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24 de Junho, 2010 Eduardo Costa Dias

Magistratura e polícia belgas fazem o seu dever

Des perquisitions ont été menées au siège de l’Église catholique belge, à Malines, à la Commission Adriaenssens qui traite les plaintes pour abus sexuels, ainsi que chez le cardinal Danneels. Et ce, à la suite des accusations d’abus sur mineurs portés contre des ecclésiastiques.

www.lesoir.be/actualite/belgique/2010-06-24/pedophilie-perquisitions-au-coeur-de-l-eglise-belge-778060.php

ACTUALIZAÇÃO (Diário Noticias, 25 Junho 2010)

A sede da arquidiocese de Malines-Bruxelas, a residência do seu antigo arcebispo, cardeal Godfried Danneels, e as instalações de uma comissão independente que investiga casos de pedofilia na Bélgica foram ontem alvo de buscas da polícia, que recolheu documentos susceptíveis de “provarem as acusações de abusos de menores por parte de certos membros da Igreja”, explicou o porta-voz do Ministério Público de Bruxelas.

Monsenhor Danneels foi chamado à sede episcopal pela equipa de investigação que realizou aqui a busca, enquanto na sua residência uma outra equipa confiscava o seu computador pessoal e alguma documentação.

O objectivo da operação policial, que envolveu mais de 30 inspectores e agentes, foi o de “obter elementos de prova relativas às declarações feitas no quadro de um processo recentemente desencadeado”, referiu o mesmo porta-voz.

A actuação da polícia surge menos de dois meses após a demissão do bispo de Bruges, cujo nome surgira associado a situações de abuso de menores. Em Maio, a Igreja belga apresentara um pedido de desculpas em que reconhecia “ter sido dada uma nova oportunidade aos abusadores enquanto as suas vítimas ficaram marcadas por feridas que não cicatrizam” (…) Segundo as agências, a investigação oficial está particularmente interessada nos testemunhos recolhidos por esta comissão, tendo confiscado a totalidade dos 475 dossiers onde se recolhem depoimentos sobre casos, alguns deles sucedidos há várias décadas (…) Embora não tenha sido revelada a fonte das queixas que levaram a justiça belga a desencadear as buscas de ontem, alguns meios de informação belgas sugeriam o envolvimento de um padre reformado, Rik Devillé, que teria denunciado à hierarquia nos anos 90 casos de abusos sexuais.

O abade Devillé admitiu ter passado às autoridades, há cerca de duas semanas, documentos e informações sobre aqueles casos, mas ignorava ontem se estes estariam ou não na base da investigação. Entre os documentos constam cópias da correspondência sobre aqueles abusos trocadas pelo padre com a hierarquia.

http://dn.sapo.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=1602357&seccao=Europa

23 de Junho, 2010 Carlos Esperança

Escândalos pios…

Bispos alemães enviaram ao Papa dossier sobre bispo Augsburgo

A Conferência Episcopal Alemã (DBK) revelou hoje que enviou ao Vaticano um dossier sobre o alegado alcoolismo e as tendências homossexuais de Walter Mixa, bispo de Augsburgo cujo pedido de resignação foi aceite no mês passado pelo papa.

Os bispos germânicos reuniram-se hoje para debater o caso Mixa, no convento de Himmelspforten, perto de Wuerzburg, e após o encontro confimaram assim as notícias publicadas nos últimos dias em vários jornais alemães sobre o envio a Bento XVI, em abril, de informações que comprometiam ainda mais Mixa.

22 de Junho, 2010 Ludwig Krippahl

Miscelânea Criacionista: a ilusão de design.

we are the champignons

A figura acima (1) mostra cogumelos num “anel de fadas”, um fenómeno que hoje sabemos ser natural mas que, durante muito tempo, foi explicado como sendo uma criação inteligente de seres sobrenaturais. É compreensível. Como um cogumelo não pode saber onde estão os outros nem escolher onde nasce parecia necessário algum ser inteligente que percebesse aquele padrão e planeasse o nascimento dos cogumelos. Não era o mesmo criador dos criacionistas de hoje mas cada cultura atribuía a génese destes círculos intrigantes a entidades míticas equivalentes. Fadas, duendes, espíritos da floresta ou deuses vários.

A explicação correcta é mais prosaica. Os cogumelos brotam de um micélio subterrâneo, uma rede de fibras microscópicas que se espalha a partir do ponto de origem do fungo. Conforme o fungo cresce, o micélio vai envelhecendo e consumindo nutrientes, pelo que a parte com mais vitalidade é sempre a da orla do círculo (2). É esta que produz os cogumelos. Não há aqui fadas nem inteligência. Apenas crescimento, fisiologia e, no fundo, química.

