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Categoria: Não categorizado

3 de Fevereiro, 2009 Raul Pereira

A evolução da religião…

«Religion needs to be taken seriously. Understanding its roots, how it can seize command of our psychology and take control of our culture, may well be one of the most important endeavors we pursue. For even with all our grand technology, modern medical advances, and volumes of knowledge, if we do not stop our archaic past from overriding our modern reason we are surely doomed.»

(The Evolution of Religion, por R. Elisabeth Cornwell e J. Anderson Thomson)

Este artigo é para ler todo e com muita atenção, aqui.

3 de Fevereiro, 2009 Ludwig Krippahl

E o problema é …?

A propósito do primeiro aniversário do Portal Ateu, o Alfredo Dinis escreveu um post curioso de título «O problema fundamental do ateísmo». O curioso é que não se percebe qual é o problema.

«O ateísmo militante, como é o do Portal Ateu, tem um problema fundamental. Se a sua crítica da religião for irrelevante, como é a constante crítica baseada em factos anedóticos, o seu efeito na religião é positivo, uma vez que critica o que de facto é criticável […] Se, pelo contrário, a crítica da religião feita pelo ateísmo militante for objectiva e inteligente, e se dirigir a aspectos realmente fundamentais, uma tal crítica só pode ser benéfica para a religião, uma vez que desafia os crentes a reavaliar criticamente esses aspectos.»(1)

Ora, se este ateísmo é bom por um lado e bom por outro parece-me que o problema não estará no ateísmo.

Um problema é confundir crença com religião. As crenças são pessoais. Um crente pode acreditar que a hóstia se transforma no corpo de Jesus e outro ao lado acreditar que é só uma bolacha de farinha num ritual meramente simbólico. Mas as religiões são instituições. O catolicismo diz que a hóstia se torna no corpo de cristo e não o propõe como uma crença opcional. Eu concordo que é bom criticar qualquer crença porque a crença ou ganha fundamento por resistir à crítica ou cede o lugar a uma crença melhor. Mas a avaliação crítica é inconveniente para as religiões porque não podem mudar de crença tão facilmente.

Outro problema é assumir que há uma distinção objectiva entre os «factos anedóticos» e os «aspectos realmente fundamentais» das religiões. Se fingirmos que só há uma religião podemos criar essa ilusão, pois aí o fundamental é apenas o que a religião oficialmente diz para se acreditar. Mas se considerarmos todas as religiões a ilusão desaparece. Para um católico o Papa é fundamental e o criacionismo anedótico. Mas para o evangélico é precisamente o contrário. E para o ateu é anedótico o que não for devidamente fundamentado, o que põe no mesmo saco a suposta origem divina do Corão e a alegada ressurreição de Jesus.

Mas o problema principal é não compreender o objectivo dos ateus. É mesmo esse. Motivar os religiosos a avaliar criticamente as suas crenças. Porque o crente que o fizer verá que tem apenas duas opções. Se decide julgar a sua crença religiosa por critérios objectivos que sejam igualmente válidos para pessoas com ou sem qualquer fé então torna-se ateu. De todas as opiniões que se pode formar acerca de qualquer religião o ateísmo é a única que trata essa religião da mesma maneira que trata as outras. Nem o agnosticismo consegue isso porque, tal como os crentes, também os agnósticos são ateus em relação a todas as religiões excepto uma pequena minoria.

E a alternativa que preserva a crença religiosa tem que invocar critérios subjectivos, mostrando ao crente que o fundamento da sua religião é apenas a sua preferência pessoal. Segue aquela religião porque é dessa que gosta mais, tal como prefere este clube ou aquele estilo de música. E isto também é bom. Este exercício de liberdade pessoal elimina o problema da religião se arrogar de ter valor normativo propondo que aceitar o seu dogma é uma virtude que todos devem almejar. Ou de se arrogar de ser factualmente verdadeira e fonte de conhecimento, como se algum padre conseguisse distinguir a água benta da água por benzer.

Aquilo que para o Alfredo é um “problema fundamental do ateísmo militante” para mim é uma virtude. Fazer pensar acerca das crenças. Porque o mundo que eu quero não é um mundo de ateus. Isso era uma chatice e limitava-me a um par de posts por semana. O que eu quero é um mundo onde o dogma religioso seja visto como um gosto em vez de um facto. Quero um mundo onde a fé seja uma preferência em vez de a julgarem uma virtude. E quero um mundo onde as religiões se submetam à escolha livre de cada um em vez de submeter liberdades e pessoas ao supostos caprichos de deuses imaginários.

