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Categoria: Não categorizado

8 de Junho, 2012 Ludwig Krippahl

Ódio é outra coisa.

Num post intitulado “Ódio Ateísta”, o Ricardo Pinho escreve que «O Diário Ateísta é poluição intelectual; um desperdício de energia eléctrica; uma tasca de asco e cuspo.»(1) E assim por diante. Apesar de me parecer uma generalização precipitada, concordo parcialmente com esta avaliação. Há coisas no Diário Ateísta que também me desagradam, que não publicaria em meu nome ou que não me interessa ler. No entanto, parece-me que o Ricardo erra, muito, na extrapolação que faz a partir deste juízo subjectivo.

Escreve o Ricardo que quando fundou o site ateismo.net, «O objectivo principal era […] «a despreconceitualização do ateísmo» mas que «Passados estes anos todos, é ele próprio um antro de preconceito.» Dá a ideia de que as coisas corriam bem quando o Diário Ateísta tinha uma política editorial rígida e agora, que cada um escreve como entende, ficou muito pior. Não é verdade. Eu também participei no DA há uns anos e o problema era, fundamentalmente, o mesmo. Também nessa altura havia muita coisa no DA que não me agradava. O que era de esperar. Afinal, a única coisa que os ateus têm garantidamente em comum é não acreditar que existam deuses. No resto, do sentido de humor à orientação política, discordam tanto quanto quaisquer outros. Além disso, o sistema antigo tinha a agravante de impor a todos os preconceitos de alguns. Por exemplo, havia uma regra que proibia posts em resposta a textos de outros blogs, o que sempre achei um disparate. E acabei por sair daquela encarnação do DA quando me rejeitaram um post sobre o aborto por o considerarem ofensivo, voltando só depois de decidirem deixar cada texto a cargo do seu autor. Agora, pelo menos, os preconceitos de cada um determinam apenas a sua escrita e não obrigam os outros.

O Ricardo pergunta «Qual é a estratégia, qual é o objectivo disto tudo?», referindo-se aos insultos aos crentes religiosos. A resposta está no próprio texto do Ricardo. Quando escreve que o DA é «uma tasca de asco e cuspo» e «voz histérica da parolice ateísta» também não parece ter estratégia ou objectivo além de dizer o que pensa. Mas isso, afinal, é o mais importante. O maior valor da liberdade de expressão não é instrumental. É intrínseco. Vale por si. Seja disparate ou revelação profunda, o mais importante é poder dizê-lo. Se quiséssemos garantir que todos os textos tivessem “estratégia e objectivo” teria de haver alguém a impor estratégia e objectivo aos outros, e esse seria um problema muito maior.

Mas o pior erro é esta coisa do “ódio”: «Ainda pensei que se poderia salvar esta página mudando-lhe o nome para Tasca Ateísta, mas até numa tasca há coisas boas. Mais acertado seria chamar-lhe Ódio Ateísta. [… houve] uma densificação da massa vil: e os odiosos acabaram por gravitar para onde há outros odiosos.» O ódio é um sentimento forte que implica querer mal ao outro. Pode-se inferir que sente algum ódio quem acredita que os ateus merecem uma eternidade no inferno ou que os terremotos são um castigo pela homossexualidade. Mas não se pode concluir que alguém odeia só porque goza ou escarnece de algo. Nem mesmo que diga dos outros que o que escrevem é «é poluição intelectual; um desperdício de energia eléctrica; uma tasca de asco e cuspo.» Quando leio o texto do Ricardo percebo que quer ser duro na crítica mas não concluo que odeia as pessoas de quem fala. Seria uma conclusão injusta e injustificada.

O Ricardo confunde duas coisas muito diferentes. A liberdade de expressão, que tem valor mesmo quando ofende, e o ódio de quem deseja mal aos outros pelo que pensam ou são. É uma confusão infeliz, especialmente neste contexto, porque aquilo que o Ricardo chama “ódio ateísta” são manifestações contra o ódio. O ódio religioso. Algumas podem expressar desprezo, outras podem ser de mau gosto, escárnio ou insulto, mas nenhuma defende que os crentes merecem o tormento eterno por acreditar no que acreditam. No ateísmo que o Ricardo rotula de odioso não há nada equivalente ao ódio que tantos religiosos manifestam contra os homossexuais, contra as mulheres, contra os apóstatas e ateus. Esta é uma diferença fundamental entre o ateísmo e as religiões. Os ateus não o são por obrigação, recompensa ou medo de castigo. Como tal, não consideram que os outros tenham obrigação de ser ateus ou que mereçam castigo se não forem. Mas a ideia da crença religiosa como uma virtude e obrigação moral trespassa praticamente todas as religiões. Isto leva as instituições religiosas a defender o ódio, no sentido muito específico de desejar o mal a quem não partilhar a crença certa. Segundo a doutrina cristã, por exemplo, eu mereço o inferno por achar que Jesus não tinha nada de divino e que o Espírito Santo é tão fictício como a Carochinha. É isto que sugere ódio.

