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28 de Junho, 2009 Carlos Esperança

Cedências beatas em vésperas de eleições (2)

Por

Carpinteiro

Não, não há qualquer tipo de discriminação, na realidade o que se passa é que não está longe o dia em que estejamos debaixo das ordens de directores de conselhos executivos, colocados pelo Vaticano ao abrigo de uma “concordata” maliciosa.

Está em curso e de uma forma descarada, o assalto ao ensino público por parte da Igreja (Opus Dei).

Não é preciso ser muito inteligente para perceber as “movimentações” do Clero a par do desenrolar político.

As sondagens dão Ferreira Leite à frente de Sócrates. Todos sabemos a latitude moral desta senhora. A Igreja esfrega as mãos de contente e já começou a dar orientações de voto ao seu rebanho.

Quando o clero faz uso dos seus tiques de vitimização, nos bastidores já iniciou o ataque, e as suas garras já estão sobre o objectivo a alcançar. Nenhuma manipulação se consegue sem o acesso directo aos postos de decisão.

Presentemente, o ambiente nas escolas é de cortar à faca. Este sistema de avaliação trouxe à memória velhos fantasmas. Muitos professores incompetentes vão classificar e decidir o futuro de colegas por vezes mais competentes e capazes.
Como posso eu aceitar ser classificado por um colega que nem sequer foi sujeito ao Concurso Nacional de Professores?
Como posso eu acatar as ordens de um director de um conselho executivo colocado pelo Vaticano ao abrigo de uma concordata perniciosa?

Que legitimidade tem alguém que faz um doutoramento no Vaticano, (e há imensa literatura que desmascara a fraude desses diplomas) e que sem passar pelos critérios de seriação e avaliação do concurso nacional de professores do Ministério da Educação deste país, aparece e tira-me o lugar?

Não vai longe o tempo em que os professores de Educação Musical eram na sua maioria, padres colocados pelo Vaticano ao abrigo de uma concordata, que assim iam buscar ao estado um vencimento e uma reforma, que os cidadãos pagavam dos seus bolsos mas que acabavam nos cofres de Roma. Por ironia, dizíamos na altura que para ser professor de música bastava saber tocar um instrumento de corda, “nomeadamente o sino”. Não tarda o tempo em que sejamos colocados e avaliados por professores que chegaram às direcções dos conselhos executivos das escolas públicas deste país, pela mão do Vaticano, ao abrigo de uma concordata maléfica. O processo já está em curso, cabe a nós travá-lo, …se conseguirmos.

É lamentável ver o governo refém do Clero.

27 de Junho, 2009 Carlos Esperança

Cedências beatas em vésperas de eleições

Gabinete do Secretário de Estado da Educação

DESPACHO INTERNO Nº 2/SEE/2009

Através do Ofício-Circular OFC-DGIDC/2009/DSDC foi recentemente transmitido às Direcções Regionais de Educação o teor do Parecer da Inspecção-Geral da Educação, de Maio de 2008, relativo à distribuição de serviço aos docentes de Educação Moral e Religiosa Católica (EMRC).

Considerando que subsistem dúvidas no que respeita à interpretação do referido Parecer, importa precisar o seguinte:

1. Os Docentes de EMRC, pertencentes aos quadros ou contratados, fazem parte do corpo docente dos estabelecimentos de ensino, sendo-lhes consequentemente aplicável o conjunto de direitos e deveres que incidem sobre os docentes dos restantes grupos disciplinares, como previsto no nº 2 do artº 5º do Decreto-Lei nº 323/83, de 5 de Julho.

2. Assim sendo, encontram-se os docentes de EMRC sujeitos às regras em vigor para todos os docentes, designadamente no que se refere à distribuição do serviço docente e ao cumprimento do semanário-horário, podendo ser-lhes atribuídos cargos, funções, áreas curriculares não disciplinares ou outras disciplinas para que se encontrem legalmente habilitados, em igualdade de circunstâncias com os demais docentes. Em 23 de Junho de 2009.

Perguntas de uma professora (IG):

Afinal não há “discriminação” e o outro despacho não passava de um boato…!!??