1- Alfredo Dinis, O problema fundamental do ateísmo. A propósito do primeiro aniversário do Portal Ateu.

Em simultâneo no Que Treta!

2 de Fevereiro, 2009 Raul Pereira

Brasil e Canadá com autocarros…

Para irritar ainda mais a Dr.ª Maria José Nogueira Pinto, a senha (sic.) continua do outro lado do Atlântico. O Canadá, pelas mãos da competente Freethought Association of Canada, estampará uns autocarros que começarão a circular em Toronto já durante este mês e em Halifax e Calgary durante os próximos. [ver aqui.]

Entretanto, no país irmão, a ATEA – Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos, tentará levar oito slogans aos «ônibus» da imensa São Paulo. O Diário Ateísta deseja todos os sucessos para a campanha.

31 de Janeiro, 2009 Raul Pereira

A senha [sic.] continua…

Afinal, a inteligência e a razão acabam sempre por vencer, ainda que demore: Génova sempre vai ter um autocarro ateu. A «União dos Ateus, Agnósticos e Racionalistas» italiana pensou uma nova frase depois da anterior (que por acaso era brilhante) ter sido recusada. Em vez de: “A má notícia é que Deus não existe. A boa é que também não lhe faz falta” (trad. livre), os genoveses poderão ler nos autocarros: “A boa notícia é que em Itália há milhões de ateus. A óptima é que acreditam na liberdade de expressão“. Com a atitude de reprovação a que já fomos habituados, as hierarquias da sotaina apenas fizeram com que os ateus saíssem reforçados. Estes têm agora uma frase que condena a censura a que foram sujeitos e jogam com a polémica anterior, acrescentando-lhe ironia. Acresce ainda o facto de não ser possível novo lápis azul, pois as palavras desta vez são cândidas e inocentes, embora doam mais.

Pelo que me foi dado ver aqui, isto preocupa a Dr.ª Maria José Nogueira Pinto. Agora, ir buscar São Paulo? Por amor de ([vazio])! São Paulo? O homem que uniu os MORES (e até o direito) romanos à religiosidade judaica – a base do sucesso do proto-cristianismo, que se viria a tornar no caldo da destruição dos avanços civilizacionais da Antiguidade. Um dos grandes responsáveis, no fundo, por dois milénios de obscurantismo. Certo, Roma não era perfeita, mas ficou bem pior 300 anos depois, cristã e Constantiniana, moribunda e agarrada ao SIGNO. Coisas há que me deixam parvo. Se quiser ler obras desse período fico por Ovídio, Horácio ou Séneca. Bem mais interessantes que Paulo de Tarso e, seguramente, de valor literário bem superior. Faria bem a Dr.ª Maria José Nogueira Pinto em ler Catulo, sobretudo alguma da sua poesia erótica, para entender o que por essa altura escrevia quem tinha o espírito e mente abertos e vivia segundo as leis de Epicuro e não de Javé. Muito mais refrescante e poético.

Depois, chama à Europa, um «parque jurássico entregue a movimentos infantilizadores e primários». Alto aí! Então, afinal acredita na Evolução. Não se pode invocar o santo nome do Jurássico em vão! Foi um período muito sério e… lírico. Mais: «infantilizadores»? Deve estar a falar a falar das religiões, só pode, são os únicos movimentos conhecidos que fazem as pessoas acreditar em amigos imaginários até à idade adulta.

Por último, claro, tinha que vir uma citação e, nessa citação… Bach. Aqui vamos mesmo parar. Eu ouço Bach. Eu adoro Bach. Eu sinto Bach em todos os neurónios. Eu considero a «Paixão Segundo São Mateus» (BWV 244) uma das maiores obras da História da Humanidade. Eu continuo ateu. Quantas vezes teremos que martelar neste argumento?… Bach também compôs obras seculares e não me parecem inferiores às religiosas, antes pelo contrário, se pensarmos, por exemplo, no Das Wohltemperirte Clavier (BWV 846–893) ou no Musikalisches Opfer (BWV 1079). Eu não consigo atingir o divino na música, acho-a divinal como adjectivo apenas, mas empenho-me em perceber a sua profundidade intelectual e complexidade harmónica ou de execução. Daqui, deste exercício, retiro sensações de fruição únicas e verdadeiro prazer mental e até físico, mas a última coisa em que penso é na hóstia ou num ser a olhar para mim sabe-se lá de onde. Fosse o séc. XVIII um tempo de total secularização da sociedade e Bach teria certamente ido buscar outras fontes de inspiração para saciar o seu voraz génio criativo.