Para concluir, queria apontar duas coisas ao Ricardo. Primeiro, a diferença entre as sociedades que toleram a «poluição intelectual», o «asco e cuspo» e a «parolice ateísta» e as outras sociedades onde as religiões têm mais poder. Dizer mal de Maomé é muito menos odioso do que apanhar dez anos de cadeia por isso (2). E, em segundo lugar, que temos de defender constantemente os nossos direitos para evitar perdê-los. Confundir a liberdade de expressão com o ódio é meio caminho andado para a censura religiosa, leis anti-blasfémia e outras expressões do ódio que motiva as religiões a condenar todos os que rejeitem a doutrina.

1- Ricardo Pinho, Ódio ateísta.
2- The Blaze, Man Gets 10 Years in Kuwaiti Prison for Allegedly Sending Anti-Prophet Mohammad Tweets

4 de Junho, 2012 Carlos Esperança

Uma explicação aos leitores e colaboradores

O Diário Ateísta está sediado num domínio que pertence ao Ricardo Pinho e que, por razões que facilmente se adivinham, o reclama (ateismo.net).

Assim, com os mesmos colaboradores, e sob a responsabilidade de quem assina os textos, sem qualquer censura, procuraremos transferir os conteúdos e dar sequência à divulgação das posições de cada um dos que aqui colaboram.

O Ricardo Pinho colaborará, se necessário, na transferência dos conteúdos para o novo domínio.

3 de Junho, 2012 Luís Grave Rodrigues

Igreja

2 de Junho, 2012 Luís Grave Rodrigues

BLASFÉMIA

1 de Junho, 2012 Abraão Loureiro

O Diário Ateísta não virará um pica-pau entre ateus

Provavelmente muitos do leitores esqueceram ou não leram o conteúdo presente no canto direito da página.

Pois bem, aqui vai o texto:

O Diário Ateísta

Fundado no ano 2000, o ateismo.net foi o sítio web criado para juntar uma comunidade de ateus e ateias portugueses para a formação do que veio a ser a Associação Ateísta Portuguesa. O ateismo.net deu origem ao Diário Ateísta, um dos primeiros blogs portugueses, hoje um espaço privado de divulgação de opinião e comentário pessoal daqueles que aqui colaboram. Todos os textos aqui publicados são da exclusiva responsabilidade dos autores e não representam necessariamente as posições da AAP.

No passado fim de semana realizou-se a Assembleia Geral da AAP.

Como não faço parte da direcção não posso jurar mas acredito que todos foram convocados para estarem presentes.

Ali, seria o local apropriado, para cada um expressar os seus pontos de vista ou debater as suas discordâncias ou consonâncias .

Sou associado e compareci mas outros, por motivos de vária ordem não compareceram. Talvez os discordantes não necessitassem de se expor (a menos que o seu desejo fosse mesmo esse) para dizerem que estão de saída por discordarem dos conteúdos publicados.

E tudo isto por causa de uma simples publicação onde se recomendava a leitura de um livro. Noto que ninguém da lista de colaboradores do DA fez alguma observação à postagem. Os comentários vieram de leitores do lado de fora. Não significa isto que todos os colaboradores estivessem de acordo com o post. Eu por exemplo, já em tempos, não me lembro se aqui no DA, tinha dado a minha opinião negativa sobre o autor do livro. Mas realço que o DA se rege por princípios democráticos e respeita a liberdade dos colaboradores e comentadores.

Há ateus que desejariam que os comentários fossem filtrados mas a opinião dos responsáveis foi a de manter o espaço livre.

Quando comecei a publicar como colaborador (e porque sei que sou acutilante nas palavras), alguém me disse que jamais seria censurado. A responsabilidade seria apenas minha.

Mas eu, eu mesmo, que ao longo dos anos presenciei a postura radical ditatorial do clero, não posso ficar de palavrinhas mansas com essa classe. Porque essa classe fala de mansinho só para “os inícios”, depois agride quem não consegue domar.

