21 de Maio, 2013 Carlos Esperança
A ICAR a caminho da jihad
A Igreja não restaura a Inquisição porque lhe falta força
A Igreja não restaura a Inquisição porque lhe falta força
Elizabeth Murad, de Fort Pierce (EUA), lembra bem do dia em que saiu do convento há 41 anos. Sua sensação foi de alívio. Ela tocou as folhas de cada árvore pela qual passou. Ouviu os pássaros enquanto seus olhos azuis percorriam o céu, as flores e grama. Naquele dia, tudo lhe parecia mais belo.
O vídeo, que foi produzido e realizado pela própria igreja, conta a história real de Miri, uma jovem de 13 anos que assiste, juntamente com o seu irmão menor, ao assassínio dos pais por um grupo de narcotraficantes.
O facto de ser ateu não me impede de admirar a arte religiosa. Ainda vou tendo o discernimento suficiente para separar as águas de modo a entender um “Requiem” como arte musical e não como uma oração fúnebre.
Por isso não fiquei minimamente chocado quando um amigo que, recentemente, tinha visitado Roma e um dos bairros mais mal frequentados da capital italiana, me descreveu o encanto que sentiu ao visitar a Capela Sistina e a fabulosa pintura de Miguel Ângelo: “Tu não imaginas, pá, aquela perfeição, aqueles pormenores! Olha que até o umbigo de Adão é visível!”
Confesso que ainda não tive oportunidade de ver, ao vivo e a cores, a fabulosa pintura; mas também não é muito importante, porque a “Criação de Adão” está à distância de um clique. Tenho-a, agora, à minha frente, e dá para confirmar as palavras do meu amigo: Adão tinha umbigo.
Se tivesse sido feito pelo velhote, nunca poderia ter umbigo. Adão foi gerado, não foi criado.
Tal como o outro.
O J. Cristo.
Com um milhão de desempregados, e a ameaça a pairar sobre os que ainda mantêm um posto de trabalho, instala-se o medo e bloqueiam-se os sonhos e a esperança.
Há nas ruas, nos transportes públicos, nas repartições e oficinas, um silêncio tenebroso, uma paralisia fúnebre e uma tristeza solitária.
A televisão espanhola aconselha rezas e velas acesas. Do Portugal profundo saem ainda velhos rurais, com restos do que foi uma farda militar, convencidos de que foi a Senhora de Fátima que fez o milagre de regressarem vivos da guerra colonial. Buscam a ventura sonhada, para depois da vida, quando se extingue a confiança na única que nos coube.
Quando da terra, que deixou de amanhar-se, e do mar, que vai deixando de dar peixes, não vêm sinais animadores, as pessoas erguem as mão para o céu, numa resignação contida, e vão a pé a Fátima.
São avós que pedem um emprego para o neto, pais a quem se esgotam as prestações de desemprego e mães que veem a dispensa vazia e a quem minguam os ingredientes para a sopa que fumegava à mesa.
Da Europa sonhada por Schuman e Monnet e, ainda, por Delors, resta a merquiavélica visão da agiotagem. Deixámo-nos deslizar para o terreno barroso do nosso desencanto.
Troicam-nos por um prato de lentilhas.
Quanto maior é a desgraça mais a fé se exacerba e a superstição se aprofunda. Fátima é o pântano onde se afoga o desespero.
O Diário de uns ateus é o blogue de uma comunidade de ateus e ateias portugueses fundadores da Associação Ateísta Portuguesa. O primeiro domínio foi o ateismo.net, que deu origem ao Diário Ateísta, um dos primeiros blogues portugueses. Hoje, este é um espaço de divulgação de opinião e comentário pessoal daqueles que aqui colaboram. Todos os textos publicados neste espaço são da exclusiva responsabilidade dos autores e não representam necessariamente as posições da Associação Ateísta Portuguesa.