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27 de Setembro, 2013 Carlos Esperança

Carta de um leitor

Por

Armindo Silva

Jesus e mohamed foram feitos pela mesma gente, o ser humano. Eu estou absolutamente de acordo com o matemático e também digo que a teologia é um autêntico disparate.

Não concordo com a sua maneira de pensar em dizer que devo respeitar pessoas que acreditam em fadas, bruxas, pais natal e que uma virgem pode dar à luz, etc., etc.  A essas pessoas eu mando-as ter com um certo médico, por estarem fora da realidade. É por isso que chegamos onde chegamos com respeito a religiões !… É que essas coisas sendo ditas num contexto religioso, parece que lhes dá um certificado de competência a essa gente que assim fala, incluindo bispos , papas, padres, etc.

Jacques Monod, biologo Francês, prémio Nobel, publicou em 1971 o livro “Chance and Necessity” . – O Acaso e a Necessidade, que foi um marco na literatura das ciências populares, por a sua inequívoca definição que a origem da vida é um mero produto do acaso. O puro acaso é absolutamente livre, mas cego, à própria raiz do estupendo edifício da evolução.

Monod corretamente nega que qualquer interpretação das forças teológicas são necessárias para criar a vida de orgânicos inanimados e, ele descobre de que o comportamento teleonomico funcional é uma das características fundamentais da vida, juntamente como uma morfogenia autónoma, (vida é auto-construtiva).

26 de Setembro, 2013 Carlos Esperança

Pradoxo

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(in El País)

24 de Setembro, 2013 Ludwig Krippahl

Acreditar, saber e afirmar.

O diálogo sobre o fundamento das religiões não sai da cepa torta pela confusão sistemática, e muitas vezes propositada, entre crença e conhecimento. Acreditar é uma atitude pessoal que nada implica para terceiros. Se eu disser que acredito que Deus não existe isto, por si só, não diz nada acerca das crenças dos outros. Apenas falo de mim. Mas se eu afirmar que sei que Deus não existe estou a fazer uma afirmação acerca da verdade desta proposição e, implicitamente, afirmo serem objectivamente falsas todas as crenças contrárias. Saber não é apenas aceitar uma proposição, como acreditar. Pressupõe a verdade da proposição, a falsidade do seu contrário, uma justificação independente de meras opões pessoais e a capacidade para apresentar essa justificação. E como afirmar que se sabe algo é afirmar que quem discorda está enganado, quem afirma saber incorre numa obrigação, ainda que leve, de explicar como sabe. Quem simplesmente acredita não deve explicações a ninguém.

Assim, porque em vez de simplesmente dizer que acredito que Deus não existe eu afirmo saber que Deus não existe, tenho o dever de explicar como concluí isto. Não ponho de parte a possibilidade de erro. É sempre possível julgarmos que sabemos uma coisa e, afinal, estarmos enganados. Mas quando uma hipótese tem muito mais fundamento do que as alternativas justifica-se arriscar dizer que sabemos. Senão nem saberemos se a Terra é redonda. No caso do Deus judeu e suas variantes, há dois conjuntos de factores que justificam esta conclusão. Primeiro, as evidências apresentadas para a existência desse deus não dão qualquer fundamento à conclusão dos crentes. A tradição, os livros sagrados e a fé de milhões não justificam concluir que Allah mandou um anjo falar com Maomé, que Jahve criou o universo em sete dias ou que Deus é três pessoas numa só substância. As alegadas evidências para estes deuses são tão irrelevantes como as que se possa apontar para a ascendência divina do imperador do Japão ou o papel dos Faraós no amanhecer.

Mas isto é apenas falta de evidências para a existência de deuses. Por si só, não é evidência de que não existam deuses, como muitas vezes os crentes apontam. De facto, se eu olhar em volta numa cidade e não vir pombos, será precipitado concluir que não há pombos nessa cidade. Podem estar noutro lado. No entanto, se eu olhar em volta e não vir elefantes a voar é seguro concluir que não há elefantes voadores nessa cidade. A grande diferença é que eu sei que a existência de pombos é plausível por evidências positivas noutras cidades. A existência de elefantes voadores, pelo contrário, não só carece de exemplos positivos como exigiria excepções a generalizações bem fundamentadas, como a de não ser possível um mamífero com aquela estrutura voar. A existência de qualquer uma das versões de Deus sofre deste problema, agravado infinitamente pelos atributos que lhes associam.