Não há apenas pescadores de linha e anzol. Também os há de rede e de mergulho. E nem por isso deixam de ser pescadores. Por morrer uma andorinha não acaba a primavera.

Nos entrementes do escrever e publicar este post, Li comentários sobre o desaparecimento do post em causa e do reaparecimento do mesmo. Eu o vi em 1ª posição e também o vi na 3ª mais que uma vez. Quero com isto dizer aos leitores que o autor tem poderes únicos para o gerir.
1 de Junho, 2012 José Moreira

“Ódio ateu”

Não vou defender o Diário Ateísta, porque julgo não ter legitimidade para tal. Não vou defender os ateus, que não me parece precisarem de quem os defenda – eles safam-se lindamente, sozinhos. Mas vou exercer o direito à legítima defesa, porque me sinto atingido pelas palavras do Ricardo Pinho.

Quando li o artigo do Ricardo Pinho, fui assaltado por dois sentimentos que se confundiram por momentos: primeiro, julguei que os crentes já tinham o direito de “postar” o que é sinal de evolução democrática; depois, “apareceu-me” uma imagem de um puto birrento que, não gostando da sopa, não se limita a berrar “não gosto” ou “não quero”; vai mais longe, e cospe-lhe dentro.

No fim de contas, é o texto do Ricardo Pinho que mostra “ódio ateu”; não aos crentes ou à crença – o que já seria reprovável – mas aos seus pares ateus. Porque não pensam como ele.  O que é sinal de défice democrático. Aliás, consubstanciado na interdição de comentar.
Toda a gente sabe que Deus não existe.  Até o Papa. Mas se os ateus se ficassem por aí, isso equivaleria a voltarem para o armário onde foram obrigados a ficar durante a longa noite católico-fascista – passe a redundância.
O “25 de Abril” trouxe, além de outras coisas boas, a liberdade de expressão. Muitas dessas coisas boas estão a ser retiradas diariamente, e só quem não olha à sua volta é que pode ignorar esse facto. A liberdade de expressão não tardará a seguir o caminho dessas “coisas boas” que todos os dias se transformam em sonho desfeito. Aproveitemos, pois, enquanto podemos. Mais: não sejamos nós a contribuir para a destruição dessa liberdade, através da auto censura. Ricardo Pinho: pela parte que me diz respeito, calar-me-ei quando a isso for obrigado. Até lá, direi o que me apetecer – dentro dos limites que eu achar convenientes.
Poder-se-á objectar que a liberdade tem limites, que “a tua liberdade acaba quando começa a minha” e outras bestialidades do género. Pois bem: os limites à minha liberdade estão plenamente referidos nas leis e convenções sociais. Não preciso que nenhum crente – ateu ou agnóstico que seja – venha dar-me lições a esse respeito; quanto a uma  liberdade acabar quando outra começa, é a maior besteira que conheço: as liberdades não se confrontam, complementam-se. Não aceito lições de um alegado ateu que chama, ao espaço que lhe é oferecido de bandeja, “tasca ateísta”.
Os ateus conquistaram , entre outros, o direito à blasfémia. Se alguém tem o direito de impor divindades cuja existência nunca foi provada, eu tenho o direito de ridicularizar essas imposições. Peçam-me que respeite o cidadão Joseph Ratzinger, e eu não terei o menor problema; mas não me peçam para respeitar o Papa. Ou o Rabino. Ou o Aytatollah.
O Ódio ateísta” só existe na imaginação doentia do Ricardo Pinho. Porque ele não vê, porque não quer, que o ódio é destilado, diariamente, por tudo o que cheira a água-benta e crucifixo, aqui no Diário Ateísta. O Ricardo Pinho não vê, porque não quer, que os crentes não aparecem aqui para contraditar, mas para insultar. E se há excepções, elas só servem para confirmar a regra.  O Ricardo Pinho pretende, certamente, que nós sejamos tratados por “cães”, como já aconteceu mais do que uma vez, e, em resposta, demos a outra face. Ricardo Pinho, parece que houve um gajo que fez isso, há muitos anos, e mataram-no. Além disso, o “assim como nós perdoamos” pode fazer parte das suas orações. Das minhas, não faz.
Escrito com desrespeito ao novo
Acordo (?) Ortográfico.
1 de Junho, 2012 Luís Grave Rodrigues

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