É claro que podemos propor que as fadas não fizeram o círculo mas fizeram o código genético do fungo, ou algo assim. Quando se invoca fadas, magia ou milagres pode-se inventar o que se quiser. Mas é desnecessário. Aquilo que exigia ser explicado por uma intervenção inteligente era a premissa, errada, que o círculo só poderia ser formado por alguém que percebesse e planeasse aquele padrão de cogumelos. Fadas a dançar, por exemplo. Mas a compreensão mais detalhada do processo revelou um mecanismo alternativo que dispensa esse requisito.

A teoria da evolução suplantou o criacionismo porque fez o mesmo para os seres vivos. Ao mostrar como as espécies podem surgir por um processo que não exige a percepção inteligente de cada passo nem o planeamento antecipado do resultado tornou desnecessária a premissa de um designer inteligente. Tal como o fungo não precisa de fadas para fazer um círculo de cogumelos também os primeiros replicadores numa furna qualquer há quatro mil milhões de anos não precisaram de um deus que planeasse o nosso nascimento este tempo depois.

O apelo do deus criador e das fadas bailarinas vem de encher os buracos da ignorância com fantasias improvisadas em vez de hipóteses testadas. Os camponeses medievais viam estes cogumelos e imaginavam fadas; os criacionistas vêem uma mosca e imaginam um criador inteligente*. E por criacionistas não refiro só os da Terra com uns milhares de anos, o homem criado do barro e a mulher da costela que deve ter ficado a mais e que, já que tinha de sair, aproveitaram para fazer alguma coisa.

Neste caso incluo também os criacionistas mais vagos que dizem aceitar a ciência mas que acrescentam sempre um criador para dar “sentido” e “significado” a isto tudo. Especialmente a nós. O universo pode existir há treze mil milhões de anos e ser inimaginavelmente grande. Pode ser mortífero para nós em praticamente todo o lado excepto neste planeta cagagesimal num cantinho insignificante de uma galáxia medíocre. Mas o deus criou deles isto tudo só para nós e fez-nos à sua imagem. E como sabem isto? É evidente. É tão evidente como os cogumelos nascerem de fadas bailarinas.

* E as “teorias” que apresentam sugerem também o consumo de alguns cogumelos.

1- Copiada de Turfgrass Diseases
2- Robert Fogel, Fun Facts about Fungi

Em simultâneo no Que Treta!

20 de Junho, 2010 Eduardo Costa Dias

Construção civil no Vaticano também rima com dinheiro no bolso de alguém!

O cardeal Crescenzio Sepe, arcebispo de Nápoles, e o ex-ministro das Obras Publicas e dos Transportes do Governo de Berlusconi, Pietro Lunardi, são arguidos por corrupção agravada num processo de luvas ligado a operações imobiliárias e à renovação de igrejas

Segundo a Reuters, as actividades delituosas atribuídas ao cardeal Sepe ocorreram no período em que este dirigiu a Congregação para a Evangelização dos Povos, a congregação, entre outras funções, encarregue de gerir os trabalhos de construção civil do Vaticano fora do bairro de 44 hectares

http://www.lexpress.fr/actualites/2/le-vatican-mis-en-cause-dans-une-affaire-de-corruption_900526.html

19 de Junho, 2010 Eduardo Costa Dias

O obscurantismo religioso e o comunitarismo são, …

… neste momento na Europa, face e verso de uma mesma praga que urge estripar.

Muito embora o artigo tenha mais de um ano, pela sua actualidade recomenda-se a leitura do artigo “Os tribunais religiosos na Europa”
(http://www.europe-et-laicite.org/spip.php?article90).
De facto, como o seu autor demonstra, « l’Europe bascule lentement mais sûrement dans l’obscurantisme religieux et la communautarisation à outrance, dans tous les domaines. L’union européenne elle-même est de plus en plus noyautée par les lobbys religieux »

10 de Junho, 2010 Carlos Esperança

O 10 de Junho e a memória da ditadura católica

Parece que é a nossa vocação mórbida que conduz à celebração da morte em vez da exaltação da vida e à perpetuação das piores memórias da ditadura para alimentar rituais que a higiene democrática já devia ter banido.

Exumam-se os hábitos e tiques do salazarismo para ornamentar com veneras os peitos disponíveis das celebridades autóctones, algumas só conhecidas da família, dos amigos, do partido e dos negócios.