É comum que os crentes tentem responder a objecções destas também de forma objectiva. Por exemplo, tentando focar as alegações mais plausíveis da sua crença religiosa ou tentando encontrar diferenças objectivas entre os fundamentos da sua religião e os fundamentos das restantes. Mas, inevitavelmente, chega-se a pontos como a mãe ser virgem, o filho ser deus e o deus ser três onde se torna inescapável o recurso à fé como fundamento último de qualquer dogma. É aqui que o diálogo encrava. Se estivéssemos a falar de crença, de opções de vida, da esperança e desejos de cada um, então a fé seria um fundamento tão legítimo como qualquer outro. Mas isso não tem nada que ver com o conhecimento dos factos e, se estamos a falar de factos e de conhecimento, a fé é irrelevante.

Devia ser óbvio que não se justifica afirmar que algo é só porque alguém gostaria que fosse. Devia ser óbvio que a fé em deuses é uma preferência e não uma forma de sabedoria. Devia ser óbvio que, por muito que muitos creiam, os auto-proclamados peritos em divinologias não sabem o que alegam saber acerca dos seus deuses. Ninguém pode saber essas coisas porque não há evidências que conduzam a tal conhecimento. O que sabemos é que nada indica que existam deuses e que, se existissem, seriam excepções de muitas regras que parecem não as ter. Um deus omnipotente é infinitamente menos plausível do que um elefante voador e não há fé que mude isso. Devia ser óbvio mas, se o admitissem, deixava de fazer sentido haver sacerdotes, bispos, rabinos, teólogos e restantes profissionais da religião. Por isso, fazem tudo para que não seja.

Este parece-me ser o papel do ateísmo. Não é eliminar a crença nem convencer os crentes a deixarem de o ser. Se alguém acha que vive melhor acreditando neste deus ou naquele, ou em todos, pois que o faça. A vida é sua e, acerca disso, não deve explicações. O papel destas expressões de ateísmo é confrontar quem afirma que a sua fé é conhecimento, que é perito no inefável, que é doutor do misterioso e que sabe quantos deuses há, como são e o que querem de nós. A fé não justifica tais alegações e é importante apontar que são tretas. Não para as demolir de uma vez por todas nem para acabar em definitivo com a religião, porque a profissão de representante dos deuses é demasiado atraente para que desistam dela. Mas, como raspar os calos, é preciso ir impedindo que cresça demais e se torne incapacitante.

Este post é dedicado ao Alfredo Dinis, um opositor estimado a quem devo muitos textos e alguns momentos agradáveis de convívio em pessoa. Infelizmente, o Alfredo faleceu no passado fim de semana, vítima de leucemia. O que sei da fragilidade humana não me permite a esperança de que o Alfredo ainda persista numa forma capaz de ler o que eu escrevo. No entanto, a minha memória das objecções, contra argumentos e raciocínio do Alfredo continuará a inspirar-me e informar-me nestes assuntos. É isso a alma. O que sobra quando o nosso corpo morre não é uma substância mística ou uma consciência incorpórea. É o conjunto de pensamentos que passámos a outros que, depois, continuam a pensá-los sem nós. Nesse sentido, o Alfredo continua vivo em muita gente. Obrigado, Alfredo.

Em simultâneo no Que Treta!

17 de Setembro, 2013 Carlos Esperança

Imprensa católica

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Um título à altura do órgão oficial da Diocese de Bragança-Miranda.

17 de Setembro, 2013 Carlos Esperança

Peregrinações eleitorais e eleições piedosas – votos e terços

O presidente da Junta de Freguesia de Grijó organiza a peregrinação a Fátima com 800 idosos, bem comidos, viajados, confessados e comungados e o presidente da câmara de Esposende aluga 32 autocarros para peregrinar 2 mil idosos, também a Fátima, e, com 5 mil euros, a juntar aos 32.500 € da deslocação, dá-lhes a ferramenta que alimentará os seus últimos dias – 1 terço a cada idoso –, para não esquecerem os cuidados da alma e os votos que no dia das eleições irão depor na urna.

A fé viaja com indulgências autárquicas por estradas de Portugal com destino a Fátima. Os pios edis, em vez de ficarem com 1 terço de cada adjudicação, doam um terço a cada idoso que peregrina. O Governo anseia vê-los em defunção, na urna que lhes guardará os ossos, a fim de aliviar a pressão sobre a Segurança Social, mas os autarcas preparam-nos para a urna onde deporão o voto. Entre os votos pios que os autarcas estimulam e os votos partidários que solicitam, é sempre no setor terciário que se movem.