Estarão os professores de EMRC efectivamente em igualdade de circunstâncias quando colegas de uma determinada disciplina não podem leccionar outra mesmo que para ela tenham habilitação, estando, por vezes, sujeitos a redução de salários?

Quem está a ser discriminado? Quem está a ser privilegiado?

Ver notícia no site EMRC

24 de Junho, 2009 Luís Grave Rodrigues

A Evolução das Espécies

 

Segundo o «Daily Telegraph» dois terços dos adolescentes britânicos não acreditam em Deus.

Mais ainda:

De acordo com uma sondagem levada a cabo pela Penguin Books a propósito do lançamento do livro «Killing God» de Kevin Brooks, somente três em cada dez jovens (entre os 13 e os 18 anos) acreditam na vida para além da morte, enquanto seis em cada dez acham que a religião tem uma influência negativa no mundo.

Estes resultados são de facto notáveis.

De facto, quando sabemos que desde a mais tenra idade a maioria dos pais começa a encasquetar na cabeça das crianças as mais absurdas e ridículas balelas mitológicas e a fazer associar a noção daquilo que é correcto e ético não ao próprio significado intrínseco dos valores, mas antes a um tenebroso negócio de morte e de compra da vida eterna, é efectivamente encorajador descobrirmos que a juventude de um país (e logo de um país que confunde o chefe de Estado com o chefe da religião) se vai paulatinamente libertando das grilhetas dessas autênticas associações de malfeitores que são as religiões.

Como disse Bertrand Russell,
«Toda a concepção de Deus é derivada dos antigos despotismos orientais. É uma concepção inteiramente indigna de homens livres. Quando vemos na igreja pessoas a menosprezarem-se a si próprias e a dizerem que são miseráveis pecadores e tudo o mais, isso parece-me desprezível e indigno de criaturas humanas que se respeitem».

Se assim é, pelos vistos é inequívoco que na sua esmagadora maioria os jovens britânicos têm efectivamente respeito por si próprios.

                         

19 de Junho, 2009 Carlos Esperança

Bispos não perdoam moção de censura ao Papa

(…)

Não esquecendo a forma como foi noticiada a canonização do Santo Condes-tável, ou o último acontecimento conhecido: a “moção de censura” dos membros do órgão máximo da Câmara Baixa de Espanha (PSOE, CiU, PNV e parte do PP) a pedir ao Papa explicações pelas suas declarações sobre a SIDA em recente viagem à África. Como se as palavras do Papa tivessem um valor coercitivo.

Dizia o E-Cristians: ”O Congresso dos Deputados não é ninguém para intrometer-se no âmbito das considerações morais que de uma posição religiosa se possam manifestar porque, ao actuar assim atenta contra o princípio constitucional de neutralidade do Estado”.
E se os belgas(que fizeram algo de semelhante) ouvirem esta teoria, até lhes fará bem.

Comentário: Na ausência de Deus têm de ser os homens a corrigir as tolices do Papa.

18 de Junho, 2009 Ludwig Krippahl

Ateísmo nos valores.

«A democracia exige que aqueles que são motivados pela religião traduzam as suas preocupações em valores universais em vez de particulares à sua fé. Exige que as suas propostas sejam discutidas e se sujeitem à razão. […N]uma democracia pluralista não temos alternativa.» Barack Obama (1)

Historicamente, o ateísmo enquadrou-se numa discussão sobre factos e conhecimento. Se existiam deuses e se podíamos saber como eram, se era verdade que tinham criado o universo e assim por diante. O crente, o agnóstico e o ateu distinguiam-se pela aceitação, indecisão ou rejeição destas proposições factuais. Mas hoje as prioridades devem ser outras. As questões acerca dos factos continuam pertinentes, até porque ainda há quem acredite que um deus fez um homem de barro, bafejou-lhe vida e todos descendemos dele e da sua costela. Mas além de discutir o que é ou não é, importa resolver divergências acerca do que deve ser. Nisto, hoje importa mais discutir os valores propostos que os factos supostos.