Vestem um fato de cerimónia, põem um ar grave e lá esperam que o nome seja citado para oferecerem o pescoço ao nastro, o peito à venera e as costas aos abraços.

É assim todos os anos e não se nota a ausência do Tomás. Faltam apenas as viúvas, os órfãos e os estropiados que davam à cerimónia o ar lúgubre da tragédia que teima em perseguir-nos e do ritual que não há coragem para mudar.

Mantém-se o presidente e os carregadores que transportam as medalhas, os figurantes e figurões que desfilam no ecrã das televisões, as vaidades reprimidas e as cumplicidades.

O 10 de Junho é a repetição da liturgia do Império a que faltam, agora, as colónias e os mutilados, as mães dos filhos mortos, as criancinhas a quem mataram o pai e os Pides que nunca foram julgados.

É o palco de vanglórias para mostrar à Pátria o presidente escolhido e os figurantes que ele aceitou distinguir. Tudo se pauta pelo mau gosto e por uma liturgia gasta, numa cumplicidade entre a vaidade dos que foram agraciados e a conveniência política de quem os distingue.

Faltam, por pudor, a missa e o cardeal, a caldeirinha da água benta e o hissope, orações e padres.  Mas não faltarão ave-marias e genuflexões, quem se persigne e quem vá ao beija-mão.

Para quem fez a guerra colonial e não perdeu a sensibilidade, é com um misto de revolta e de vergonha que vê o nome de Camões associado à palhaçada que a ditadura montava para legitimar a guerra ignóbil em que destruiu uma geração, com o cardeal a dizer uma missa por alma dos que mataram.

Eu saí da guerra colonial, dos quatro anos e quatro dias de tropa, mas nunca saíram de mim os 26 meses de Moçambique, o Moura que lá ficou no rio Zambeze e o Dias cujo calor do corpo esmagado ainda sinto a sangrar-me nos braços a fazer-me sangrar por dentro.

8 de Junho, 2010 Ludwig Krippahl

A diferença é ser treta.

Não concordo que o Estado gaste dinheiro a contratar padres para os hospitais, a subsidiar a vinda do Papa ou a pagar professores de religião nas escolas públicas. Mas quando digo isto muitos apontam que o Estado também gasta dinheiro em futebol, cinema e música. Se as pessoas gostam de padres e missas, dizem-me, então o Estado deve investir nisso também.

Não me parece. Admito que preferia menos futebol e mais programas de ciência. Ou de ilusionismo. Ou de praticamente qualquer outra coisa, que o futebol é um bocado seca. E acho que gastar oitocentos mil euros em concertos do Tony Carreira (1) é pior que deitar dinheiro ao lixo. Do lixo sempre podia ir parar a quem tivesse mais necessitado. Mas nestes casos a minha opinião é meramente subjectiva. Objectivamente, a mestria do drible ou da música pirosa é tão legítima como a da astronomia ou dos truques com cartas. Sendo o critério apenas a preferência pessoal, só posso exigir que o Estado não descure ninguém e tenho de aceitar que a fatia maior seja ao gosto da maioria.

Mas artistas e desportistas, como o Tony Carreira, o Cristiano Ronaldo e o Luís de Matos, fazem algo fundamentalmente diferente do que faz a Maia, a Alexandra Solnado e aquela amiga da Júlia Pinheiro que fala em inglês com mortos portugueses. O Tony Carreira pode fazer playback, o Ronaldo fingir que levou uma canelada e o Luís de Matos esconder uma data de coisas na manga, mas toda a gente sabe que é assim. Faz parte do espectáculo e sabê-lo não tira o prazer de os ver actuar. Em contraste, só gosta da Maia, dos livros da Alexandra Solnado ou do pessoal que fala com os mortos quem enfiar o barrete e julgar que aquilo é mesmo verdade. Quem sabe que é tudo inventado não acha piada nenhuma.

E nessas coisas o Estado não deve participar. Não digo que o proíba. Se a TVI quer dar programas de gente que fala com os mortos, que se lixe. Mas astrólogos na RTP1, pagos dos nossos impostos, não está certo. Porque o que leva as pessoas a ver a Cristina Candeias a prognosticar isto e aquilo é a convicção de que ela consegue mesmo ver o futuro na posição dos planetas. E disso não há quaisquer evidências. Nem é preciso provar a negativa, que a Cristina Candeias não prevê o futuro. Basta não haver nada que justifique assumir que aquilo funciona, porque o Estado não deve contribuir para que convençam as pessoas de coisas sem fundamento.

