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Categoria: Não categorizado

21 de Maio, 2011 Abraão Loureiro

O Mundo Acabou (continuando vivo)

Quantas pessoas terão mudado as suas vidas e quantas se terão suicidado por culpa dos profetas sem escrúpulos e sacadores de dinheiro?
O que a justiça deveria fazer a quem ameaça as pessoas desmioladas com fins de mundos?

19 de Maio, 2011 Luís Grave Rodrigues

Prudência

15 de Maio, 2011 Abraão Loureiro

Um Amigo e Pêras

O melhor amigo do meu pai ainda se mantém vivo na minha memória. Era ateu, activista político e considerado um engenheiro civil notável.
Por vários motivos não o posso esquecer: Porque tinha muita paciência comigo; Porque me acarinhava muito (talvez por não ter tido um filho, era pai de duas filhas bem mais velhas do que eu); Porque me explicou coisas que o meu pai não me explicou. Eu era visita constante na sua casa. Havia motivos fortes para isso: Um piano que me atraía e onde eu martelava as teclas, um violino que eu ouvia, pegava mas não me atraía e um carro descapotável onde eu me sentava e sonhava que conduzia. Sua esposa dava aulas particulares de música. Complementava o orçamento familiar em virtude das dificuldades que ele enfrentava constantemente por ser avesso ao regime. Tão avesso foi que volta e meia a PIDE ia a casa prendê-lo. Uma vez ouvi o meu pai contar a um amigo que ele construiu um esconderijo por baixo do monte da lenha na garagem para aí delinear o orçamento possível de forma a família viver enquanto estivesse na prisão. Terminado o esquema de sobrevivência familiar foi-se entregar voluntariamente. Da última vez não voltou vivo, vítima das torturas infligidas.
Um exemplo do seu elevado nível cultural: Numa das noites que ele me acompanhou até casa dos meus avós (nesse tempo eu tinha 7 anos), perguntei-lhe como é que as cegonhas traziam os bebés. Então ele com a sua habitual calma, tanto no falar como no caminhar, foi-me explicando com todos os pormenores o processo desde a concepção até ao nascimento. Fiquei completamente esclarecido e com a certeza que sabia mais que os meus amigos e olhem que nessa altura nós até já sabíamos umas malandrices. Agora, ao lembrar-me de tantas coisas que ele me ensinou fico admirado comigo mesmo pelo facto de sempre o ouvir com atenção e compreender sem ficar constrangido mesmo nos assuntos que envolveram educação sexual, coisa por muitos impensável ainda nos dias de hoje.
Bom, o motivo desta crónica é simples. Apenas contar a troca de galhardetes entre ele e um outro cidadão (ou vilão, pois nessa época era ainda vila).

Todos sabendo o seu ateísmo, numa conversa de rua há um que dispara:
Oh engenheiro, com essas barbas só lhe faltam os cornos para parecer o diabo.
Resposta na ponta da língua: Meu caro pois a si só lhe faltam as barbas!

13 de Maio, 2011 Luís Grave Rodrigues

O Embuste

Faz hoje anos que a Virgem Maria, a mãe de Deus, apareceu pela primeira vez em Fátima a três crianças para transmitir uma mensagem aos Humanos.
Andava preocupada com a gente, coitada.

De início a mensagem foi considerada um segredo divino tal era o seu significado simbólico e a sua enorme relevância para a História da Humanidade.
Só foi conhecida aos bochechos e depois de cuidadosamente dividida em três partes.

Ora, a mensagem da mãe de Deus era de tal forma importante que a sua última parte só foi conhecida meio século depois de nos ter sido transmitida.
Era uma previsão de que um gajo vestido de branco ia sofrer um atentado.

Foi pena que a “previsão” não tivesse sido divulgada mais cedo.
É que quando os prognósticos são feitos no fim do jogo perdem toda a piada, não é?…

Mas na primeira parte a Senhora «mais brilhante que o Sol» disse de facto uma coisa de particular importância para a Humanidade: disse que devíamos rezar muito a Deus.
Ao que parece, Deus gosta muito que lhe rezem. Faz-lhe bem ao ego, dizem.

Mas a especialidade da Virgem Santíssima era de facto a futurologia.
Pelos vistos a capacidade de adivinhação deve ser um dom especial reservado por Deus às mulheres «puríssimas», que são aquelas cujo canal vaginal só funciona no sentido catolicamente correcto, que é o sentido descendente, e que nunca foi conspurcada por essa coisa suja, horrível e pecaminosa chamada sexo.

Foi assim que vinda dos Céus, onde se encontra de corpo e alma, esta anorgásmica mãe, provavelmente com muito pouco que fazer, resolveu vir ao nosso planeta dizer-nos que a Guerra acabava nesse ano de 1917 e que os soldados portugueses estariam de volta ao solo pátrio já pelo Natal.

O pior de tudo foi que a I Guerra Mundial, a tal guerra de 1914-18 acabou, tal como o próprio nome indica… no ano de 1918.
Então não querem lá ver que a mãe de Deus se enganou, coitadita?

Ou seja:
Quer isto dizer que nesta insigne e extraordinária mensagem transmitida aos Homens a mãe de Deus numa parte fez um prognóstico no fim do jogo, noutra disse uma banalidade e na terceira, ó Céus… enganou-se!

É pois para honrar esta extraordinária mensagem que milhares de pessoas se deslocam todos os anos a Fátima para adorar e rezar à Virgem Maria e para comemorar e celebrar a extrema razoabilidade e a lucidez de tudo isto.