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Categoria: Não categorizado

24 de Março, 2011 Ludwig Krippahl

Mais do mesmo…

O Bernardo Motta tem-me criticado pela superficialidade com que trato o que ele chama “os melhores argumentos teístas”. Argumentos como, por exemplo, esta versão do argumento moral que o Bernardo propõe para refutar um tal de “naturalismo darwinista”.

«(1) Se o naturalismo darwinista é verdadeiro, então a moralidade humana é um produto do neodarwinismo (mutação, cruzamento, selecção natural)
(2) Se a moralidade humana é um produto do neodarwinismo, então não existem factos morais objectivos (verdades morais objectivas)
(3) Existem factos morais objectivos
(4) Logo, o naturalismo darwinista é falso»
(1)

Se o Bernardo se refere à teoria da evolução, muito diferente hoje do que era quando Darwin deu o pontapé de saída, a primeira premissa é falsa. Há factores biológicos hereditários que fundamentam a nossa moralidade, como a empatia, a noção intuitiva de justiça e a compreensão das intenções dos outros. Este atributos são evidentes também nos nossos parentes primatas mais próximos, claramente herdados de um antepassado comum. Mas a maioria dos elementos da moral, nas várias culturas, não surgiu por herança e modificação de genes. O respeito cristão pela hóstia consagrada, as formas de vestir, de se dirigir aos pais ou a poligamia dos Mórmones são preceitos morais que, em detalhe, devem muito mais a interacções sociais do que à evolução biológica.

Mesmo ignorando a falsidade da premissa, a inferência no ponto 2 é absurda. A evolução da moral humana não permite concluir nada acerca da “existência de factos morais objectivos”. Pode haver factos morais, a nossa moral ter evoluído e coincidir com esse factos; pode ter evoluído e não coincidir; pode nem existir qualquer facto moral; podemos ter sido criados por um deus mas não existirem factos morais; ou existirem mas não serem os que julgamos ser, e assim por diante. Uma coisa não tem nada que ver com a outra. O Bernardo parece também assumir, implicitamente, que a moral humana é a “Moral Verdadeira, Única e Certa®”, uma premissa difícil de aceitar com a evidência que temos.

Inaceitável também é a alegação do ponto 3, de que “existem factos morais objectivos”. Se “objectivo” quer dizer ser atributo de um objecto, então é evidente que não há factos morais objectivos. Não faz sentido falar de deveres ou direitos de algo que não seja sujeito. A gravidade é um atributo objectivo, mas o dever de respeitar os mais velhos não é aplicável a objectos. E se “objectivo” tiver aqui o sentido mais fraco de independente da opinião de qualquer sujeito, isso não levanta problemas para o naturalismo. É perfeitamente possível que essa moral seja um produto natural da interacção de sujeitos que criam normas consensuais e resistentes a caprichos individuais. Isso existe, sim, mas no sentido em que existem as regras de trânsito, a adopção e os contratos de arrendamento. Existe porque o criamos.

É verdade que, subjacente a estes preceitos morais, gostaríamos que houvesse um fundamento ético universal, algo que permitisse avaliar qualquer norma de forma idónea e independente, e que separasse as morais boas das más (e há muitas que são más). Mas, após milhares de anos de tentativas de sucesso modesto, não se justifica assumir que tal coisa existe e, ainda por cima, que tem origem sobrenatural e nos é dada de bandeja num livro qualquer. Pelo contrário. Ao que tudo indica, se alguma vez conseguirmos um fundamento destes para a moral, será à custa de o criarmos, entre todos, usando as capacidades que herdámos pelo sacrifício de todos os que a evolução condenou a não serem antepassados de ninguém.

O Bernardo até pode ter razão em queixar-se de que eu não perco muito tempo com os “argumentos” teístas. É uma opinião subjectiva. Eu até acho que perco mais tempo com isto do que devia ser necessário. Mas, seja como for, a minha análise não é breve por ignorância ou receio. O problema é simplesmente que os “argumentos” teístas não passam de umbigologia. Inventam umas premissas sem fundamento, não apresentam evidências, martelam inferências sem sentido e tudo isso só para chegar à conclusão que já escolheram à partida. Como um argumento só pode persuadir pela razão se partir de premissas aceites por ambas as partes e seguir uma linha de inferência válida e clara, facilmente se vê que “argumentos” como este que o Bernardo apresenta não servem para nada. Não é preciso uma análise muito elaborada.

PS: Na próxima sexta-feira o Bernardo Motta vai debater com o Ricardo Silvestre no bar do Helder Sanches. Para quem estiver interessado, há mais detalhes aqui e aqui.

1- Bernardo Motta, Ateísmo – homeopatia para o intelecto

Em simultâneo no Que Treta!

24 de Março, 2011 Luís Grave Rodrigues

Bíblia

22 de Março, 2011 Carlos Esperança

A crueldade da profissão

Por

Abraão Loureiro

Lembro-me quando ainda criança de me debruçar sobre o muro do seminário.
Lá em baixo, no campo da bola algumas vezes via rapazes de saiote jogando futebol. Pareciam alegres naqueles momentos. Felizes? Não sei. Apenas os via a uma certa distância.
Aos domingos eles saíam em filas de 2 acompanhados dos prefeitos para o passeio semanal. O percurso era sempre o mesmo mas sempre dava para que os olhos vissem o lado da liberdade. É bom saber que não eram jovens nascidos e criados em cidades mas sim em aldeias onde nem escolas havia e o modo de vida era duro começando o trabalho árduo desde muito cedo. Daí que esse passeio representava acima de tudo um dia de festa. Quantos terão ficado retidos de castigo por mau comportamento privados desse dia tão esperado?!