Foi este o problema da missa na Praça do Comércio. Pode haver quem goste de ver o Ratzinger a actuar de vestido branco e sapatinhos encarnados. Eu não acho piada, mas gostos não se discutem. O problema é que a maior parte das pessoas que lá esteve só quis assistir ao espectáculo porque estava convencida que o Joseph Ratzinger é o representante oficial do ser omnipotente que criou o universo, que com um gesto do Joseph Ratzinger esse ser omnipotente abençoa a multidão e que com umas palavras do Joseph Ratzinger altera a substância da hóstia, que deixa de ser água e farinha para se tornar o corpo de um carpinteiro que morreu há dois mil anos (mas, felizmente, sem alterar o sabor). Este espectáculo só pode ser apreciado por quem se convencer de muita coisa que as evidências não justificam.

A assistência “espiritual” nos hospitais e o ensino religioso nas escolas públicas sofrem do mesmo problema. Nestes casos não podemos considerar apenas as preferências das pessoas porque esses juízos de valor que fazem assentam em informação incorrecta ou em premissas infundadas. Mesmo que muita gente goste da Alexandra Solnado não se deve financiar do erário as suas conversas com Jesus. Nem as consultas do professor Mamadu, os prognósticos do Paulo Cardoso, a transubstanciação da hóstia ou o ensino de rezas a pedir favores menino Jesus.

1- I, Tesourinhos das adjudicações directas

Também no

6 de Junho, 2010 Ludwig Krippahl

Treta da semana: com esses meninos não brinco.

Recebi por email a notícia que o Conselho Pontífice para a Cultura vai encetar um “diálogo aberto” entre o Vaticano e os ateus, «criando uma fundação para focar as relações com ateus e agnósticos» (1). À partida a ideia é boa. Quando duas partes discordam faz falta uma conversa franca onde cada uma possa apontar as premissas que rejeita, justificar as suas de forma que a outra aceite e esteja disposta a mudar a sua posição se a justificação contrária for melhor.

Mas o Vaticano tem uma ideia diferente de “diálogo aberto”. Mais habituados à missa que ao debate, querem deixar a conclusão assente logo de início. A iniciativa responde ao desafio do Papa para que a Igreja Católica venha «renovar o diálogo com homens e mulheres que não acreditam mas que querem aproximar-se de Deus». Parece-me que será uma amostra pequena e tendenciosa do universo de ateus e agnósticos. Além disso, o objectivo não é determinar quem tem razão ou sequer encontrar pontos consensuais. É «ajudar as pessoas a sair de uma concepção pobre da crença e promover a compreensão que a teologia tem dignidade científica». Começar por dizer “diálogo aberto” e chegar a isto faz-me lembrar as velhinhas com a revista Despertai debaixo do braço que começam por perguntar “Jovem, gosta de ler?”. O que se segue está para o gosto pela leitura como esta iniciativa está para o diálogo aberto.

Para reforçar que isto é só para quem quer ouvir o sermão e não para quem quer debater, deixam claro que só estão interessados no «ateísmo ou agnosticismo nobre, não no polémico», e que não querem debater com «ateus como [Piergiorgio] Odifreddi na Itália, [Michel] Onfray na França, [Christopher] Hitchens e [Richard] Dawkins». Querem um diálogo aberto mas sem polémica.

Talvez seja um problema de generation gap. O topo da hierarquia da Igreja Católica tem apenas homens do tempo em que se levava o catolicismo tão a sério que ninguém apontava estes disparates. Mas hoje, por muito que lhes custe a admitir, as coisas mudaram. Se organizam um “diálogo aberto” só com fantoches, «para criar uma rede de pessoas agnósticas ou ateístas que aceitem o diálogo e entrar como membros na fundação e, portanto, no nosso dicastério», vão ser é gozados.

Se querem dialogar com os ateus então organizem os debates com aqueles que os ateus consideram resumir melhor a sua posição. Se só escolherem os “ateus nobres” que querem fazer parte da Igreja Católica e aproximar-se desse deus o diálogo vai ser notável apenas pelo caricato da iniciativa.

1- Catholic News Agency, Atheists invited to join Vatican Council for outreach initiative
2- The Independent, Vatican reaches out to atheists – but not you, Richard Dawkins

Também no Que Treta!.

1 de Junho, 2010 Eduardo Costa Dias

Exército de Israel cada vez mais controlado pela direita religiosa

Para compreendermos um pouco melhor a vergonhosa acção militar israelita de ontem tenhamos também em atenção o seguinte:

Tsahal aux mains des religieux

L’armée n’attire plus les jeunes laïcs des classes moyennes, mais les pauvres des milieux les plus conservateurs. Certains craignent que leur allégeance à l’Etat en cas d’évacuation des colonies ne soit pas totale.