Nos últimos séculos, uma parte da religião tem tentado distanciar-se dos factos, empurrada pelo avanço da ciência. Agora, os crentes mais sofisticados consideram metafórico qualquer relato religioso susceptível de ser refutado. Alguns não largam a criação em seis dias, o Dilúvio e essas coisas, mas uma boa parte defende que a religião não descreve como as coisas são, nem como funcionam, mas apenas lhes dá sentido e governa a nossa forma de viver. Ou seja, que a religião é acerca de valores e não de factos. Por isso é que discutir a existência de Deus com um teólogo católico é como dar socos no nevoeiro. O esclarecimento é muito menor que o esforço. Deus é incompreensível, a fé é um mistério, Deus está na abertura do horizonte de possibilidades num universo inacabado, etc, e não se chega a lado nenhum.

A par desta transformação nas religiões, e não por coincidência, também muitas sociedades passaram a reconhecer a importância de valores outrora desprezados. A liberdade de opinião, crença e expressão; a liberdade de prática religiosa; os direitos das crianças; a democracia; a tolerância pelas outras culturas; a igualdade de direitos entre os sexos e assim por diante. E isto também contribuiu para tornar a divergência de valores entre ateus e crentes um problema mais relevante que quaisquer diferenças de opinião acerca de alegados factos. Pode ser interessante discutir se Jesus ressuscitou ou se a mãe dele era mesmo virgem. Mas é mais importante decidir se devemos punir quem diz mal de um ritual religioso ou se devemos negar uma fertilização in vitro a uma mulher só por ser solteira.

O deslocar deste conflito do campo dos factos para o campo dos valores teve consequências. Uma consequência menor é tornar o agnosticismo menos defensável e, na prática, mais raro. Se por um lado é aceitável ser agnóstico quanto a suposições factuais sobre a ressurreição de Jesus ou o umbigo de Adão, por outro é irresponsável abster-se de tomar posição quando estão em causa valores fundamentais da nossa sociedade. Por isso, em coisas como censurar caricaturas de Maomé ou dar direitos excepcionais a professores de religião, parece-me que os agnósticos acabam, na prática, por ser ateus. Escolhem como quem não tem deus.

Uma consequência mais importante é na ética da nossa sociedade. Neste nível a divisão entre fé e ateísmo é mais fundamental e tão radical que exclui a posição intermédia. As religiões consideram-nos seres morais, responsáveis por seguir e respeitar normas e valores que nos são dados por Alguém. Em contraste, para o ateísmo somos seres éticos, responsáveis não só por seguir normas morais mas, mais do que isso, por criar, criticar, melhorar e substituir essas normas conforme se revelarem inadequadas. Esta é, agora, a diferença mais importante entre crentes e ateus.

É a diferença entre quem questiona o fundamento das normas que o regem e quem espera que o filho de deus lhe diga que já pode comer carne de porco e que não precisa cortar o prepúcio. Entre quem se esforça por distinguir o bem e o mal e quem faz de conta que não comeu esse fruto. Entre quem se assume responsável pelos valores que defende e quem delega essa responsabilidade em seres hipotéticos ou nos seus representantes. Mais do que questões metafísicas da escolástica medieval, é esta diferença de atitude que separa o ateísmo da crença religiosa.

E isto vai ao fundamento do que é ser ateu. Do que é não ter deus. De entre as muitas formas de não ter deus, sobressai esta de assumir responsabilidade pelos nossos valores. Porque o papel principal das divindades é ser a suposta fonte de todos os valores e aliviar o crente desta responsabilidade. E hoje em dia isso é mais relevante que toda a mitologia de milagres e feitiçarias. Não quero dizer que se ignore disparates ou que se evite criticar erros factuais. Pelo contrário; sou sempre a favor disso. Mas proponho que o ateísmo tem de ser mais que discutir se os deuses existem ou não existem. Porque o fundamental para proteger e melhorar os valores da nossa sociedade é a capacidade de pôr os deuses de parte quando discutimos o que devemos fazer. A capacidade de ser ateu ou, pelo menos, de se portar como quem não tem deuses.

1- Barack Obama, 1-6-2006, Call to Renewal Keynote Address. Obrigado pelo email com o vídeo, que já não me lembrava deste discurso e veio mesmo a calhar para o post.

Também no Que Treta!

16 de Junho, 2009 Carlos Esperança

A ICAR e os Ateus

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