O terço, não a fração nos negócios, o artefacto com que se rezam novenas e se passam os dias a cuidar da alma, são uma imaginativa prenda que só almas sensíveis ao pedido da Irmã Lúcia, são capazes de imaginar. E é tanta a devoção, que nem se lembram de os pagar do seu bolso, renetem a fatura para as despesas da autarquia.

Na idade em que as hormonas se aquietam e os pecados estão ausentes, não há melhor remédio para as tendinites do que dedilhar as contas do rosário e, com padres-nossos e ave-marias, cuidar do caminho do Paraíso. O terço, não a fração dos lucros em negócios autárquicos, o verdadeiro terço, aquele que a Irmã Lúcia recomendou a rogo da senhora mais brilhante do que o sol, é o poderoso demonífugo que os pios autarcas entregam nas mãos devotas que não esquecerão a prenda no dia das eleições.

16 de Setembro, 2013 Carlos Esperança

Onde está o Estado laico?

Em vésperas das eleições autárquicas, o presidente da câmara de Esposende, o social-democrata João Cepa – que não se recandidata ao cargo –, decidiu gastar mais de cinco mil euros  na compra de terços para oferecer aos dois mil idosos que participaram, na semana passada, numa viagem ao Santuário de Fátima.

O aluguer dos 32 autocarros  custou 16,5 mil euros e também foi suportado pela autarquia. Confrontado pelo i, João Cepa afirmou que acha correcto que, num Estado laico, a autarquia gaste dinheiro em artigos religiosos.

14 de Setembro, 2013 Abraão Loureiro

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12 de Setembro, 2013 José Moreira

“Era um biquini, pequenino…”

Decididamente, as opções religiosas são para respeitar.E para impor, acrescento. Assim, por exemplo, se um cristão decide residir num qualquer país islâmico, tem todo o direito a exigir costeletas de porco, no talho. E caso o talho não tenha costeletas de porco, o cristão tem todo o direito a dirimir, em tribunal, o seu suíno direito. Perdão: o direito ao suíno. E estou convicto de que o tribunal, por mais islâmico-fascista que seja, não deixará de fazer a vontade ao simpático cristão, já que as suas opções religiosas não o proíbem de saborear o suíno artiodáctilo do qual a única parte inaproveitável é o grunhido.

Por isso, e por uma questão de reciprocidade, os islâmicos que residam em países ditos de cultura cristianizada, têm todo o direito a fazer as suas exigências. Foi o caso desta jovem,  que, não suficientemente contente por o tribunal a autorizar a ir às aulas de natação em “burquini”, provavelmente vai exigir que todas/os as/os colegas passem a envergar a atraente indumentária, já que o Alcorão proíbe as mulheres não só de exibirem qualquer pedaço de pele que vá além da cara, das mãos e dos pés, como também as proíbe de ver. Ora, a pudibunda jovem recata-se, como manda Maomé, mas a verdade é que vive em pecado, ao visualizar os seus colegas masculinos que, naquela idade, transpiram hormonas por tudo quanto é poro. E a apudorada rapariga, que até passou os oito anos de idade sem ter sido obrigada a casar-se, não pode ser constrangida a ver as insinuadas pendurezas masculinas. Não que, provavelmente, lhe falte vontade; mas o Maomé…

Parece que o tribunal não deu razão à jovem. Lá que se vista de “burquini” para ir nadar, ainda vá que não vá; mas se não quer ver os outros em roupas reduzidas… que feche os olhos.  Por seu lado, a jovem já terá uma justificação para, sem deixar de cumprir o islão, conviver alegremente com os púberes companheiros masculinos.

Ele sempre há coisas que nos ajudam a limpar a consciência. E vale a pena contar um caso que se passou comigo, há uns anos. Num congresso internacional, chegou a hora da refeição. Como o dinheiro não abundava, o cardápio consistia em corriqueira costeleta de porco frita com batata e arroz. À minha frente, na mesa corrida, um paquistanês, quando viu o prato aterrar na sua frente, perguntou-me o que era “aquilo”. Porco, respondi. No seu inglês macarrónico, fez-me saber que a sua religião o proibia de comer aquele petisco. Fiz sinal ao empregado que, perante a minha tradução, solicitamente se prontificou a trocar o prato. Regressou, passados poucos minutos, com o que parecia ser outro prato. O paquistanês repetiu a pergunta anteriormente feita, ao que eu respondi: “Vitela”.

Eis, pois, como um simpático islamista comeu uma saborosa e proibida costeleta de porco, sem sombra de pecado.

Moral da história: todo o burro come palha, é preciso é sabê-la dar. Não se poderia aplicar o ditado à rapariguinha?