Si la gauche a raté l’occasion de parvenir à un accord permanent avec les Palestiniens, ces derniers portent aussi une part de responsabilité dans cet échec. Mais, durant ces années perdues, celles des accords d’Oslo [1993-2000], l’armée israélienne a subi un profond bouleversement. Elle aura à jouer un rôle crucial dans tout accord futur, en organisant sur le terrain les retraits territoriaux et les évacuations de colons. Or l’armée de 2010 n’est plus celle de 1993. La composition du corps des officiers d’infanterie, fer de lance de nos unités de combat, a été chamboulée. En 1990, 2 % des cadets étaient des religieux, ils sont désormais 30 %. Six des sept lieutenants-colonels de la brigade Golani sont des religieux et, dès l’été 2010, leur commandant sera lui-même religieux, tandis que trois des sept lieutenants-colonels de la brigade Kfir [infanterie antiterroriste en Cisjordanie] portent la kippa crochetée [des nationaux-religieux]. De même, deux colonels sur six de la brigade Golani et des paras sont également des nationaux-religieux. Enfin, dans certaines brigades d’infanterie, plus de 50 % des commandants locaux sont des nationaux-religieux, soit plus de trois fois la proportion des nationaux-religieux dans la population totale.
S’il ne s’agit pas ici de mettre en doute l’engagement de ces officiers envers Tsahal et l’Etat, il n’en reste pas moins qu’ils sont désormais originaires de régions très différentes de celles des générations précédentes. Il y a vingt ans, les officiers étaient largement issus du Goush Dan [le Grand Tel-Aviv] et du Sharon [plaine côtière entre Haïfa et Tel-Aviv]. Actuellement, la proportion d’officiers issus de ces régions est devenue négligeable, et les quelques officiers encore originaires de Tel-Aviv sont en fait issus des quartiers méridionaux [pauvres et conservateurs]. En termes d’effectifs, une tendance lourde s’est dessinée depuis la fin des années 1990 : dans le sillage de la première guerre du Liban [1982-1984] et de la première Intifada [1988-1992], le nombre d’Israéliens issus de la gauche [Parti travailliste] et de membres des kibboutzim inscrits à l’Ecole militaire numéro 1 [qui forme les officiers de l’armée de terre] n’a cessé de baisser. Désormais, cette frange de la population [sous-entendu : ashkénaze et travailliste] n’est plus présente que dans les rangs de l’Aman [renseignements militaires], de l’armée de l’air et des unités de reconnaissance. Cette désaffection commence aujourd’hui à se ressentir dans le profil des officiers supérieurs qui postulent à la tête de l’armée, et ce phénomène ira en s’amplifiant au cours des quinze prochaines années.
Tsahal continue de se fourvoyer dans les Territoires palestiniens, en apportant une assistance discrète aux avant-postes illégaux [colonies sauvages]. Mais la gauche laïque porte une responsabilité car, en désertant les échelons régionaux et locaux de l’armée pour se concentrer dans l’aviation et le haut état-major, elle a créé un vide dans des pans entiers de l’organigramme militaire, vide qui a été rempli par d’autres. Nombreux sont ceux qui, à l’échelon supérieur de la hiérarchie, estiment qu’il n’y aura pas d’autre possibilité que de procéder à une évacuation massive des colonies. Mais ils savent pertinemment que le prochain désengagement sera beaucoup plus difficile à réaliser que celui du Goush Katif [bloc de colonies de la bande de Gaza, évacué en août 2005]. En cas de désengagement, nombre de commandants locaux obéiront sans doute aux ordres de leur hiérarchie. Mais il est difficile d’imaginer que les officiers originaires d’implantations comme Kedoumim ou Kfar Tapuah [colonies ultranationalistes autour de Naplouse] exécutent sans rechigner l’ordre d’“arracher des juifs à leurs foyers”. Il n’est pas surprenant que la haute hiérarchie militaire ait peur de ce scénario. Lorsque sonnera l’heure du prochain désengagement, peut-être le gouvernement n’aura-t-il d’autre choix que d’envoyer des conscrits renforcer les effectifs des gardes-frontières [gendarmerie], car il semble désormais hasardeux de compter seulement sur les officiers de carrière de l’armée régulière.

http://www.courrierinternational.com/article/2010/05/26/tsahal-aux-mains-des-religieux