
A ciência encarrega-se de ajudar o ateísmo e o ridículo de afastar os crentes da Igreja. Só temos de impedir a violência e os constrangimentos exercidos pelas religiões, em particular contra as mulheres.
Caros ateus e ateias:
Vamos agora ao mais importante: a escritura!
Para isso, peço-vos que com a maior brevidade possível mandem os elementos de identificação de todos aqueles que ficarão a ser os «sócios fundadores». Bastará a simples indicação do nome completo, o estado civil, números de bilhete de identidade e de contribuinte e a morada completa.
Os cartões poderão ser fisicamente apresentados somente no acto da escritura.
Reservem o dia 30 de Maio (sexta-feira)
A identificação pedida deverá ser enviada para:
Carlos Esperança – aesperancaenator@gmail.com
ou
Luís Grave Rodrigues – r_precision@hotmail.com
*
PEDIDO DE CERTIFICADO DE ADMISSIBILIDADE DA AAP
O Diário de uns ateus é o blogue de uma comunidade de ateus e ateias portugueses fundadores da Associação Ateísta Portuguesa. O primeiro domínio foi o ateismo.net, que deu origem ao Diário Ateísta, um dos primeiros blogues portugueses. Hoje, este é um espaço de divulgação de opinião e comentário pessoal daqueles que aqui colaboram. Todos os textos publicados neste espaço são da exclusiva responsabilidade dos autores e não representam necessariamente as posições da Associação Ateísta Portuguesa.