Don DeLillo! Muito má escolha de citação, Dr.ª Maria José Nogueira Pinto. Até posso perceber, pela amostra do Antigo Testamento, que se encontre deus no «sofrimento» e no «terror» apontados na frase; eles estão lá bem explicados: a homofobia, a misoginia, as lapidações, a xenofobia e os massacres. Agora, eu quando vejo isto, sinto é «terror» da gente que acredita e adora um deus assim e, Dr.ª Maria José Nogueira Pinto, vou lutar durante a minha vida inteira – com todas as forças e com as limitadas capacidades cerebrais com que a evolução me dotou -, para que o «sofrimento» que eles causam aos outros seja diminuído.

Entretanto, tome lá mais um autocarro em Génova. E vá ficando à espreita, porque pode ser que um dia destes uma frase interessante apareça estampada no 92, que passa na Rua do Arsenal a caminho do Bairro Alto.

28 de Janeiro, 2009 Carlos Esperança

Novo patriarca da Igreja ortodoxa russa

Moscou, 27 jan (EFE).- O metropolita Kiril, de Kaliningrado e Smolensk, guardião do trono patriarcal, foi eleito hoje o novo patriaca da Igreja Ortodoxa Russa.

Nota: Também aqui o Espírito Santo é que ilumina os eleitores. Nunca uma pomba foi tão responsabilizada pelos interesses em presença.

27 de Janeiro, 2009 Carlos Esperança

Autocarro ateu circula em Madrid

Saúdo a União de Ateus e Livres Pensadores de Espanha e congratulo-me com a chegada do autocarro ateu a Madrid onde os madrilenos podem ler: “Provavelmente Deus não existe. Então, deixe de se preocupar e desfrute a vida”.

Sendo pacífica a manifestação de cidadania, ao contrário das homilias homofóbicas do cardeal Rouco Varela ou dos mullahs islâmicos contra os infiéis, espero que a população madrilena tenha mantido o civismo, sem se deixar instrumentalizar pelos fundamentalistas que consideram a Espanha um protectorado do Vaticano.

Perante numerosas solicitações e ofertas de  dinheiro, algumas aqui no DA, para importar esta iniciativa dou a minha opinião pessoal:

1 – Não temos ainda meios humanos e financeiros para, neste momento, pôr de pé uma iniciativa desta natureza em Portugal;

2 – As ofertas reiteradamente feitas impedem a sua aceitação por não se poder assegurar o êxito da iniciativa e não haver condições para, em caso de fracasso, devolver as importâncias recebidas;

3 – Saúdo todos os ateus e livres-pensadores e acompanha-os na inquietação com a agressividade das três religiões do livro – judaísmo, cristianismo e islamismo –, frequentemente detonadoras do ódio e fomentadoras de guerras.

O ateísmo tem rodas para circular contra o pensamento único e a intolerância religiosa porque « provavelmente Deus não existe» e não há motivos para temer o que não existe nem razões para o medo que  impede as pessoas de desfrutarem a vida.

25 de Janeiro, 2009 Carlos Esperança

Momento de poesia

Dissertação sobre a existência de Deus…

Ao Carlos Esperança,
pelo seu esclarecido empenhamento
na causa ateísta

Hoje trago-vos uma boa notícia
Deus não existe
ou, pelo menos, não existe
tal como os sacerdotes o inventaram
procurei-o por toda a parte
nas cidades, nos palácios, nos muceques,
nas favelas e em todos os bairros da lata
procurei-o por montes e vales
na infinidade do Céu e da Terra
nas intimidades da natureza humana
e não o encontrei
nem a matéria o revelou
assim como não tropecei
nas asas de um qualquer arcanjo
a arengar as palavras divinas
também não me apareceu no Sinai
embora eu tivesse levado as tabuinhas
a gruta de Meca estava interdita aos infiéis
e já nem foi preciso ir a Jerusalém
visitar o Muro, o Sepulcro
e o Pátio das Mesquitas
na esperança de provar a sua existência
ali só iria sentir o cheiro intenso dos incensos
e o ódio em todas as bocas
nas horas das lamentações
e no coro de todas as orações.

Alexandre de Castro