Época de miséria que fazia dos pobres a maior massa de alunos para a profissão religiosa. Sempre ouvi dizer que muitas famílias sem condições de sustento metiam as chamadas cunhas aos párocos para que os filhos pudessem entrar no seminário. Isso representava duas garantias. A alimentação e a instrução.

Para os mais abastados existiam outras regras. Pela ordem de nascença, um dos filhos era cruelmente encaminhado para o seminário com o fim de subir na vida com a garantia de um posto elevado. Elevado representa DINHEIRO e PODER e daí prá frente a continuidade do bem-estar do rebanho familiar. Manutenção dos estatutos feudais mesmo em regime republicano.

É certo que alguns dizem e até acredito, que ingressaram na carreira por sentido de vocação. Ámen. Acredito também que muitos outros foram seduzidos por catequistas, madrinhas, avós, mães, cérebro esvaziado pelo mundo que os rodeava, etc.. Garantidamente por namoradas não foram.

Também é certo que outros, influenciados pelos pais, frequentaram o curso com a finalidade única de fazerem o ensino com cama, mesa e roupa lavada gratuito para seguirem viagem até à Universidade.

Se os directores seminaristas adivinhassem as intenções, eles jamais comeriam de borla.

Dadas as regras para aceitação, outros, que por gosto ou desgosto só tiveram oportunidade de bater à porta de um mosteiro. Para estes não sei o que teria sido melhor, se o sanatório ou o convento. As depressões não são sentidas pelo doente. Não quero dizer com isto que os considero pessoas de má fé. Antes pelo contrário, acredito que vão imbuídos de bons sentimentos e dispostos a sofrer pelos outros.

Regras fundamentais da casa (mosteiro):
1º – Aqui quem manda sou eu. Democracia.
2º – Quem não cumprir as regras vai pró olho da rua. Compaixão.
3º – Quem tem dote tem direitos. Negócio.

Terminado o seminário o que fazer? Sair? Serviço militar obrigatório? Procurar emprego sem habilitações técnicas ou superiores? Com tantos anos de clausura como será o mundo lá fora? Enfim, um ror de questões para a sobrevivência porque daqui pra frente a única garantia é seguir a carreira profissional ao serviço do Estado Vaticano. É hora do acerto de contas. Gastamos e está na hora de começares a pagar em prestações. Ficas com um franchising modesto para início e se adquirires boas técnicas de marketing poderás mudar de estabelecimento para uma rua mais afreguesada.

Se o agora homem feito já sentindo o chão que pisa tiver olhos para os dinheiros que gere e um pouco de prosápia, poderá subir os degraus da vida tal e qual se sobe na política. É apenas uma questão de jeito e de jeitos.

Sofri mas aprendi. Reprimiram os meus pensamentos e desejos, que mais me resta nesta vida?

Tenho empregada doméstica para todo o serviço. Tenho beatas que não me saem da sacristia. Tenho tempo para ver o Sol e a Lua e ainda sobram uns trocados para ajudar algum familiar que ande à rasca para sustentar a família.

Ora que se lixe! O mundo que me perdoe mas eu vou continuar fingindo que acredito.

21 de Março, 2011 Carlos Esperança

Vidas roubadas por freiras e médicos

Redes de adopções ilegais «exportavam» bebés para o estrangeiro.

Freiras e médicos entregaram recém-nascidos a casais dos EUA e da América Central.

As redes de adopções irregulares que operaram até 1987 actuavam sobretudo em Espanha, mas também o fizeram fora. Diversos testemunhos e investigações de EL PAÍS indicam que estendiam os seus tentáculos a outros países.

Os bebés compravam-se, vendiam-se… e exportavam-se. A investigação levada a cabo por EL PAÍS permitiu descobrir que a fama das freiras e médicos que integravam as quadrilhas de roubo, venda e adopções irregulares de crianças atraiu a Espanha casais de outros países (EUA, México, Guatemala, Venezuela…) que não podiam ter filhos. Assim o fizeram Roswitha Huber, natural de Hollabrunn (Áustria) y Roland Edward Ryder, de Seymore, Texas (EUA). O filho que recolheram na clínica San Ramón de Málaga, Randy, há 10 anos que procura a mãe biológica.

Continue e leia a sua história em El País

17 de Março, 2011 Carlos Esperança

“…no debería haber capillas en las universidades públicas”

Por

E – Pá

Nos domínios do cardeal Rouco Varela, acende-se uma questão religiosa que tem por pano de fundo a Universidade Complutense (Madrid), as suas 5 capelas, um grupo de alunos[as] contestatários, um avisado reitor… e um incontornável convénio com a Conferência Episcopal (espanhola).

Uma mistura explosiva…

E uma interessante entrevista ao El País do reitor Carlos Berzosa link

 

17 de Março, 2011 Carlos Esperança

Sensibilidade dos alunos da Universidade Católica

Alunos da Universidade Católica que participam nas praxes envolveram-se esta noite em cenas de pancadaria com um grupo de sem-abrigo, em Braga.

Os incidentes começaram quando cerca de três dezenas de estudantes da Faculdade de Filosofia (FAC/FIL) da Universidade Católica de Braga, com um grupo de caloiros que praxavam, se terão dirigido aos sem-abrigo que descansavam nos claustros da Rua do Castelo, no centro de Braga. Esta foi a versão unânime dos vários transeuntes, parte dos quais chamaram a PSP.